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quarta-feira, 10 de junho de 2015
POEMA PARA COLORIR
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A Aurora e o Poente, de Heloísa Zanconato & José Fabiano
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Os "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassu Maia
E, mais adiante: "...Ali maneja a sua máquina criadora, e dali espalha aos quatro ventos o produto do seu labor diário: versos que nascem com o destino das asas, qual seja o de ascender... subir cada vez mais alto, e mais alto... até confundirem-se com o próprio sol, tamanha a sua luminosidade..."
Além de outras observações que beiram e transcendem a prosa poética, Bernardo arremata seu pensamento, ressaltando a qualidade da escrita do amigo...
"Um texto autêntico, que, faça-se justiça, parece vir pronto da alma para o papel."
Eu posso dizer mais sobre Edmar, mas não com o conhecimento de causa de Sérgio Bernardo. Posso dizer que nos meus primeiros contatos com a trova, Antonio de Oliveira, ao disponibilizar alguns de seus livros para leitura, chamou minha atenção para as trovas de Edmar, como exemplos a serem seguidos. Tarefa impossível, já que o grande trovador burila seu texto e promove a ampliação dos sentidos de um vocábulo com tanta facilidade que a nós, os mortais, só é possível admirá-lo. Digo mais: algumas das conversas que tive com Edmar tornaram possível meu aprimoramento e me indicaram alguns caminhos preciosos na escrita das trovas.
Vamos, então à transcrição de alguns trechos do verdadeiro pote de ouro que é o livro Sóis e Orvalhos, começando por um soneto...
A teoria literária conforma-se em algumas técnicas que possibilitam a análise de qualquer obra a partir do uso de paralelos que podem estar na biografia do autor, em sua localização geográfica e até na história geral e nos movimentos políticos e artísticos de sua época, por exemplo.
Não é isto que farei aqui, mesmo porque não tenho o distanciamento aconselhável do autor. Mas, posso dizer que este soneto é um daqueles que serão apreciados ao longo dos tempos, "mais à frente", como escreveu Edmar.
É uma lição de vida e sobre a vida, da efemeridade e, ao mesmo tempo, da perpetuação dela. É o que me diz o verso "Assim somos nós, entre sóis e orvalhos". Temos, em essência, o mesmo destino das folhas, entre os sóis e orvalhos, os dias e as noites: somos efêmeros, mas, ao mesmo tempo, deixamos um legado. No caso de poetas iluminados como Edmar, um legado de poesia, de uso além dos limites dos sentidos das palavras, usando os registros cotidianos como pano de fundo para a lapidação do texto. Notem que há um ar de crônica no soneto, ou seja, um registro temporal. Sua temática poderia, muito bem ser desenvolvida em prosa, nas páginas de um jornal diário, mas é perfeita como poesia, como soneto.
O livro de Edmar divide-se em capítulos. O primeiro, de onde extraí o soneto acima é GESTAÇÃO. Há mais capítulos, que trarei aqui em uma próxima postagem. No capítulo II, RODA VIVA, Edmar traz poesias clássicas. Entre elas, destaco um trecho de...
Ora, amigo/a, Edmar usa e abusa das metáforas, mas ele pode. É cônscio do poder e da força das figuras que emprega e é magistral na exploração dos sentidos dos vocábulos, como no verso "Seu destino é singrar sem ter destino". Um destino que ora é sina, outra é objetivo, daquele pirata que singra os mares "noite e dia". Olha aí o título do livro novamente: noite e dia, sóis e orvalhos!
A obra de Edmar é coerente em si mesma. Há um sentido, uma estética e, principalmente, uma poética própria, uma espécie de plano, neste poeta que residia no Estácio e que agora respira os ares e a poesia das montanhas na cidade de Nova Friburgo, a mesma onde reside o prefaciador. Terra que foi agraciada, após sofrer tanto, com o convívio diário com alguém que produz uma poesia que, segundo Bernardo, "...Tem brilho próprio, porquanto fruto de uma anímica vocação literária."
E eu, blogando, tenho sorte, muito mais do que muitos ensaístas e críticos literários, porque posso dizer diretamente ao autor: Obrigado, querido Edmar e sua benção dileto amigo!
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Being Sérgio Bernardo
Depois de ler o livro "Asfalto" (lançado pelo selo OffFlip, em 2010), de Sérgio Bernardo, o leitor se vê tentado a, como insinua o título do filme em português, pensar: "Quero ser Sérgio Bernardo"!
