Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Falando de Trova

Falando de Trova é um site muito bem organizado, onde se pode acessar o mais completo conteúdo da Net sobre a Trova, os trovadores e a UBT (União Brasileira dos Trovadores). É mantido e atualizado pelo José Ouverney, que é Magnífico Trovador (Título Honorífico concedido pelos trovadores e pela cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, cujo concurso completará 50 anos ininterruptos, em 2009!), que na foto abaixo recebe um prêmio das mãos de Carolina Ramos, de Santos/SP, chamada de "A primeira dama da trova brasileira", por sua importância e dedicação desde os primeiro passos do movimento trovadoresco no Brasil

Carolina Ramos e José Ouverney

e por seu filho José Ouverney Júnior (já é um benemérito da trova!), que você vê na foto abaixo:


Pai e filho

Acesse o link em www.falandodetrova.com.br, que vai aparecer a tela abaixo:



O site é referência para todos os que fazem e apreciam trovas. Tem uma biblioteca excelente e estava indo muito bem, até que o José Ouverney cometeu um ato impensado: me convidou para assinar uma coluna! O resultado do convite está na coluna "Colecionando Trovas", fruto de uns textos que eu já havia publicado no site Mania de Colecionador, mas que terão agora uma roupagem mais dirigida a quem aprecia o trabalho dos trovadores. O blog Trov@s e Ci@ continua com a mesma proposta diversificada. Com seu coração do tamanho de um bonde, o Ouverney me possibilitou fazer um novo trabalho, mais específico, paralelo a esse que faço aqui, focado em minha visão mais trovadoresca, digamos assim, da poesia.

O espaço que o Ouverney está garantindo ao movimento trovadoresco é muito importante. O trabalho que o Pedro de Mello está fazendo no site, por exemplo, é sensacional. Até hoje não havia um olhar mais acadêmico sobre a trova, além de alguns poucos livros e textos de gaveta, pelo menos com a divulgação e o alcance garantidos pelo José! A coluna do Pedrinho é opinativa, polêmica e muito bem fundamentada! Parabéns aos dois!


Professor Pedro Mello

E "vamo" tocando em frente! De público, José Ouverney: MUITO OBRIGADO!

Abração!

Sérgio Ferreira da Silva

Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

O lado poético da Leila (2)

Há um livro chamado "A arte de ver a arte" que, entre diversas observações quanto a estilo, períodos artísticos, técnicas e materiais, indica um caminho para que se veja a obra de arte sem preconceitos (para além do "gostei" ou "não gostei"): é a observação induzida pela própria obra. As duas obras abaixo (o desenho e o poema) são exemplo disso, já que o primeiro, chamado Solidão - grafite sobre papel - induz uma leitura não usual, em que duas imagens projetam duas sensações distintas, dirigindo o olhar do espectador ora para uma, ora para outra direção. No centro da imagem, apenas o vazio...



(clique na imagem para vê-la ampliada!)

O poema - Eu - dispõe duas situações
distintas: o vazio e a força profunda, das perdas e conquistas, do sal que imprime sabor à vida, porque, como a autora mesmo diz, "uma vida sem emoção não é vida". Imagem e palavras de uma mulher que soube, sempre, se reinventar, se fazer melhor a cada dia, cuja caminhada eu, orgulhosamente, acompanho!



Eu

Um vazio profundo

uma rota alterada
uma espada sem fio
uma lágrima derramada

Uma força desmedida

uma forma insensata

uma página já lida
uma história descartada

Uma vida refletida

por atos calculados
Se a dor me vem aturdir

Fiz por onde e assumo os fatos


Se meus erros são tão grandes
Se a paixão move meus atos
Não fujo e pago o preço
De todos os meus pecados

Vida é intensidade

vida é verdade
vida é criatividade

vida é autenticidade

Prefiro ser ousada do que ser Amélia, a mulher de verdade
Prefiro ser rebelde, do que tecer calmamente um tapete

Prefiro meu sangue quente correndo pelas veias em situação de risco, do que a morna sensação do conforto.


A vida é uma só
e deve ser vivida com
intensidade
sabor
prazer

amor
lazer

imaginaçã
o.

Se não for para ser vivida assim,
melhor que se faça o enterro,

porque uma vida sem emoção, não é vida... é morte em vida.

E essa é a pior morte.


(Leila Rodrigues)

Foto Poema 1

Clique na imagem para vê-la ampliada!


Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Momento Acústico 2

Aqui, ou no Youtube:

http://br.youtube.com/watch?v=Q2K7ygmy8iU

video

Momento Acústico 1

No Youtube:

http://br.youtube.com/watch?v=-6pLILH0SpU


video

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Arte 10



Clique na imagem para visualizar os detalhes!




Esse aí é o John Taylor, do Duran Duran, em um quadro de 1986 by Leila Rodrigues: pinceladas expressivas, volume, uso de gradação de tons. Gosto muito.


O lado literário da Leila...



Mesmo quem conhece a Leila dificilmente conhece a sua escrita: direta, reflexiva, equilibrada e sincera. Faz prosa poética, crônica, poesia. Intuitiva e sempre positiva.
Boas festas e bom final de ano a todos! A Leila fala, agora, pela família toda...





Balanço de Final de Ano


Vejo os dias passando diante de meus olhos: observo cada movimento; cada olhar
e escuto todos os pensamentos.
Penetro em olhares, atravessando-os para atingir, além da matéria, a essência de cada um.
Rio e choro,
Brinco e trabalho.
Amo e sou amada, ou odiada.
Sigo minha vida sem entender o porquê da violência, da maldade e da inveja.
Como é bom chegar até aqui e ver tudo de bom que conquistei.
Como é ruim chegar até aqui e ver tudo de mau que já enfrentei.
A vida é uma jornada interessante e trago boas lembranças das pessoas que cruzaram meu caminho e me ensinaram coisas diferentes.
Não tenho riquezas materiais, mas, espirituais, tenho de sobra.
Meu sorriso é meu cartão de visitas.
Minha lealdade, o cartão de permanência.
Meu coração aberto, meu cartão de amizade vitalícia.
Se você é do bem, entre e fique à vontade para repartirmos impressões e vivências.
Se não é, passe, aproveite a boa energia e transforme seus pensamentos.
Precisamos de mais pessoas boas no mundo, para vencermos a violência e a escuridão.
Porque todos nós nascemos para brilhar: não só neste final de ano, mas... por toda a nossa vida!

(Leila Rodrigues)

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Estilhaços (VideoPoema)

video

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Falta de Educação tem cura. Consulte um Professor.





Clique na imagem e leia o adesivo!


Ontem, 09 de Dezembro de 2008, em uma escola estadual, um aluno de 8ª série (portanto na faixa de 14 anos de idade), munido de um skate, cumpriu uma ameaça que fez no mesmo dia à sua professora de português: "...se você me reprovar, vou detonar seu carro!". Cheguei à escola no exato momento em que a professora, em prantos, constatava a execução da ameaça. Registrei, então, no celular, a cena lamentável. Se esse fato fosse perpetrado por um adulto, o código penal disporia como "Crime de Dano". Mas foi um "di menor" que o praticou, então: ato infracional.

Em meu trabalho, por vezes, registro os depoimentos de menores como ele, custodiados (eles não podem ser presos), porque surpreendidos em flagrante (no momento, ou momentos após a prática do ato infracional). Nosso trabalho é certificar as condições físicas do adolescente e colher sua primeira versão dos fatos. A maioria nega qualquer participação. Em geral, eles estão acompanhados da mãe (às vezes da mãe e do pai; muito raramente apenas do pai ou outro "responsável"), que tem as mais variadas explicações para as causas das ocorrências: falta de condições financeiras; as "má companhia"; o vício; a ausência paterna; a índole indomável; e por aí vai.

Não sei o que levou esse menino, de nome bíblico (aliás, de um Rei!), a vingar-se da professora destruindo o vidro traseiro do veículo com seu poderoso Skate. Se um dos motivos acima, ou algum outro de ordem psicológica ou psiquiátrica. Não sei.

Sei, porém, que ela não merecia sofrer esse dissabor. Todos sabemos das precárias condições oferecidas àqueles que abraçam a carreira do magistério. São injustiçados todos os dias, entregando sua saúde e tempo, em troca de uma parca contraprestação. Essa professora, em especial, acredita no poder da educação para mudar o mundo e a realidade daqueles menos favorecidos socialmente: reparem nos dizeres do adesivo colado ao vidro estilhaçado: FALTA DE EDUCAÇÃO TEM CURA. CONSULTE UM PROFESSOR.

Será que o garoto, com nome de Rei guerreiro, leu o adesivo antes de cometer o "ato infracional"? Acho que não! Sua mãe compareceu à escola, na noite do mesmo dia, em prantos, também. O garoto (que trabalha!), compareceu e comprometeu-se a pagar o prejuízo (negando a autoria, embora testemunhas garantissem o fato).

Não acredito que a professora será ressarcida: a dor que ela sentiu não foi patrimonial. O vândalo, com nome de Rei, não demonstrou na retratação a "coragem" que teve ao destruir o patrimônio alheio...

A professora, no entanto, permanece fortalecida. Acredita na educação e tem ciência do bem que faz aos seus alunos, como todos os outros professores e profissionais que trabalham nessa escola estadual .

No mais, acredito que é hora de uma séria revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Brasil necessita de uma melhor análise e acompanhamento dessas gerações que farão as leis do futuro, sob pena de ficarmos subjulgados a pessoas com nome de Rei, ou não, mas com atitudes sanguinárias e violentas, como previu o trovador Antônio de Oliveira:



Onde o ensino é relegado,
e as letras não têm valor,
há de pagar ao soldado,
quem não paga ao professor!

Incentivando a Poesia e preservando a Natureza!

Já falei aqui de algumas coisas interessantes feitas com poesia: o livro Celebridades (Ame Nova Friburgo), do Sérgio Madureira, em que os artistas foram homenageados com trovas; as trovas do Zaé Júnior, em 200 Outdoors espalhados pela cidade de São Paulo; as trovas postais, que espalhei pelo Brasil e as trovas na agenda Livro da Tribo. Outras iniciativas já fizeram, em São Paulo, por exemplo, uma "chuva de trovas". Trovas eram lançadas do alto do Edifício Itália, e eram emcontradas a quilômetros de distância (hoje essa prática não seria aceitável, porque os papéis não recolhidos contribuiriam para entupimento de esgotos. Vale o registro!)

Pois bem, a empresária e advogada Marinês de Paula, que comanda a empresa Bag Beach, especializada em produção de bolsas e embalagens com a marca da responsabilidade ambiental, ou seja ecologicamente corretas, apostou numa idéia interessante: me propôs estampar em alguns de seus produtos poemas de minha autoria. O resultado está na foto abaixo...



Conheça mais da Bagbeach: http://www.bagbeach.com.br

Poemas Desentranhados

Manuel Bandeira (aqui retratado por Portinari) foi protagonista de sacadas poéticas incríveis.
Uma delas:


Poema Desentranhado de Uma Prosa de Augusto Frederico Schmidt

A luz da tua poesia é triste mas pura.
A solidão é o grande sinal do teu destino.
O pitoresco, as cores vivas, o mistério e calor dos outros seres te interessam realmente
Mas tu estás apartado de tudo isso, porque vives n
a companhia dos teus desaparecidos.
Dos que brincaram e cantaram um dia à luz das fogueiras de São João
E hoje estão para sempre dormindo profundam
ente.
Da poesia feita como quem ama e quem morre
Caminhaste para uma poesia de quem vive e recebe a tristeza
Naturalmente
- Como o céu escuro recebe a companhia das primeiras estrelas.

(Manuel Bandeira - Poesia Completa & Prosa, Rio de Janeiro, José Aguilar, 1967)



Esse poema foi "desentranhado" de um artigo do também poeta Schmidt, que foi "ghost writer" do Presidente Juscelino.

Ponto! De exclamação! Metalinguagem pura! Brincadeira literária de um poeta para outro, a partir de uma prosa! Vai analisar um troço desses!

Pois bem, em 2007, minhas aulas de Literatura Brasileira foram ministradas pela Professora Doutora Yudith Rosenbaum, pessoa maravilhosa, autoridade em Clarice Lispector e Manuel Bandeira, que, no primeiro semestre, tratou do Modernismo Literário Brasileiro...

(Yudith Rosenbaum)

Daí, que um colega de turma, de nome Amilkar, figurassa carimbada da faculdade, sugeriu a ela que eu fizesse algo parecido, abordando o Modernismo, que era tratado nas aulas, "porque ele é poeta, professora!"

(Amilkar e Antônio Cândido - Duas figurassas!)

o resultado:


Lobato Malfatti lupus

(poema desentranhado de uma aula de Yudith Rosenbaum)


A luz difusa que sai do retrato ofusca o retratado. Mas,

que retrato é esse, tão diferente do modelo?

Nada nele é familiar, tudo é surpresa e choque.

[o esperado, às avessas...

Por 4’ e 33” a audiência gritou:

[Paranóia! Paranóia!

E a orquestra obedecia ao comando do Maestro,

[Silenciosamente mistificada,...

por 4’ e 33”!

A subjetividade retratada é tensa,

[e é feia,

[objetivamente feia!

O belo é outra coisa, diferente, não contrária.

Lobato não entendeu

[ou fingiu não entender!]

:foi Dorian Gray, depois do pacto:

[um retrato envelhecido...

... de si mesmo!

(dedicado a Amilkar Henrique Gonçalves de Moura e a Yudith Rosenbaum)

Sérgio Ferreira da Silva

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

O melhor show da minha vida! (The best show of my life!)

RED CARPET MASSACRE - DURAN DURAN - VIA FUNCHAL/SP - 21 e 22 de Novembro de 2008.

