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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Os "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassú Maia - Parte 2: Poesias Livres e Humor

 
 
 
Comentei, na postagem anterior, que "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassú Maia, era dividido em capítulos. Os dois primeiros, de sonetos e poesias clássicas, respectivamente. Então, a seguir, trago umas breves palavras sobre os dois últimos...
 
Ao capítulo III, Edmar chamou CANTIGAS, com poesias livres. Dizem que aqueles que dominam o verso clássico, quando enveredam pelas searas da poesia livre, caminham com grande facilidade. As CANTIGAS de Edmar parecem confirmar isto, como nos trechos desse poema...
 
 
"INVERNO
 
Frios sorrisos,
bocas esfumaçadas pela névoa fria
que faz das mãos figuras indesejadas,
se nos tocam geladas,
ainda que por amor,
e, ainda que por desejo,
até a imagem do beijo
é tão fria quanto o tempo...
 
...
 
...Manhãs molhadas,
a nuvem nos toca a face
mais fria que o sol que nasce
em tristonha timidez,
mostrando e impondo de vez
os rigores da estação...
 
Noites desertas,
a brisa enrijece o rosto,
que com extremo desgosto
demonstra sua tristeza,
ao pressentir a certeza
de uma solidão forçada..."
 
Como podemos notar nestes versos extraídos do poema INVERNO, o espaço exterior é o reflexo do estado anímico do eu lírico. Manhãs e noites frias, úmidas, tristes. O sol, que apesar de ser sinônimo de calor, de vida, é incapaz de alterar o estado interior do poeta, porque ele é a própria tristeza, que se reconhece no clima, nos dias e nas noites. Ele é o inverno.
 
Note, porém, leitor, que os primeiros versos de cada estrofe têm 4 sílabas tônicas e os demais são redondilhas maiores. 
 
Nem se cogite, aqui, que há algum grilhão que prenda o autor. Antes o contrário: o recurso métrico empregado funciona como quebra e retomada de ritmo. A estrofe inicial tem 8 versos e as seguintes 6. O verso inicial funciona como um subtítulo. Os versos iniciais podem ser lidos fora do contexto do poema e permanecem coerentes com o título. 
 
Além disto, temos uma passagem, em todas as estrofes do que é externo (no primeiro verso) para o que é interiorizado (nos demais).
 
Ou seja, Edmar demonstra que um poema livre pode, sem que isto represente perda de liberdade, ser o resultado de uma proposta estética que deve, sim, possuir coerência em sua estrutura para que alcance seu objetivo, sem que, à primeira vista, sequer percebamos. E esta proposta estética não necessariamente deve ser encontrada em toda a obra, podendo variar a cada poema. É a liberdade íntrinseca ao construto, à elaboração e ao próprio poeta que determina a moldagem do poema e o resultado final.

 
E por falar em liberdade, com a qual Edmar sabe lidar tão bem, chego ao capítulo IV, denominado GRACEJOS, de sonetos humorísticos.
 
A simples pronúncia do nome de Edmar refere, nos quatro cantos do Brasil trovadoresco, competência na elaboração de trovas humorísticas, Magnífico Trovador nas duas categorias, por Nova Friburgo, suas trovas são aguardadas com ansiedade pelos cultores do gênero a cada edição do certame, porque trazem a certeza de boas risadas e espelham a competência dele no gênero, dada a facilidade que tem em "brincar" com as palavras, além do primor de suas chaves de ouro, de seus desfechos.
 
Pois bem, os sonetos humorísticos de Edmar não são diferentes das trovas, embora menos conhecidos do público em geral.
 
Destaco, a seguir, um dos meus preferidos, que além de uma chave de ouro primorosa, utiliza uma técnica interessante nos quartetos e tercetos, até o 13º verso, porque trabalham apenas uma descrição, para formar uma ideia, uma imagem na mente do leitor.
 
O soneto me faz lembrar, na verdade um retrato falado, desses que os peritos policiais elaboram a partir dos relatos das vítimas de assaltos e crimes em geral.
 
