segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

José (Fabiano e Ouverney): um livro a quatro mãos!

 
 
O autor do prefácio do livro "E agora, José...s?!, Arlindo Tadeu Hagen, inicia suas palavras com uma trova...
 
 
Sete sons em quatro versos...
É a trova, em rumos risonhos,
fazendo de homens dispersos
irmãos em rimas e sonhos!
 
 
E prossegue: "...Incrível realmente esse milagre que a Trova tem conseguido fazer no sentido de aproximar pessoas tão diferentes. Diferentes credos, profissões, cidades, condições sociais se aproximam pelo único elo de se descobrirem igualmente Trovadores..."
 
Refere-se, claro, a todos os trovadores de forma geral e a dois, em especial: José Fabiano e José Ouverney.
 
A capa, em si, já é uma obra de arte, da lavra do sempre talentoso Jaime Pina da Silveira. Divertidísssima!
 
 
 
 
 
São 100 trovas de cada autor, com as pérolas que seus autores selecionaram para nosso deleite. Destaco...
 
 
A marca determinante
de um vencedor tem dois traços:
a luz - moldando o semblante,
e a fé - moldando seus passos!
 
(José Ouverney)
 
 
Se a dor de ti se aproxima
e se buscas o que a traz,
não te voltes para cima,
antes olha para trás...
 
(José Fabiano)
 
 
Marcaram minha existência
duas heranças fatais:
no amor, a palavra "ausência";
na ausência, a expressão "jamais"...
 
(José Ouverney)
 
A pano bem alvejado,
político é parecido.
Depois de sujo e lavado,
não perde nunca o encardido...
 
(José Fabiano)
 
 
 
Todas as trovas denotam um trabalho atento de seus autores. Poderiam figurar em qualquer compêndio, ou manual de confecção de trovas ou de poesia de um modo geral. Não são palavras jogadas ao vento. Há, em todas, um intenção bem clara: levar o leitor a ampliar o sentido delas, extraíndo, assim, justamente o que não está escrito. As de Ouverney estabelecem parâmetros de análise, ao indicarem as palavras-chaves para o entendimento da mensagem que pretende fixar (confiança em si e na Divindade, equilíbrio entre matéria e espírito - na primeira trova) e, relação de gradação entre ausência pura e simples e a perda definitiva posterior (na segunda trova), pela reflexão do eu lírico sobre o significado das palavras e o real alcance de suas ocorrências em sua vida.
 
Também as de Fabiano trazem suas marcas de estilo, posto que a primeira denota a própria profissão de fé do autor, pela implícita relação de causa e efeito do destinatário do eu lírico, que deve, antes de culpar um ser superior por seu martírio, examinar sua consciência e/ou seus atos passados, para entender a causa de suas dificuldades. Como eu disse, não são palavras simplesmente jogadas e arranjadas para promover um embevecimento dos sentidos. São trovas para pensar e pensar seriamente.
 
Digo isto, ao final da postagem, porque ouvi, há poucos momentos, que elegeram-se, para a Câmara e para o Senado de nosso país, dois políticos condenados pela Justiça (com fichas mais sujas do que cabeça de estátua em praça pública!).
 
A trova de José Fabiano, com o seu jogo de oposições entre "alvejado" e "encardido", nos faz rir, num primeiro momento... Pensar, logo em seguida... e faz chorar aos mais sensíveis por muito tempo.
 
Quando inventaram de dizer que trova é "arte menor", o sentido original não tinha nada de menosprezo. Isto se devia ao fato de que ela era tramada em redondilhas, só isso.
 
Ao lermos trovas como as dos autores acima, temos certeza de que a arte de trovar é muito maior do que parece, uma trova é como um gás confinado. Abre-se a válvula do entendimento e da reflexão e ele pode expandir-se ao infinito.
 
A expansão continuará na próxima postagem em um outro encontro de José Fabiano, em que voltarei a falar sobre sonetos. Sonetos que dessacralizam o próprio ato da criação poética e os sonhos e anseios do poeta. Até lá e a benção queridos Josés!
 

 
 

 
 
 
 


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Os "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassú Maia - Parte 2: Poesias Livres e Humor

 
 
 
Comentei, na postagem anterior, que "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassú Maia, era dividido em capítulos. Os dois primeiros, de sonetos e poesias clássicas, respectivamente. Então, a seguir, trago umas breves palavras sobre os dois últimos...
 
Ao capítulo III, Edmar chamou CANTIGAS, com poesias livres. Dizem que aqueles que dominam o verso clássico, quando enveredam pelas searas da poesia livre, caminham com grande facilidade. As CANTIGAS de Edmar parecem confirmar isto, como nos trechos desse poema...
 