Aliás, quem não gostaria de ter escrito...
"Seu sol de catadora,
luz encardida nas calçadas,
gira numa galaxia
de papelão e alumínio,
rendendo trocados
para a quentinha
comida fria
sobre a toalha do asfalto..."
(Cegueira, p. 17)
O título do filme, em inglês, como de praxe nas traduções de títulos de filmes no Brasil, é muito mais abrangente: (Being) "sendo" John Malkovich.
A parábola cinematográfica serve para ressaltar o talento e o estilo do autor.
"Asfalto" é um espetáculo poético, não no sentido festivo do termo, mas por sua grandiosidade, pela capacidade que o livro tem de fomentar, no espírito do leitor, uma profunda e angustiante reflexão sobre o sofrimento e a injustiça que acompanha aqueles que fazem do asfalto sua mesa de refeições, sua cama, sua sala de estar. Mas não é só isso: asfalto também fala dos seres que por ele transitam e que, no mais das vezes acostumaram-se com as imagens dantescas que ele lhes proporciona, como no poema Incompreensão (p. 31):
"Os bons às vezes caminham entre eles,
o céu já lhes foi prometido.
Eles porém ainda não entendem,
com pele cosida aos ossos,
não sabem de paraísos além
de galinha na canja
ou goiabada..."
"Asfalto" talvez seja um retrato poético da chamada "Banalização da Violência", primorosamente discutida por Hannah Arendt, ou seja, as condições precárias de nossa população de rua refletem a violência em estado puro, mantida e financiada pela autoridade do Estado e pela divisão das castas sociais. A vida dos não-sujeitos-de-direito não tem a mínima importância...
"A carne dele é uma sílaba
no conto da cidade,
esconde-se na fenda
de qualquer viaduto.
Um tiro que o atinja
não será ouvido
dentro da música
do dia..."
(Figurante, p. 26)
Ler "Asfalto" podendo ver a paisagem urbana através da visão e dos demais sentidos de Sérgio Bernardo, principalmente aquele sexto sentido tão comum aos poetas, não deve despertar a vontade "Quero ser Sérgio Bernardo". Caso o leitor esteja preparado para ver com os olhos da alma, "Asfalto" será o passaporte carimbado para que, criticamente, por quinze minutos que seja, o leitor deixe de ser o leitor (curvado sob um teto baixo, como os companheiros de trabalho de Cusack) e torne-se o próprio poeta, "being" Sérgio Bernardo!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Cronologia de um poeta - Primeiros Versos
Antônio Carlos, generosamente, me brindou com seu livro “Primeiros versos”, obra que veio a lume como registro da trajetória poética do autor, em seus primeiros tempos de poesia, posto que ele sempre organizou seus escritos (o que costuma ser raro entre os poetas) em ordem cronológica. Faz metalinguagem ao escrever...
ainda hoje, como divinal herança.
Momentos que não saem da lembrança,
eterna e linda flor em meu jardim...”
Publicado pela editora Virtual Books, “Primeiros Versos” transborda talento e alma e sela um compromisso com sua musa inspiradora...
“...Já foste a inspiração dessa minha arte
mais pura, mais singela e em toda parte
alegraste a existência deste asceta.
para que sejas sempre a minha musa,
pois serei para sempre este teu poeta...”
Os Jogos Florais deste ano, em Friburgo, marcaram o primeiro encontro dos trovadores locais com seus admiradores de todo o país. Foi um encontro de emoções sucessivas e intensas... Antônio Carlos Rodrigues, com sua sensibilidade ímpar, foi o protagonista do mais emocionante momento de todos os Jogos Florais, justamente em seus final, como vencedor do concurso realizado nos três dias de jogos, cujo tema foi, muito a propósito, RENASCER... Eis a trova que fecha esta postagem, uma verdadeira chave de ouro:
o renascer desse povo:
Nova Friburgo será
Nova Friburgo de novo!
(Antonio Carlos Rodrigues)
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Poemas para nunca mais

Para visualizar o livro no Clube de autores, clique aqui!
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Poema para um olhar...

Por teus olhos
São olhos questionadores, os teus...
Olhos de quem sabe que é preciso
conhecer... adivinhar e, sobretudo, sentir...