(Foto by Sérgio Ferreira da Silva)

Valeu a espera de 20 anos para rever esse grupo, que fez muito sucesso nos anos 80, com hits como Save a Prayer, The Reflex e Wild Boys. Em Janeiro de 1988, eu e a Leila (já noivos) assistimos a participação deles no festival chamado HOLLYWOOD ROCK. No mesmo dia, apresentaram-se o grupo brasileiro ULTRAJE A RIGOR e o também inglês SIMPLY RED. Todos com ótimas performances. Agora em 2008, além da sempre companheira Leilinha, a filhota LAURA também compareceu e vibrou em dobro, pelos dois quarentões. Nos dois dias, ficamos em locais ótimos, colados à grade, a dois metros de distância dos ídolos. Conhecemos outros fãs do grupo, da nossa geração, além de outros mais novos. Foi emoção pura! Quando se reencontram velhos companheiros a alegria e a festa estão garantidas. O Duran Duran sempre esteve conosco, fez a trilha sonora da nossa vida e, pelo visto, fará um pouco da trilha da Laura, também...

(Foto by Cuca Pimentel - www.obaoba.com.br)

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Sérgio Bernardo 2




Já falei dele aqui... Leiam esse poema que venceu um dos mais cobiçados concursos do Brasil... Na formatação em que ele publicou. Fala, aí, Serjão!


Movimento
de espelhos

1
O dia
compõe em mosaicos
meus instantes

Amanheço
fragmentos
e durmo
ilusão de conjunto
na mais total
incompletude

Como quem se mira
em espelhos quebrados
restauro
utópicos fractais
de mim

ainda encontro a forma
de esculpir-me
um corpo indivisível

2
Na minha mesa posta
um bule com o choro de
[ontem
servido amargo

Entre os jornais do dia
o roteiro em detalhes
do que podia ter sido

Em vez da geléia de morango
o suor das tarefas
num pote de cerâmica

A faca corta o pão
como se amputasse
a língua do ódio

No balcão da copa
o relógio do microondas
cobra meu tempo

Todo dia às 7
desjejuo em silêncio
e a família ignora
a fome de dentro

3
Desço escadas
tateando teias
que eu ontem teci
junto às aranhas

Procuro os porões
em que apodrecem
palavras puídas

Entre trastes de avós
coleciono em caixas
remorsos antigos

Não existem janelas
nestes aposentos
e a única lâmpada
ainda nova queimou

As paredes gastas
aceitam o mofo
do modo que aceito
o oco dos dias

Nos meus subterrâneos
por que essa mania
de reter o já findo?

4
Fabrico holofotes
com minhas palavras

Cada gesto meu
produz um incêndio

Semeio lâmpadas na casa
no quintal crio vaga-lumes

Sou eu que toda noite
faço o parto da lua

Nos olhos e sorrisos
idealizo abajures

Adormeço meu frio
no colo do fogo

Com dedos de sol
amanheço a cozinha

Prendo estrelas em fios
e as vendo nas feiras

A claridade é meu ofício

5
Que sei eu das sombras
petrificadas em chinês
nas paredes da infância

Que sei eu dos muros
separando mundos
nos quintais da pátria

Nas mesmas palavras
dos mesmos livros
que sei eu de mim

Que sei eu
ignorante em didática
das aulas sonegadas

Eu que não sei nada
sendo parte de tudo
que sei eu do outro

Que sei eu, me diga
das manhãs e tardes
tecidas em silêncio

Órfão das noites
paginando lendas
que sei eu das luas

Na ciranda do tempo
que sei eu da face
que move os espelhos

(Sérgio Bernardo)

Poema premiado no 43º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), no Paraná

Quatro Sérgios

A foto abaixo é curiosa! Da esquerda para a direita: Sérgio Ferraz dos Santos, Sérgio Ferreira da Silva, Sérgio Bernardo e Sérgio Mauro. Quatro Sérgios, quatro poetas, quatro trovadores e os quatro em Nova Friburgo, terra que os quatro amam!





Sábado, 15 de Novembro de 2008

Adverbiando




Sede de Mente

A anônima mente

mente.

Mente, tão somente,

por ser anônima:

Anonimamente!

A mente

mente, simplesmente.

Mente... por mentir.

Simples mente.

Como mente? Totalmente? Parcialmente?

Mente indefinidamente e,

como mente indefinida,

mente sem alarde,

comumente...

Verdadeiramente, mesmo quem ama

mente:

mente por amar;

mente por mentir...

E quem não ama, mente?

Mesmo quem não amamente!

Urge que, por fim, se saliente:

nem toda mente mente!

Se não houver a quem mentir,

mente a mente

o ente

mente à mente.


Sérgio Ferreira da Silva

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Marcos "Nasi" Valadão 2 - O encontro com o ídolo


Tô eu na USP, hoje, no intervalo entre aulas, passeando na feira do livro (prédio da História)... Me liga o Sérgio Rorato:
"Cara, onde você está? O Nasi tá pertinho da gente!" - Corta! Voltando ao início dos anos 80 (por volta de 1981)... Fui assistir, no Centro Cultural São Paulo, um show de um grupo chamado Voluntários da Pátria (tenho o disco deles), embrião do grupo IRA! Acompanhei toda a carreira do IRA!, até a recente e tormentosa separação. Cheguei a tocar guitarra base e fiz os vocais de um conjunto de garagem, cujas melhores performances eram "covers" do IRA! em 2003, fui 1º colocado em um concurso de contos do SESC, cujo tema era "Só depois de muito tempo fui entender aquele homem!", que é o trecho de uma música do grupo. Cheguei a sonhar, algumas vezes, que cantava com o grupo, ou que conhecia os integrantes. - Corta! Hoje, 13 de Novembro de 2008, o Nasi estava lá, na USP, corri na direção dos amigos, arranquei o caderno da bolsa, peguei uma caneta e fui atrás do camarada: "Nasi! Nasi!" Ele foi muito simpático e gentil. Contei a ele que acompanhei o grupo desde os tempos do Voluntários e ele: "Que legal!" "Bacana!" "Vá assistir meu show dia 13..." Tiramos uma foto (Eu, ele e o Sérgio Rorato, que também é fã de carteirinha!). A foto ficou uma "caca". Chamei ele outra vez: "Nasi, a foto ficou uma b....!" "Tudo bem! Vamos tirar outra:


Olha a simpatia do menino e as caras de bobos dos Sérgios!
(Foto by Renato Lacerda, no celular de Luana Fontana - Thanks!)



Marcos "Nasi" Valadão - O autógrafo do ídolo!


Taí o autógrafo, com um abraço e a data do próximo show (13), em dezembro, na casa de shows CLASH - Rua Funchal, em Sampa.

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

DIVENEI BOSELI


Divenei Boseli é trovadora e sonetista de primeira conjugação... Explico: foi das primeiras que aprendi a admirar quando, das mãos de Antonio de Oliveira, recebia livretos de trovas, com resultados de concursos de todo o Brasil, antes de me tornar trovador! Ou seja, as trovas de Divenei (e de outros grandes trovadores brasileiros) me ensinaram a fazer trovas. Ela é uma das “culpadas”, digamos assim. Posso dizer, então, que eu DIVENEI... Espero que você DIVENEIE, também...


Não regressas... Mesmo assim,
a ilusão que eu julguei morta,
morta de pena de mim,
monta guarda à minha porta.


Saudade, eterno martírio
que ocupa, agora, em meu peito,
os espaços que o delírio
ocupava em nosso leito!...


Vai trabalhar, vagabundo,
grita a mulher, feito gralha;
e ele rosna lá do fundo” :
– “Vagabundo não trabalha!”…

(Divenei Boseli - São Paulo/SP)

Sérgio Ferreira da Silva

Sábado, 8 de Novembro de 2008

TINHA O QUÊ??? ou TINHA UMA DROGA DE UMA PEDRA NO CAMINHO




Outro exercício, agora com Drummond, na Escola Livre de Literatura, também em 2005...

Tinha o quê???

No meio do caminho, tinha alguma coisa.

Pois, é! Eu estou aqui, no caminho, pronto e decidido a enfrentar essa COISA!

Outro dia, alguém escreveu no jornal (um crítico, talvez), que o Poeta não disse, no poema, aquilo que ele deveras disse (citando o Pessoa). Mas, por ser uma antena de seu tempo, disse o que disse, porque era a voz da consciência de todos nós.

EU NÃO NOMEEI POETA NENHUM MEU PROCURADOR!!!

Aliás, é por isso que estou aqui, neste caminho... Nenhum Poeta, por melhor que seja, vai me representar... Andar meus passos por mim. Ficam, aí, endeusando um, consagrando outro... Idolatria! Idolatria barata!

De minha parte, até agora, não vi COISA NENHUMA! Êta caminho besta, sô! Não tem nada!

Estou andando faz tempo... Já está escurecendo... e nada!

Que breu! Estranho, este céu sem estrelas,... sem esperança,... sem nada.

O caminho parece o céu: escuro, sem Lua,... sem uma estrelinha...

Será o mesmo caminho do Poeta? Chão batido,... sem beirada? Só o caminho... e este céu escuro, sem estrelas? Céu sem estrelas... e sem nuvens! Nenhuma nuvem! Nada!

Eu!

Só eu, no caminho!

Olhando para o céu vazio!

Andando... Andando...

AAAIIII!!!! Ai meu dedo!!!!

Tinha uma droga de uma PEDRA no caminho!!!

(Leia, agora no sentido inverso!)

Sérgio Ferreira da Silva

Imitando Kafka...


Kafka (Andy Warhol)


"...A prosa universal de Kafka é a história dos pesadelos do mundo moderno, um retrato ampliado das fraquezas e defeitos inerentes à espécie... As situações intoleráveis, a angústia e o absurdo, os ambientes bizarros e a força psicológica dos seus argumentos são as idéias centrais deste autor clássico." (Pedro Maciel)

OS QUE PASSAM POR NÓS CORRENDO

Quando se vai passear à noite por uma rua e um homem já visível de longe _ pois a rua sobe à nossa frente e faz lua cheia _ corre em nossa direção, nós não vamos agarrá-lo mesmo que ele seja fraco e esfarrapado, mesmo que alguém corra atrás dele gritando, mas vamos deixar que continue correndo.
Pois é noite e não podemos fazer nada se a rua se eleva à nossa frente na lua cheia e além disso talvez esses dois tenham organizado a perseguição para se divertir; talvez ambos persigam um terceiro, talvez o primeiro seja perseguido inocentemente, talvez o segundo queira matar e nós nos tornássemos cúmplices do crime, talvez os dois não saibam nada um do outro e cada um só corra por conta própria para sua cama, talvez sejam sonâmbulos, talvez o primeiro esteja armado.
E finalmente _ não temos o direito de estar cansados, não bebemos tanto vinho? Estamos contentes por não ver mais nem o segundo homem.

Conto de “Contemplação / O Foguista”, de Franz Kafka


Quando, em 2005, participei dos encontros com o escritor Ricardo Lísias, na Escola Livre de Literatura, em Santo André, participei de uma atividade que consistia em escrever um texto, a partir da leitura de um pequeno conto desse maravilhoso autor. Escolhi OS QUE PASSAM POR NÓS CORRENDO...

POR QUE NÓS PASSAMOS CORRENDO?

I

O primeiro homem

Por recomendação do cardiologista!

Prefiro correr à noite. Principalmente nas noites de Lua Cheia... Não há automóveis! Às vezes, levo meu walkman - o ritmo da música determina o da corrida. Às vezes, meu irmão corre comigo... Então, nos tornamos duas crianças: apostamos corrida e gritamos feito loucos! Às vezes, cruzamos o caminho de algum bêbado de olhar assustado, mas passamos velozes e ele fica para trás, tentando entender a algazarra.

E, afinal, não temos o direito de extravasar? Trabalhamos o dia inteiro! Depois, é chegar em casa... e dormir!


II

O segundo homem

Eu corro atrás dele!

Meu irmão mais novo é um inconseqüente: gosta de correr a noite (diz que é recomendação médica) e não se apercebe dos riscos que corre. Concordo que a corrida é um hábito saudável, mas, à noite – e, pior, com Lua Cheia -, o perigo aumenta!
Noite dessas, corríamos ladeira abaixo e eu avistei um sujeito estranho. Gritei para que meu irmão tivesse cuidado, mas ele achou que era apenas um bêbado e fez pouco caso.

Por isso, quando corro com ele, levo, sempre, minha arma. Tenho porte... Não é um direito? Eu prometi à minha mãe que cuidaria dele aqui na cidade!

Sérgio Ferreira da Silva

Obs.: O Título é o mesmo da tradução, com as palavras e letras dispostas de forma diversa, sem acréscimo ou diminuição de seu número [ANAGRAMA], como um questionamento.

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

No princípio, era MATRIX...



EVOLUÇÃO

“No sexto dia, Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança, sem furo nenhum atrás da cabeça!”

(autor desconhecido)

(No meu sonho, as letras e números verdes caem à minha frente, girando sobre o próprio eixo. Isso me acalma).

- Tudo, no universo, resulta de uma lógica superior, um código não visível, inexplicável. Caminhamos, quer dizer, a humanidade caminha lentamente em direção à evolução, mas eu não posso esperar! A trilha evolutiva se estende por inúmeras gerações e, infelizmente, eu só tenho uma vida!

- Mas isso nunca foi feito! O que o senhor está querendo fazer é pura fantasia... É loucura, é...

- Ficção Científica!

- Nós não podemos... O senhor não pode...

- Doutor, no início do século vinte, disseram a Santos Dumont que voar era impossível,... mas ele tinha um sonho! E sonhava acordado, como eu! A diferença entre nós dois é a de que ele podia executar seus planos e voar em seus protótipos. Eu, entretanto, necessito de cirurgiões, anestesistas, enfermeiras, um hospital, etc...

- O senhor pode morrer! Pode sofrer lesões irreparáveis, pode...

- Posso, não, doutor: eu VOU morrer, um dia! Um dia! Faça! Simplesmente, faça!

- Senhor Silva,...

- Pode me chamar de Neo!

- Uma grande empresa japonesa já patenteou um dispositivo que envia estímulos eletro-magnéticos ao cérebro, de forma não-invasiva... Mas, o que o senhor quer é que implantemos em seu cerebelo um receptor de impulsos, no estilo daquele filme!

- Matrix! Isso mesmo! Finalmente o doutor entendeu!

- É uma brincadeira, não é? Tem uma câmera escondida, em algum lugar?