 
"INVERNO
 
Frios sorrisos,
bocas esfumaçadas pela névoa fria
que faz das mãos figuras indesejadas,
se nos tocam geladas,
ainda que por amor,
e, ainda que por desejo,
até a imagem do beijo
é tão fria quanto o tempo...
 
...
 
...Manhãs molhadas,
a nuvem nos toca a face
mais fria que o sol que nasce
em tristonha timidez,
mostrando e impondo de vez
os rigores da estação...
 
Noites desertas,
a brisa enrijece o rosto,
que com extremo desgosto
demonstra sua tristeza,
ao pressentir a certeza
de uma solidão forçada..."
 
Como podemos notar nestes versos extraídos do poema INVERNO, o espaço exterior é o reflexo do estado anímico do eu lírico. Manhãs e noites frias, úmidas, tristes. O sol, que apesar de ser sinônimo de calor, de vida, é incapaz de alterar o estado interior do poeta, porque ele é a própria tristeza, que se reconhece no clima, nos dias e nas noites. Ele é o inverno.
 
Note, porém, leitor, que os primeiros versos de cada estrofe têm 4 sílabas tônicas e os demais são redondilhas maiores. 
 
Nem se cogite, aqui, que há algum grilhão que prenda o autor. Antes o contrário: o recurso métrico empregado funciona como quebra e retomada de ritmo. A estrofe inicial tem 8 versos e as seguintes 6. O verso inicial funciona como um subtítulo. Os versos iniciais podem ser lidos fora do contexto do poema e permanecem coerentes com o título. 
 
Além disto, temos uma passagem, em todas as estrofes do que é externo (no primeiro verso) para o que é interiorizado (nos demais).
 
Ou seja, Edmar demonstra que um poema livre pode, sem que isto represente perda de liberdade, ser o resultado de uma proposta estética que deve, sim, possuir coerência em sua estrutura para que alcance seu objetivo, sem que, à primeira vista, sequer percebamos. E esta proposta estética não necessariamente deve ser encontrada em toda a obra, podendo variar a cada poema. É a liberdade íntrinseca ao construto, à elaboração e ao próprio poeta que determina a moldagem do poema e o resultado final.

 
E por falar em liberdade, com a qual Edmar sabe lidar tão bem, chego ao capítulo IV, denominado GRACEJOS, de sonetos humorísticos.
 
A simples pronúncia do nome de Edmar refere, nos quatro cantos do Brasil trovadoresco, competência na elaboração de trovas humorísticas, Magnífico Trovador nas duas categorias, por Nova Friburgo, suas trovas são aguardadas com ansiedade pelos cultores do gênero a cada edição do certame, porque trazem a certeza de boas risadas e espelham a competência dele no gênero, dada a facilidade que tem em "brincar" com as palavras, além do primor de suas chaves de ouro, de seus desfechos.
 
Pois bem, os sonetos humorísticos de Edmar não são diferentes das trovas, embora menos conhecidos do público em geral.
 
Destaco, a seguir, um dos meus preferidos, que além de uma chave de ouro primorosa, utiliza uma técnica interessante nos quartetos e tercetos, até o 13º verso, porque trabalham apenas uma descrição, para formar uma ideia, uma imagem na mente do leitor.
 
O soneto me faz lembrar, na verdade um retrato falado, desses que os peritos policiais elaboram a partir dos relatos das vítimas de assaltos e crimes em geral.
 
Melhor do que dissecá-lo, entretanto, é saboreá-lo: deixo ao leitor, então, a tarefa de construir em sua própria mente a personagem descrita por Edmar com riqueza de detalhes. Cada um construirá a sua, com direito a uma citação da Carta de Pero Vaz de Caminha.
 
Encerro, então, honrado, as postagens sobre o livro Sóis e Orvalhos, na certeza de que os versos de Edmar são um presente a ser partilhado, um tesouro que, quanto mais é dividido, mais é multiplicado.
 
 
"CEGO...DE AMOR
 
Um olho é vesgo e o outro esbugalhado.
O nariz mais parece um pimentão.
Uma verruga solitária, ao lado,
enfeita a grande boca de alçapão!
 
A gengiva, num tom arroxeado,
exibe, com orgulho, um só dentão.
No buraco do ouvido, mal lavado,
em se plantando nasce até feijão!
 
O volumoso colo bem moreno,
carrega um seio enorme e outro pequeno,
fato que a obriga andar meio "empenada"...
 
Parece ter na pança amolecida,
aquilo de que atrás é desprovida,
mas... como é linda a minha namorada!"
 
(Edmar Japiassú Maia)

 


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os "Sóis e Orvalhos", de Edmar Japiassu Maia

 



Sóis e orvalhos, de Edmar Japiassú Maia, foi publicado em 1996. A capa é de Frederico Ferreira Lima Neto e o prefácio de Sérgio Bernardo. Não preciso falar mais nada. Pronto, acabei a postagem. Não, não! É brincadeira.
 
