terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Jogos Florais de Nova Friburgo de 1977 e a homenagem a Luiz Otávio



Na semana passada, tive a felicidade de encontrar, em um sebo de Santo André, dois livros preciosos: "A Trova", de Eno Teodoro Wanke, e o livro dos Jogos Florais de Nova Friburgo de 1977. Sobre o primeiro, escreverei na próxima postagem.
 

 
 
Muitos sabem que 1977 foi o ano do falecimento de Gilson de Castro, o Luiz Otávio, idealizador, juntamente com J. G. de Araújo Jorge, dos Jogos Florais como os conhecemos hoje.
 
Naquele ano, ingressaram no quadro dos Magníficos os trovadores José Maria Machado de Araújo, Maria Nascimento Santos Carvalho e Izo Goldman.
 
 
Octávio Venturelli, então radicado no Rio de Janeiro, venceu o concurso nacional com a seguinte trova, no tema CONFLITO:


No conflito de um desgosto,
por saber que não me queres,
vivo em busca do teu rosto
no rosto de outras mulheres...
 
 
(Octávio Venturelli)
 
 
Entre os magníficos, as trovas isoladas vencedoras foram as seguintes, no tema MIRAGEM:
 
 
 
De fantasias e imagens,
quantos castelos eu fiz...
Que importa fossem miragens
se me fizeram feliz?
 
 
(Elton Carvalho)
 
 
Embora ela seja a imagem
de um bem que jamais se alcança,
por trás de toda miragem
se esconde a própria esperança!
 
 
(Elton Carvalho)
 
 
Refletindo, em doce imagem,
a ventura que se almeja,
bendita seja a miragem,
por mais miragem que seja!
 
 
(Waldir Neves)

 
 
Afora as lindas trovas que ilustram  o livro, e que podem ser acessadas na íntegra no site Falando de Trova (www.falandodetrova.com.br), salta aos olhos a homenagem de Nova Friburgo ao Príncipe da Trova, consubstanciada no texto de Yeda Lucimar, intitulado "A você Luiz Otávio", cuja cópia anexo abaixo (clique na imagem para ampliar), para registro e perpetuação. A benção Yeda, Elton, Waldir e Luiz Otávio!
 


 


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Yde Schloenbach Blumenschein, a COLOMBINA.







 
Da correspondência recebida de Maria Thereza Cavalheiro, mencionada no "post" anterior, transcrevo, agora, com leves adaptações, um pequeno currículo e 12 (doze) trovas de Colombina, sobre Saudade. Notem como ela sempre foge do "lugar comum".

Veja, também, na Wikipedia: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Yde_Schloenbach_Blumenschein).

Yde Schloenbach Blumenschein

 
Nome civil da Poetisa conhecida pelo nome literário de COLOMBINA, nascida em 26 de Maio de 1882, em São Paulo/SP, onde faleceu em 14 de Março de 1963. Grande sonetista, escreveu também versos livres e encantadoras trovas, reunidas em três livros, esgotados ("Para você, meu amor", "Cantares do Bem-querer" e "Cantigas ao Luar".
 
 
As trovas

Afinal, o que é a saudade?
-queriam que eu o dissesse.
-Não será essa ansiedade
de esquecer quem não se esquece?

Inverno. Melancolias
errando à toa nas ruas.
As minhas mãos estão frias
e com saudades das tuas...

Mar revolto, eu adivinho
porque tu choras assim:
para quem vive sozinho,
a saudade não tem fim.

Saudade - vago perfume
de uma estranha e ignota flor
que, a evaporar-se, resume
a eterna história do amor...

Jesus (a Escritura reza)
sofreu tanta iniquidade,
mas não soube quanto pesa
o lenho de uma saudade.

Saudade - nada dói tanto
como essa dor dolorida,
que os olhos enche de pranto
e enche de sombras a vida.

A saudade ê um triste ocaso,
a envolver a alma da gente.
Dura, o amor, um certo prazo,
- a saudade, eternamente.

Saudade - vela que vaga
sozinha, à noite, no mar...
Flama que nunca se apaga
porque nasceu num olhar.

Saudade - um elo partido,
um altar desfeito em pó;
um lindo sonho perdido
e o destino de ser só.