- Vou ser mais claro: se vocês não fizerem a cirurgia, vou parar de fazer doações ao seu hospital!

- Mas... nós dependemos de suas doações, senhor Silva, quer dizer, Neo!

- Fique tranqüilo, doutor, já fiz meu testamento! Caso eu morra, ou tenha qualquer seqüela, o hospital receberá, mensalmente uma boa quantia, por várias décadas! Mais do que recebe hoje!

- Sendo assim, senhor Sil... NEO, não me resta alternativa, a não ser concordar. Me diga, somente, o que o levou a acreditar que uma história como a do filme poderia tornar-se realidade?

- Doutor, desde Júlio Verne, os escritores e roteiristas de ficção vêm antecipando a invenção e desenvolvimento de aparelhos, máquinas, armas e veículos que, hoje em dia, são considerados úteis e imprescindíveis para a vida cotidiana. Chegará o dia em que o Homem será teletransportado a qualquer lugar, e que as doenças serão diagnosticadas com aparelhos portáteis semelhantes àqueles usados pelo Doutor McCoy, da série Jornada nas Estrelas... A ressonância magnética não é quase aquilo?

- Nisso você tem razão, Neo!

- Então, doutor? Estamos combinados? Podemos fazer a cirurgia na próxima semana?

- Podemos, claro! Daqui a seis dias! Pode me entregar o protótipo do aparelho receptor. Vamos implantá-lo em seu cerebelo, tomando todo o cuidado para que não provoque nenhuma lesão, além daquelas inevitáveis, já que se trata de um processo invasivo!

- No futuro, eu sei disso, poderei aprender a pilotar helicópteros, usar armas poderosas e lutar como um mestre das artes marciais, “plugado” a um software de aprendizado, graças ao senhor. Muito obrigado, doutor!

- Pode me chamar de Morpheus!

- Boa! Muito boa! Há! Há!

...

- Doutor Morpheus, como está o paciente do implante? Na mesma, ainda?

- Já te falei para não me chamar de Morpheus!

- Quanto tempo já faz? Doze? Treze?

- Quinze! Quinze anos!

- Ele nunca reagiu?

- Olha, para falar a verdade, depois que eu coloquei um monitor na frente dele, com a proteção de tela do filme, aquele com as letrinhas verdes caindo, ele nunca mais teve convulsões!

Sérgio Ferreira da Silva

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Maurits Cornelis Escher 2

Na litografia abaixo, fonte da minha inspiração, chamada "Hand with Reflecting Sphere" de 1935 (existem outras esferas, não menos interessantes!), Escher faz metalinguagem. Observa e é observado. Ao mesmo tempo, questiona a maneira tradicional da observação artística: QUEM OBSERVA? talvez seja a pergunta implícita. Gosto muito das obras dele. Há, sempre, uma disposição de inovar, um olhar diferenciado e uma proposição interativa... É o gênio questionando seu próprio ponto de vista!





Experimentando...


Wilson e sua filha (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)


Laura (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)



Leila (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)




Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Vida e Poesia (2)


Duplicando o teu sorriso,

esse espelho, sem favor,

reflete o instante preciso

da beleza... interior!

Sérgio Ferreira da Silva

Vida e Poesia (1)



A imagem traz duas flores:

uma delas tão formosa,

que foi espalhando cores

e deu vida à outra rosa!


Sérgio Ferreira da Silva

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Maria Elizabeth Candio

Conheci a autora desse poema na UBT (União Brasileira de Trovadores) e aprendi a admirá-la, primeiro pela força de seus poemas e, depois, pela sensibilidade no trato com os poetas e trovadores. Professora universitária, é uma daquelas pessoas que, embora distante, permanece no carinho e respeito bem pertinho de nós!


Essa Palavra

(Em memória de Clarice Lispector)

Há que me chegar essa palavra,
fraco fio de forte consistência:
Faca e agulha e lâmina e navalha,
que me trava e me é libertadora.


Há que me chegar essa palavra,
leve lã de longa resistência:
Agasalho e meia e luva e malha,
que me encobre e me é reveladora!



Maria Elizabeth Candio

Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

NOVA FRIBURGO: O SOL DA POESIA

Reproduzo, abaixo, matéria publicada hoje (03 de Outubro de 2008), no Jornal A Voz da Serra, em Nova Friburgo. Obrigado, Sérgio Madureira!

Estamos em plena primavera – a estação das flores, época que, sem dúvida, tem tudo a ver com Nova Friburgo. Aliás, tudo, todas as estações combinam com nossa maravilhosa cidade, cujo clima é um dos melhores do país, como se pode comprovar oficialmente e diariamente nas páginas dos principais jornais, tendo como fonte o serviço de meteorologia.
Mas, como citamos a primavera, as flores e o clima também combinam com poesia. E não se pode esquecer a brilhante denominação, que só poderia ter sido um saque magistral de um poeta, o Magnífico trovador paulista Sérgio Ferreira da Silva, ao se referir a Nova Friburgo: Sol da Poesia.
A história em detalhes ele contou pela primeira vez em maio de 2004, quando veio participar de um dos jogos florais. Em sessão na Câmara de Vereadores, especial para o projeto de lei, então recém-aprovado, que considerou Nova Friburgo a Cidade da Trova, Sérgio, acompanhado de sua mulher e de sua filha, contou que sempre que sai de São Paulo, onde mora, para a serra friburguense, pegando a estrada muito cedo e sob os ares da famosa garoa paulista, tem pela estrada, a cada vez que se aproxima de nossa cidade, a companhia agradável dos raios solares, que vão se intensificando e que sempre estão cada vez mais radiantes em sua chegada. “É o sol da poesia”, decretou ele, que considera ainda o evento de trova realizado há quase meio século em nossa cidade como “a verdadeira Copa do Mundo” do meio trovadoresco.
Sérgio é um verdadeiro amante de Nova Friburgo. E todo o seu caso de amor com a cidade pode ser conferido em seu blog:
http://trovasecia.blogspot.com.
Para comprovar a acertada definição de Sérgio sobre nossa Nova Friburgo, “abençoada por Deus e bonita por natureza”, as belas fotos não nos deixam mentir.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Arte em Mangá 3

Impressionante: a autora, por ela mesma!

Arte em Mangá 2


A Leila, no traço eletrônico da Laura...

Arte em versão Mangá 1


A Laura tem muita facilidade em trabalhar com programas para fazer desenhos, caricaturas e, nesse caso, Mangá (desenhos desenvolvidos por artistas japoneses). Taí a versão que ela fez de mim.

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Uma crônica sobre Santos Dumont


É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? NÃO, NÃO É UM PÁSSARO... E SIM, É UM AVIÃO,... PILOTADO POR UM BRASILEIRO:

ALBERTO SANTOS-DUMONT!

“Nas asas do desvario,

tentando um sonho alcançar,

eu despenquei no vazio,

mas... aprendi a voar!”

(Edmar Japiassu Maia – Rio de Janeiro/RJ)

Quem avistasse, nos céus de Paris, nos idos de 1900, pela primeira vez, aquele artefato esquisito, cuja estrutura lembrava uma letra “T” invertida, alçando vôo por seu próprio deslocamento, pilotado pelo jovem Alberto Santos-Dumont, sem dúvida alguma um dos homens mais determinados que a história da humanidade produziu, detentor de um talento ímpar e uma genialidade inesgotável, poderia travar o diálogo insólito do título, muito em voga anos depois como referência a um conhecido personagem de quadrinhos, eternizado, em nossos dias, pelas superproduções hollywoodianas...

Santos-Dumont foi milhares de vezes superior àquele herói: existiu! Alçou vôos incríveis e superou-se repetidas vezes, voando mais e melhor a cada nova tentativa. Não foi ejetado de um planeta distante: nasceu no Brasil, fruto da imigração européia (de descendência francesa e portuguesa). Não obtinha do sol seus superpoderes: sua força sempre foi sua determinação incansável, o estudo constante e a experimentação científica metódica e planejada. Não demonstrava fraqueza quando exposto à matéria mineral de seu planeta: tinha orgulho de sua terra-mãe, o Brasil, nome que carregou consigo em seus feitos e em seu patriotismo exemplar.

Você poderia argumentar que, embora fictício, o super-herói citado é capaz de lançar-se destemidamente ao espaço e pousar sobre a Lua... É, realmente, posso até admitir essa façanha, mas, provavelmente ele, o Homem de Aço, pousaria solene sobre uma cratera lunar que, por ocasião do quarto aniversário da chegada do homem à Lua, recebeu o nome de... de... de... isso mesmo: Santos-Dumont! Santos-Dumont? – poderia perguntar um terráqueo brasileiro - É! Com a seguinte observação do astronauta Michael Collins: “Olhai para esse mapa da Lua. Vede! Lá está o nome de um dos homens que tornaram possível a conquista do Espaço. Foi um brasileiro que hoje pertence a toda a humanidade: Alberto Santos-Dumont. Um homem do espaço.”

Na ficção, o Kriptoniano mencionado esconde sua identidade, e seu físico avantajado, atrás de um óculos quadrado e uma roupa social bem cortada que, incrivelmente, engana a todos, inclusive sua própria namorada (?!?!?!). Alberto Santos-Dumont tinha um aspecto frágil, não desenvolveu bíceps, tríceps e peitorais e não escondia-se atrás de uma identidade secreta: era aclamado publicamente pelas ruas de Paris, foi um herói em sua época! Seus feitos (contrariamente aos de dois irmãos americanos muito espertinhos, cujo nome não declinarei neste texto) foram amplamente divulgados pela imprensa da época, documentados por fotógrafos e cineastas, e presenciados por multidões (os dos irmãoszinhos, não!).

Santos-Dumont encarava seus novos desafios de frente, publicamente expunha seus projetos, os documentava e considerava seus inventos e aperfeiçoamentos técnicos como patrimônio da humanidade, como um bem comum. Talvez, por isso, tenha se ressentido de certas utilizações bélicas de seus inventos, que o conduziram, supõe-se, a padecer de um mal tão comum em nossos dias, a depressão, e à sua conseqüência mais funesta, o suicídio.

Porém, existe uma característica que aproxima o paladino voador dos quadrinhos e o nosso sensível e obstinado herói-de-verdade: eles são indestrutíveis! O personagem dos gibis, ao final de suas histórias, é sempre agraciado com o beijo apaixonado de sua eterna namorada e os vivas e aplausos da humanidade, a quem salva dos terríveis vilões. Santos-Dumont, cujo nome está escrito em ouro no Livro dos Grandes Homens (a História da Humanidade), na História da Ciência, na História da Aviação, da Mecânica, e em todos os campos da Ciência pelos quais se aventurou, lançando-se, como o poeta da epígrafe, no vazio e na incerteza do desvario, tentando alcançar o sonho que não era apenas seu, mas de toda a humanidade, ávida por conquistar e por desbravar os limites do ontem, para novamente superá-los amanhã, é imortal.

Sua imortalidade não é ficcional: tanto que, o reconhecimento do valor literário de suas obras, no relato de suas experiências levadas a termo, e de seus diversos inventos e adaptações, o elegeram, por seus reconhecidos méritos, em 1931, como membro da Academia Brasileira de Letras, na cadeira de nº 38. Ou seja, Santos-Dumont, destacado, ainda, no meio científico, pode ser chamado, também no mundo das Letras, de Imortal, título reservado àqueles membros eleitos por seus pares, nas Academias de Letras, onde cultua-se e difunde-se o conhecimento e a excelência literária.

Dizer mais de Santos-Dumont talvez seja desnecessário: compará-lo ao personagem mais conhecido da histórias em quadrinhos em todo o mundo, cujo nome é desnecessário escrever, foi uma licença que me permiti, apenas para encontrar uma metáfora que fosse suficientemente capaz de estabelecer um contraste colorido: Santos-Dumont não pode ser comparado aos seres humanos reais! Foi um Homem a frente de seu tempo, um visionário, um realizador, um cientista, um herói!

Foi, no entanto, muito mais: um sonhador...

que aprendeu a voar!

Sérgio Ferreira da Silva

BIBLIOGRAFIA:

Trova no tema DESVARIO – de Edmar Japiassu Maia – 1° Lugar no Concurso dos Magníficos Trovadores de Nova Friburgo – Livreto dos Jogos Florais – Carestiato Editores – Nova Friburgo/RJ - 2003.

Informações colhidas no site: http://www.14bis.mil.br, do Governo Federal, pelo centenário do vôo do 14 bis.

16ª Edição do Programa Nascente - USP


Conquistei uma Menção Honrosa na categoria texto, com o projeto "A Força das Tradições e Outras Histórias" (que é um livro de contos humorísticos). A imagem acima é da capa do catálogo editado pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária, que patrocinou o evento (que não terá edição 2008). No catálogo, publicaram um realese do meu projeto, alguns trechos de contos e um conto inteiro meu. Explico: só publicaram o conto inteiro, porque envie-lhes um que faz parte da minha série de títulos enormes e contos de uma linha, ou duas, que reproduzo abaixo:


A HISTÓRIA DA VIAGEM QUE FEZ NAZARENO TOBIAS PELO SERTÃO DA PARAÍBA, NUMA MOTONETA DE CINQÜENTA CILINDRADAS, LEVANDO, A TIRACOLO, SUA SOGRA, DONA MARINEIDE APARECIDA E A CACHORRA BALEIA (HOMENAGEM AO CLÁSSICO VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS), VIAGEM QUE QUASE TERMINOU EM TRAGÉDIA, QUANDO NAZARENO, APÓS UMA DISCUSSÃO POR CAUSA DE UM PEDAÇO DE CARNE SECA, EMPURROU A VELHINHA EM UM POÇO SECO, NO MEIO DO NADA...

— Nazareno, seu lazarento!!! Me tira daqui, fio duma égua!!!

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

POESIA – PALAVRAS QUE DANÇAM


Um professor de dança de salão, certa vez, no primeiro dia de aula de uma nova turma, perguntou: “Alguém, aqui, sabe dançar?” Ninguém respondeu, claro! Depois, perguntou: “Alguém, aqui, sabe andar?” Todos responderam que sim... E ele concluiu: “Pois bem, pessoal,... dançar é andar... DIFERENTE!”

