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segunda-feira, 2 de março de 2020

Uma trova por vez... (1)



De volta, após alguns anos, às postagens neste blog, vou recomeçar honrando o nome dele - Trovas e Companhia:

A trova  a seguir foi vencedora, como parte de um conjunto de 5 (cinco) trovas, nos Jogos Florais de Nova Friburgo, no ano de 2017. 


O tema foi "Exemplo" e o conjunto obteve o 2º lugar. Já a trova recebeu, isoladamente, o 1º lugar.

A abordagem foi lírica e a trova brinca com a metalinguagem, ao citar a chamada "rima interna", que é a rima que acontece no interior do poema e não no final de um verso. Vamos à trova e, ao final, mais algumas considerações:


Escondida e quase eterna,
tua vida, em minha vida,
é exemplo de rima interna
que passa despercebida!
 
 (Sérgio Ferreira da Silva)

A rima interna, no caso desta trova ocorre com a primeira palavra "vida" inserida no 2º verso, que rima com a palavra "escondida", que abre a trova, e com o final do 2º e 4º versos. Lembrando que rima é a coincidência de sons.

Quanto ao sentido do poema, a "rima interna" refere-se ao sentimento latente do "eu lírico", de um certo platonismo ou, também,  de um sentimento consolidado entre pessoas que, sem demonstrações efusivas de sentimento, compartilham a vida.

É isto!

Para qualquer outra interpretação ou observação, use o campo de comentários.

Até a próxima!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

POEMA PARA COLORIR



Poema para colorir



Inspirado por esta verdadeira tsunami de publicações para colorir, destinada ao público adulto, em que, geralmente, não há uma palavra sequer, além daquelas dispostas na capa e contracapa, resolvi escrever um poema que falasse, principalmente, daqueles momentos em que a vida transcorre em preto e branco, mas que são excelentes oportunidades de colorização.

A Leila, que leciona Arte,  abraçou a ideia e distribuiu entre seus alunos do ensino fundamental (5º ao 9º anos), cópias do poema para leitura, reflexão e prática de pintura.

Os trabalhos integrarão os portfólios de cada aluno, que serão expostos ao final do curso, juntamente com as demais atividades desenvolvidas pelas turmas.

Outras cópias foram distribuídas a crianças de nosso convívio. Duas delas mostraram o poema a suas professoras de português, que também irão distribuí-las, por sua própria iniciativa, entre seus alunos.

Hoje, pelo menos 500 cópias já foram distribuídas, o que é motivo de alegria.

Abaixo, disponibilizo o poema para cópia e colorização livres e espero, sinceramente, que ele possa colorir os seus momentos.


(Sérgio Ferreira da Silva)



Clique na imagem para ampliar ou imprimir.
















segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Foto na frente do mapa... e as Gotas de Pinho Alabarda!

Nasci em 1963, em junho, quase um ano antes do Golpe Militar de 64. Fui matriculado no 1° ano primário, no Grupo Escolar Camilo Pedutti, em Santo André, no ano de 1970, por absoluta insistência de minha parte. Explico: a matrícula, naqueles tempos, só era admitida a crianças com 7 anos completos. Minha mãe, Dona Helena, conseguiu me inscrever como "ouvinte". Minha primeira professora foi a Dona Veridiana, de quem "ouvi" aulas, achando que era aluno, durante todo o mês de junho de 1970. Na época não as chamávamos de "prô". Vieram as férias e fui convidado a ser aluno, mesmo, a partir de agosto daquele ano. Mudei de sala... e fui aluno da Dona Ivone. No segundo ano, a professora chamava-se Helena, feito minha mãe (uma das professoras mais carinhosas que tive). No terceiro ano, a temida Maria Aparecia, cujos métodos pedagógicos incluiam castigos físicos, um deles puxar o aluno pelos cabelos. Passei a usar brilhantina, nessa época (o que a levou a me puxar pela orelha porque eu havia errado uma questão de geografia). Minha mãe, então, entrou em cena e ela evitou me fazer perguntas... hehehe! Não sei o que elas conversaram, mas provavelmente foi tenso. Em 1973, 4° ano. Professor Kamal, que tinha um lema: fale bem, ou fale mal, mas fale do Kamal! - pura poesia!