Melhor do que dissecá-lo, entretanto, é saboreá-lo: deixo ao leitor, então, a tarefa de construir em sua própria mente a personagem descrita por Edmar com riqueza de detalhes. Cada um construirá a sua, com direito a uma citação da Carta de Pero Vaz de Caminha.
 
Encerro, então, honrado, as postagens sobre o livro Sóis e Orvalhos, na certeza de que os versos de Edmar são um presente a ser partilhado, um tesouro que, quanto mais é dividido, mais é multiplicado.
 
 
"CEGO...DE AMOR
 
Um olho é vesgo e o outro esbugalhado.
O nariz mais parece um pimentão.
Uma verruga solitária, ao lado,
enfeita a grande boca de alçapão!
 
A gengiva, num tom arroxeado,
exibe, com orgulho, um só dentão.
No buraco do ouvido, mal lavado,
em se plantando nasce até feijão!
 
O volumoso colo bem moreno,
carrega um seio enorme e outro pequeno,
fato que a obriga andar meio "empenada"...
 
Parece ter na pança amolecida,
aquilo de que atrás é desprovida,
mas... como é linda a minha namorada!"
 
(Edmar Japiassú Maia)

 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Elisabeth Souza Cruz, o Cometa Halley e um legado de esperança



Eu não sou vidente, mas sei o que ocorrerá no dia 28 de Julho de 2061, daqui a 48 anos: o periélio do Cometa Halley, ou seja, sua maior aproximação da Terra. Se será um espetáculo, como foi em 1910, ou se ele passará discretamente, confundindo-se com tantos outros corpos celestes sobre o céu de Nova Friburgo, aí, meu amigo/a, eu não sei!
 
Suponho, também, que os descendentes de Elisabeth Souza Cruz, que contará com muitos anos de poesia, dirão: Olha lá, vovó, ele voltou!
 
Em 2061, estarei com 98 anos (na flor da idade), preocupado em fazer trovas para os 102°s. Jogos Florais de Nova Friburgo, com os temas "Cybergenética e suas implicações nas colônias lunares", para trovas líricas e filosóficas e "Sogra", para humorísticas (porque algumas coisas não mudam nunca!).
 
Deixando a ficção de lado, o maravilhoso livro de Elisabeth é, como ela mesma declarou ao Jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo "... dedicado às crianças que poderão ver o Halley passar no ano de 2.061. Acredito que seja um documento importante para o futuro...”.
 
 
 
 
"Vamos Caçar Cometas" não é um tratado de astronomia, mas fala de estrelas. Nem de biologia, mas fala da natureza. Nem de sociologia, mas fala da sociedade e das relações pessoais. Repleto de crônicas, causos, poesia e impressões de uma autora que, num ambiente familiar muito favorável, deixou aflorar e frutificar toda a sua sensibilidade e maneira especial de ver a vida, como podemos ver nestas trovas que abrem sua caçada ao cometa...
 
 
Minhas mãos... venho trazê-las,
até parecem vazias,
mas são repletas de estrelas
que eu colho todos os dias...
 
 
Muito além do próprio céu,
eu trago estrelas na mão
e assim vou tirando o véu
de qualquer desilusão...
 
 
Ora, prezado leitor, se eu fosse resumir este livro qualquer destas duas "estrelas-trovas" serviriam: a primeira dispõe da maneira como Elisabeth encara o dia a dia: colhendo estrelas, ou seja, buscando preservar os momentos luminosos, positivos e de aprendizado; na segunda, nos indica o que fazer com as estrelas que eventualmente possamos colher...
 
Ler "Vamos Caçar Cometas" é mergulhar na história recente de Nova Friburgo, dos últimos 20, 25 anos, mas sem o didatismo próprio dos livros de história. A autora, de maneira muito agradável, nos toma pelo braço e começa a trilhar os caminhos dos momentos familiares, tirando lições das sagas cotidianas, com bom humor e respeito. Todos os seus textos são dedicados à família, aos amigos, próximos ou distantes, presentes ou de saudosa lembrança, numa magnífica homenagem a todos aqueles responsáveis por sua formação e aos companheiros da grande e elíptica jornada que é a vida, como neste trecho do capítulo chamado "Uma estrela que é 'Mamãe'"...
 