Um poeta da grandeza de Edmar merece um prefácio do também destacado Sérgio Bernardo! E a prefação começa assim...
 
"Há muitas pessoas vivendo em estado de graça com a Poesia, amigo Drummond. Uma delas está no velho Estácio..."

E, mais adiante: "...Ali maneja a sua máquina criadora, e dali espalha aos quatro ventos o produto do seu labor diário: versos que nascem com o destino das asas, qual seja o de ascender... subir cada vez mais alto, e mais alto... até confundirem-se com o próprio sol, tamanha a sua luminosidade..."

Além de outras observações que beiram e transcendem a prosa poética, Bernardo arremata seu pensamento, ressaltando a qualidade da escrita do amigo...

"Um texto autêntico, que, faça-se justiça, parece vir pronto da alma para o papel."

Eu posso dizer mais sobre Edmar, mas não com o conhecimento de causa de Sérgio Bernardo. Posso dizer que nos meus primeiros contatos com a trova, Antonio de Oliveira, ao disponibilizar alguns de seus livros para leitura, chamou minha atenção para as trovas de Edmar, como exemplos a serem seguidos. Tarefa impossível, já que o grande trovador burila seu texto e promove a ampliação dos sentidos de um vocábulo com tanta facilidade que a nós, os mortais, só é possível admirá-lo. Digo mais: algumas das conversas que tive com Edmar tornaram possível meu aprimoramento e me indicaram alguns caminhos preciosos na escrita das trovas.

Vamos, então à transcrição de alguns trechos do verdadeiro pote de ouro que é o livro Sóis e Orvalhos, começando por um soneto...

 
CICLO VITAL
 
Sentado à beira da árvore frondosa
embalançada pelo vento ameno,
vejo cair, bailando sinuosa,
a folha ressecada no terreno...
 
À minha frente, inerte, o ser pequeno
repousa sobre a terra, tão bondosa,
que acompanhou seu crescimento pleno
e hoje o sepulta triste e caridosa...
 
Assim nós somos, entre sóis e orvalhos,
o retrato das folhas que, dos galhos,
desprendem-se na queda inconsequente...
 
E igual a simples folha ressequida,
guardamos os resquícios de uma vida,
para a eclosão de vidas... mais à frente!
 
(Edmar Japíassú Maia)
 
 
 
Na postagem anterior, onde discuti um soneto de Octávio Venturelli, procurei chamar a atenção para a técnica retórica do soneto em que um argumento é trazido, reforçado e a conclusão caminha para a apoteose do último verso, a chave de ouro.
 
A genialidade de Edmar neste soneto, especificamente, está no fato de que o argumento principal, que é desenvolvido ao longo dos quartetos, é preparado no primeiro terceto e só é revelado no terceto final. Fantástico!
 
Isto prova porque o soneto perpetua-se entre nós há sete séculos, pelo menos. E a escolha que fiz deste soneto em especial, se deve ao fato de que foi de um de seus versos que Edmar extraiu o título da obra.

A teoria literária conforma-se em algumas técnicas que possibilitam a análise de qualquer obra a partir do uso de paralelos que podem estar na biografia do autor, em sua localização geográfica e até na história geral e nos movimentos políticos e artísticos de sua época, por exemplo.

Não é isto que farei aqui, mesmo porque não tenho o distanciamento aconselhável do autor. Mas, posso dizer que este soneto é um daqueles que serão apreciados ao longo dos tempos, "mais à frente", como escreveu Edmar.

É uma lição de vida e sobre a vida, da efemeridade e, ao mesmo tempo, da perpetuação dela. É o que me diz o verso "Assim somos nós, entre sóis e orvalhos". Temos, em essência, o mesmo destino das folhas, entre os sóis e orvalhos, os dias e as noites: somos efêmeros, mas, ao mesmo tempo, deixamos um legado. No caso de poetas iluminados como Edmar, um legado de poesia, de uso além dos limites dos sentidos das palavras, usando os registros cotidianos como pano de fundo para a lapidação do texto. Notem que há um ar de crônica no soneto, ou seja, um registro temporal. Sua temática poderia, muito bem ser desenvolvida em prosa, nas páginas de um jornal diário, mas é perfeita como poesia, como soneto.

O livro de Edmar divide-se em capítulos. O primeiro, de onde extraí o soneto acima é GESTAÇÃO. Há mais capítulos, que trarei aqui em uma próxima postagem. No capítulo II, RODA VIVAEdmar traz poesias clássicas. Entre elas, destaco um trecho de...

"SAUDADE, MINHA SAUDADE...
 