Desta época, então, além da saudade saudável, tenho duas fotos, uma delas na frente do mapa, como o título dessa postagem sugere



e um pequeno tesouro, cuja imagem fechará essa nossa conversa.

Outra coisa: da infância, trago ainda grandes amigos e irmãos, alguns do Pedutti, como os Stoianov (Armando e Valdir), o José Antonio Capelli, o José Luiz Beltrame (padrinho da minha filha), o José Lacerda Sobrinho e o Gilmar da Silva Ruiz. Alguns deles não vejo há tempos. Continuam amigos, claro, que a amizade não é algo que acabe! Outros amigos fui fazendo ao longo da adolescência, nas faculdades e pela vida afora... Temos, em comum, além da Carteira de Identidade com numeração baixa, as fotos dos áureos tempos idos... Por isso, combinei com alguns deles (Angelo Eduardo Battistini Marques e Gilmar Santana) que tiraríamos a mesma "foto com mapa atrás" quando nos encontrássemos, ao longo da vida. Até ficarmos velhinhos... Como se pode ver na imagem abaixo (de 2008)!



Por fim, o tesouro que guardo daqueles tempos é um adesivo, com uma trova da poeta Colombina. Estes adesivos vinham de brinde nos pacotes das "Gotas de Pinho Alabarda" e, por iniciativa do Pedro Ornellas, vim a saber que eram divulgados pela trovadora Maria Thereza Cavalheiro, que presidiu a União Brasileira de Trovadores, Seção São Paulo, nos anos 60 e início dos 70. Eu comprava os pacotinhos na saída da escola, porque o "Seu Justo", que era o inspetor de alunos, não permitia o consumo dentro da escola (mas a merenda era ótima!).

Ou seja, as trovas estavam em minha memória afetiva e em uma caixa de guardados que minha mãe ajudou a preservar. Hoje eu faço trovas e as disponho em "adesivos virtuais", estas postagens que espalho em meu blog! Os tempos mudam, os adesivos mudam!

Um grande e afetuoso abraço a todos os meus amigos/irmãos, mesmo àqueles que não estudaram no Pedutti, nos anos 70!

Sua benção, Colombina!





sábado, 17 de setembro de 2011

Action Poetry


(Jackson Pollock)


Action Poetry

Um poema acabado

revisado

rimado

metrificado

consagrado

dissecado

explicado

e publicado

para ser completamente entendido

(ou para fingirmos que sabemos o quanto ele é sublime)

geralmente é comparado às pinturas de

Velázquez

Da Vinci

Caravaggio

Van Gogh

Renoir

Manet

não tão frequentemente às de

Dalí

Miró

Picasso

escrever o poema

no entanto

é jogar

“os grãos na água do alguidar”

escrever é Pollock!


(Sérgio Ferreira da Silva)

sábado, 20 de agosto de 2011

Os Ácaros - História em Quadrinhos

Como comentei em uma postagem de 2008, tive a ideia de criar "Os ácaros" em um curso de histórias em quadrinhos que fiz em Santo André, acredito que em 1990, com o professor Mário Dimov Mastrotti, quadrinista, editor, criador da personagem "Cubinho", publicado no jornal Diário do Grande ABC, entre outros. Na época da primeira postagem, tinha enviado a proposta de publicação da história de apresentação dos "Ácaros" à revista Áporo, editada pelos colegas da USP. O número 2 da revista (junho de 2008) publicou a história, com a arte final da Leila Rodrigues Ferreira da Silva. Por falta de um aparato técnico decente, não havia publicado aqui. A postagem anterior, do Padre Antônio Vieira, me fez lembrar dos Ácaros... Então, segue a história completa, como publicada na revista e exposta na I Mostra de Quadrinhos de Santo André (1990, se não me engano!). É só clicar nas páginas para ampliá-las.