Observe os períodos seguintes:

I

Quando criança, eu brincava no quintal dos fundos de minha casa, fingindo ser fazendeiro.

II

Em minha infância eu fazia

ser, meu sonho, tão real,

que uma fazenda cabia

no fundo de meu quintal!

(Sérgio Ferreira da Silva)


O primeiro período é uma descrição simples de um fato ocorrido no passado do narrador, sem nenhum conteúdo emocional. No segundo, narra-se o mesmo fato, de uma forma específica (quatro linhas – versos -, duas rimas e métrica). Existem, ainda, elementos que não estão escritos, mas que estão presentes: a emoção, a beleza, a imaginação e os sentimentos de quem escreveu e de quem está lendo o texto.

A TROVA

O segundo texto é uma trova, que pode ser definida como “...a quadra de sentido completo, composta com versos de sete sons, ritmo livre e rimas cruzadas.” (Francisco Nogueira). Existem outras definições, mas esta é suficiente neste momento.

A trova, como a conhecemos hoje, tem sua origem próxima nas QUADRAS populares portuguesas, como a seguinte, que todos conhecemos:

Oh, Ciranda, Cirandinha,

vamos todos cirandar!

Vamos dar a meia-volta

volta e meia vamos dar!

Repare que, na quadra, ocorre a rima somente entre o 2° e o 4° verso: CIRANDAR rimando com DAR. Mas, a propósito, o que é RIMA?

A RIMA

Rima pode ser definida como a coincidência de sons finais entre as palavras. Os sons finais são aqueles obtidos pela emissão da última sílaba tônica (de som forte).

Por exemplo: CRIANÇA - ESPERANÇA // BOLA - ESCOLA // FOGO - JOGO // SELVA - RELVA // GATO - RATO // PÃO - CORAÇÃO.

Aqui, cabe uma pergunta: Pode haver poesia, sem rima? Observe o poema abaixo, de ZAÉ JÚNIOR:

O CAMINHO

Quando se encontra o caminho

basta continuar a descobrir a paisagem

que ele corta ao meio

e a pedra

e a poeira

e os espinhos

para que não sejam pisados.

Quando não se encontra o caminho

basta levantar as mãos

para que Deus as segure.

O efeito das palavras, o sentimento do texto, está expresso nas palavras escolhidas e no significado delas, que, geralmente, vai além daquele que encontramos nos dicionários. Na poesia livre, que é como chamamos este tipo de texto, embora não se use métrica (que é a quantidade de sons de cada verso), nem rima, os versos possuem uma sonoridade e um ritmo que podem variar, mas esta variação integra e reforça o sentido da poesia. O Texto “O CAMINHO”, compara os trechos difíceis que um terreno pode ter e os momentos difíceis que enfrentamos na vida, para dizer, no final, no que chamamos “CHAVE DE OURO”, da importância da FÉ, embora a palavra “fé” não apareça no texto.

Na poesia de Zaé Júnior, então, encontramos aqueles aspectos que mencionamos no início (emoção, beleza, imaginação e a própria conclusão do leitor que interpretou o texto).

POESIA PARA QUÊ?

Qual seria, então, a importância de escrever? Ou melhor, qual a importância de escrevermos Poesia?

Os escritores, os poetas e os bons leitores costumam ser revelados justamente na infância. Quanto mais cedo se começa a ler e a escrever, mais qualidade na nossa capacidade de entender o mundo e de nos fazermos entender pelos outros: melhor convivência e melhor desempenho profissional, afetivo, etc.

A poesia, como sabemos, é uma maneira diferente de dizer as coisas, independentemente de sua forma, ou extensão.

Quando conversamos com alguém, falamos ao telefone, nos dirigimos a um desconhecido, ou precisamos responder um questionário, ou entrevista de emprego, por exemplo, devemos empregar, em cada caso, uma linguagem própria, pela qual nos faremos entender.

Quando lemos um romance, sabemos da necessidade de longos trechos descritivos, para a exata compreensão de um sentimento, ou, mesmo de um lugar qualquer: cada detalhe, cada lágrima, ou sorriso, devem ser detalhados a tal ponto, que possam formar uma imagem exata, quase uma fotografia na mente de quem lê.

A POESIA É DIFERENTE...

Quando lemos um poema, ou quando ouvimos a declamação de um, além da forma (estética), e do fundo (assunto), somos chamados a refletir e a buscar, em nosso íntimo, um sentimento guardado na memória, fruto de nossa experiência pessoal, de nossa emoção... e, é por este motivo que um mesmo poema pode tocar diferentemente cada um daqueles que o lêem, como faz a música: cada um de nós, em geral, prefere um ritmo a outro e, dentro do mesmo ritmo, gosta de uma música e de outra não. Explica-se, também, assim, o fato de música e poesia andarem de mãos dadas.

RITMO E POESIA

Mais recentemente, o RAP (abreviação de rhythm and poetry), suprimindo, quase que totalmente, a base melódica, mas acentuando o beat (batida), bem como valendo-se de versos com rimas menos complexas e letras de forte apelo emocional, próximas da linguagem da juventude (gírias e diálogos rápidos), deu voz à periferia das grandes cidades de todo o mundo, às populações menos favorecidas e ocupou um espaço próprio no cenário cultural.

CONCLUINDO...

Assim, a poesia, com suas diversas formas, numa trajetória que acompanha e, às vezes, até antecipa a evolução humana, naquilo que diz respeito à expressão de seus sentimentos (amor, saudade, dor, perda, alegria, coragem, força, fé, etc.), sempre foi e será necessária no dia a dia de todos nós, como instrumento de cultura, de identidade, de transmissão de conceitos e valores. Afinal, em vez de dizer que o poeta, quando cria, expõe seus sentimentos,... talvez, uma trova... possa dizer mais:

Poeta é aquele que traz

o Sol e a Lua em seu peito,

despreza a razão e faz

do desvario... um direito!

(Sérgio Ferreira da Silva)


Agora, você já sabe DANÇAR!

Crônica 1





Quase inexorável


Infância é um brinquedo usado,
que um dia a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve.

(Arlindo Tadeu Hagen)




“- Você já pensou na inexorabilidade (1) do tempo?”


A pergunta partiu de um senhor, sentado ao meu lado no banco do trem, que acabara de parar na estação Moóca. Meio desconcertado, ponderei o porque do questionamento.

O homem fez um breve silêncio e, olhando para fora, apontou para a estação e comentou que ao ser inaugurada, a estação da Moóca era um primor: toda decorada com pastilhas, sem as grades e pichações que a descaracterizavam agora. Para ele, o local que era orgulho dos políticos da época, estava abandonado e ele se entristecia ao ver que o tempo a tudo deteriorava e consumia implacavelmente, sem que nada se pudesse fazer.

Para tentar suavizar sua amargura, argumentei que o tempo, embora implacável com a estação da Moóca, trouxera moderníssimas estações de metrô e, mais recentemente, reformara completamente a Estação da Luz, para transformá-la num centro cultural de primeiro mundo (o Museu da Língua Portuguesa), sem descaracterizar a concepção original, sendo provável que isso, um dia, pudesse ocorrer com a estação da Moóca.

“– Talvez!” Disse isso e desceu no Brás. Eu, na Luz.

Naquele mesmo dia, minha filha, entediada com o computador, me propôs brincarmos de adivinhas, como tantas vezes eu brincara com minha mãe, tempos atrás...

E, assim, trazendo de volta o meu passado, de adivinha em adivinha e de risada em risada, até adormecer, minha filha me ensinou que o tempo, embora pareça inexorável, é relativo, como já teorizava Einstein.

Mesmo na singeleza de um “o que é, o que é...”

(1) Qualidade do que é implacável, rígido, inexorável


Foto: Estação da Moóca - acervo Thomas Correa.

Uma das melhores trovas humorísticas dos últimos tempos...



Amigo/amiga, reparto

este espanto com você:

o parto não é mais parto;

é download de bebê.



(A. A. de Assis/PR)

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

As aventuras de Tripedéia


Existem alguns casos, na literatura, de crianças que foram bem sucedidas escrevendo para crianças. Com 11 anos, a Laura (nascida em 11/11) escreveu e ilustrou esse livro como parte de uma atividade proposta por sua professora de português. O livro conta a história de uma habitante do planeta Mégara, a Tripedéia do título, que após ouvir histórias contadas por seu avô sobre a Terra, faz uma viagem de seu planeta ao nosso e conhece um garoto (Marcelo), de 10 anos, que, por sua vez, ouvia histórias sobre Mégara, contadas pelo seu avô terrestre... Incluí no meu curso de Letras a matéria Literatura Infanto-Juvenil - Linguagens do Imaginário, e, pelo pouco que aprendi, pude identificar vários elementos no livro da Laurinha, imprescindíveis nesse tipo de texto. Já falei de livros de vários amigos aqui. Esse é, sem dúvida, aquele do qual eu mais me orgulho. Não sei se ela vai seguir a trilha da escrita, como a garota do Livro "A bolsa amarela", da Lígia Bojunga, mas, aqui em casa, esse único exemplar já é um best-seller!

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Reflexões Íntimas


Reflexões Íntimas é um livro póstumo. Editado (2008) pelos familiares de Waldir Neves, um dos maiores trovadores brasileiros. Tive a honra de conhecê-lo em 1997, por ocasião dos Jogos Florais de Nova Friburgo (o primeiro em que me classifiquei). Waldir era amável, bem humorado e foi um grande professor. Com ele, aprendi da melhor forma: pela leitura de suas trovas, poemas, sonetos e, principalmente, das conversas amistosas em que ele delicada e pontualmente me mostrava onde eu poderia melhorar e onde havia acertado. Meu contato com ele foi frequente nas festas de entrega de prêmios, por esse Brasil trovador. Os que conviveram mais proximamente, no Rio de Janeiro e em Friburgo, são testemunhas da amizade e qualidade de um TROVADOR com todas as letras maíusculas, como poucos! Sua benção, Waldir!

Do livro, destaco, pela profundidade e pela simplicidade...


POEMA DO PINGO D'ÁGUA

Cada vez mais espaçado,

depois que a chuva parou,

o pingo d'água, cansado,

foi pingando... e não pingou.

No seu destino traçado,

e no tempo se acabar,

a vida é pingo chorado,

que pinga... até não pingar.

(Waldir Neves)

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Barroco em imagens e o Outono de Vivaldi


(Vermeer - Diana and her companions)


Montei esse video para ser apresentado em um seminário sobre o barroco português, em uma aula de Literatura Portuguesa, na USP. Apenas música e imagens, que foram repetidas na sala, antes do início do seminário propriamente dito, cujo objetivo era fazer com que os colegas "entrassem no clima". Deu mais certo do que o outro filme, com texto, que complementava a apresentação oral. Já tem por volta de 8.000 visitas no Youtube!

O endereço, lá, é o seguinte:


http://br.youtube.com/watch?v=hrkOnEkFYLk)

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Arte 9



Essa é a Laura, em versão Mangá! Impressionante o traço desse desenhista (se alguém conseguir desvendar a assinatura dele, me avise!), ele soube captar uma expressão bem característica dela. Esse desenho foi feito no evento "Anime Dreams - 2008".

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Arte 8


Gosto muito desse quadro. Já pensei em escrever sobre ele, mas não seria justo impor limites a algo que já me diz tanto!

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Arte 7


"Sem título" - Xilogravura - Tinta óleo sobre papel - by Leila Rodrigues

Arte 6


"Sem título" - Serigrafia sobre papel. Desenho da Leila que eu imprimi, como trabalho final de um curso de serigrafia.

Arte 5


"Sérgio" - Graffiti sobre papel.

A Leila me presenteou com esse Graffiti quando ainda éramos noivos

Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Quadrinhos


Criei "Os ácaros" em um curso de histórias em quadrinhos que fiz em Santo André, no milênio passado. Incentivado pelo hoje professor universitário Mário Dimov Mastrotti, quadrinista, editor, criador do personagem "Cubinho", que durante anos foi publicado no jornal Diário do Grande ABC, entre outros. Quem sabe eu consiga publicá-los em 2008? Afinal, ácaro rima com áporo (não rima, não!).

Arte 4


Caricatura feita pelo Adilson de Oliveira, amigo, desenhista, ilustrador, designer gráfico da TV Cultura, para um link de textos que escrevi para o site dele (Mania de Colecionador). Nesse site o Renato Lacerda também escreve sobre Frank Sinatra. Confira:


Arte 3


Uma Xilogravura da Leila ("Sem título" cópia 4/7)

Arte 2


Nós, segundo Paulo Caruso, ao lado de Fernando Collor... Trabalhei com a mãe dele (do Caruso, lógico!), dona Marina, na Caixa Econômica Federal (muito bacana, adorava Richard Claydeman... nós dividiamos um gravador e alternávamos o pianista, com Led Zeppelin!). Ele deu esse autógrafo no prefácio do livro "Avenida Brasil - A sucessão está nas ruas, de 1990).

Arte 1


Leila e Laura, no traço personalíssimo do Jaime (Pina da Silveira), amigo, trovador, dentista, desenhista, caricaturista, memorialista, ista, ista, ista!!!

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

ACERTANDO AS CONTAS




Hoje, eu acordei disposto a acertar as contas com São Paulo...
Entrei no carro, pronto para enfrentar um trânsito caótico... e encontrei ruas livres, motoristas e motociclistas cordiais, todos aproveitando o belíssimo dia que começava.
Mesmo assim, eu me dispus a dizer umas verdades a São Paulo...
Argumentei que tudo, aqui, é muito velho e ultrapassado. Porém, seus edifícios modernos e sua tecnologia de ponta me mostraram o contrário.
Queria dizer que as pessoas não se olham, vivem com pressa e são muito individualistas: me deparei com casais enamorados, grupos fazendo caminhadas e várias rodas de amigos.
Eu queria falar da violência e do medo!
Encontrei crianças brincando nos parques e famílias passeando despreocupadas.
Tudo bem!
Que tal, então, o desemprego, as favelas, os sem-teto e os problemas de saneamento? Hein?
Passei por uma Frente de Trabalho, por uma Usina de Reciclagem e por um Mutirão, onde as pessoas, unidas, construíam seus sonhos.
Reclamei do analfabetismo e me deparei com voluntários, ensinando as primeiras letras.