Conhecer, no aprendizado diário
e no curto espaço de uma vida compartilhada;
Adivinhar, como se não fossem necessárias as palavras,
como se não fosse necessário dizer "eu te amo",
como se fosse possível não dizer "eu te amo",
mas adivinhar mesmo assim, e ficar feliz com isso;
E sentir... que as respostas que os teus olhos procuram
estão em ti... e em nós,
não pela complexa arte (quanta arte!) de viver,
mas pelo eterno dom de poder compartilhar a vida,
de poder lutar ao teu lado, perdendo e ganhando,
sofrendo e sendo feliz...
Mas, acima de tudo, por saber que,
por teus olhos, valeu a pena viver!
(Sérgio Ferreira da Silva)
domingo, 14 de dezembro de 2008
O lado literário da Leila...
Mesmo quem conhece a Leila dificilmente conhece a sua escrita: direta, reflexiva, equilibrada e sincera. Faz prosa poética, crônica, poesia. Intuitiva e sempre positiva. Boas festas e bom final de ano a todos! A Leila fala, agora, pela família toda...

Balanço de Final de Ano
Vejo os dias passando diante de meus olhos: observo cada movimento; cada olhar
e escuto todos os pensamentos.
Penetro em olhares, atravessando-os para atingir, além da matéria, a essência de cada um.
Rio e choro,
Brinco e trabalho.
Amo e sou amada, ou odiada.
Sigo minha vida sem entender o porquê da violência, da maldade e da inveja.
Como é bom chegar até aqui e ver tudo de bom que conquistei.
Como é ruim chegar até aqui e ver tudo de mau que já enfrentei.
A vida é uma jornada interessante e trago boas lembranças das pessoas que cruzaram meu caminho e me ensinaram coisas diferentes.
Não tenho riquezas materiais, mas, espirituais, tenho de sobra.
Meu sorriso é meu cartão de visitas.
Minha lealdade, o cartão de permanência.
Meu coração aberto, meu cartão de amizade vitalícia.
Se você é do bem, entre e fique à vontade para repartirmos impressões e vivências.
Se não é, passe, aproveite a boa energia e transforme seus pensamentos.
Precisamos de mais pessoas boas no mundo, para vencermos a violência e a escuridão.
Porque todos nós nascemos para brilhar: não só neste final de ano, mas... por toda a nossa vida!
(Leila Rodrigues)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Incentivando a Poesia e preservando a Natureza!
Pois bem, a empresária e advogada Marinês de Paula, que comanda a empresa Bag Beach, especializada em produção de bolsas e embalagens com a marca da responsabilidade ambiental, ou seja ecologicamente corretas, apostou numa idéia interessante: me propôs estampar em alguns de seus produtos poemas de minha autoria. O resultado está na foto abaixo...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Sérgio Bernardo 2
Já falei dele aqui... Leiam esse poema que venceu um dos mais cobiçados concursos do Brasil... Na formatação em que ele publicou. Fala, aí, Serjão!
Movimento
de espelhos
1
O dia
compõe em mosaicos
meus instantes
Amanheço
fragmentos
e durmo
ilusão de conjunto
na mais total
incompletude
Como quem se mira
em espelhos quebrados
restauro
utópicos fractais
de mim
ainda encontro a forma
de esculpir-me
um corpo indivisível
2
Na minha mesa posta
um bule com o choro de
[ontem
servido amargo
Entre os jornais do dia
o roteiro em detalhes
do que podia ter sido
Em vez da geléia de morango
o suor das tarefas
num pote de cerâmica
A faca corta o pão
como se amputasse
a língua do ódio
No balcão da copa
o relógio do microondas
cobra meu tempo
Todo dia às 7
desjejuo em silêncio
e a família ignora
a fome de dentro
3
Desço escadas
tateando teias
que eu ontem teci
junto às aranhas
Procuro os porões
em que apodrecem
palavras puídas
Entre trastes de avós
coleciono em caixas
remorsos antigos
Não existem janelas
nestes aposentos
e a única lâmpada
ainda nova queimou
As paredes gastas
aceitam o mofo
do modo que aceito
o oco dos dias
Nos meus subterrâneos
por que essa mania
de reter o já findo?
