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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vida, verso e prosa de Antonio Augusto de Assis



Antonio Augusto de Assis, o A. A. de Assis, é um nome frequente em qualquer rol que se delineie entre os maiores expoentes do movimento trovadoresco brasileiro, tanto entre os poetas em atividade, quanto entre os que já se tornaram eternos (entenda-se "trovadoresco" não em sua ocorrência dicionarizada, pelo menos no "Aurélio", como adjetivo relativo aos trovadores e à trova medieval, mas à trova literária, elaborada hoje por poetas de todo o Brasil, Portugal e países lusófonos, além de disseminar-se com rapidez nos países de língua hispânica, na forma consagrada por Luiz Otávio).


Pois bem, no final de Maio deste ano recebi um exemplar do livro "Vida, verso e prosa", lançado pela Editora da Universidade Estadual de Maringá, em que o autor lecionou, até aposentar-se em 1997. Digo melhor: recebi um tesouro.


Assis conseguiu conciliar, em seu livro, árvore genealógica, biografia, produção poética, crônicas, contos de uma maneira magistral, entremeando seus relatos e impressões com amparo fotográfico, revelando, numa edição primorosa, o cuidado e o afeto pelo qual sua personalidade é destaque e motivo de orgulho entre os trovadores brasileiros.

Em "vida, verso e prosa" temos o Assis cronista que, na crônica "Francisco, o poeta", explica que "...Francisco vem há oitocentos anos tentando convencer a humanidade de que a alegria está nas coisas simples..."

Assis, que compartilha o sobrenome com o Francisco que exalta, é um dos maiores praticantes desta simplicidade. É autor da Missa em Trovas, que desde 1970 é celebrada em nosso país, geralmente em ocasiões de congraçamento de trovadores.

É autor de trovas de beleza ímpar e de humor requintado (que ele chama de brincantes), agregando valor às palavras...

A palavra acalma e instiga;
a palavra adoça e inflama.
- Com ela é que a gente briga;
com ela é que a gente ama!

Convido-os a partilhar
uma gostosa jantinha:
massa com frutos do mar,
ou seja, pão com sardinha...


E Hai Cais (seus triversos)...

Um pingo de luz
no topo do arranhacéu.
Brincando de estrela.


Em poucas linhas, um pouco do Assis e, abaixo, toda a sua simpatia, no traço de Jaime Pina da Silveira!


Sua benção, mestre!


quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Biografia de Luiz Otávio


Livro obrigatório para toda e qualquer pessoa que se disponha a trilhar os caminhos da trova, seja como trovador, seja como leitor.
A autora, Carolina Ramos (chamada com distinção de "Primeira Dama da Trova"), dividiu sua vida com Gilson de Castro (nome registral do grande poeta e criador do Movimento Trovadoresco Brasileiro Contemporâneo), falecido prematuramente em 1977. Radicada em Santos, membro de diversas entidades culturais em sua cidade, dentre elas o Instituto Histórico e Geográfico de Santos e a Academia Santista de Letras. No livro a vida de Luiz Otávio descortina-se como história do próprio movimento trovadoresco, cuja ebulição deu-se no início dos anos 60 e que, graças à força e determinação de seu criador, perenizou-se e avança pelo Século XXI, marcado, agora, pela expansão além-fronteiras dos países de língua portuguesa, conquistando adeptos nos países de língua espanhola (2007 marca os primeiros Jogos Florais de Buenos Aires!), avançando pela Europa, África, América do Sul e do Norte (E.U.A). Sobre as trovas e os trovadores continuarei escrevendo neste espaço... Deixemos, então, que fale Luiz Otávio:
Sou como a cana do engenho...
Quem dera que assim não fosse!
Quanto mais dores eu tenho,
o meu cantar sai mais doce!
-o-o-o-
Desconfio que a saudade
não gosta de ti, meu bem:
quando tu vens, ela vai...
quando tu vais, ela vem!
(Luiz Otávio)