"...Tendo esse gosto apurado pela leitura, mamãe foi ganhando o destaque de 'a intelectual da família Bravo'. Lia de tudo: romance, aventura, ficção. Adorava os estudos espirituais e científicos. Parecia um dicionário em forma de gente,..."
 
Não é à toa, então, que Elisabeth alcançou a intimidade com a palavra, tratando-a com o mesmo carinho herdado de sua mãe. O ditado popular nos socorre, já que "o fruto nunca cai longe da árvore".
 
 
 
Mas, será que somente isto explica o dom de Elisabeth? Talvez... Mas, no capítulo "Travessa Bonsucesso 1 - Casa 10", endereço de Elisabeth em toda sua infância, creio que "reside" o complemento...
 
"...Em qualquer época do ano, música não faltava: desde os clássicos de mamãe a Cauby Peixoto, de tudo se tocava na vitrola..." e, mais à frente: "...A rua onde eu morava era o próprio quintal. A criançada podia brincar, sem qualquer perigo, porque poucos eram os automóveis que passavam..."
 
O capítulo elenca várias personalidades que marcaram a infãncia de Elisabeth e é primorosamente concluído com um exemplo de prosa poética dos melhores...
 
"...As casas não têm mais gerânios nas varandas e eu sinto apenas... um perfume de saudade!"
 
A obra segue um ritmo alegre e descompromissado, tem um ar daqueles encontros de família (sim, o leitor passa a fazer parte da família também!) em que nos sentamos no sofá da sala e os donos da casa trazem seus álbuns de fotografia, para vermos desfilar à nossa frente toda a história de nossos antepassados, até os dias atuais, misturadas com as fotos das crianças de hoje, tataranetos do primeiro fotografado.
 
Mas, como eu disse, o livro de Elisabeth é um registro importante e, tenho certeza que, na posteridade, será tratado como documento imprescindível da trajetória da cidade.
 
Elisabeth não suprimiu, e não poderia, suas impressões sobre os momentos angustiantes da catástrofe natural que castigou a cidade no fatídico 12 de Janeiro de 2011. No capítulo "2011 - O Ano das Coisas Impossíveis (O Ano Ímpar), ela resume o sentimento ímpar que, infelizmente, tornou-se um capítulo da história de toda a humanidade...
 
"...Vivemos dias de sofrimentos indescritíveis e por mais que tudo tenha sido registrado nos meios de comunicação, por mais que a globalização tenha levado o nosso infortúnio aos quatro cantos do mundo, somente o friburguense sabe a dimensão de suas dores."
 
E, como o poeta é poeta em todos os seus momentos, ela assim se expressou...
 
 
O momento é de incerteza,
os dias estão tristonhos...
ideais na correnteza
e barreiras sobre os sonhos!
 
 
Mas o poeta, em geral, acredita em milagres...
 
 
Quando a vida vira escombros,
no sentido verdadeiro,
suportar peso nos ombros
é o milagre derradeiro!
 
 
As trovas de Elisabeth, assim, no que os literatos chamam de gradação, vão nos indicando que o que aconteceu, por mais grandioso e trágico que possa parecer é, também, o final de um ciclo, que ela percebe, alertando...
 
 

Nossa força é redobrada,
é preciso confiança,
pois recomeço é uma estrada
que tem nome de Esperança!
 
Assim, confirma-se, ao fim da leitura, que o livro de Elisabeth é um legado às gerações futuras, que herdarão o privilégio de apreciar o retorno do Cometa Halley e que poderão, sentados no sofá da sala, ter uma ideia do que foi aquele passado distante de 1986, de 2011. Poderão, ainda, constatar que Elisabeth Souza Cruz, sempre teve mãos "repletas de estrelas", para repartir com eles, deixando-lhes uma mensagem de perseverança, nesta trova, que fecha esta postagem...
 
 
"O sonho não acabou!"
Avante, querido povo,
pois Friburgo começou
a ser sonhada de novo!


domingo, 4 de setembro de 2011

Régua Poética... 25 cm de trovas!

Já mencionei aqui algumas maneiras criativas de divulgação de poesia: os 200 outdoors com trovas do Zaé Júnior, nas ruas de São Paulo; as trovas de guardanapo; a trova postal...

