Já fiz aquela chamada "leitura diagonal" de todos os volumes, avidamente.
Das linhas que li, alguns poemas já saltaram aos olhos. Poesias completas traz sonetos, trovas e outros poemas, com a marca da poética de Magnani, a contraposição entre o riso e o siso, o humor e a seriedade. Aliás, a expressão latina que abre o livro "Ridendo castigat mores", significa "Rindo, castigam-se os costumes", ou seja, nada mais crítico e sério do que o humor!
Outra surpresa entre os volumes que recebi: um livro de sua filha, Nina Rosa Magnani, "Do Pão Mineiro", sobre o qual postarei muito em breve...
Um soneto de "Poesias Completas" me chamou a atenção, por conter, desde a sua concepção, o que os poetas chamam de "achado". Dizem que um bom poema deve ter, no mínimo, um achado que é a própria justificativa da existência da poesia, uma motivação, uma ideia, algo que chame a atenção...
O achado do soneto "O homem e a pontuação" - p. 50 - é o comparativo que Magnani faz entre a vida e a pontuação, além de fazer um encerramento magistral, uma verdadeira "chave de ouro" do soneto.
Voltarei a Cássio Magnani... Agora, o soneto.
Em sua origem - interrogação.
Leva, na adolescência divertida,
sempre nos lábios uma exclamação.
Faz uma pausa - vírgula - e, em seguida,
quer desfrutar a vida, mas, então...
surge a figura da mulher querida.
Noivado. Enlace. Traço-de-união.
Chega a velhice das reminiscências.
Meditação, saudade - reticências...
O conforto do terço e do missal.
Deixa o cortejo, à luz do ocaso amargo,
um corpo sob a terra e faz-se ao largo.
Enfim a eterna paz. Ponto final.