Não é simples coincidência
a saudade ser mulher,
pois é sempre a reticência
no fim de um sonho qualquer.

Saudade - quem não vê logo
que é sombra depois da luz?
As cinzas depois do fogo?
Flores ao pé de uma cruz?

Ao coração torturado
de saudade, eu mesma digo:
amar assim i pecado,
sofrer assim e castigo.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Maria Thereza Cavalheiro, Colombina e as novas gotas de pinho

Há mais de um ano não escrevo neste espaço. Retorno, agora, a fazê-lo e pretendo pagar algumas dívidas literárias que acumulei no tempo em que me recolhi.
A primeira delas: em Setembro de 2011, postei um texto sobre as fotos na frente do mapa e as gotas de pinho alabarda que, em tempos em que não havia internet (nos primórdios da civilização... leia-se Anos 70), foram importante canal de divulgação da trova literária, como a conhecemos hoje. Já em outubro daquele ano (2011), recebi uma generosa e simpática missiva de Maria Thereza Cavalheiro, uma das pioneiras da UBT - União Brasileira de Trovadores, que foi, entre outras coisas, Presidente da Seção São Paulo da entidade e, até hoje permanece divulgando a trova e os trovadores, discreta, mas efetivamente.
Transcrevo um trecho da carta, que considero importante para o entendimento da generosidade que ela demonstrou:

 
"Ficamos muito felizes - minha prima Amaryllis Schloenbach e eu, ao ver, no seu interessante 'TROVAS & CIA.', uma trova de Colombina (nossa tia-avó), em adesivo da Alabarda. Muito temos feito para manter a memória dessa grande Poetisa, que já tem nome de rua em São Paulo, e conseguimos que tivesse também em Itanhaém, lugar onde ela escreveu muitos de seus belos sonetos e trovas. Venho, pois, agradecer-lhe a homenagem. Como ainda dispomos de adesivos que nos foram presenteados na época, dela e de outros poetas, aí vai uma sequência de trovas de Colombina..."

 
Então, amigos, feliz com o retorno, partilho o carinho e a generosidade de Maria Thereza Cavalheiro, nas imagens que seguem, com nove trovas de Colombina!
 

 








 

 
 
 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Diovani Mendonça na TV Escola



Se você clicar nesse link... TV Escola - o canal da educação terá, como eu, gratas surpresas. É o site que o Ministério da Educação disponibiliza para acesso ao conteúdo veiculado pela TV Escola. Nele você encontrará farto material de boa qualidade.

Na próxima semana, o canal e o site veicularão uma interessante matéria sobre poesia, na chamada 8ª semana de poesia da TV Escola. As exibições ocorrerão no dia 20 de Outubro, às 9, 15 e 20h.

O programa trará, entre outras informações, uma entrevista com Diovani Mendonça, de Minas Gerais, idealizador do Projeto Pão e Poesia.

Por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, a V & M do Brasil, é a patrocinadora do projeto desde 2010. Na 1ª edição do “Pão e Poesia na Escola” foram realizadas oficinas de sensibilização poética em 10 escolas na região do Barreiro (Belo Horizonte / MG) para 430 alunos. Os poemas dos estudantes foram selecionados e publicados em 250.000 embalagens que foram doadas a padarias no entorno das escolas participantes. Está em curso a 2ª edição do “Pão e Poesia na Escola” e estão previstas oficinas de sensibilização poética em 20 escolas – 10 na região do Barreiro, até Dezembro de 2011, e mais 10 em Brumadinho – MG, no 1º semestre de 2012.

Vale a pena conferir... Afinal, a poesia é a matéria-prima da emoção (ou será o contrário?)

Abração e sucesso Diovani!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Foto na frente do mapa... e as Gotas de Pinho Alabarda!