Outras iniciativas ocorreram na história do movimento trovadoresco: em Bauru, um Bosque repleto de trovas; chuva de trovas no Terraço Itália, em São Paulo; balões de gás com trovas, em Porto Alegre; as trovas que vinham em cartões autocolantes, nas gotas de pinho Alabarda; as trovas que compusemos para o livro Celebridades, do Sérgio Madureira, além de outras formas de fazer a poesia chegar até o leitor, mas que me escapam do conhecimento e da memória.

Porém, em Nova Friburgo, nos 45°s. Jogos Florais, realizados no ano de 2004, confeccionadas por Pedro Ornellas, que quando não faz poesia é gráfico, foram distribuídas réguas de 25 centímetros com 7 trovas: quatro antológicas e 3 premiadas naquele certame.


(Clique na imagem para ampliar)

A iniciativa é simples, no entanto sua abrangência é espetacular.

Passados 7 anos, a minha conserva a qualidade, mesmo sendo frequentemente utilizada.

O que quero ressaltar é que, seja em imãs de geladeira, seja em brindes, ou pela internet, sempre haverá uma maneira criativa de divulgar seu trabalho de escritor, poeta, advogado, médico etc.

As réguas são uma excelente alternativa de divulgação em escolas e escritórios, por exemplo!

Levei alguns exemplares destas réguas para serem distribuídos na escola próxima à minha residência e o sucesso foi imediato.

Abaixo, então, a trova de Joaquim Carlos, que foi vencedor do concurso local...


Tatuei no peito a imagem
da mulher que eu tanto quis
foi um erro, a tatuagem
hoje em dia é cicatriz!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Trovas de Guardanapo


No dia 15 de Maio de 2009, minha filha, Laura, após receber uma trova "de presente" do trovador Campos Sales, sugeriu a elaboração de um livro que reunisse trovas escritas em guardanapos, costume cultivado há meio século, pelo menos, nas confraternizações dos milhares de concursos já realizados em nosso país. No dia seguinte, pusemos a idéia em prática e o resultado está nestas páginas... A capa foi feita por ela, em um guardanapo, no jantar de confraternização dos 50ºs Jogos Florais de Nova Friburgo (o Jubileu de Ouro da Trova Brasileira). O livro tem trovas de 60 trovadores, entre eles um venezulelano (Carlos Rodrigues Sanchez), que estavam presentes ao evento. Todas foram lidas no jantar. A publicação, mais uma vez é uma parceria deste escriba com o Clube de Autores e você pode ler as primeiras páginas do livro, incluindo o prefácio de José Ouverney, da UBT Pindamonhangaba e a apresentação, clicando no link abaixo.

Clique aqui para ler as primeiras páginas do livro!

domingo, 23 de maio de 2010

Novas Trovas

Nesse final de semana (21 a 23 de Maio de 2010), ocorre a cerimônia de premiação dos 51º Jogos Florais de Nova Friburgo. Antonio de Oliveira está me representando, o que significa que Friburgo ganhou em qualidade! As trovas que classifiquei, no Tema Brisa, para líricas e filosóficas foram as seguintes...



São de brisa os teus carinhos...
Teus beijos são vendavais...
E eu me perco em teus caminhos,
aguardando... os temporais!

A brisa traz, de antemão,
seu perfume pela rua...
E eu chego a ter a impressão,
de que é você que flutua!

Meu destino não se escreve
à força de um vento forte:
teu olhar é a brisa leve
que determina meu norte!

A mesma brisa que, à noite,
sugere encanto e poesia,
pode ser, também, o açoite
dos que não têm moradia.

Em sua breve existência,
não pode a brisa supor
que, trazendo a tua essência,
me traz a essência do Amor...

no Tema Perigo, para humorísticas foi a seguinte...


“Cuidado! Perigo à frente!”
- dizia a placa – e o Mané
fez a volta, de repente,
e foi em frente... de ré!
(Sérgio Fereira da Silva)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma trova para um exemplo...