É...

São Paulo é assim, feito as pessoas: com seus defeitos e virtudes, mas continua trabalhando, sem descanso, na construção de seu futuro, como fizeram seus fundadores.
Hoje, eu acordei disposto a acertar as contas com São Paulo... e acredito que acertei!



Sérgio Ferreira da Silva

Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Aos teus olhos



Não há, nas noites sem lua,
luz maior que a dos teus olhos,
duas estrelas desgarradas,
antecipando o dia...
Sérgio Ferreira da Silva

A verdade sobre o TITANIC!


- Jack, fica de olho naquele Iceberg! Vou até a oficina consertar essa pecinha. Soltou...

Sábado, 19 de Janeiro de 2008

Atenção para o top de 3 segundos... TOP. TOP. TOP.



O ano de 2008 é um ano de eleições... e eleições significam o retorno dos programas partidários obrigatórios, exibidos - forçosamente - em horário nobre nos canais de TV. A seguir, descrevo algumas semelhanças e uma diferença, que pude estabelecer entre esses programas e a Arca de Noé:

São 40 dias e 40 noites (aproximadamente, nos períodos em que somos submetidos ao horário político obrigatório e exatamente, na Arca) de puro Tédio!

O horário político decorre, também, provavelmente, de um castigo divino!

Ambos têm um comandante barbudo, que sobreviveu no final e salvou vários bichos, sem contar o fato de que sua família inteira recebeu as benesses do poder (lembrem-se: era para ser apenas dois de cada espécie!).

Apesar das promessas de dias melhores, depois da chuva, e depois do horário político, tudo continuou igual!

Tanto a Arca, quanto as obras dos candidatos à reeleição foram construídas sem licitação!

Os bichos, feito os políticos, dentro da "arca/governo" até que convivem muito bem, embora um queira comer o outro vivo (no bom sentido, se é que existe um bom sentido, tanto na Arca, quanto na política!).




Chega de semelhanças! Uma diferença: Uma navega no mar diluviano. O outro, no MAR DE LAMA!



Sérgio Ferreira da Silva

Quem puder, assista!




"Mais estranho do que a ficção" é o título, em português, do filme "Stranger than fiction", do cartaz colado acima. Não é possível falar muito do filme, sem estragar alguma surpresa. Imagine alguém que começa a ouvir uma voz feminina, narrando o exato momento que ele está vivendo...


É o que acontece com a personagem principal, Harold Crick. Não vou falar mais nada. Assita! Vale a pena.


Sábado, 10 de Novembro de 2007

A Trova (rumos)

RUMOS (extraído de A TROVA: ORIGEM, TRAJETÓRIA, RUMOS - in www.falandodetrova.com.br) - por Sérgio Bernardo
"Em pleno séc. 21, era da supremacia tecnológica, do comportamento globalizado e do vanguardismo a qualquer preço, a trova resiste e continua ativa, efervescente e fazendo brotar novos talentos. No País, a União Brasileira de Trovadores é a entidade responsável, administrativamente falando, pela sua consolidação, divulgação e perpetuação, através da coordenação de concursos ou realização de oficinas em escolas e instituições públicas, visando a despertar o interesse pela trova, sobretudo no tocante às novas gerações. Trovas escritas por jovens do ensino fundamental e médio, em muitas cidades brasileiras onde estas oficinas são ministradas, dão a certeza de que a UBT caminha em bom rumo. E de que a trova ainda tem muito a contribuir com nossa literatura poética, enquanto num mundo cada vez mais assediado pela máquina houver coragem para se falar de sentimento."

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

ESGOTADA A 3ª EDIÇÃO DO LIVRO AME NOVA FRIBURGO


"A terceira edição do Ame Nova Friburgo e suas Maravilhas foi esgotada. Os últimos exemplares estão à venda na Livraria Papelote. O Ame atingiu 2.900 cópias (os últimos cem estão na livraria), um recorde, principalmente se levarmos em conta que é um livro que retrata a história de uma linda cidade do interior. É claro que as vendas foram dirigidas, muitos amigos compraram grande quantidade para presentear, como, por exemplo, Bruno & Marrone (cem exemplares), Latino (50), Roger (50), Julia Lemertz (20), Fábio (empresário de São Paulo - cem), Sami Elali (pai da cantora Marina, cem), o novelista Carlos Lombardi (50), Ronaldinho (cem), Gilberto Silva (50), o mais bem-sucedido empresário de futebol Reinaldo Pitta, que detém passe de jogadores que atuam na Europa (150), e por aí vai.Assim sendo, o livro está circulando no Rio, São Paulo, Salvador, Natal, Espanha, Portugal, Itália, Turquia (com a família Zico) e em diversos outros países, o que é, sem dúvida, uma grande divulgação para NOVA FRIBURGO. O objetivo do Ame é preservar a memória de uma cidade de gente valorosa, contar a nossa rica história, história esta de interesse nacional, e mostrar nossas belezas arquitetônica e natural. Enfim, o objetivo final é que o maior número possível de pessoas saiba que Nova Friburgo existe e venha conhecê-la." (extraído da coluna AME NOVA FRIBURGO, 09.11.2007, http://www.avozdaserra.com.br)
A TROVA:
Em cada cena vivida,
Francisco Cuoco, você
resumiu, com sua vida,
toda a vida da TV!
Sérgio Ferreira da Silva

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Um caminho a percorrer...


Começa assim: você escreve alguma coisa e mostra para as pessoas mais próximas (Leila e Laura)... Elas gostam, fazem comentários... Você se anima e escreve mais... Elas gostam, pedem mais! Meio descrente, você mostra os mesmos textos para colegas de trabalho, em um batizado, casamento... As pessoas gostam e mandam e-mails, pedindo mais! Você se anima e escrevescrevescrevescreve (esquece de vírgula, pontuação, crase, trema - ainda tá valendo!). Quando já tem um número razoável de coisas escritas, junta tudo, organiza, revisa, revisa, revisa... Surge um concurso! mandonãomandomandonãomando??? Manda pro Renato Lacerda e ele REVISA. Você olha suas folhas sagradas cheias de risquinhos... e muda um montão de coisas! Aí, sim! É hora de... fazer a última revisão (prometo!). Manda pro concurso... ... ... ... (demora um tempão!) O resultado: você é finalista! Caramba! Vernissage??? De jeito nenhum! Você tem 5 minutos prá falar, diz o Dante (da pró-reitoria de cultura)! Você tem a idéia de fazer um vídeo... Dois loucos topam gravar o audio (Luana Fontana e Sinei Ferreira Sales). Um outro doido faz ilustrações pra quase todos os contos (Jaime Pina da Silveira). Manda o video pro Dante, põe no Youtube e chega o grande dia (na foto aí de cima!)... Não importa se você vai "ganhar" ou não! Você quer que vire livro! Perái! Prestenção! Aí é outro caminho a percorrer, mais difícil que o outro! Vamo lá, então! OBRIGADO A TODOS!

Sábado, 3 de Novembro de 2007

Conto "Teleatendimento" no Youtube!



Já está no Youtube o video sobre
o conto Teleatendimento,
para apresentação na
Vernissage da 16ª Visualidade Nascente!
O link:

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Você é moleque!


Tá com medinho, senhor zero-um? Pede prá sair do meu Blog! Pede prá sair!!!

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Poemas que interagem

Vejam que sacada interessante da Luana Barossi, colega do curso de Letras, intertextualizando o meu poema "O conhecimento (é a)"! A pedido da autora: Arte visual by Sergílio da Uspecéia!


Concreta Cópia
Cópia Concreta
Em Creta a Cópia
Treta Concreta
Entreta Cópia
Tanto Concreta
Cretina Cópia
Cropa com Creta
(Luana Barossi)

UUUU HUUUUUU!!!!!!!


CLIQUE NA IMAGEM PARA VISUALIZAÇÃO EM TAMANHO REAL! CLICA LOGO, Pô!

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Maurits Cornelis Escher


Por favor, alguém sabe onde fica o banheiro?

Sábado, 27 de Outubro de 2007

Celebridades 2007 - 3ª edição


Eis a capa da 3ª Edição do Livro CELEBRIDADES. Em breve postarei mais algumas trovas e fotos dos artistas... O livro começou a ser vendido também em bancas de jornais, no Rio de Janeiro...

Revista da Letras


Mais notícias: dois poemas meus serão publicados na Revista da Letras (um deles já está nesse blog), com lançamento previsto ainda para 2007. Serão textos dos alunos do curso. Expectativa!

Livro da Tribo


Dois textos meus foram incluídos no Livro da Tribo, edição 2008/2009: uma trova (15 de Junho) e um texto para reflexão (24/25 de Junho). As datas entre parentesís se explicam pelo fato de que o livro é, também, uma agenda (ou porque a agenda é também um livro!). Distribuição em todo o país, nas melhores livrarias do ramo. No site deles (www.livrodatribo.com.br) há uma relação de todos os revendedores. Os primeiros direitos autorais a gente nunca esquece (calma, calma: receberei em livros) (poucos) (nem dez!).

Trago três trovas tristes...

Tentar desfazer as mágoas
que o meu peito guarda e sente,
é como querer que as águas
corram da foz... à vertente !

Cansado dos desatinos,
o mundo roga que Deus
torne a paz dos palestinos
igual à paz dos judeus!

Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... Em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas, o que são!
Sérgio Ferreira da Silva!

Promoção OMO 50 anos




Essa foi legal: conte uma história onde se sujar fez parte de algum aprendizado.


Mandei uma que vivenciei com meu avô (já falecido).


Eles publicaram nossa foto em algumas revistas e a história vai passar no rádio. Fiquem ligados!

16º Programa Nascente


Bom, é o seguinte: venho organizando uns contos que escrevi, a princípio para divertir minha família (esposa, filha, mãe, pai, gato e cachorro), 90% deles de humor. Mandei alguns deles para concursos, sempre isoladamente. Acontece que, na USP, realiza-se anualmente um concurso (o Programa Nascente), cuja finalidade é incentivar a produção cultural dos alunos em todos os níveis (graduação, mestrado, doutorado...). Vai daí, juntei 34 continhos (contando com uma revisão extra do Renato "Pouso Alegre" Lacerda - ótimo aluno do curso de Letras) e chamei o volume de "A força das tradições e outras histórias". Mandei para eles e consegui me classificar. Aliás, o conto que dá nome ao livro é o último, aquele que fecha o projeto (alguns escritores já fizeram isso). Os contos foram agrupados por temática: "Ao telefone", "É nóis", "Outras dimensões", "Homo Sapiens?" e "Personae". A Agência USP de notícias já começou a divulgar os eventos que farão parte dessa edição do Programa (clique no link abaixo). A ilustração acima é do amigo, trovador, desenhista, caricaturista e dentista JAIME PINA DA SILVEIRA (um baita currículo!), para o conto ONIPOTÊNCIA...

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Rosa da China






“O Mimo-de-Vênus ainda entremeia o rosado das flores com o verde espesso da folharia.” (Telmo Vergara, in Contos da Vida Breve).

A rua Rosa da China está situada em um bairro chamado Jardim São Roberto, na periferia de São Paulo, muito próxima da divisa com a cidade de Santo André. Em toda a sua extensão, chama a atenção por seu declive acentuado, por suas casas humildes e porque nela foi erigido um Centro Educacional Unificado (CEU), que leva o seu nome.
Rosa da china, também, é o nome popular do Hibisco, ou Mimo-de-Vênus, que, segundo a Enciclopédia Encarta, é o “nome dado a várias espécies de plantas nativas das regiões quentes e temperadas do hemisfério Norte. A flor do hibisco se caracteriza por apresentar o cálice rodeado por um grupo de brácteas coloridas que dão a impressão de que o cálice é duplo. O fruto é uma cápsula com cinco cavidades e numerosas sementes.”
Eu, por convicção, não acredito em coincidências... Mas, a Rua Rosa da China tinha tudo para ser, apenas, mais um nome bonito de flor a batizar um logradouro, perdido na periferia de uma metrópole, sem o mínimo sentido para aqueles que fizeram daquela rua a sua morada, depositando ali seus sonhos e desesperanças.
As crianças que por ali brincavam, nem sonhavam em poder, um dia, dar um mergulho nas águas de uma piscina, a não ser naquelas de duzentos litros, apertadas no fundo do quintal, cujas águas serviriam, depois, para lavar a calçada, regar as plantas e escorrer pelo bueiro, com as suas perspectivas de dignidade e cidadania.
Jovens sem opção ao ócio, a não ser o refúgio da televisão, video-games, ou, pior, as drogas, hoje, jogam basquete, andam de skate, aprendem técnicas de informática, ou “dão um tempo” na biblioteca.
Adultos navegam pela Internet, fazem cursos, massagens, Yoga, ginástica, ou seja, exercem sua cidadania.
Para todos os que se interessam, há cursos, oficinas e atividades, as mais diversas, geralmente após um mero agendamento.
Como eu disse, não acredito em coincidências, mas acredito que os fatos, os nomes e as esperanças convergem e acabam se encontrando em determinado momento. As coisas e as pessoas têm uma vibração, um espírito, uma alma, uma aura, sei lá... Adote aquela definição que melhor se adapte à sua crença, ou à falta dela.
O fato é que, igual ao hibisco, à Rosa da China, ou ao Mimo-de-Vênus, como descreveu Telmo Vergara, com a licença poética que me permito utilizar, aquele Centro Educacional (que é seu, meu e de todos independentemente que quem o tenha construído – aliás não é mérito nenhum construir obras úteis com o DINHEIRO PÚBLICO) entremeia esperança, sorrisos e cidadania, com a tristeza espessa da periferia.
Agora, é aguardar que as numerosas sementes do Hibisco possam germinar no solo fértil de outras desesperanças...





Sérgio Ferreira da Silva

Uma de cada!