Nasci em 1963, em junho, quase um ano antes do Golpe Militar de 64. Fui matriculado no 1° ano primário, no Grupo Escolar Camilo Pedutti, em Santo André, no ano de 1970, por absoluta insistência de minha parte. Explico: a matrícula, naqueles tempos, só era admitida a crianças com 7 anos completos. Minha mãe, Dona Helena, conseguiu me inscrever como "ouvinte". Minha primeira professora foi a Dona Veridiana, de quem "ouvi" aulas, achando que era aluno, durante todo o mês de junho de 1970. Na época não as chamávamos de "prô". Vieram as férias e fui convidado a ser aluno, mesmo, a partir de agosto daquele ano. Mudei de sala... e fui aluno da Dona Ivone. No segundo ano, a professora chamava-se Helena, feito minha mãe (uma das professoras mais carinhosas que tive). No terceiro ano, a temida Maria Aparecia, cujos métodos pedagógicos incluiam castigos físicos, um deles puxar o aluno pelos cabelos. Passei a usar brilhantina, nessa época (o que a levou a me puxar pela orelha porque eu havia errado uma questão de geografia). Minha mãe, então, entrou em cena e ela evitou me fazer perguntas... hehehe! Não sei o que elas conversaram, mas provavelmente foi tenso. Em 1973, 4° ano. Professor Kamal, que tinha um lema: fale bem, ou fale mal, mas fale do Kamal! - pura poesia!

Desta época, então, além da saudade saudável, tenho duas fotos, uma delas na frente do mapa, como o título dessa postagem sugere



e um pequeno tesouro, cuja imagem fechará essa nossa conversa.

Outra coisa: da infância, trago ainda grandes amigos e irmãos, alguns do Pedutti, como os Stoianov (Armando e Valdir), o José Antonio Capelli, o José Luiz Beltrame (padrinho da minha filha), o José Lacerda Sobrinho e o Gilmar da Silva Ruiz. Alguns deles não vejo há tempos. Continuam amigos, claro, que a amizade não é algo que acabe! Outros amigos fui fazendo ao longo da adolescência, nas faculdades e pela vida afora... Temos, em comum, além da Carteira de Identidade com numeração baixa, as fotos dos áureos tempos idos... Por isso, combinei com alguns deles (Angelo Eduardo Battistini Marques e Gilmar Santana) que tiraríamos a mesma "foto com mapa atrás" quando nos encontrássemos, ao longo da vida. Até ficarmos velhinhos... Como se pode ver na imagem abaixo (de 2008)!



Por fim, o tesouro que guardo daqueles tempos é um adesivo, com uma trova da poeta Colombina. Estes adesivos vinham de brinde nos pacotes das "Gotas de Pinho Alabarda" e, por iniciativa do Pedro Ornellas, vim a saber que eram divulgados pela trovadora Maria Thereza Cavalheiro, que presidiu a União Brasileira de Trovadores, Seção São Paulo, nos anos 60 e início dos 70. Eu comprava os pacotinhos na saída da escola, porque o "Seu Justo", que era o inspetor de alunos, não permitia o consumo dentro da escola (mas a merenda era ótima!).

Ou seja, as trovas estavam em minha memória afetiva e em uma caixa de guardados que minha mãe ajudou a preservar. Hoje eu faço trovas e as disponho em "adesivos virtuais", estas postagens que espalho em meu blog! Os tempos mudam, os adesivos mudam!

Um grande e afetuoso abraço a todos os meus amigos/irmãos, mesmo àqueles que não estudaram no Pedutti, nos anos 70!

Sua benção, Colombina!





sábado, 17 de setembro de 2011

Action Poetry


(Jackson Pollock)


Action Poetry

Um poema acabado

revisado

rimado

metrificado

consagrado

dissecado

explicado

e publicado

para ser completamente entendido

(ou para fingirmos que sabemos o quanto ele é sublime)

geralmente é comparado às pinturas de

Velázquez

Da Vinci

Caravaggio

Van Gogh

Renoir

Manet

não tão frequentemente às de

Dalí

Miró

Picasso

escrever o poema

no entanto

é jogar

“os grãos na água do alguidar”

escrever é Pollock!


(Sérgio Ferreira da Silva)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Outra fornada de pão... e poesia!


O Diovani Mendonça, idealizador do Pro
jeto Pão e Poesia, de cuja 3ª edição falarei futuramente, me fez a grata gentileza de remeter algumas imagens das embalagens da 2ª edição. Vou dividí-las, então, para que elas se multipliquem (essência da comunhão!).






segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Revista Língua Portuguesa - Setembro/2011 - e o projeto Pão e Poesia


Muito feliz com a matéria da Revista Língua Portuguesa deste mês, cuja aquisição, inclusive, recomendo. É uma publicação dinâmica, editada por profissionais compromissados em divulgar os diversos aspectos da língua portuguesa, sem preconceitos linguísticos.