quinta-feira, 28 de julho de 2011

Poemas para nunca mais


Este era um projeto antigo! Poesia livre, concreta, clássica, sonetos e trovas... A essência de minha produção poética de 1997 a 2010. É meu quarto livro pelo Clube de Autores, no qual pude me cercar das duas pessoas que mais me incentivaram durante todos estes anos na elaboração e publicação de meus textos: minha esposa, Leila Rodrigues (autora da capa "Liberdade", que é uma das obras de seu talento que mais gosto) e Antonio de Oliveira, amigo de infância e um dos grandes trovadores brasileiros, que assina o prefácio.

Para visualizar o livro no Clube de autores, clique aqui!

Trovas de Guardanapo


No dia 15 de Maio de 2009, minha filha, Laura, após receber uma trova "de presente" do trovador Campos Sales, sugeriu a elaboração de um livro que reunisse trovas escritas em guardanapos, costume cultivado há meio século, pelo menos, nas confraternizações dos milhares de concursos já realizados em nosso país. No dia seguinte, pusemos a idéia em prática e o resultado está nestas páginas... A capa foi feita por ela, em um guardanapo, no jantar de confraternização dos 50ºs Jogos Florais de Nova Friburgo (o Jubileu de Ouro da Trova Brasileira). O livro tem trovas de 60 trovadores, entre eles um venezulelano (Carlos Rodrigues Sanchez), que estavam presentes ao evento. Todas foram lidas no jantar. A publicação, mais uma vez é uma parceria deste escriba com o Clube de Autores e você pode ler as primeiras páginas do livro, incluindo o prefácio de José Ouverney, da UBT Pindamonhangaba e a apresentação, clicando no link abaixo.

Clique aqui para ler as primeiras páginas do livro!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diários de Bordo (Crônicas)

Sábado (27 de Fevereiro de 2011), lancei meu segundo livro, também pelo Clube de Autores: Diários de Bordo - Crônicas de uma Suspensão". Abaixo, o texto de apresentação, a capa (A redoma), desenho de minha filha, a Laura e o link:

"Coletânea de crônicas publicadas nos fóruns de discussão da ADVFN (www.advfn.com) sobre a empresa AGRENCO LTD., antes, durante e após a suspensão das operações pela CVM. Originalmente, os Diários de Bordo eram postados como "resumos" de ocorrências relacionadas às variações de cotação das BDRs da companhia, negociadas na Bolsa de Valores, sob o código AGEN11. Após alguém chamar o forista Zhemarks de "capitão", o autor teve a ideia de adaptar os fatos do dia às situações e personagens da série Star Trek. Com o tempo, e principalmente após a suspensão das operações, que durou mais de 11 meses, novos personagens passaram a integrar a saga, agora também relacionados à série Star Wars. Assim, Zhemarks tornou-se Capitão Zhé Kirk e Edgar Salomão Mansur, o EDSALO KENOBI. O valor da cotação, por exemplo, R$.2,89, era chamado de setor (espacial) dois ponto oitenta e nove. Acompanhe a saga e seus desdobramentos pelo viés do humor, do mito e do imaginário coletivo, onde realidade e ficção são o pano de fundo para o relato de uma história de superação, união e perseverança. Colaboraram com a edição os foristas TANTEI, ANTONIONF, PEDREIRO, ZHÉMARKS, BHÊ VIEIRA, EDSALO e PETR4USER."





sábado, 5 de fevereiro de 2011

Matéria sobre o projeto "Pão e Poesia"

Descobri hoje um texto interessante, de um jornalista mineiro, que registra alguns aspectos do Projeto Pão e Poesia, do qual participei em 2009/2010. Vamos a ele!