 
...Minha saudade aporta em qualquer porto,
desde que exista amor em suas águas;
e a imensa carga de seu desconforto
é feita de tristezas e de mágoas.
 
Mas nem assim minha saudade enxerga
a luz brilhante de um farol que pisca
para avisar que amor a gente enverga,
e quem navega sem amor se arrisca.
 
Seu destino é singrar sem ter destino,
como singra um pirata noite e dia.
Não lhe importa se o sonho é pequenino,
ou se lhe falta a luz da estrela-guia..."


 
Ora, amigo/a, Edmar usa e abusa das metáforas, mas ele pode. É cônscio do poder e da força das figuras que emprega e é magistral na exploração dos sentidos dos vocábulos, como no verso "Seu destino é singrar sem ter destino". Um destino que ora é sina, outra é objetivo, daquele pirata que singra os mares "noite e dia". Olha aí o título do livro novamente: noite e dia, sóis e orvalhos!

A obra de Edmar é coerente em si mesma. Há um sentido, uma estética e, principalmente, uma poética própria, uma espécie de plano, neste poeta que residia no Estácio e que agora respira os ares e a poesia das montanhas na cidade de Nova Friburgo, a mesma onde reside o prefaciador. Terra que foi agraciada, após sofrer tanto, com o convívio diário com alguém que produz uma poesia que, segundo Bernardo, "...Tem brilho próprio, porquanto fruto de uma anímica vocação literária."

E eu, blogando, tenho sorte, muito mais do que muitos ensaístas e críticos literários, porque posso dizer diretamente ao autor: Obrigado, querido Edmar e sua benção dileto amigo!
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Há uma canção de amor em cada noite, de Octávio Venturelli

 



A começar do título, que, além da singularidade e poesia traz a métrica de um soneto heróico (um decassílabo com acentuação nas 6ª e 10ª sílabas tônicas), o livro "Há uma canção de amor em cada noite", de Otávio Venturelli, lançado em 1976, transborda em qualidade, sentimento e personalidade, aqui entendida como estilo, aliado a intenção poética, coerência e apurado senso estético.
 
Tenho esta obra-prima sempre à mão, desde 2002. Há onze anos, portanto. Só por curiosidade, visitei o site Estante Virtual e encontrei apenas dois exemplares do livro, catalogado em ambos os sebos como livro "raro". E é raro, mesmo, não só no sentido da dificuldade inerente em encontrá-lo para aquisição, mas, também, na acepção de ser um livro de poesia de qualidade, como poucos.
 
Octávio Venturelli é um caso que justifica o ditado "filho de peixe, peixinho é!". Seu pai, o poeta Venturelli Sobrinho, é o destinatário de uma das dedicatórias mais emocionantes que já li...
 
"...É para meu pai, cujos versos perfeitos e sonoros moldaram minha personalidade poética; cujas rimas vên encantando minha alma desde a minha meninice."
 
E continua...
 
"Graças a Deus eu tenho ainda muitos a quem dedicar, mas este livro é teu, meu pai, porque sempre foi teu...
                                                                         ...antes mesmo de ter sido escrito."
 
 
As orelhas do livro trazem palavras elogiosas e de reconhecimento de Nydia Iaggi Martins, Aparício Fernandes e J. G. de Araújo Jorge. O prefácio é de Milton Reis e a capa de Alexandre Venturelli.
 
À parte o sentimento de profunda amizade e respeito que nutro pelo Venturelli, pelo qual fui nomeado "cachorro" em cerimônia realizada na sua residência, na cidade de Nova Friburgo, com direito a biscoitos caninos no café da tarde, o que é uma distinção equivalente a ser chamado de amigo e tratado com honrarias por muitas outras pessoas, levei um bom tempo para gestar esta postagem, dada a importância e qualidade do poeta, além da verdadeira admiração que tenho pela poesia de Venturelli.
 
Basicamente, "Há um canção de amor em cada noite" é um livro de sonetos (com pinceladas de trovas e poesia clássica) e, neste particular, posta-se ombro a ombro com as melhores obras do gênero.
 
Octávio Venturelli domina, como ninguém, esta forma poética: é autor de um livro chamado "O soneto, seus encantos e segredos", de 2007, um guia de quem declara que, além das fontes consultadas (Bilac, Vasco de Castro Lima e seu pai, Venturelli Sobrinho), diz, ainda que uniu a estas fontes sua convivência "de quase 60 anos, com o Soneto, praticando-o e/ou procurando absorver a beleza, a técnica e a tessitura dos versos de inúmeros sonetistas."
 
Ora, posto isto, transcreverei um soneto que considero primoroso, por razões de  preferência pessoal, somente. O "recorte" analítico (para usar um termo próprio da teoria literária, que foi revivido em minha memória há poucos dias pelo trovador Pedro Mello) poderia destacar qualquer poema ou versos do livro com efeitos semelhantes aos que pretendo produzir e instigar no leitor. Então vamos a ele...
 