Minha felicidade se justifica, além de ser leitor assíduo e por ter contato com alguns de seus colaboradores, professores da Universidade de São Paulo (fui aluno do Professor Mário Viaro de fonética e fonologia, por exemplo!) porque, neste mês, a revista publicou uma matéria sobre o projeto Pão e Poesia, do qual participei com trova e soneto.



Numa postagem anterior, falei da régua poética, dos outdoors, dos cartões postais etc. A matéria é uma prova de que uma divulgação original e eficaz pode ser fruto de reconhecimento e incorporação da poesia em nosso dia a dia.

Parabéns Revista Língua Portuguesa! Parabéns Diovani Mendonça, o idealizador do projeto!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nina Rosa Magnani - Do pão mineiro



Este blog é uma fonte de encontros, desde os interiores até os interpessoais. Da postagem sobre Cássio Magnani, além da descoberta de um poeta e trovador completo, com trânsito livre entre o lírico, filosófico e humorístico, há, ainda, a confirmação do ditado "filho de peixe, peixinho
é!".

Nina Rosa Magnani é psicóloga por formação e poeta de nascença. Imagino que sua infância foi coroada de poemas e de contatos com pessoas ligadas ao fazer literário. Ou seja, uma formação cultural como há muito não se vê.

Fui honrado, por ela e seu irmão Cássio, com alguns livros da lavra de seu pai e com o livro que dá título a essa postagem: Do pão mineiro, obra integrante da coleção Poesia Orbital, editada pela Associação Cultural Pandora, de Belo Horizonte, em 1997. Coleção que abriga, além da obra em questão, 61 outros títulos.


Sobre a obra, a autora revela na orelha da capa: "É um olhar feminino sobre sons, cheiros e sabores variados, no grande cuité do coração", o que podemos confirmar, na leitura do poema a seguir...

F R U T A M A D U R A

Tomar a vida nas mãos dói um pouco...
Exige um coração cada dia maior
uma prontidão clara
e simples
cada dia mais simples,
uma fidelidade
inacabada
ao que não se pode pegar
nem tocar
nem reter,
por mais amorosas que sejam
as mãos
por mais lindos os versos
e a dança.

Continuar
exige leveza,
um remanejar dos móveis
e um coração cada dia maior,
ampla e vasta planície,
longo reacender de um mesmo cigarro de palha,
novas velas na cozinha
novo incenso no ar...

Lua nova,
lua crescente,
lua cheia,
lua minguante
e o corpo maré
maré
enroscando uma nova espiral.

E as palavras são milhas
e as combinações
várias
várias extensões
de um mesmo canto
no peito do universo...


O livro reúne reflexões poéticas sobre a vida, as sensações, a passagem do tempo, as perdas e conquistas de todos nós, como nos versos seguintes...


"Tudo está velho
tudo mofou;
as pessoas se mudaram
o amor perdeu a força
a amizade precisa reciclagem.

O baú das mágicas
está cheio de truques
falidos
pólvora molhada
efeitos déjà vu.

O sentido se perdeu
poucos sons tocam
a corda do infinito
adormecida."

A sensibilidade observadora de Nina Rosa Magnani transparece nas linhas e entrelinhas do texto e é simplesmente magistral nos versos do poema que dá nome ao livro. Fiquem com ele, saboreiem e sintam o aroma do pão, que é vida em sua marcha constante...

D O P Ã O M I N E I R O

Deixar fermentar
as idéias
e a vida
ao sol
como essa montanha ao meu lado
(quase posso tocá-la com o dedo)
Antiquissimamente...

Deixar-se embrenhar
emprenhar-se
dessas montanhas de minas
antigas

Ser revolvida
inchada
milenarmente...
Nada sempre existiu de instantâneo...
Trabalhar com as mãos
os instantes
e a eternidade.

Aguardar ao sol
que qualquer dia
arrebente
em trigo
e marcha.

domingo, 4 de setembro de 2011

Régua Poética... 25 cm de trovas!