Pão e poesiaA revolução trará não somente direito ao pão, mas também à poesia”
Trotsky
Marcos Fabrício Lopes da Silva*

Graças aos nutricionistas extraordinários, conhecemos uma dieta saudável à base de pão e poesia. O contista cubano Jorge Onélio Cardozo tinha mesmo razão: “o ser humano tem duas grandes fomes, a de pão e a de beleza; a primeira é saciável; a segunda, infindável”. Nesse sentido, o nosso cardápio existencial foi muito bem apresentado pelos Titãs, na canção Comida (1987): “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Ou seja, o indivíduo precisa sustentar o corpo com o pão e a alma com a poesia para zelar pelo seu equilíbrio.

Diante das “duas grandes fomes” humanas, o projeto “Pão e Poesia: em qualquer esquina, em qualquer padaria”, idealizado pelo poeta mineiro Diovani Mendonça, desponta na cena cultural com a apropriação da embalagem utilizada por padarias para divulgar a arte poética ao público, vinculando à necessidade de atender “a fome de pão” dos consumidores o prazer destes em poderem saciar “a fome de beleza”, a partir do alimento poético. Contando somente com a iniciativa voluntária dos seus colaboradores, o “Pão e Poesia” ganhou as ruas em 2008, com a distribuição gratuita de 300 mil embalagens ecologicamente confeccionadas às panificadoras da periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte, visando facilitar o acesso público às obras artísticas e divulgá-las em um suporte bastante alternativo.

No ano passado, o “Pão e Poesia” recebeu com distinção e louvor o 1º lugar no Prêmio Pontos de Mídia Livre, na categoria local/estadual, oferecido pelo Ministério da Cultura. Além do empenho voluntário, a segunda edição do projeto, referente a 2009, foi viabilizada pela premiação e pela parceria com o IAP – Instituto Aprender Profissionalizar. 120 mil embalagens já foram distribuídas às panificadoras, tendo em vista as intenções que acompanham o projeto desde o seu início. Além de reconhecer o trabalho de autores já consagrados, o “Pão e Poesia” abre espaço para novos escritores (que estão à margem da sociedade e das grandes editoras), desperta nas pessoas o gosto pela leitura e o interesse pela arte poética, ampliando o acesso do público a ela.

Na versão 2009, os saquinhos de papel trazem as obras dos artistas plásticos Eduardo Vilela, Gilberto de Abreu, Guido Boletti, Iara Abreu e Jair Leal, além dos poemas de Adriana Versiani, Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, Fabrício Marques, José Ouverney, Marcelo Dolabela, Paulo Franchetti, Paulo Urban, Sebastião Nunes, Wilmar Silva, entre outros. Somam-se aos trabalhos dos 32 poetas/artistas plásticos convidados e homenageados, 108 poemas selecionados por meio de inscrição via internet, nas categorias Haicai, Trova, Soneto e Verso Livre.

As embalagens também participam da exposição itinerante “Pão e Poesia na Escola”, podendo ser oferecidas aos colégios interessados e/ou ampliadas em banners a título de mostra cultural. Aproveita-se o contato com as instituições de ensino para a promoção de oficinas e bate-papos sobre poesia e arte. Esse conjunto de ações visa contribuir para a formação de poetas, leitores e educadores poéticos. Várias escolas públicas das cidades de Contagem, Betim, Esmeraldas, Lagoa Santa, Belo Horizonte, Sete Lagoas e Cotia (SP), foram atendidas pelo programa, que já contemplou cerca de 10 mil estudantes.

A questão educacional também se faz presente nos achados poéticos do “Pão e Poesia”. Neste ano, temos nas trovas de José Ouverney a contribuição decisiva da educação para o desenvolvimento nacional – “Quando a base é a educação/na visão de um governante,/não há no mundo Nação/que não cresça e se agigante!” – e a valorização do agricultor que, mesmo com a escolaridade prejudicada pela extenuante jornada de trabalho no campo, se destaca como produtor de alimentos e de riqueza para o país – “Na roça não tive estudo/mas fiz – calejando as mãos -/dessa escassez de canudo/esta fartura de grãos”.