Minha participação no livro Celebridades, que foi um verdadeiro exercício de pesquisa e descoberta, foi uma oportunidade ímpar, em minha vida. O livro foi lançado em 2005. Conheci o Madureira em 2004. Minha mãe enfrentou um câncer de mama em 2003. Ela me dizia, na época: "A Patrícia Pillar enfrentou e venceu! Eu vou enfrentar e vencer!" E ela conseguiu, mesmo! Na época em que a Elisabeth Souza Cruz me mandava os e-mails com os nomes dos artistas, eu ficava torcendo para que o nome de Patrícia Pillar viesse entre os demais. Até que um dia, veio. Fiquei diante do computador, alguns minutos, olhando uma foto dela e pensando em minha mãe. A trova foi escrita de uma vez, da maneira que foi publicada:

Mostrando força e valor,
Patrícia se fez notícia...
e, hoje, quem enfrenta a dor,
tem um Pilar... em Patrícia!

(Sérgio Ferreira da Silva)

sábado, 12 de setembro de 2009

Convivência poética


(arquivo pessoal - com Antonio Juraci Siqueira e Alonso Rocha, ambos de Belém)


Se tem uma coisa que me agrada, são os e-mails, scraps, cartas, telefonemas e encontros com os poetas e escritores que a vida, generosa, me fez conhecer. No post anterior, falei do Juraci, que conheci em Friburgo, em 2008, mas que já conhecia pelas trovas, pelo "Me leva, Brasil!", quadro que o Maurício Kubrusly, tinha no Fantástico e que virou livro (há uma crônica dedicada a ele no livro!). Pois bem, volta e meia o Juraci me manda alguma coisa. A última foi esse soneto que reproduzo aqui. Notem a convivência, no texto, de elementos da vida cotidiana do filósofo, poeta e artista marajoara, de um "homem da terra"... e da natureza, com os avanços tecnológicos na bagagem!

MARÉ VAZANTE

Plantado em frente ao rio vive o menino
olhando a vida a bubuiar nas águas
junto a detritos, jet skis, tralhotos
e a insensatez dos filhos de Tupã.

Esse menino de cabelos brancos
com pegadas do tempo sobre a face,
tem um olho retido no passado
e o outro atento às cores do amanhã.

Com talas de arumã tece o roteiro
do humano caminhar entre internautas,
matintas, burocratas, lobisomens

e em sítios virtuais cultiva sonhos,
planta amizades, sepulta ilusões
e espera, estoicamente, o anoitecer.

(Antonio Juraci Siqueira)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dado Dolabella e a trova profética

No reality show "A Fazenda", ele ganhou R$.1.000.000,00 (Um milhão de Reais)!

Em 2004, quando participei da confecção das trovas para o livro Celebridades, Dado Dolabella trabalhava na novela "Senhora do Destino", interpretando a personagem Plínio Ferreira da Silva (coincidência engraçada termos o mesmo sobrenome - mas o meu é de verdade!). Calhou do Sérgio Madureira me pedir que fizesse a trova dele, que, à época, participou da trilha sonora da novela, com a música "Facim facim". Fiz a trova e inclui o nome da música e um trocadilho com o título da novela. Hoje, vejo que a trova foi profética... ele venceu o "Reality". Não costumo assistir a esse tipo de programa, nem acredito em previsões, pelo menos não no meu poder de prever, mas coincidências ocorrem toda hora. Fica o registro inusitado...




Senhor do próprio destino,
Dado segue, sempre, assim:
com seu jeitão de menino
vai vencer... "Facim Facim"!

(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Dudu Braga


Ele é filho do "Rei" Roberto Carlos... Ele tinha um programa de verdade, em uma novela! Ele é radialista, músico e traz consigo uma luz enorme... Ou seja, é um homem que fez de uma limitação aparente uma maneira de enxergar bem mais longe que a maioria das pessoas. Foi uma honra escrever uma trova para o Dudu. Outra coisa, enviei para ele uma mensagem pessoal (em braile), com a trova abaixo, que figurou no livro Celebridades (foto), do Sérgio Madureira. Ficou assim...

Na alegria radiante,
DUDU, diante de nós,
é prova viva e constante
de que a LUZ,... também, tem voz!