O CONHECIMENTO
A)


C....
DA
CÓ...
DA
CÓP..
DA
CÓPI.
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA
DA
CÓPIA... ORIGINAL!


Sérgio Ferreira da Silva

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

11 de Setembro


Cotidiano 2001
(11 de Setembro)




Pela TV, o mundo estarrecido
assiste, mudo, à queda da esperança:
a tela mostra o ferro retorcido
e a multidão clamando por vingança...


Mas, a vingança e o ódio desmedido
não são, em si, as causas da matança?
...e, mais e mais, em ódio consumido,
todo o ocidente, no deserto, avança...


O entendimento jaz por sobre a terra;
a intolerância reina sobre o amor;
e, em vez de risos, sofrimento e dor!


Agora, é tão comum falar de guerra,
que eu rogo que esse sentimento insano
não passe a se chamar... cotidiano!


Sérgio Ferreira da Silva

Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Solenidades solenes



Todo "7 de setembro" é a mesma coisa... só muda o Presidente!

Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Poeminho do contra






Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão...

Eu passarinho!



(Mário Quintana - Prosa e Verso, 1978)

Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

O vento e o mensageiro



Meus Amigos,

Sabem aqueles "Mensageiros dos Ventos", colocados nas sacadas e corredores ventilados das residências? Eles têm as mais variadas formas: uns são de madeira; outros de pedra; de metal; plástico; etc.

Dependendo de sua composição e tamanho, eles produzem os sons mais variados.

Uma vez me disseram o seguinte: "-Nunca toque diretamente um Mensageiro... Para saber que som ele tem,... sopre-o!" Realmente, quando tocamos ou batemos nele, o som perde a qualidade: sai mais seco, forte e antinatural.

Agora, a metáfora... Nós, ora somos o mensageiro, ora somos o vento que passa...

Nenhum deles tem a menor graça sozinho, pois somente a sua interação resulta em algo positivo: a intensidade do vento determina a alegria ou a serenidade do Mensageiro; e a qualidade do Mensageiro determina a vibração harmônica que o vento levará adiante, no caminho que percorrer. Não adianta tentarmos imitar o som produzido pelo toque do vento, porque ele envolve o mensageiro por completo e varia a sua intensidade a cada sopro. A imitação soaria sempre falsa.

Enquanto seguirmos pela vida fazendo as vezes do vento, encontraremos Mensageiros das mais variadas formas, timbres e tamanhos e os sons que eles produzirem permanecerão conosco para sempre, encantando a nossa alma.

Quando formos, então, Mensageiros, dependendo da intensidade com que sejamos tocados, ou soprados, imprimiremos nas pessoas-vento a resposta àquilo que elas compartilharem conosco.

Não adianta, também, tentarmos prever que som será emitido ou qual mensageiro será soprado, o importante é sermos, verdadeiramente, um ou outro.

Que a vida, para todos vocês, seja como o vento que toca o mensageiro pelas manhãs e acorda, suavemente, aqueles que acreditam que é possível, sempre, aprender com os outros.

Que este texto seja, para vocês, meu sopro... ou meu som!


Sérgio Ferreira da Silva

Domingo, 2 de Setembro de 2007

Trovas a granel (1)


PONTE AÉREA

Essa ternura que exalas,
e os meus receios acalma,
faz um vôo, sem escalas,
da tua pele... à minh’alma!

SALDO POSITIVO

As dores e os desencantos
não foram tantos assim...
Tua boca e os teus encantos
calaram bem mais... em mim!

HIPOCONDRIA

Tem mania de doença
e de remédios se entope...
Por isso, não é ofensa
quando alguém grita: “XAROPE!”


(Sérgio Ferreira da Silva)

Sábado, 1 de Setembro de 2007

Fulguras, ó Sergílio, florão da América!



- Parece que foi ontem!

Sergílio no Ipiranga, às margens plácidas!



Semana da Pátria! Quanto de simbólico! Do livro "Eu e a história: o que seria do mundo sem mim?", de Sergílio da Uspecéia, extraí o seguinte depoimento:
"Pedro estava indeciso, então, disse a ele: - Vai, Pedrão, põe prá fora essa energia! E deu no que deu... Até os cavalos ficaram assustados!"

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Brincando com sonetos!

José Octávio Gomes Venturelli, no dizer de Izo Goldman, é o máximo! Também acho! Radicado em Nova Friburgo, costuma chamar seus amigos de “meus cachorros”. Por isso, quando ligo para ele, ou quando nos encontramos, vou logo latindo! Não é por acaso, então, que meu cachorro tem o nome dele! É respeito! É amizade! Vou falar muito mais sobre ele aqui no Blog... Em fevereiro desse ano, ele mandou para vários amigos e poetas esse soneto (Meus 70 anos). Devolvi um outro (Teus 70 anos) e usei, de brincadeira, as últimas palavras de cada verso dele no meu (preguiça de procurar rimas!). Ficou interessante:



MEUS 70 ANOS!

Aos setenta cheguei sem ter notado
a pressa desta vida fugidia.
E hoje, ao sentir tão perto o meu passado,
eu sei perene a luz da "Estrela-Guia".

Passou depressa o enredo de meu fado
na busca de aconchego na harmonia,
mas vou mantendo ainda o amor guardado
junto a uma prótese da angioplastia...

Eu não posso queixar-me da existência:
cantei a vida desde a adolescência
em Trovas, em Sonetos, em canções!

Mas a fadiga que nos traz a idade,
marcando a ausência de outros corações,
me faz de cada ausência uma saudade.


(Octávio Venturelli)


TEUS 70 ANOS!

Ao tempo que passou, sem ser notado,
dedicas mais que a “vida fugidia”:
és um poeta e fazes do passado
a centelha, que acende a “Estrela-Guia”!

Conosco compartilhas o teu fado,
multiplicando, em nós, tua harmonia...
De quebra, ainda tens amor guardado?
Bendita seja a tua angioplastia!

Honraste cada dia da existência,
com olhos de quem vive a adolescência
e traz, no peito, um rastro de canções!

Mas o maior presente desta idade
é que ao tocares nossos corações,
nós nem sabemos, mais, o que é saudade...


(Sérgio Ferreira da Silva)


Centro Literário de Rio Claro (1)


É muito comum acontecer, em municípios ou regiões distantes da influência dos grandes centros, a reunião de poetas e escritores em bibliotecas, centros cívicos, casas de cultura, etc. Em 1997, isso aconteceu na cidade de Rio Claro/SP, para onde se havia transferido meu amigo de infância, o Antônio de Oliveira (trovador e poeta que me apresentou a UBT). Aliás, é muito mais fácil acontecerem reuniões dessa natureza em pequenas e médias cidades, talvez pela proximidade maior entre os potenciais mecenas (prefeitos, secretários de cultura e formadores de opinião) e os poetas e prosadores. Tudo isso para dizer que, dessas reuniões surgem coletâneas, antologias, exposições coletivas, saraus e diversos outros eventos que funcionam como oportunidades de divulgação e acabam trazendo mais escritores para o grupo. O grupo de Rio Claro foi chamado de CLIRC (Centro Literário de Rio Claro) e eu participei de alguns encontros na época, como convidado do amigo. Numa recriação (guardadas as devidas proporções) do movimento modernista, não só escritores participavam do grupo: havia artistas plásticos expondo, ilustrando poemas e participando ativamente do grupo, que, segundo informações da Maísa, filha do Antonio, continua produzindo e aglutinando arte (link ao lado). Irei, aos poucos, divulgando o trabalho desse povo, que achei fantástico. Fiquem com Gilson Câmara Filgueiras:



REFLEXO

A torneira pinga

Pingos

De

S

O

L

I

D

Ã

O

Na sementeira dos sonhos (2)

Promessa é dívida: algumas trovas extraídas do Livro “Na Sementeira de Sonhos”. Dois detalhes: são trovas de poetas “encantados”, cuja obra remanesce e continua a falar por eles... Além disso, a última trova, que traz um “achado” no verso final, nos padrões atuais, foge ao esquema de rima cruzada, porque só rimam o 2º e o 4º versos e seria automaticamente desclassificada em um concurso do gênero.


Depois dos cinqüenta, pai,
a verdade nos corrói.
Não se fala: Como vai?
A pergunta é: Onde dói?

(Luiz Gonzaga Sanches)


Vou no meu rumo ou caminho
colhendo, em coisas de amor:
- De metro em metro, um espinho!
- De légua em légua, uma flor!...

(Luiz Pizzotti Frazão)



Só quem calcula as saudades
que eu sinto do que perdi
é que concorda comigo:
- Eu já não vivo... eu vivi...

(Júlio Zamith)

Domingo, 26 de Agosto de 2007

O Quarto


- Bem, Sr. Vincent, são R$.500,00 por mês, com café da manhã... Gostou do quarto? O banheiro é coletivo! Que foi isso na sua orelha?

"O Homem NUNCA pisou na Lua!"


"Como posso afirmar isso? Observe: estou SEM capacete!" (extraído de "A farsa lunar", de Sergílio da Uspecéia)

Parceria

Em noites de nostalgia,
quando a rimar eu me atrevo,
tua ausência, em parceria,
dita os versos que eu escrevo !


(Sérgio Ferreira da Silva)

Ardendo em Febre



Ardendo em febre, acordo e te procuro
mas, ao meu lado, o leito está vazio...
Tateio, em vão, por todo o quarto escuro
e teu perfume eu sinto, em desvario!


Da tua ausência, então, eu me asseguro
dizendo à Solidão, num desafio:
“Se tens, em tuas mãos, o meu futuro,
da Vida e do Destino eu renuncio!”


Pois, se é a Saudade a causa deste ardor,
eu sou Poeta... e, a par do dissabor,
ao comandar os Versos, eu ordeno:


“Desperta, Amor, que é hora de lutar...
e, se o Universo inteiro te enfrentar,
basta mostrar-lhe o quanto ele é pequeno!”
(Sérgio Ferreira da Silva)

Maria Lua


“De Lua e de Estrelas” é um livro de autor. Estilo da primeira à última palavra. Maria Lua (radicada em Friburgo) é a poeta que fala do infinito e nos deixa ao lado das estrelas e da harmoniosa cadência do Universo. Maria Lua transpira mistério e sentimento. Tem o olhar treinado de quem vê além das estrelas. É pisciana e aprendeu a identificar o “sorriso das flores”. Mais ainda, uma das grandes divulgadoras da poesia de Mário Quintana. Para você, Lua:


Poeta é aquele que traz
o Sol e Lua em seu peito,
despreza a razão e faz
do desvario... um direito!

(Sérgio Ferreira da Silva)

No livro, ela nos fala sem falar:


O SILÊNCIO


O silêncio
que rodeia o silêncio
em que me calo
é denso
pesado
ansioso...
É um silêncio
que grita lembranças
e ecoa ausências...
É um silêncio
que acentua a mudez
dos gestos pálidos
e desaproveitados...
É um silêncio
que agride a agonia
das palavras úmidas
e inacabadas...
É um silêncio
que assusta as canções
e afasta os poemas...
O silêncio
que envolve o silêncio
em que me fecho
é tenso
opaco
definitivo...


(Maria Lua)

Sérgio Bernardo


Outro trovador de quem eu era “fanzaço” antes de conhecer pessoalmente. Depois de conhecê-lo, por falta de um superlativo apropriado, sou mais fanzaço ainda. Em “Caverna dos Signos” não é o trovador Sérgio Bernardo quem nos fala: é o poeta maiúsculo e o prosador envolvente e profundo. Sérgio Bernardo, carioca radicado em Nova Friburgo é jornalista, também e escreve para o jornal “A Voz da Serra”. É freqüentador assíduo do Bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, celeiro de ótimos poetas, em sua ebulição cultural contínua. Aprendi muito lendo as trovas e poemas dele. Um grande abraço, Serjão! Aliás, que nome bonito você tem! Do livro, um soneto e tanto:


Espólio do senhor do quarto 5

Três violetas já murchas numa lata,
um par de óculos sem uma lente,
um talco, uma loção, um robe, um pente,
uns discos velhos, uma cruz de prata,

um prato, um copo, um garfo, um detergente,
leite azedo num pires, uma gata,
uma conta a pagar naquela data,
um bloco, um lápis, cartas de um parente,

um travesseiro, a cama sem lençol,
um sapato já gasto, um cachecol,
uma calça, um casaco, um quadro torto,

um antigo retrato de criança,
um lenço de mulher, uma aliança,
uma vela apagada, um sonho morto.

(Sérgio Bernardo)

A trova em três tempos...


Esse precioso livro de Lygia Gomes de Pádua, da UBT Belo Horizonte, traz em sua capa toda a essência de seu conteúdo. A trova, como já disse em um tópico anterior, é chamada pelos trovadores de ROSA. A capa do livro de Lygia dispõe pétalas e rosas em uma composição harmônica e equilibrada. Seu livro não é diferente: dispõe as trovas em três tempos distintos. Três maneiras de apresentar a trova, tanto aos leitores, quanto aos trovadores. Na primeira parte, apresenta definições da trova, na visão de diversos autores. Na segunda, a técnica de composição (métrica e rima, mais especificamente) e na terceira, o deleite, o alumbramento, os malabarismos, as composições. É como se as rosas da capa fossem apresentadas, primeiramente por botânicos que as definissem; num segundo momento dissessem o que é preciso para que uma flor seja considerada uma ROSA e, por fim, desfilassem imagens das mais belas rosas pelas retinas do leitor. Trabalho sensível. que foge ao lugar-comum. A seguir, algumas das tantas trovas que Lygia colacionou:
...

Talvez rireis ao saberdes
como eu me sinto em apuros
se pousais os olhos verdes
em meus olhos já maduros!

(José Fabiano – Belo Horizonte/MG)


Infância é um brinquedo usado
que, um dia, a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve!

(Arlindo Tadeu Hagen – Juiz de Fora/MG)


Saudade, posso entendê-la
ao ver no céu, a luzir,
o brilho daquela estrela
que já deixou de existir...