 
MINHA CHUVA
 
 
Dizem que, quando chove, a natureza,
como se fora alguém apaixonado,
está chorando o pranto da tristeza
que dos olhos dos céus é derramado.
 
Sinto na chuva o frio da incerteza,
a umidade da dor e o tom magoado
de canções que mantém, ainda presa,
a história dos momentos do passado.
 
A insônia faz a noite mais comprida,
e uma saudade vem mostrar-me o quanto
a chuva tem a cor da despedida...
 
A chuva é triste, se assemelha ao pranto;
e ultimamente tem chovido tanto,
na minha rua, e até na minha vida!
 
(Octávio Venturelli)
 
 
O soneto presta-se, em geral, ao aprofundamento de assuntos os mais variados: desde questões filosóficas e líricas, até humor, escárnio, homenagens etc. Deve haver, então, uma retórica própria, no soneto. Explico: a ideia principal, ou os pontos de vista do "eu lírico" devem ser apresentados ao leitor, confirmados, retomados e comprovados, no espaço estreito de 14 versos. Não é tarefa fácil. Mais ainda: o 14º verso deve conter a chamada "chave de ouro". O soneto tem inúmeras outras propriedades, que não cabem neste pequeno ensaio, mas o resumo acima serve ao "recorte".
 
Os aspecto principal que ressalto neste poema é aquilo que os teóricos chamam de "espaço e ambientação".
 
Venturelli, provavelmente, escreveu este soneto em um dia de chuva (ou de sol, mas o importante é notar que suas reflexões levam em conta o paralelismo que ele vai estabelecer entre a chuva e o pranto).
 
O primeiro verso utiliza o que em análise do discurso convencionou-se chamar de "discurso emprestado", um recurso que adiciona "status de veracidade" ao pensamento (no caso, dizem que quando chove a natureza pranteia...). Estabelecido o primeiro ponto comum entre o poeta e o leitor, que pactuam que a chuva é o pranto da natureza, Venturelli transforma a chuva, que acontece no espaço que existe fora de si, em sentimento interior. Isto refere o segundo quarteto, quando ele atribui à chuva seus sentimentos interiores, de frio, dor e mágoa, relativa às ocorrências do passado.
 
Então, no laço retórico e lírico, o leitor associa  a imagem da chuva aos sentimentos dispostos pelo autor.
 
O primeiro terceto, então, reúne os dois quartetos, reforçando a ideia inicial e provando-a, pelo relato de uma noite de insônia, chuvosa, em que o poeta percebe que a chuva tem a cor (apelo à sensação ocular, chamamento aos sentidos) da despedida (associada à dor, mágoa e, principalmente, à saudade).
 
No segundo terceto, então, o "eu lírico" constata que "a chuva é triste" e semelhante ao pranto, retomando a ideia do espaço exterior, quando diz que "ultimamente tem chovido tanto", como uma pré-apoteose, para o derradeiro verso (chave de ouro): "na minha rua, e até na minha vida!"

Percebe, então, leitor, porque o título do soneto é "MINHA CHUVA"? Pelo simples fato de que a chuva da qual ele fala não é aquela exterior, é a interior: a tristeza, o pranto, a dor e a mágoa de uma despedida. Uma chuva, um pranto, que chove e chora "por dentro".
 
Por mais livros que existam sobre as técnicas de elaboração de sonetos, um soneto de Venturelli equivale a uma escola de poesia.
 
O mais provável é que Octávio Venturelli não tenha pensado em nada do que eu disse quando escreveu o poema. Mas, como ele mesmo afirma, 60 anos de soneto é tempo bastante para que a hemoglobina da inspiração circule em cada célula do poeta e tudo que ele diga ganhe status de verdade, porque como ele mesmo já falou, os poetas têm "fé pública universal"!
 
A benção meu mestre, amigo e dono do canil, Octávio Venturelli!
 



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Elisabeth Souza Cruz, o Cometa Halley e um legado de esperança



Eu não sou vidente, mas sei o que ocorrerá no dia 28 de Julho de 2061, daqui a 48 anos: o periélio do Cometa Halley, ou seja, sua maior aproximação da Terra. Se será um espetáculo, como foi em 1910, ou se ele passará discretamente, confundindo-se com tantos outros corpos celestes sobre o céu de Nova Friburgo, aí, meu amigo/a, eu não sei!
 
Suponho, também, que os descendentes de Elisabeth Souza Cruz, que contará com muitos anos de poesia, dirão: Olha lá, vovó, ele voltou!
 