(Sérgio Ferreira da Silva)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Seguindo pelo corredor... de trovas!

Na postagem anterior, ao explicar o que era o "corredor polonês", não comentei a discutível utilidade "correcional", digamos assim, que muitos grupos deram e dão a ele. No entanto, as trovas que foram gravadas na madeira e dispostas no corredor do restaurante Don Tozzoni, são verdadeiras "bordoadas poéticas", um verdadeiro "espancamento" de sensibilidade, de engenho... e arte! Vamos a mais algumas...

A primeira, da
Elisabeth Souza Cruz, fala em camuflagem, vejam que interessante coincidência... ou não!

Declarar-me... nem me atrevo
com palavras mais ousadas,
e, assim, os versos que escrevo
são propostas camufladas!

Agora, um belo achado de Joaquim Carlos... O detalhe é que os Jogos Florais são realizados, mesmo, no Outono! Fala, Joaquim, meu velho!

Estamos em pleno outono,
mas teu perfume, deveras,
me faz pensar que sou dono
de todas as primaveras!...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Corredor Polonês... de trovas!


O chamado "Corredor Polonês" é uma estreita faixa de terra localizada na Polônia, que abrange grande parte do Rio Vístula. A posse da região passou
da Alemanha para a Polônia em 1919, imposta pelo Tratado de Versalhes. Popularmente, Corredor polonês é o nome dado a uma passagem estreita formada por duas fileiras de pessoas alinhadas lado a lado, todas voltadas para o centro (Fonte, com adaptações: Wikipédia).

No restaurante Don Tozzoni, em Nova Friburgo, há um corredor, a partir da entrada, que leva até o salão principal, onde estão dispostas as mesas. Nesse corredor, de ambos os lados, as paredes são ornadas com trovas de grandes trovadores brasileiros, entalhadas em madeira, sugerindo a forma de pergaminhos abertos...

Por ocasião dos L Jogos Florais, em maio/2009, estive na cidade e fotografei as trovas. Vou colocá-las aqui, paulatinamente, como uma homenagem à cidade e seus trovadores, que há 50 anos recebem poetas de todo o Brasil com hospitalidade, carinho... e um corredor de trovas!

A primeira trova a figurar no "corredor polonês" do blog é de autoria de Nádia Huguenin, que hoje é tão presente... em nossa saudade!


(foto by Sérgio Ferreira da Silva)


Obrigado, sempre, Nova Friburgo!



domingo, 26 de julho de 2009

Trovas de Guardanapo

Nos encontros de trovadores brasileiros, é costume a realização de pelo menos um jantar... Daí que alguém pergunta algo do tipo: "-Você conhece aquela trova do fulano?" Alguém, então, declama a trova, ou a escreve, para resgatá-la, aos poucos, da memória. E onde escrevê-la? No pedaço de papel mais comum dos restaurantes: a conta! Não! Não! No guardanapo!

Pois foi em Friburgo que minha filha, a Laura, teve uma idéia interessante, porque não fazer um livro de guardanapos. A idéia "pegou" e, em poucos minutos, grandes trovadores do Brasil inteiro estavam escrevendo sua trova preferida para ilustrar a primeira coletânea de trovas de guardanapo do Brasil.

Os guardanapos foram reunidos e lidos ali mesmo, no dia 16 de Maio de 2009. Digitalizei os guardanapos e o José Ouverney está revisando, para uma versão eletrônica. Aguardem!


Por enquanto, fiquem com a trova do Magnífico Trovador Arlindo Tadeu Hagen, um refinado aperitivo, antes do "jantar poético" que se aproxima!

Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus.
se não for por meu amor,
fica, pelo amor de Deus!

(Arlindo Tadeu Hagen)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

NOVA FRIBURGO: O SOL DA POESIA

Reproduzo, abaixo, matéria publicada hoje (03 de Outubro de 2008), no Jornal A Voz da Serra, em Nova Friburgo. Obrigado, Sérgio Madureira!

