
In Memória Consentida, p. 251, um dos poemas de Rui Knopfli que mais me fizeram refletir sobre a vida...
VIRÁ...
Virá no bojo nocturno do avião,
na sede inextinguível do carburador,
oculta no tambor das balas,
presa ao decisivo dedo indicador.
Será o coágulo negro que tomba
no declive suave da artéria, a flor
que desabrocha alucinada nas entranhas
e nos esmaga o peito e nos lateja nas fontes
e nos enreda em funestas espirais.
Respire fundo, não faça esforços
demasiados, precisa muito repouso.
Inútil qualquer precaução. Virá.
(Rui Knopfli)