Em 2061, estarei com 98 anos (na flor da idade), preocupado em fazer trovas para os 102°s. Jogos Florais de Nova Friburgo, com os temas "Cybergenética e suas implicações nas colônias lunares", para trovas líricas e filosóficas e "Sogra", para humorísticas (porque algumas coisas não mudam nunca!).
 
Deixando a ficção de lado, o maravilhoso livro de Elisabeth é, como ela mesma declarou ao Jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo "... dedicado às crianças que poderão ver o Halley passar no ano de 2.061. Acredito que seja um documento importante para o futuro...”.
 
 
 
 
"Vamos Caçar Cometas" não é um tratado de astronomia, mas fala de estrelas. Nem de biologia, mas fala da natureza. Nem de sociologia, mas fala da sociedade e das relações pessoais. Repleto de crônicas, causos, poesia e impressões de uma autora que, num ambiente familiar muito favorável, deixou aflorar e frutificar toda a sua sensibilidade e maneira especial de ver a vida, como podemos ver nestas trovas que abrem sua caçada ao cometa...
 
 
Minhas mãos... venho trazê-las,
até parecem vazias,
mas são repletas de estrelas
que eu colho todos os dias...
 
 
Muito além do próprio céu,
eu trago estrelas na mão
e assim vou tirando o véu
de qualquer desilusão...
 
 
Ora, prezado leitor, se eu fosse resumir este livro qualquer destas duas "estrelas-trovas" serviriam: a primeira dispõe da maneira como Elisabeth encara o dia a dia: colhendo estrelas, ou seja, buscando preservar os momentos luminosos, positivos e de aprendizado; na segunda, nos indica o que fazer com as estrelas que eventualmente possamos colher...
 
Ler "Vamos Caçar Cometas" é mergulhar na história recente de Nova Friburgo, dos últimos 20, 25 anos, mas sem o didatismo próprio dos livros de história. A autora, de maneira muito agradável, nos toma pelo braço e começa a trilhar os caminhos dos momentos familiares, tirando lições das sagas cotidianas, com bom humor e respeito. Todos os seus textos são dedicados à família, aos amigos, próximos ou distantes, presentes ou de saudosa lembrança, numa magnífica homenagem a todos aqueles responsáveis por sua formação e aos companheiros da grande e elíptica jornada que é a vida, como neste trecho do capítulo chamado "Uma estrela que é 'Mamãe'"...
 
"...Tendo esse gosto apurado pela leitura, mamãe foi ganhando o destaque de 'a intelectual da família Bravo'. Lia de tudo: romance, aventura, ficção. Adorava os estudos espirituais e científicos. Parecia um dicionário em forma de gente,..."
 
Não é à toa, então, que Elisabeth alcançou a intimidade com a palavra, tratando-a com o mesmo carinho herdado de sua mãe. O ditado popular nos socorre, já que "o fruto nunca cai longe da árvore".
 
 
 
Mas, será que somente isto explica o dom de Elisabeth? Talvez... Mas, no capítulo "Travessa Bonsucesso 1 - Casa 10", endereço de Elisabeth em toda sua infância, creio que "reside" o complemento...
 
"...Em qualquer época do ano, música não faltava: desde os clássicos de mamãe a Cauby Peixoto, de tudo se tocava na vitrola..." e, mais à frente: "...A rua onde eu morava era o próprio quintal. A criançada podia brincar, sem qualquer perigo, porque poucos eram os automóveis que passavam..."
 
O capítulo elenca várias personalidades que marcaram a infãncia de Elisabeth e é primorosamente concluído com um exemplo de prosa poética dos melhores...
 
"...As casas não têm mais gerânios nas varandas e eu sinto apenas... um perfume de saudade!"
 
A obra segue um ritmo alegre e descompromissado, tem um ar daqueles encontros de família (sim, o leitor passa a fazer parte da família também!) em que nos sentamos no sofá da sala e os donos da casa trazem seus álbuns de fotografia, para vermos desfilar à nossa frente toda a história de nossos antepassados, até os dias atuais, misturadas com as fotos das crianças de hoje, tataranetos do primeiro fotografado.
 
Mas, como eu disse, o livro de Elisabeth é um registro importante e, tenho certeza que, na posteridade, será tratado como documento imprescindível da trajetória da cidade.
 
Elisabeth não suprimiu, e não poderia, suas impressões sobre os momentos angustiantes da catástrofe natural que castigou a cidade no fatídico 12 de Janeiro de 2011. No capítulo "2011 - O Ano das Coisas Impossíveis (O Ano Ímpar), ela resume o sentimento ímpar que, infelizmente, tornou-se um capítulo da história de toda a humanidade...
 
"...Vivemos dias de sofrimentos indescritíveis e por mais que tudo tenha sido registrado nos meios de comunicação, por mais que a globalização tenha levado o nosso infortúnio aos quatro cantos do mundo, somente o friburguense sabe a dimensão de suas dores."
 