Já mencionei aqui algumas maneiras criativas de divulgação de poesia: os 200 outdoors com trovas do Zaé Júnior, nas ruas de São Paulo; as trovas de guardanapo; a trova postal...

Outras iniciativas ocorreram na história do movimento trovadoresco: em Bauru, um Bosque repleto de trovas; chuva de trovas no Terraço Itália, em São Paulo; balões de gás com trovas, em Porto Alegre; as trovas que vinham em cartões autocolantes, nas gotas de pinho Alabarda; as trovas que compusemos para o livro Celebridades, do Sérgio Madureira, além de outras formas de fazer a poesia chegar até o leitor, mas que me escapam do conhecimento e da memória.

Porém, em Nova Friburgo, nos 45°s. Jogos Florais, realizados no ano de 2004, confeccionadas por Pedro Ornellas, que quando não faz poesia é gráfico, foram distribuídas réguas de 25 centímetros com 7 trovas: quatro antológicas e 3 premiadas naquele certame.


(Clique na imagem para ampliar)

A iniciativa é simples, no entanto sua abrangência é espetacular.

Passados 7 anos, a minha conserva a qualidade, mesmo sendo frequentemente utilizada.

O que quero ressaltar é que, seja em imãs de geladeira, seja em brindes, ou pela internet, sempre haverá uma maneira criativa de divulgar seu trabalho de escritor, poeta, advogado, médico etc.

As réguas são uma excelente alternativa de divulgação em escolas e escritórios, por exemplo!

Levei alguns exemplares destas réguas para serem distribuídos na escola próxima à minha residência e o sucesso foi imediato.

Abaixo, então, a trova de Joaquim Carlos, que foi vencedor do concurso local...


Tatuei no peito a imagem
da mulher que eu tanto quis
foi um erro, a tatuagem
hoje em dia é cicatriz!

sábado, 3 de setembro de 2011

Cássio Magnani - Ridendo castigat mores (2)


Essa postagem é a segunda sobre Cássio Magnani... e não será a última. A primeira postagem, em 25 de Agosto, acabou por gerar um contato com dois dos filhos do autor: Cássio Magnani Júnior e Nina Rosa Magnani. Do contato, acabei sendo honrado e presenteado com outros livros de Cássio Magnani, o qual descobri, na apresentação do livro "Poesias Completas", ter sido Delegado da União Brasileira de Trovadores, provavelmente na cidade de Nova Lima, onde recebeu o título de Cidadão Honorário, por força da Lei n° 860/78. Nada mais justo, mesmo porque Cássio Magnani é o autor do Hino da Cidade, cuja gravação me foi também enviada juntamente com seus livros. Meu muito obrigado à família!

Já fiz aquela chamada "leitura diagonal" de todos os volumes, avidamente.

Das linhas que li, alguns poemas já saltaram aos olhos. Poesias completas traz sonetos, trovas e outros poemas, com a marca da poética de Magnani, a contraposição entre o riso e o siso, o humor e a seriedade. Aliás, a expressão latina que abre o livro "Ridendo castigat mores", significa "Rindo, castigam-se os costumes", ou seja, nada mais crítico e sério do que o humor!

Outra surpresa entre os volumes que recebi: um livro de sua filha, Nina Rosa Magnani, "Do Pão Mineiro", sobre o qual postarei muito em breve...

Um soneto de "Poesias Completas" me chamou a atenção, por conter, desde a sua concepção, o que os poetas chamam de "achado". Dizem que um bom poema deve ter, no mínimo, um achado que é a própria justificativa da existência da poesia, uma motivação, uma ideia, algo que chame a atenção...

O achado do soneto "O homem e a pontuação" - p. 50 - é o comparativo que Magnani faz entre a vida e a pontuação, além de fazer um encerramento magistral, uma verdadeira "chave de ouro" do soneto.

Voltarei a Cássio Magnani... Agora, o soneto.


O HOMEM E A PONTUAÇÃO

Irrompe o homem, do ventre para a vida.
Em sua origem - interrogação.
Leva, na adolescência divertida,
sempre nos lábios uma exclamação.

Faz uma pausa - vírgula - e, em seguida,
quer desfrutar a vida, mas, então...
surge a figura da mulher querida.
Noivado. Enlace. Traço-de-união.