Estamos em plena primavera – a estação das flores, época que, sem dúvida, tem tudo a ver com Nova Friburgo. Aliás, tudo, todas as estações combinam com nossa maravilhosa cidade, cujo clima é um dos melhores do país, como se pode comprovar oficialmente e diariamente nas páginas dos principais jornais, tendo como fonte o serviço de meteorologia.
Mas, como citamos a primavera, as flores e o clima também combinam com poesia. E não se pode esquecer a brilhante denominação, que só poderia ter sido um saque magistral de um poeta, o Magnífico trovador paulista Sérgio Ferreira da Silva, ao se referir a Nova Friburgo: Sol da Poesia.
A história em detalhes ele contou pela primeira vez em maio de 2004, quando veio participar de um dos jogos florais. Em sessão na Câmara de Vereadores, especial para o projeto de lei, então recém-aprovado, que considerou Nova Friburgo a Cidade da Trova, Sérgio, acompanhado de sua mulher e de sua filha, contou que sempre que sai de São Paulo, onde mora, para a serra friburguense, pegando a estrada muito cedo e sob os ares da famosa garoa paulista, tem pela estrada, a cada vez que se aproxima de nossa cidade, a companhia agradável dos raios solares, que vão se intensificando e que sempre estão cada vez mais radiantes em sua chegada. “É o sol da poesia”, decretou ele, que considera ainda o evento de trova realizado há quase meio século em nossa cidade como “a verdadeira Copa do Mundo” do meio trovadoresco.
Sérgio é um verdadeiro amante de Nova Friburgo. E todo o seu caso de amor com a cidade pode ser conferido em seu blog:
http://trovasecia.blogspot.com.
Para comprovar a acertada definição de Sérgio sobre nossa Nova Friburgo, “abençoada por Deus e bonita por natureza”, as belas fotos não nos deixam mentir.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

ESGOTADA A 3ª EDIÇÃO DO LIVRO AME NOVA FRIBURGO


"A terceira edição do Ame Nova Friburgo e suas Maravilhas foi esgotada. Os últimos exemplares estão à venda na Livraria Papelote. O Ame atingiu 2.900 cópias (os últimos cem estão na livraria), um recorde, principalmente se levarmos em conta que é um livro que retrata a história de uma linda cidade do interior. É claro que as vendas foram dirigidas, muitos amigos compraram grande quantidade para presentear, como, por exemplo, Bruno & Marrone (cem exemplares), Latino (50), Roger (50), Julia Lemertz (20), Fábio (empresário de São Paulo - cem), Sami Elali (pai da cantora Marina, cem), o novelista Carlos Lombardi (50), Ronaldinho (cem), Gilberto Silva (50), o mais bem-sucedido empresário de futebol Reinaldo Pitta, que detém passe de jogadores que atuam na Europa (150), e por aí vai.Assim sendo, o livro está circulando no Rio, São Paulo, Salvador, Natal, Espanha, Portugal, Itália, Turquia (com a família Zico) e em diversos outros países, o que é, sem dúvida, uma grande divulgação para NOVA FRIBURGO. O objetivo do Ame é preservar a memória de uma cidade de gente valorosa, contar a nossa rica história, história esta de interesse nacional, e mostrar nossas belezas arquitetônica e natural. Enfim, o objetivo final é que o maior número possível de pessoas saiba que Nova Friburgo existe e venha conhecê-la." (extraído da coluna AME NOVA FRIBURGO, 09.11.2007, http://www.avozdaserra.com.br)
A TROVA:
Em cada cena vivida,
Francisco Cuoco, você
resumiu, com sua vida,
toda a vida da TV!
Sérgio Ferreira da Silva

sábado, 27 de outubro de 2007

Celebridades 2007 - 3ª edição


Eis a capa da 3ª Edição do Livro CELEBRIDADES. Em breve postarei mais algumas trovas e fotos dos artistas... O livro começou a ser vendido também em bancas de jornais, no Rio de Janeiro...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Na sementeira dos sonhos (2)

Promessa é dívida: algumas trovas extraídas do Livro “Na Sementeira de Sonhos”. Dois detalhes: são trovas de poetas “encantados”, cuja obra remanesce e continua a falar por eles... Além disso, a última trova, que traz um “achado” no verso final, nos padrões atuais, foge ao esquema de rima cruzada, porque só rimam o 2º e o 4º versos e seria automaticamente desclassificada em um concurso do gênero.