E, como o poeta é poeta em todos os seus momentos, ela assim se expressou...
 
 
O momento é de incerteza,
os dias estão tristonhos...
ideais na correnteza
e barreiras sobre os sonhos!
 
 
Mas o poeta, em geral, acredita em milagres...
 
 
Quando a vida vira escombros,
no sentido verdadeiro,
suportar peso nos ombros
é o milagre derradeiro!
 
 
As trovas de Elisabeth, assim, no que os literatos chamam de gradação, vão nos indicando que o que aconteceu, por mais grandioso e trágico que possa parecer é, também, o final de um ciclo, que ela percebe, alertando...
 
 

Nossa força é redobrada,
é preciso confiança,
pois recomeço é uma estrada
que tem nome de Esperança!
 
Assim, confirma-se, ao fim da leitura, que o livro de Elisabeth é um legado às gerações futuras, que herdarão o privilégio de apreciar o retorno do Cometa Halley e que poderão, sentados no sofá da sala, ter uma ideia do que foi aquele passado distante de 1986, de 2011. Poderão, ainda, constatar que Elisabeth Souza Cruz, sempre teve mãos "repletas de estrelas", para repartir com eles, deixando-lhes uma mensagem de perseverança, nesta trova, que fecha esta postagem...
 
 
"O sonho não acabou!"
Avante, querido povo,
pois Friburgo começou
a ser sonhada de novo!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O menino que ouvia estrelas e se sonhava canoeiro: Antonio Juraci Siqueira

 
 
 
 
Este livro, cuja última página informa que foi impresso em papel Pollen bold, tem exatos 11 x 16 cm. É um livro de bolso, pois, para consultas frequentes.
 
Recebeu o Prêmio IAP (Instituto de Artes do Pará) de literatura de cordel.
 
Foi escrito por um artista, filósofo, professor de primeira grandeza e, ao mesmo tempo, por um ser mitológico, terror das mocinhas indefesas: o Boto Juraci, nascido na Flor do Lácio, como revela sua camiseta...
 
 
 
 
Que sorte a nossa! Somos contemporâneos de um cidadão que vive e transpira sua arte, além de generosamente partilhá-la conosco, dia após dia.
 
A apresentação/prefácio do cordel é de Dáguima Verônica de Oliveira, de Santa Juliana/MG, provavelmente uma de suas leitoras mais fiés. Justo. E ela nos diz...
 
"...Somente os grandes da história são capazes de ver beleza em todo sofrimento, porque sabem que somente a dor produz o brilho..."
 
E mais...
 
"...Já amava o Boto, agora amo também o Menino que sonhou ser canoeiro e o foi da forma mais brilhante possível: 'Navegante das estrelas!... Hoje aquele menino do mar traz o brilho da lua em forma de versos..."
 
E o cordel, de 44 estrofes é, mesmo, a revelação deste brilho:
 
"...II
A você, caro leitor,
destinei nobre papel:
arrume a mala do sonho
e embarque em lua-de-mel
na história desse menino
que transformou seu destino
num romance de cordel."
 
Em teoria literária, dir-se-ia que neste ponto o autor estabelece a instância narrativa e faz, ao mesmo tempo, metalinguagem. Nada mais correto e mais incompleto. Juraci, neste ponto, pega o leitor pela mão, como se dissesse "Venha, meu amigo/a, vamos sentir o que é poesia, e procure perceber a maneira como eu interpreto a vida. Como eu sinto."
 
E consegue, com um lirismo que fala à nossa alma...
 
 
"...IV
O seu pai, marajoara,
canoeiro de valor,
navegava águas caboclas
na corola de uma flor.
Um dia partiu ligeiro
para o céu. Foi ser proeiro
da nau de Nosso Senhor.
 
V
Sua mãe, verde esmeralda
talhada muiraquitã,
passava os dias cismando
em seu infinito afã...
Pensamentos de bubuia,
bordava sonhos tapuia
sobre o lençol da manhã..."
 
 
Aqui, nestas estrofes introdutórias, um estudioso reconheceria a alternância da estância narrativa, que passa de primeira para terceira pessoa e faz uso das metáforas e de elementos regionais e linguísticos, para trazer o leitor, delicadamente, para o universo marajoara, perpetuando, ao mesmo tempo sua cultura e história pessoal. Mas, há muito mais aqui: há um homem formado em filosofia, um literato que sabe a importância de sua história pessoal na sua forma de dizer as coisas, com o afastamento próprio daqueles que refletem sobre suas próprias origens e, sensíveis, reconhecem o que há de comum em sua trajetória com a daqueles mais humildes e que, geralmente, não tem voz, nem registram sua passagem pela vida.
 
