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domingo, 20 de setembro de 2009

* * * * * * * * * * * * Cintilações * * * * * * * * * * * *


(reprodução)

No céu do poeta, asteriscos podem ser estrelas... e uma folha de papel, um Universo inteiro! Digo isso, porque há vários deles na capa do livro Cintilações, de Marina Bruna. O livro pode começar a ser lido, semioticamente, pela capa. Coisa de poeta de primeira grandeza, como as estrelas que retrata. Aliás, como um assunto puxa outro, a palavra "asterisco", segundo o dicionário Aurélio, vem do "grego asterískos, 'estrelinha', pelo latim asteriscu". E falar em grego e em latim, me obriga a mencionar o pai de Marina Bruna, o Professor Jaime Bruna, que lecionou latim na Faculdade de Letras, onde estudo hoje. Tenho uma obra traduzida por ele, "A Poética Clássica", que faz parte da referência bibliográfica do curso.

Voltando à Marina, ela nasceu em Franca, formou-se em Matemática, Pedagogia e Jornalismo e exerceu o magistério em São Paulo. É também compositora e instrumentista musical, poetisa e trovadora.

Marina Bruna, talvez não se recorde, me presenteou em 1997 com o Livro Cintilações (prefaciado por Izo Goldman, Thalma Tavares e Carolina Ramos). 1997 foi o ano em que comecei a fazer trovas. Em 1997, portanto, eu, ávido por aprender a compor trovas, tive a sorte de poder apreciar as trovas de Marina, que, sendo assim, é, ao lado de Antonio de Oliveira, Izo Goldman, Héron Patrício e Pedro Ornellas, sem dúvida, uma de minhas maiores influências na difícil arte de criar trovas. Devo à Marina, muitos preciosos conselhos.


Então, de "Cintilações", algumas trovas para o deleite de todos! Sua benção, Marina!

Tua carícia atrevida,
num suave dedilhado,
musicou a minha vida
com acordes de pecado!

Prostado... na dor infinda
de um desprezo que o consome,
meu coração bate ainda
porque murmura o teu nome!...

A vida insiste em manter
em dois tons sua canção:
o mais agudo é o poder;
o mais grave, a servidão!

(Marina Bruna)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DIVENEI BOSELI


Divenei Boseli é trovadora e sonetista de primeira conjugação... Explico: foi das primeiras que aprendi a admirar quando, das mãos de Antonio de Oliveira, recebia livretos de trovas, com resultados de concursos de todo o Brasil, antes de me tornar trovador! Ou seja, as trovas de Divenei (e de outros grandes trovadores brasileiros) me ensinaram a fazer trovas. Ela é uma das “culpadas”, digamos assim. Posso dizer, então, que eu DIVENEI... Espero que você DIVENEIE, também...


Não regressas... Mesmo assim,
a ilusão que eu julguei morta,
morta de pena de mim,
monta guarda à minha porta.


Saudade, eterno martírio
que ocupa, agora, em meu peito,
os espaços que o delírio
ocupava em nosso leito!...


Vai trabalhar, vagabundo,
grita a mulher, feito gralha;
e ele rosna lá do fundo” :
– “Vagabundo não trabalha!”…

(Divenei Boseli - São Paulo/SP)

Sérgio Ferreira da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Maria Elizabeth Candio

Conheci a autora desse poema na UBT (União Brasileira de Trovadores) e aprendi a admirá-la, primeiro pela força de seus poemas e, depois, pela sensibilidade no trato com os poetas e trovadores. Professora universitária, é uma daquelas pessoas que, embora distante, permanece no carinho e respeito bem pertinho de nós!


Essa Palavra

(Em memória de Clarice Lispector)

Há que me chegar essa palavra,
fraco fio de forte consistência:
Faca e agulha e lâmina e navalha,
que me trava e me é libertadora.


Há que me chegar essa palavra,
leve lã de longa resistência:
Agasalho e meia e luva e malha,
que me encobre e me é reveladora!



Maria Elizabeth Candio

domingo, 26 de agosto de 2007

Maria Lua


“De Lua e de Estrelas” é um livro de autor. Estilo da primeira à última palavra. Maria Lua (radicada em Friburgo) é a poeta que fala do infinito e nos deixa ao lado das estrelas e da harmoniosa cadência do Universo. Maria Lua transpira mistério e sentimento. Tem o olhar treinado de quem vê além das estrelas. É pisciana e aprendeu a identificar o “sorriso das flores”. Mais ainda, uma das grandes divulgadoras da poesia de Mário Quintana. Para você, Lua:


Poeta é aquele que traz
o Sol e Lua em seu peito,
despreza a razão e faz
do desvario... um direito!

(Sérgio Ferreira da Silva)

No livro, ela nos fala sem falar:


O SILÊNCIO


O silêncio
que rodeia o silêncio
em que me calo
é denso
pesado
ansioso...
É um silêncio
que grita lembranças
e ecoa ausências...
É um silêncio
que acentua a mudez
dos gestos pálidos
e desaproveitados...
É um silêncio
que agride a agonia
das palavras úmidas
e inacabadas...
É um silêncio
que assusta as canções
e afasta os poemas...
O silêncio
que envolve o silêncio
em que me fecho
é tenso
opaco
definitivo...


(Maria Lua)