(Waldir Neves)

Sábado, 25 de Agosto de 2007

Célio Robusti


Conheci Célio Robusti em São Caetano do Sul, no final dos anos 90. O tempo e os compromissos profissionais nos afastaram, mas o que é a distância para uma amizade justa e perfeita? Um grande nada! O Célio participou, nos anos 80 de um grupo de poetas chamado LIVRESPAÇO, que produziu boa poesia e foi importante para o cenário literário da época. Esse livro, parceria com Guilherme Castanho (imagens) é um fotopoema, como ele mesmo chama na capa. São fotos de Paranapiacaba, uma vila ferroviária, cujo território pertence a Santo André e de onde, caso não haja neblina (o que é quase impossível!), é possível avistar o Mar. Na divisão interna, há uma foto (na página da esquerda) e um poema (na direita). Gosto de todos, mas destaco esse:
...
VIII
...
Tenho me perdido no tempo, eu sei
a pele repleta de razões grita murcha,
assim mesmo, ao infinito minha espera.
Quando tu voltares estarei maquiado e rejuvenescido
minha face imberbe pronta pros seus lábios e dedos.
Tenho caminhado pelas pedras de mim mesmo
descanso de quando em quando, quase vencido
quando as flores da primavera tocam meus pêlos
ergo os olhos somente para ver o mar...
Célio Robusti

Luiz Carlos Abritta


Luiz Carlos Abritta tem um imenso currículo profissional e literário: Procurador de Justiça, Professor de Português e Inglês, Diretor de Escola, Conselheiro da OAB/MG, e por aí vai... Um homem verdadeiramente PLURAL. Não lhe bastasse tais atributos, não é que o danado é POETA? E dos bons! Tem vários livros na bagagem: poesia, crítica literária, história, literatura infantil... Mas, vamos ao que mais interessa nesse blog: apresentar a poesia do Abritta!
...
SEMPRE SERÁ
Sempre será.
Sempre será azul quando tu vieres.
Sempre será primavera quando buscares o vôo do pássaro no céu.
Sempre será infinito quando me olhares com a ternura mansa das crianças.
Sempre será verde quando buscares o elo perdido entre o homem e a natureza.
Sempre será futuro quando puderes, com mãos de fada,
transformar o mundo (submundo) em manhã de sol ardente.
Luiz Carlos Abritta

Conceição Parreiras Abritta

O livro "Portal das Rosas" tem uma particularidade: foi prefaciado em trovas por diversos trovadores da UBT - Seção Belo Horizonte. "Rosa" é como os trovadores chamam carinhosamente a trova literária. O livro foi lançado em comemoração ao Jubileu de Prata da autora (2003), que ingressou nos quadros associativos em 1978. De lá para cá, Conceição, que é, também, autora de livros infanto-juvenis, nos vem brindando com trovas e carinho, ao lado de seu marido Luiz Carlos Abritta, de quem falarei no próximo "post". Uma trova do livro:
...

Soltei o teu nome ao vento...
E o vento, só por maldade,
repete a todo momento
o nome desta saudade.
...
Conceição Parreiras Abritta

Cefaléia


"...Nem só de bacalhau vive a Noruega! Edvard Munch é de lá. Em 1893, antes dele pintar 'O Grito', relatei uma terrível enxaqueca que tinha sentido na noite anterior. O resultado foi esse esboço aí em cima! Bem... como sou modesto, pedi a ele que mudasse o quadro, para que ganhasse em expressividade. Ele, então, fez umas alterações no rosto, e o quadro fez um baita sucesso..." (extraído de "Sergílio: auto-biografia de mim mesmo")

Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

O homem e seu quintal


"O homem e seu quintal" é um dos livros que sempre consulto! Já falei do Zaé, no tópico sobre as trovas em Outdoors, mas não posso "blogar" sem falar desse livro, que, por exemplo, nas "orelhas", traz as palavras de Vinícius de Moraes, Renato Castelo Branco, Anselmo Duarte e Lauro César Muniz, amigos do autor. Fico feliz por isso, mesmo porque, se um dia fizerem uma "lista dos amigos do Zaé", meu nome e de outros trovadores estarão lá, ao lado desses figurões aí. Quero falar de uma curiosidade sobre essa obra: foi lançado, antes do lançamento, em um capítulo de novela! A novela era "Salvador da Pátria", aquela do Sassá Mutema (Lima Duarte). Uma personagem, no início do capítulo está "lendo" o livro (só a capa, na verdade, porque o livro ainda não estava pronto) e declama um dos poemas para outra personagem. Que show! Conto esse episódio só para instigar os amigos que escrevem a sempre buscarem formas alternativas de divulgação, ou mesmo de escrita. Afinal, o papel é branco e tudo ainda está por fazer, não é mesmo? Parabéns, sempre, Zaé! E viva a tonga da mironga!
...
O TÁXI


Chofer, me leve para a rua do meu encontro
onde alguém não sabe que me espera
e um sorriso amanhece todas as manhãs
e se gasta antes do meio-dia
porque eu ainda não cheguei.

Não é que me julgue o único capaz
de perpetuar o sorriso
mas é que vou levando comigo
algumas palavras e algumas entregas
e tenho pressa de chegar antes da tarde
antes que outro transeunte sem caminho
ache o endereço antes de mim.

Mas não corra tanto
que possa assustar as crianças
nem espante os pássaros dos fios
que é através deles que enxergo o céu.
Se algum poeta atravessar a rua
breque, não ofenda seus passos
que também eles não levam a lugares
onde eu já não tenha me hospedado
ou escondido uma esperança
ou amanhecido sozinho
com o mesmo frio com que cheguei.

Mas, se for possível, corra
deforme as árvores, as casas, as pessoas
que já cansei de decorá-las
sem que se dessem por mim.

No farol, ali em frente, entre à esquerda
porque ao longo há um gato pardo
esperando ser atropelado ainda hoje.
O senhor sabe, se nós o atropelarmos
irá conosco o som do seu último gemido
e é possível que quem não me espera se espante
e feche a janela quando chegarmos.

Chofer, sei que talvez a corrida seja longa
e o trânsito seja difícil
mas eu prometo pagar-lhe trocado
e com boa gorjeta de bênçãos
porque no momento em que chegarmos
eu o farei herdeiro de todas as minhas coisas
terrenos, praias, horizontes
portões, relógios, letras de samba
que o senhor se sentirá tão rico
que já poderá se livrar da direção dos outros
e procurar como eu o seu caminho.

Chofer, chofer...
pare naquela esquina.
Tenho a impressão de que já passei por aqui.
Olhe, talvez aquela moça de braços abertos
saiba onde fica o lugar do meu encontro.
Zaé Júnior

Muito além da arte de "trovar"


Chamamos de trovadores aos poetas que fazem trovas, correto? Quase. Explico: essa Antologia reuniu diversos sonetistas/trovadores, ou, se você achar melhor, trovadores/sonetistas. Um, porém, não fazia nem trovas, nem sonetos com regularidade. Aliás, não sei se ele chegou a fazer algum soneto... Trova, uma ou outra! Músicas, fez diversas (e como são lindas), era um chorão! Fazia chorinhos lindos com suas mãos e mente hábeis! Pirogravurista, Artísta Plástico, etc. etc. etc. Um dos maiores trovadores que São Paulo teve a honra de acolher chamava-se MÁRIO BELTRAME. Sempre presente às reuniões mensais, acompanhando sua esposa, a Presidente da Seção, Domitila Borges Beltrame e... fazendo capas dos livretos de trovas! Como esse que ilustra o "Post". Saudades, Mário!

Coletânea Rio Grande Trovador


Agora já é tradição... Aliás, tradição é o sobrenome da União Brasileira de Trovadores Seção Porto Alegre. Esse livro aí, por exemplo, é editado em conjunto com a realização dos jogos florais, que vêm ocorrendo há mais de 30 anos na cidade. Essa edição foi organizada por Marisa Vieira Olivaes, destacada trovadora gaúcha. Para integrar a coletânea, foram convidados 9 trovadores de outros recantos do país (e eu pude, honrado, representar São Paulo). De Marisa destaco a seguinte trova, que integrou a coletânea IV:
...
-o-o-o-o-
Magia é o instante - perfeito -
em que nós dois somos um,
quando, entre o seu e o meu peito,
não sobra espaço... nenhum!

Flávio Roberto Stefani


"ABCenário Gaúcho - poesias gauchescas", é um livro feito com alma. Com a essência de uma terra sempre pronta a representar nossa gente, de fronte erguida. Sobre o trovador Flávio Roberto Stefani falarei em outra oportunidade, hoje vou, apenas, deixar um poema dessa obra de conteúdo e forma delatores de uma cultura, que é preservada por nossos irmãos do Rio Grande, como quem defende a família e a sua honra. "Brasil" dito por eles, tem um significado muito mais amplo...
...
Uma lenda

Era uma vez um homem
que virou gaúcho
que virou estátua
e hoje é uma lenda!

O homem, de carne e osso,
nasceu como todos,
meteu o pé no barro,
piscou pras meninas,
fez estrepolias,
casou, foi feliz.

O gaúcho foi forjado na lida,
no campo, em mangueiras,
na geada fria
das manhãs do Sul,
e saiu aos quatro ventos,
rasgando poentes
a dizer aos mundos
das belezas da tradição gaúcha.

A estátua brotou de mãos e mente afinadas
de outro gaúcho
artista puro
que a colocou nas portas da cidade,
como que a defendê-la
pela força do bronze
e a expressão do olhar.

A lenda é o próprio Paixão Cortes,
símbolo vivo desta terra,
homem, gaúcho e estátua,
que orgulha qualquer taura
que pisa neste chão!
Flávio Roberto Stefani

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Cláudio de Cápua

Sobre Cláudio de Cápua, além da empatia instantânea (quem é aquele homem que brinca feito criança com as crianças?), posso exaltar sua sensibilidade e respeito extremos. Carolina Ramos, sua esposa, amiga e musa, disse: "...Seu trabalho em prol da Trova, sincero e despretensioso, merece o respeito daqueles que cultuam o gênero e fazem do Movimento Trovadoresco Nacional uma das mais ativas e populares facções da literatura do nosso país." De seu livro "Canto que eu Canto", destaco:
Tua palma em minha palma,
tua mão em minha mão,
a fundir alma com alma,
coração a coração!

Carolina Ramos





Carolina Ramos em trovas



No amor o tempo se gasta

com medidas desiguais:

se estás longe, ele se arrasta;

se perto, corre demais!



-0-0-0-0-


Há contraste em nossas vidas

mas, perfeito é o desempenho:

luz e sombra, quando unidas,

dão força e vida ao desenho...

Biografia de Luiz Otávio


Livro obrigatório para toda e qualquer pessoa que se disponha a trilhar os caminhos da trova, seja como trovador, seja como leitor.
A autora, Carolina Ramos (chamada com distinção de "Primeira Dama da Trova"), dividiu sua vida com Gilson de Castro (nome registral do grande poeta e criador do Movimento Trovadoresco Brasileiro Contemporâneo), falecido prematuramente em 1977. Radicada em Santos, membro de diversas entidades culturais em sua cidade, dentre elas o Instituto Histórico e Geográfico de Santos e a Academia Santista de Letras. No livro a vida de Luiz Otávio descortina-se como história do próprio movimento trovadoresco, cuja ebulição deu-se no início dos anos 60 e que, graças à força e determinação de seu criador, perenizou-se e avança pelo Século XXI, marcado, agora, pela expansão além-fronteiras dos países de língua portuguesa, conquistando adeptos nos países de língua espanhola (2007 marca os primeiros Jogos Florais de Buenos Aires!), avançando pela Europa, África, América do Sul e do Norte (E.U.A). Sobre as trovas e os trovadores continuarei escrevendo neste espaço... Deixemos, então, que fale Luiz Otávio:
Sou como a cana do engenho...
Quem dera que assim não fosse!
Quanto mais dores eu tenho,
o meu cantar sai mais doce!
-o-o-o-
Desconfio que a saudade
não gosta de ti, meu bem:
quando tu vens, ela vai...
quando tu vais, ela vem!
(Luiz Otávio)

Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

Dize-me, Sergílio, qual a tua missão na Terra?





"- Trago mensagens de paz e alguns produtos importados!"



(Sergílio da Uspecéia)

Sergílio na Enterprise...


(Diário de bordo, data estelar 22082007)
Repare que todos estão sorrindo... menos o Spock! Decididamente, vulcanos não têm nenhum senso de humor!

Sergílio da Uspecéia - Biografia não autorizada




Sergílio da Uspecéia é uma personagem criada como alternativa aos "fakes" que infestam o site de relacionamentos chamado Orkut, a partir de uma caricatura minha desenvolvida por minha esposa e minha filha, em um software de desenhos. Eu imaginei um desses "sábios" que andam de cajado pelo deserto, distribuindo ensinamentos valiosos e contando histórias cheias de conteúdo místico e filosófico... E ele era assim no início. Mas foi ganhando consistência e sendo "consultado" por amigos e membros de diversas comunidades da qual participava, em especial as do curso de letras, da USP. Sempre se dirigia às mulheres como "musas" e aos homens como "aedos", aos quais distribuía "ósculos" e "amplexos". Não tinha idade definida, tendo supervisionado a construção das pirâmides, peregrinado pelo mundo todo, com participação ativa em todos os grandes acontecimentos de relevo da história da humanidade. Privou da amizade de diversos homens e mulheres famosos. Com o tempo, revelou-se um grande farsante. Porém, continuou angariando simpatias: ou seja, todos sabem que ele é um charlatão, mas gostam dele! Vou inserir suas aventuras e farsas no Blog, em doses homeopáticas...
...

Ósculos às musas e amplexos aos aedos!

Originais Reprovados


A "Originais Reprovados" é uma revista literária dos estudantes do curso de editoração da USP, membros da Empresa Júnior de Editoração, a Editora Com-Arte Jr. A idéia é publicar textos de alunos da Universidade, dando-lhes a difícil oportunidade de vê-los publicados, com festa de lançamento na ECA-USP e no Congresso Anual de Editoração, cujas últimas edições ocorreram no MASP (Museu de Arte de São Paulo). Foi uma honra participar do n° 2. O nº3 será lançado em Outubro e contará com textos selecionados pela Internet. Guardem um nome: Renato César Lacerda Ferreira (Poema "Trindade Mineira"). Boa sorte aos colegas da "Originais..."!