4
Fabrico holofotes
com minhas palavras
Cada gesto meu
produz um incêndio
Semeio lâmpadas na casa
no quintal crio vaga-lumes
Sou eu que toda noite
faço o parto da lua
Nos olhos e sorrisos
idealizo abajures
Adormeço meu frio
no colo do fogo
Com dedos de sol
amanheço a cozinha
Prendo estrelas em fios
e as vendo nas feiras
A claridade é meu ofício
5
Que sei eu das sombras
petrificadas em chinês
nas paredes da infância
Que sei eu dos muros
separando mundos
nos quintais da pátria
Nas mesmas palavras
dos mesmos livros
que sei eu de mim
Que sei eu
ignorante em didática
das aulas sonegadas
Eu que não sei nada
sendo parte de tudo
que sei eu do outro
Que sei eu, me diga
das manhãs e tardes
tecidas em silêncio
Órfão das noites
paginando lendas
que sei eu das luas
Na ciranda do tempo
que sei eu da face
que move os espelhos
(Sérgio Bernardo)
Poema premiado no 43º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), no Paraná
sábado, 15 de novembro de 2008
Adverbiando

Sede de Mente
A anônima mente
mente.
Mente, tão somente,
por ser anônima:
Anonimamente!
A mente
mente, simplesmente.
Mente... por mentir.
Simples mente.
Como mente? Totalmente? Parcialmente?
Mente indefinidamente e,
como mente indefinida,
mente sem alarde,
comumente...
Verdadeiramente, mesmo quem ama
mente:
mente por amar;
mente por mentir...
E quem não ama, mente?
Mesmo quem não amamente!
Urge que, por fim, se saliente:
nem toda mente mente!
Se não houver a quem mentir,
mente a mente
o ente
mente à mente.
Sérgio Ferreira da Silva
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Maria Elizabeth Candio
(Em memória de Clarice Lispector)
Há que me chegar essa palavra,
fraco fio de forte consistência:
Faca e agulha e lâmina e navalha,
que me trava e me é libertadora.
Há que me chegar essa palavra,
leve lã de longa resistência:
Agasalho e meia e luva e malha,
que me encobre e me é reveladora!
Maria Elizabeth Candio
quarta-feira, 30 de julho de 2008
POESIA – PALAVRAS QUE DANÇAM
Um professor de dança de salão, certa vez, no primeiro dia de aula de uma nova turma, perguntou: “Alguém, aqui, sabe dançar?” Ninguém respondeu, claro! Depois, perguntou: “Alguém, aqui, sabe andar?” Todos responderam que sim... E ele concluiu: “Pois bem, pessoal,... dançar é andar... DIFERENTE!”
Observe os períodos seguintes:
I
Quando criança, eu brincava no quintal dos fundos de minha casa, fingindo ser fazendeiro.
II
Em minha infância eu fazia
ser, meu sonho, tão real,
que uma fazenda cabia
no fundo de meu quintal!
(Sérgio Ferreira da Silva)O primeiro período é uma descrição simples de um fato ocorrido no passado do narrador, sem nenhum conteúdo emocional. No segundo, narra-se o mesmo fato, de uma forma específica (quatro linhas – versos -, duas rimas e métrica). Existem, ainda, elementos que não estão escritos, mas que estão presentes: a emoção, a beleza, a imaginação e os sentimentos de quem escreveu e de quem está lendo o texto.
A TROVA
O segundo texto é uma trova, que pode ser definida como “...a quadra de sentido completo, composta com versos de sete sons, ritmo livre e rimas cruzadas.” (Francisco Nogueira). Existem outras definições, mas esta é suficiente neste momento.
A trova, como a conhecemos hoje, tem sua origem próxima nas QUADRAS populares portuguesas, como a seguinte, que todos conhecemos:
Oh, Ciranda, Cirandinha,
vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia-volta
volta e meia vamos dar!
Repare que, na quadra, ocorre a rima somente entre o 2° e o 4° verso: CIRANDAR rimando com DAR. Mas, a propósito, o que é RIMA?
A RIMA
Rima pode ser definida como a coincidência de sons finais entre as palavras. Os sons finais são aqueles obtidos pela emissão da última sílaba tônica (de som forte).
Por exemplo: CRIANÇA - ESPERANÇA // BOLA - ESCOLA // FOGO - JOGO // SELVA - RELVA // GATO - RATO // PÃO - CORAÇÃO.
Aqui, cabe uma pergunta: Pode haver poesia, sem rima? Observe o poema abaixo, de ZAÉ JÚNIOR:
O CAMINHO
Quando se encontra o caminho
basta continuar a descobrir a paisagem
que ele corta ao meio
e a pedra
e a poeira
e os espinhos
para que não sejam pisados.