No haicai de Luiz Carlos Lopes Dinuci, subverte-se a noção clássica de obra como resultado de uma arquitetura textual formalmente acabada para que seja destacada uma noção de processo expressivo aberto, inacabado e constituído por vestígios e restos que protagonizam a construção simbólica do sujeito poético: “Eu não tenho obra./Tudo o que tenho/é o que me sobra”. Clevane Pessoa bebe da fonte oriental para expressar com sutileza e profundidade a importância de se respeitar as diferenças, tendo em vista o aperfeiçoamento da convivência humana: “Força dos opostos/Espirais da eternidade/Yin e Yang: você e eu”.

O soneto “Nostalgia versus Modernidade”, de Sérgio Ferreira da Silva, traz uma narrativa satírica de tom fabular. Em um shopping center, a pobre raposa e a esnobe galinha se encontram. Ao cumprimentar a galinha, demonstrando satisfação por revê-la em tão radiante alegria, a raposa acaba sendo tratada com desdém. Em resposta à declaração arrogante dada pela galinha, que quis se diferenciar pelo status acadêmico e financeiro – “Fiz faculdade e muita economia!” –, a raposa abocanha a sujeita petulante.
No contexto educacional, destaca-se também o poema “Separação de sílabas”, feito, em verso livre, por Lasana Lukata. Assim como se dá com as palavras e a desintegração destas em sílabas, a história da família do eu-lírico foi marcada inicialmente pela união e depois pela separação de seus membros. Vejamos: “na sala de aula/quando a professora perguntava/como era a minha família/eu dizia que era um tritongo/havia cigarra/dançávamos jongo/mas a mãe se foi/a cigarra morreu/a dança acabou/a tristeza invadiu/meu pai e a mim/e viramos ditongo/mas veio a madrasta/que teve três filhos/me jogou num hiato/e fiquei feito um i/em ICARA-í”.
.
* Jornalista, formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Doutorando e mestre em Estudos Literários/Literatura Brasileira pela Faculdade de Letras da UFMG.

sábado, 9 de outubro de 2010

A bienal, os urubus e o vão.



Domingo passado fui, pela primeira vez nesta edição, à 29º Bienal de Arte de São Paulo. Tenho feito isso desde 1984 e costumo fazer duas ou três visitas em cada edição. Já virou um hábito. Ao longo dos anos, vi muitas obras interessantíssimas, frutos da criatividade, do talento, do protesto, e de tudo o que motiva os espíritos indomáveis dos artistas. Procuro não interpretar o que vejo, porque os sentidos se perdem em meio a tantas obras (na casa das centenas). Todo ano, no entanto, a mídia chama a atenção para alguma ou algumas obras específicas. Esse ano não foi diferente: a série Inimigos, do Gil Vicente e Bandeira Branca, de Nuno Ramos, são as vedetes. Na primeira, o artista faz autorretratos em que se apresenta apontando armas para personalidades da política, como a da foto abaixo...


O autor, como algoz de Mahmoud Ahmadinejad (Presidente do Irã)


Na segunda, Nuno Ramos trouxe urubus de cabeça amarela, do nordeste do país e deixou-os "livres" sobre estruturas de metal, dispostas no vão livre do pavilhão. Ambas as obras intrigam: a primeira, porque o artista externa o que parece ser o resultado de uma fúria coletiva, apontando armas para aqueles que personificam algum tipo de opressão ou ideologia perversa; na segunda, por estarmos acostumados a ver urubus em São Paulo, próximos a áreas verdes, rios poluídos, lixões, etc., mas, não para vê-los em um espaço restrito, por mais amplo que seja. A ligação que estabelecemos entre urubus e matéria em decomposição talvez seja o paralelo que o artista queira fazer entre um novo modelo de arte que propõe e aqueles conceitos que trazemos do senso comum. Será que, para ele, a arte, como conceito, é matéria morta? Talvez. Fiz alguns registros da obra Bandeira Branca e o que mais me agradou foi o da foto abaixo, em que os urubus aparentemente observam os visitantes.