E se o título fosse maior que o conto?


A idéia era essa: "Quando o título diz quase tudo!" A revista "Originais Reprovados" comprou a idéia e publicou em seu nº 2. Ficou o registro! São aventuras e desventuras de pessoas comuns (no centro do furacão), de onde eu retiro um pequeno fotograma, o "conto" propriamente dito. O título, no final das contas, integra e explica a história. Clique na imagem para ampliar...

Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Mercado (Augusto de Campos) - extraído de A Cigarra n° 39


A Cigarra


Tente fazer uma revista de poesia! Pode começar, estou esperando... Já terminou? Não?
Nem começou?
Tudo bem! Tente colocar nessa revista nomes como Augusto de Campos, Hilda Hilst, Arnaldo Antunes, Dalila Teles Veras, Del Candeias, Yêda Schmaltz, Cláudio Daniel, Murilo Mendes, etc. etc. etc...
Só os etc. já vão te dar um trabalho incrível!
Tente mantê-la em circulação por 25 anos ininterruptos! Impossível?
Pergunte ao Zhô Bertholini e à Jurema Barreto de Souza como se faz! Dois poetas da minha terra natal, Santo André que fazem milagre! Ou você acha que é possível fazer tudo isso sem ter poderes incríveis!
A versão eletrônica está no site da editora Komedi (Kplus). Link ao lado

Teu nome



Ao findar a madrugada insone e fria,
um pequeno feixe de luz se atreve
no horizonte...
E as névoas soltas, que se perdem nos caminhos,
fazem lembrar o esvoaçar de nossas vidas...

Esta lembrança é tão real que, agora,
como se o tempo fosse o meu escravo,
eu volto a todos os lugares (que eram nossos)
no intervalo entre frações de algum segundo.

E na vertigem que este pensamento causa,
sou amparado, novamente,
por teus braços...

E já que o tempo não faz mais sentido,
e tendo, ainda, o teu perfume na memória,
o meu menor momento... é a minha vida
e a minha maior lembrança... é o agora!

Depois,...
percebo uma outra luz (bem mais intensa!),
nascida de um sorriso e de um carinho,
molduras de acalanto ao teu calar sereno,
semente de um poema livre e inacabado.

Retorno, enfim, à brisa fria da manhã
(companheira inseparável da saudade)
e vejo que o teu nome,
feito um Mantra,
escrito com as mãos, na areia fina,
está gravado em mim e não se apaga...
mesmo depois de ser envolto
pelo mar...

Sérgio Ferreira da Silva

Trovadores Friburguenses I


"Na Sementeira de Sonhos" é um livro de trovas obrigatório! Coordenado por Rodolpho Abbud (um dos MESTRES da trova literária brasileira), reúne trovas de 51 grandes trovadores friburguenses (19 deles "encantados"), sendo magistralmente prefaciado por João Freire Filho, magnífico trovador do Rio de Janeiro (sua benção, João!). Vou extrair desse livro, pelo menos uma das trovas de cada um deles, que representam, hoje, a cidade que foi o berço do movimento trovadoresco brasileiro contemporâneo.
Minha mágoa e desencanto,
foi ver, no adeus, indeciso,
eu, disfarçando meu pranto...
tu, disfarçando um sorriso!...
(Rodolpho Abbud)
Ante o olhar austero e frio
daqueles que te criticam,
sê feito as pedras do rio:
vão-se as águas... elas ficam!
(Nádia Huguenin)
O trem cortava a cidade
nos meus tempos de criança...
Hoje, corta de saudade
minha mais doce lembrança.
(Heloísa Sauerbronn Brandão)

A Cidade da Trova




Imagine um lugar de clima aprazível,... com um ótimo ar para respirar,... com montanhas ao seu redor... e muito verde. Imaginou? Pois bem: imagine, agora, que neste lugar, uma cidade do Rio de Janeiro, o povo seja vocacionado para receber muito bem os visitantes. Volte no tempo uns 47 anos e imagine que uma dupla de poetas de destaque no cenário nacional, dedicados a compor trovas que encantavam todo o Brasil, nos idos de 1959, portanto, se encantassem com a cidade. Um deles era Gilson de Castro (dentista por profissão e trovador em tempo integral), que adotara o nome artístico de Luiz Otávio. O outro, J. G. de Araújo Jorge, que se tornaria Imortal, na Academia Brasileira de Letras.
Esses dois pioneiros, assim como o semeador da parábola cristã, encontraram, naquela bonita cidade, no início da efervescência cultural dos anos 60, solo fértil para lançar a semente do Movimento Trovadoresco Brasileiro (poetas locais, que no futuro alcançariam reconhecimento nacional, como Rodolpho Abbud, autoridades, comerciantes, e tantos mais quantos quisessem participar do congraçamento cultural)...
Estavam criados os I Jogos Florais de Nova Friburgo! De lá para cá, já se realizaram 48 certames, ininterruptamente! Em 2004, 45 anos depois daquele longínquo 1960, aprovou-se uma Lei Municipal adotando o título de CIDADE DA TROVA para Nova Friburgo, cidade da região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Vou incluir neste Blog algumas trovas de trovadores friburguenses e você poderá concluir se o título é, ou não, merecido...

Falando "dela" sem falar

No velório, a confusão
quando o genro, num rompante,
chegou com pinga, limão,
cerveja e refrigerante!
Sérgio Ferreira da Silva

Domingo, 19 de Agosto de 2007

Mas!

Mas!

Mas, de súbito, parei...
As reticências... arredias... não...
“Não!” – pareciam dizer...
Mas não diziam... –

“Não pare!” – insistiam (reticentes) –
Seja aquilo que quiser, mas seja!”
Não era... Não queria... Não podia...
Não sou... Não quero... Não posso...

O futuro... ah, o futuro...
...que saudade do futuro...
O futuro era tudo o que eu era, queria e podia...
Agora, o futuro já passou...
e eu não sou,
não quero,
e não posso...

Resta-me esperar pelo presente


Sérgio Ferreira da Silva

Selma Patti Spinelli


Na contracapa do livro "Nas malhas da trova", Cláudio de Cápua escreveu: "Sanitarista, professora de medicina, cientista social, doutora pela USP e sindicalista, eis as habilidades dessa mulher...". Eu diria mais: Inteligente, amiga, sensível, ponderada, firme... Admirável!



Uma trova do livro:



Tu lês os versos que eu faço,
e nem sequer adivinhas...
o segredo que eu te passo,
no espaço das entrelinhas...

Zeca Pagodinho


Para o livro "Celebridades" ed. 2006, o Sérgio Madureira me pediu que fizesse uma trova para o Zeca... Optei por uma "inversão", a partir de um grande sucesso do menino.
A trova:
Pediu cerveja gelada...
sentou-se à mesa do bar...
e disse, a Vida, animada:
“Deixa o Zeca me levar!”

J.B.Xavier


O Xavier é uma daquelas pessoas que impressionam no primeiro contato. Difícil não experimentar uma empatia imediata. Poeta, Músico, Contista, Romancista... Antes de fazer trovas, fez troféus para alguns concursos da UBT São Paulo. Tem uma empresa de premiações diferenciadas, a Multipremium (vale uma visita virtual!). Esse livro de contos motivacionais "Caminhos" é um achado. Fernanda Guimarães (guarde esse nome!) bem assegura na contracapa desse livro: "...é uma oportunidade rara, sem dúvida, e absolutamente prazerosa, de nos mostrar que a cada dia é possível termos um olhar diferente, capaz de aperfeiçoar o cenário onde a vida acontece." O Xavier escreve com freqüência no site Recanto das Letras (não deixe de ver!). Tem um link ao lado.

Elton Carvalho


Conhecido como "o trovador da sogra", por ser de sua autoria a trova mais repetida de todos os tempos, dedicada à mãe de toda e qualquer esposa, qual seja:


Minha sogra não reclama

do bom trato que lhe dou.

Até de "filho" me chama

- Só não diz que filho eu sou.


Maria Nascimento Santos Carvalho, que foi sua esposa, garante que Elton, em cada palavra e em cada gesto, dedicava um carinho e um respeito enormes à sua sogra, como o fazia em relação às mulheres, sem exceção.


De Elton, minha trova preferida é lírica, com a qual fecho a homenagem...


Pode chover muitas horas,

eu não temo os temporais!

Duas gotas, quando choras,

me preocupam muito mais...

Edmar Japiassu Maia


Edmar Japiassu Maia é, sem sombra de dúvida, um dos maiores trovadores brasileiros. Personalidade cativante, humorista dos melhores, foi goleiro do Flamengo, reside no Bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Esse livro, "Sóis e Orvalhos" é um dos que tenho sempre à mão e onde se podem encontrar sonetos líricos, filosóficos e humorísticos, poesias livres e clássicas. Meu soneto predileto é SONETO PARA UM PAI AMIGO (vou publicá-lo futuramente!).


por agora, trova vencedora do Concurso exclusivo para magníficos trovadores, em Nova Friburgo:


Nas asas de um desvario,

tentando um sonho alcançar,

eu despenquei no vazio,

mas... aprendi a voar!

Izo Goldman


Aprendi a admirar esse trovador anos antes de conhecê-lo, quando lia os livretos que o Antônio de Oliveira me emprestava. Suas trovas fogem aos lugares-comuns e convidam o leitor a refletir com profundidade sobre os temas que propõem. O Título do livro é o resumo perfeito para uma vida dedicada à trova e à União Brasileira de Trovadores


O Izo, para mim, é sinônimo de trova. Um abraço, Mestre!
Do livro:
Para mantê-los me empenho
por que penso sempre assim:
- Tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!

Sábado, 18 de Agosto de 2007

Convite


Esse foi o convite de aniversário de 11 anos da Laura.

O desenho é da Leila (lápis sobre papel - 21 x 15 cm)

Trova Postal


A "Trova Postal" rodou o Brasil pelas mãos dos trovadores e de alguns amigos.

Cartões Postais


Em 2005, imprimi uma série de cartões postais (trovas em sua grande maioria) com arte final da Leila. Esse era um dos que fugiram à regra, chamado
"Pregando no Deserto".
Clique na imagem para melhor visualização!

............Palavras Cruzadas............


Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

Trovas em Outdoors - Poesia pela cidade!


No final de 2004, Zaé Júnior, um dos pioneiros da televisão brasileira, lançou um livro chamado "Pássaro Aprendiz", com 1001 trovas de sua autoria. Zaé, além de homem de TV e Cinema, trabalhou em criação, em importantes agências paulistas. Seus amigos publicitários lhe ofereceram o espaço ocioso dos Outdoors que, na época, não eram proibidos na cidade. Resultado: 200 Cartazes gigantes com 1001 trovas de seu livro espalhadas pela cidade. Pouco foi noticiado, apesar de nosso esforço. O plano era publicarmos, em Janeiro de 2005, 10 trovas alusivas aos 450 anos de São Paulo, mas não houve a sobra de espaço publicitário. Fizemos um sarau em um clube particular no Morumbi.

O maluco embaixo do outdoor sou eu! e a trova é assim:

Tu sorris... e, em ânsia louca,

ao beijar-te, sem aviso,

mais que beijar tua boca,

quero beijar teu sorriso!

Zaé Júnior


ENTREPOEMA




Helena Ranaldi


Na Globo, ou na Grécia Antiga,
se repete a mesma cena:
os galãs comprando briga,
pela beleza... de Helena!
Sérgio Ferreira da Silva

Camila Pitanga





Não te zangues, pitangueira!
Não ficam bem tuas zangas!
CAMILA é, sempre, a primeira
e a mais doce... das pitangas!
Sérgio Ferreira da Silva

..........Celebridades..........



Em 2004, na cidade de Nova Friburgo, conheci um camarada chamado Sérgio Madureira, produtor da Rede Globo, que fez novelas como "O Clone" e "América". Ele criou um movimento chamado "Ame Nova Friburgo", para valorizar a cidade e divulgar suas belezas naturais e qualidades. Pois bem, como ele é amigo pessoal de vários atores do "casting" da emissora e de outras celebridades (cantores, jogadores, músicos, etc.), teve a idéia de vestí-los com a camisa do movimento, fotografá-los e fazer um livro com textos sobre a cidade (história, depoimentos, pontos turísticos). Em cada foto, um autógrafo da celebridade escolhida. Não satisfeito, após conhecer os trovadores locais (entre os mais destacados no cenário nacional), propôs que eles fizessem trovas alusivas a cada um dos fotografados... e me convidou para participar. Sob a coordenação da Elisabeth Souza Cruz, de Nova Friburgo, diversos trovadores participaram, compondo as trovas que ilustraram as fotos. Hoje já são duas edições esgotadas (2005 e 2006) e o Livro correu o mundo (Europa, América, África), com a renda sendo revertida para projetos sociais (reconstrução da APAE da cidade, por exemplo). Foi uma honra participar, com algumas das quase 200 trovas compostas. Entre elas as de Camila Pitanga e Helena Ranaldi...

.....Drummond.....




E agora, Drummond,

a pena cessou,
o verso calou,
a guerra acabou...
e recomeçou,
de novo acabou
e recomeçou,
uma outra chegou,
e o mundo aceitou!

Você foi embora,
Drummond, volte agora,
que a paz não demora
e, aos poucos, lá fora,
ressurge uma aurora,
na ponta da espora,
que avisa, sonora:


Drummond!!! É agora!!!


Sérgio Ferreira da Silva
Esse poema foi criado como exercício imitativo proposto pelo escritor Ricardo Lísias, na Escola Livre de Literatura, de Santo André/SP. Adotei a métrica e as rimas do poema "José", sem a extensão daquele. Virou uma homenagem. Viva Drummond!

A musa

Já escrevi muitas coisas inspirado e motivado por essa mulher (esse blog, por exemplo!). O nome Leila significa, em resumo, "noite".
Em tua grandeza infinda,
entre estrelas erradias,
tu és a Noite mais linda,
que enche de luz os meus dias!
Sérgio Ferreira da Silva

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007