Depois dos cinqüenta, pai,
a verdade nos corrói.
Não se fala: Como vai?
A pergunta é: Onde dói?

(Luiz Gonzaga Sanches)


Vou no meu rumo ou caminho
colhendo, em coisas de amor:
- De metro em metro, um espinho!
- De légua em légua, uma flor!...

(Luiz Pizzotti Frazão)



Só quem calcula as saudades
que eu sinto do que perdi
é que concorda comigo:
- Eu já não vivo... eu vivi...

(Júlio Zamith)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Trovadores Friburguenses I


"Na Sementeira de Sonhos" é um livro de trovas obrigatório! Coordenado por Rodolpho Abbud (um dos MESTRES da trova literária brasileira), reúne trovas de 51 grandes trovadores friburguenses (19 deles "encantados"), sendo magistralmente prefaciado por João Freire Filho, magnífico trovador do Rio de Janeiro (sua benção, João!). Vou extrair desse livro, pelo menos uma das trovas de cada um deles, que representam, hoje, a cidade que foi o berço do movimento trovadoresco brasileiro contemporâneo.
Minha mágoa e desencanto,
foi ver, no adeus, indeciso,
eu, disfarçando meu pranto...
tu, disfarçando um sorriso!...
(Rodolpho Abbud)
Ante o olhar austero e frio
daqueles que te criticam,
sê feito as pedras do rio:
vão-se as águas... elas ficam!
(Nádia Huguenin)
O trem cortava a cidade
nos meus tempos de criança...
Hoje, corta de saudade
minha mais doce lembrança.
(Heloísa Sauerbronn Brandão)

A Cidade da Trova




Imagine um lugar de clima aprazível,... com um ótimo ar para respirar,... com montanhas ao seu redor... e muito verde. Imaginou? Pois bem: imagine, agora, que neste lugar, uma cidade do Rio de Janeiro, o povo seja vocacionado para receber muito bem os visitantes. Volte no tempo uns 47 anos e imagine que uma dupla de poetas de destaque no cenário nacional, dedicados a compor trovas que encantavam todo o Brasil, nos idos de 1959, portanto, se encantassem com a cidade. Um deles era Gilson de Castro (dentista por profissão e trovador em tempo integral), que adotara o nome artístico de Luiz Otávio. O outro, J. G. de Araújo Jorge, que se tornaria Imortal, na Academia Brasileira de Letras.
Esses dois pioneiros, assim como o semeador da parábola cristã, encontraram, naquela bonita cidade, no início da efervescência cultural dos anos 60, solo fértil para lançar a semente do Movimento Trovadoresco Brasileiro (poetas locais, que no futuro alcançariam reconhecimento nacional, como Rodolpho Abbud, autoridades, comerciantes, e tantos mais quantos quisessem participar do congraçamento cultural)...
Estavam criados os I Jogos Florais de Nova Friburgo! De lá para cá, já se realizaram 48 certames, ininterruptamente! Em 2004, 45 anos depois daquele longínquo 1960, aprovou-se uma Lei Municipal adotando o título de CIDADE DA TROVA para Nova Friburgo, cidade da região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Vou incluir neste Blog algumas trovas de trovadores friburguenses e você poderá concluir se o título é, ou não, merecido...

domingo, 19 de agosto de 2007

Edmar Japiassu Maia


Edmar Japiassu Maia é, sem sombra de dúvida, um dos maiores trovadores brasileiros. Personalidade cativante, humorista dos melhores, foi goleiro do Flamengo, reside no Bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Esse livro, "Sóis e Orvalhos" é um dos que tenho sempre à mão e onde se podem encontrar sonetos líricos, filosóficos e humorísticos, poesias livres e clássicas. Meu soneto predileto é SONETO PARA UM PAI AMIGO (vou publicá-lo futuramente!).


por agora, trova vencedora do Concurso exclusivo para magníficos trovadores, em Nova Friburgo:


Nas asas de um desvario,

tentando um sonho alcançar,

eu despenquei no vazio,

mas... aprendi a voar!