Quando não se encontra o caminho
basta levantar as mãos
para que Deus as segure.
O efeito das palavras, o sentimento do texto, está expresso nas palavras escolhidas e no significado delas, que, geralmente, vai além daquele que encontramos nos dicionários. Na poesia livre, que é como chamamos este tipo de texto, embora não se use métrica (que é a quantidade de sons de cada verso), nem rima, os versos possuem uma sonoridade e um ritmo que podem variar, mas esta variação integra e reforça o sentido da poesia. O Texto “O CAMINHO”, compara os trechos difíceis que um terreno pode ter e os momentos difíceis que enfrentamos na vida, para dizer, no final, no que chamamos “CHAVE DE OURO”, da importância da FÉ, embora a palavra “fé” não apareça no texto.
Na poesia de Zaé Júnior, então, encontramos aqueles aspectos que mencionamos no início (emoção, beleza, imaginação e a própria conclusão do leitor que interpretou o texto).
POESIA PARA QUÊ?
Qual seria, então, a importância de escrever? Ou melhor, qual a importância de escrevermos Poesia?
Os escritores, os poetas e os bons leitores costumam ser revelados justamente na infância. Quanto mais cedo se começa a ler e a escrever, mais qualidade na nossa capacidade de entender o mundo e de nos fazermos entender pelos outros: melhor convivência e melhor desempenho profissional, afetivo, etc.
A poesia, como sabemos, é uma maneira diferente de dizer as coisas, independentemente de sua forma, ou extensão.
Quando conversamos com alguém, falamos ao telefone, nos dirigimos a um desconhecido, ou precisamos responder um questionário, ou entrevista de emprego, por exemplo, devemos empregar, em cada caso, uma linguagem própria, pela qual nos faremos entender.
Quando lemos um romance, sabemos da necessidade de longos trechos descritivos, para a exata compreensão de um sentimento, ou, mesmo de um lugar qualquer: cada detalhe, cada lágrima, ou sorriso, devem ser detalhados a tal ponto, que possam formar uma imagem exata, quase uma fotografia na mente de quem lê.
A POESIA É DIFERENTE...
Quando lemos um poema, ou quando ouvimos a declamação de um, além da forma (estética), e do fundo (assunto), somos chamados a refletir e a buscar, em nosso íntimo, um sentimento guardado na memória, fruto de nossa experiência pessoal, de nossa emoção... e, é por este motivo que um mesmo poema pode tocar diferentemente cada um daqueles que o lêem, como faz a música: cada um de nós, em geral, prefere um ritmo a outro e, dentro do mesmo ritmo, gosta de uma música e de outra não. Explica-se, também, assim, o fato de música e poesia andarem de mãos dadas.
RITMO E POESIA
Mais recentemente, o RAP (abreviação de rhythm and poetry), suprimindo, quase que totalmente, a base melódica, mas acentuando o beat (batida), bem como valendo-se de versos com rimas menos complexas e letras de forte apelo emocional, próximas da linguagem da juventude (gírias e diálogos rápidos), deu voz à periferia das grandes cidades de todo o mundo, às populações menos favorecidas e ocupou um espaço próprio no cenário cultural.
CONCLUINDO...
Assim, a poesia, com suas diversas formas, numa trajetória que acompanha e, às vezes, até antecipa a evolução humana, naquilo que diz respeito à expressão de seus sentimentos (amor, saudade, dor, perda, alegria, coragem, força, fé, etc.), sempre foi e será necessária no dia a dia de todos nós, como instrumento de cultura, de identidade, de transmissão de conceitos e valores. Afinal, em vez de dizer que o poeta, quando cria, expõe seus sentimentos,... talvez, uma trova... possa dizer mais:
Poeta é aquele que traz
o Sol e a Lua em seu peito,
despreza a razão e faz
do desvario... um direito!
(Sérgio Ferreira da Silva)Agora, você já sabe DANÇAR!
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Reflexões Íntimas

Do livro, destaco, pela profundidade e pela simplicidade...
Cada vez mais espaçado,
depois que a chuva parou,
o pingo d'água, cansado,
foi pingando... e não pingou.
No seu destino traçado,
e no tempo se acabar,
a vida é pingo chorado,
que pinga... até não pingar.
(Waldir Neves)