Os urubus de cabeça amarela, do alto de sua estrutura, "urubuservando"...


Os urubus voltaram, ontem, para seu habitat, uma reserva florestal. Ficaram o vão, a estrutura, a Bienal e uma sensação estranha, pelo menos em mim, que talvez seja o mote desse poema, um tríptico, que não é um Hai Cai:


VÃO

Vão, os urubus,
ao vão da Bienal...
em vão!

(Sérgio Ferreira da Silva)


Detalhe: o Dicionário Aurélio traz 16 sentidos diferentes para a palavra "vão". Gosto de explorar isso. Outra coisa: achei o Gil Vicente um pouco violento! Hehehe!


"Vais virar comida de urubu!"

sábado, 12 de junho de 2010

Back to the past

Christopher Lloyd na famosa cena do relógio, em Back to The Future
Back to the past!

Quando, por fim, for o fim
e o silêncio gritar por mim,
irei voltar, sem pressa, ao que fui...

Irei, com vagar, feliz e seletivamente,
buscar lugares amenos.

Parnasianamente!

Meus olhos não serão românticos:
manterei uma distância segura,
para que eu não me veja
e não cause um abalo no espaço-tempo-contínuo,
como temia o Doutor Emmett Brown!

Não sou Marty Mcfly!

Meu eu-lírico, agora, escrevendo Back to the past!,
quer apenas resentir...
com um “s” só
mas se ressente, porque o sentimento não volta!

O que volta é vago e descontínuo.
Não há tempo, nem espaço e tudo é diferente.

Voltar é perder tempo: melhor é segurar outra vez a tua mão,
sentir o que houver para sentir, segurando tua mão,
olhando nos teus olhos
e, se pintar um clima,

beijar-te

e elogiar teu novo corte de cabelo!

Parar de pensar no fim...
Apenas um beijo,

agora!

Sérgio Ferreira da Silva

domingo, 23 de maio de 2010

Novas Trovas

Nesse final de semana (21 a 23 de Maio de 2010), ocorre a cerimônia de premiação dos 51º Jogos Florais de Nova Friburgo. Antonio de Oliveira está me representando, o que significa que Friburgo ganhou em qualidade! As trovas que classifiquei, no Tema Brisa, para líricas e filosóficas foram as seguintes...



São de brisa os teus carinhos...
Teus beijos são vendavais...
E eu me perco em teus caminhos,
aguardando... os temporais!

A brisa traz, de antemão,
seu perfume pela rua...
E eu chego a ter a impressão,
de que é você que flutua!

Meu destino não se escreve
à força de um vento forte:
teu olhar é a brisa leve
que determina meu norte!

A mesma brisa que, à noite,
sugere encanto e poesia,
pode ser, também, o açoite
dos que não têm moradia.

Em sua breve existência,
não pode a brisa supor
que, trazendo a tua essência,
me traz a essência do Amor...

no Tema Perigo, para humorísticas foi a seguinte...


“Cuidado! Perigo à frente!”
- dizia a placa – e o Mané
fez a volta, de repente,
e foi em frente... de ré!
(Sérgio Fereira da Silva)

sábado, 14 de novembro de 2009

Landmark

Um landmark (grotescamente traduzido como "marca da terra") pode ser entendido como uma regra imutável, um ponto de referência, um conhecido monumento ou construção antiga, delineador de uma filosofia, ou sentimento comum, um prédio famoso em uma cidade qualquer... Enfim, são várias definições que caminham de mãos dadas. O tema de Friburgo em 2008, na categoria em que concorro, foi "Semblante" e uma das trovas que classifiquei foi a seguinte:


O chão batido,... a porteira,...
o teu semblante... e o destino...
são os marcos da fronteira
entre a saudade... e um menino!