Chega a velhice das reminiscências.
Meditação, saudade - reticências...
O conforto do terço e do missal.

Deixa o cortejo, à luz do ocaso amargo,
um corpo sob a terra e faz-se ao largo.
Enfim a eterna paz. Ponto final.

sábado, 27 de agosto de 2011

Rui Knopfli - Virá


In Memória Consentida, p. 251, um dos poemas de Rui Knopfli que mais me fizeram refletir sobre a vida...


VIRÁ...

Virá no bojo nocturno do avião,

na sede inextinguível do carburador,

oculta no tambor das balas,


presa ao decisivo dedo indicador.

Será o coágulo negro que tomba

no declive suave da artéria, a flor


que desabrocha alucinada nas entranhas

e nos esmaga o peito e nos lateja nas fontes

e nos enreda em funestas espirais.


Respire fundo, não faça esforços

demasiados, precisa muito repouso.

Inútil qualquer precaução. Virá.


(Rui Knopfli)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Agradecimento!


(Clique na imagem para ampliar)

De um mês para cá, intensifiquei as postagens neste Blog, o que tem me feito muito bem. Com a constância, passei a prestar mais atenção às funcionalidades que o Blogger oferece. Uma delas é a possibilidade de acesso às estatísticas envolvidas, tais como as postagens mais visitadas, os links que remetem o leitor para a página, os navegadores usados e os países de origem de quem acessa o Trov@s e Ci@.

Confesso que me surpreendi com as diferentes origens.

A imagem acima é um extrato dos locais que acessaram o blog nos últimos 30 dias, alguns países africanos de língua portuguesa e o Japão não aparecem na relação, porque, justamente, ela é um extrato, mas, no trato diário pude constatar visitas de Angola e Moçambique, o que para mim, além dos outros países que o fizeram, é um motivo de grande orgulho.

Então, pela ordem...

Obrigado!
Dank!

Obrigado!

Thanks!

спасибо!

Gracias!
Terima kasih!
Gracias!
Gracias!
Gracias!


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cássio Magnani - Varietas delectat (1)


Nas incontáveis visitas aos sebos que tenho feito nos últimos anos, encontrei algumas preciosidades. Uma delas foi o livro de Cássio Magnani, Trovas e Trovões - Riso e Siso (1969), que reúne, segundo o autor, Quadrinhas líricas e satíricas e Poemas líricos e satíricos. É um deleite. Aliás, a expressão latina "varietas delectat", que ilustra a página 3, significa "a variedade agrada", ou "a variedade deleita". Constatei, ao ler e reler a obra, que esta expressão resume, exemplarmente, a poética de Magnani.


Confesso que não o conhecia, antes de adquirir a obra. Nas buscas que fiz na internet, pude descobrir que ele radicou-se na cidade de Nova Lima, em Minas Gerais e que seu filho é advogado e vereador. Os dois são autores do Hino da cidade. Letra do pai e música do filho. Não é minha intenção estender-me em sua biografia, mas Magnani foi membro da Academia Belo-horizontina de letras, da Academia Municipalista de letras de Minas Gerais e da Academia Mineira de Trovas. Muito mais ele fez em sua vida civil/militar/literária, mas vou cuidar do que me assiste, aqui, que é render homenagem ao poeta.

O livro está esquematizado como a capa e a expressão latina prenunciam... Seriedade e humor se alternam! Respeitando a grafia original, vejamos...

As disparidades sociais...

Muitas vêzes, a Justiça,
que os formosos olhos cobre,

não vê o crime do rico

nem o direito do pobre.



O jôgo da loteria
é um modo, verifico,
de ainda tornar mais pobre
o pobre que quer ser rico.


A vida e a morte...

Da vida que te embriaga
fica, enfim, tão pouca cousa:
Uma sombra que se apaga,
um nome inscrito na lousa.



Repousa um homem honrado
neste jazigo sombrio
(Eis o epitáfio gravado

sôbre um túmulo vazio).


A eterna busca...

A Felicidade é breve
e a passos largos caminha;
algo bom que a gente teve

sem saber que a gente tinha.

Dicionário Humorístico...

Sumido - aquêle mortal
que vias o dia inteiro,

ao qual pediste um aval

ou emprestaste dinheiro.


Voltarei a Cássio Magnani!