Reflita, então, e procure nas suas lembranças quais são os seus "landmarks". O que ficou de todas as suas vivências e contatos interpessoais?O que é marcante hoje?

A última pergunta eu me fiz... e, para o mesmo concurso, mandei uma outra:


Numa foto digital,
teu semblante, em luz e cor,
é saudade virtual,
no microcomputador...


Boas reticências para você!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Como se faz um comercial de rádio...

Já falei da promoção de sabão em pó da qual participei... Porém, faltou postar o audio do comercial que gravei. Digo mais: gravei mais de um minuto de audio e eles cortaram até o resultado final. Como não sei postar audio, fiz um clip... Lá vai:

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Domingo no Parque 12


Eu gosto do número 12, por uma dúzia de motivos... Os meses, as horas, os signos, os cachos de banana, os ovos da caixa, as caixas de leite na caixa maior...e mais 6 etceteras! Depois daquele domingo inicial, escrevi 12 poemas, para 12 esculturas e para os sentimentos despertados por elas. Foi um exercício interessante, porque pude falar melhor de mim, de outros e do jogo de interações estéticas entre a poesia e a escultura. Voltei à Pinacoteca, depois daquele domingo: as esculturas não eram as mesmas, quer dizer, eram as mesmas mas os seus significados, para mim, haviam mudado! Espero que a série "Domingo do Parque" tenha atuado em sua percepção, leitor, como atuou na minha.


(Luisa - Sonia Ebling - 2000 - Bronze - Acervo da Pinacoteca do Estado - foto by Leila Rodrigues)


Passo suspenso


No mesmo instante

o passado

o presente

e o futuro



Sérgio Ferreira da Silva





segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Domingo no Parque 11

(Voo de Pássaro - Liuba Wolf - 1971 - bronze - Acervo da Pinacoteca do Estado - foto by Leila Rodrigues)

Ninho


O poema voa muito acima de mim:

faz círculos

canta

flana

ameaça pousar


e não pousa!


Aos poucos, aproxima-se

(ele é cauteloso).


Em meu sentimento,

enquanto procuro entendê-lo,

me parece leve

livre

e selvagem!


Mas...

ele pousa


em mim


Ele é maciço

e não pode mais voar...


Sólido.

Pássaro.

O poema.

Sérgio Ferreira da Silva


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Domingo no Parque 10


(PIRAMIDAL 34 - Ascânio Maria Martins Monteiro - 1999 - Alumínio anodizado com parafusos de aço inoxidável - Acervo da Pinacoteca do Estado - fotos by Leila Rodrigues, de dois ângulos diferentes)

Poema Múltiplo


Um verso metrificado,

outro livre...

Metade dele rimado

...o resto, não!


Uma das faces encobre...

a outra mostra!

E é o olhar que, então, descobre

a transparência!


Quantas leituras do olhar

para o mesmo objeto?

O afã de multiplicar

o que é único...


Nós todos somos assim:

múltiplos!

Todas as coisas, no fim,

dependem do ponto de vista!


Sérgio Ferreira da Silva


sábado, 24 de outubro de 2009

Domingo no Parque 9

(FÓSSIL - Granito e escapamento de automóvel - Sônia Von Brusky - 2000 - Acervo da Pinacoteca do Estado - foto by Leila Rodrigues)


Fóssil (ou pequenas histórias para não dormir!)


Naquele tempo,

quando os homens habitavam a terra,

havia enormes povoados,

chamados cidades.

E as cidades cresceram:

as habitações foram ficando cada vez

maispróximasumasdasoutras

até que começaram a elevar-se...

e surgiram os prédios!

E como não havia mais espaços,

tudo ficou distante, tudo!


eparaencurtarasdistâncias


os homens inventaram os carros

que, para funcionarem, usavam combustíveis;

que, queimados, produziam a fumaça

que saía dos escapamentos,

poluindo o mundo, a tal ponto,

que tudo morreu...


exceto os granitos e os escapamentos!


Sérgio Ferreira da Silva