 
Magistral e cuidadosamente, indica suas leituras formadoras, ao mesmo tempo em que, quase imperceptivelmente, traça um roteiro de leitura para aqueles que deseja despertar para a literatura de raiz e de qualidade, como faz nessas estrofes:
 
 
"VIII
Leu Pavão Misterioso,
Princesa da Pedra Fina,
O Valente Zé Garcia,
a Sorte de Jovelina,
Os Cabras de Lampião
As Proezas de Cancão,
Morte e Vida Severina...
 
IX
Leandro Gomes de Barros,
grande mestre cordelista,
Patativa do Assaré,
Zé Vicente, Evangelista
e outros nomes consagrados
que se aqui fossem juntados
não caberiam na lista..."
 
 
Ah, meu prezado Boto Juraci, João Cabral é leitura pra mais de metro! Patativa é a essência da simplicidade! Você sabe conduzir o leitor pela mão. Eu diria mais, porque, com versos como esses,...
 
"...XV
Em certa noite estrelada,
quando fitava o Cruzeiro,
viu uma estrela correr
em meio ao grande luzeiro.
Nesse instante, decidido,
depressa fez um pedido:
- Eu quero ser canoeiro!..."
 
 
Nós sabemos, hoje, que o desejo foi atendido. Juraci tornou-se canoeiro. Um navegante da poesia, um arraes de versos e estrofes. Senhor das correntes sonoras da palavra. Cidadão da Pátria Língua Portuguesa.
 
 
As citações param aqui. Há muito mais neste cordel. Há muito material editado por Juraci, e muita coisa no grande rio que é a Internet. De repente, vai que você encontra o boto em forma de gente, em forma de Juraci.
 
 
Eu discordo do boto, acho que ele, como as páginas de seu cordel premiado, não é bicho, não: é pólen! Não o Pollen Bold, material da página. Pólen que germina nos corações e mentes daqueles que entram em contato com seu texto, com sua poesia cativante, fácil e complexa ao mesmo tempo. Simples e refinada. Como a muiraquitã/mãe que ele carrega sempre no pescoço e no coração.
 
 
A benção, meu amigo!
 

 

 
 
 

 

 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Trova, de Eno Teodoro Wanke, e algumas reflexões

 
 
 
Minha segunda aquisição da semana passada, este livro, em meu entender, abre as portas de um passado próximo e outro distante: o próximo, revelando o trabalho minucioso e difícil de pessoas como Eno Teodoro Wanke, que pesquisaram a trova, buscando fixar-lhe uma identidade geográfica, histórica e literária, com a finalidade de entender o fenômeno de sua expansão em nosso país e, inclusive, apontando caminhos para o que chamou de trova literária; e o distante, na tentativa de atribuir-lhe um DNA, um ancestral remoto, cuja evolução ao longo dos séculos ele tenta delinear.
 
 
Não é minha intenção resumir este livro. Ele é facilmente encontrado em sites de venda de livros, como o Estante Virtual, por exemplo, ou repetida a sorte que tive, do leitor encontrá-lo em um sebo qualquer de nosso território. Gosto mais da segunda opção. Eu pretendo, mesmo, é despertar a vontade da pesquisa, do conhecimento.
 
 
Homens como Eno Teodoro, estão em falta hoje. Pesquisavam em viagens que faziam nas férias, enfurnando-se em bibliotecas e academias. Coletavam publicações, trocavam cartas e impressões nos encontros trovadorescos.
 
 
Eu pergunto: o que fazemos hoje? Jogamos no Google? Baixamos um arquivo em pdf? Recortamos e colamos trovas do site do Ouverney, do Pedro Mello, das poucas UBTs que têm um site, ou um blog? É pouco, amigos, é muito pouco. Mas antes assim, ou não!
 
 
Proponho que você examine sua biblioteca e arrisque disseminar algum conhecimento que, no seu entender, valha a pena. Por email, carta, fax, um blog, ou seja, por qualquer meio.
 
 
E farei a minha parte agora, transcrevendo alguns ensinamentos do querido Eno, irmão de sonhos, também, que nos deixou como legado livros que demonstram sua curiosidade e vontade de partilhar seus conhecimentos.
 
 
Eno abre seu livro com suas CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES, em que dispõe:
 
 
"A - O Milagre
 
 
Com sua estrutura pequenina, quatro versos em redondilha efeitados pelo guizo das rimas, vinte e oito sílabas poéticas apenas, a trova é uma espécie de milagre.
 
Milagre de persistência e continuidade. Tem pelo menos sete séculos, comprovados, de existência. Talvez dez. Sua vitalidade é surpreendente. Intriga quem dela se aproxime com seriedade para estudo e cultivo. Talvez apenas o soneto se lhe possa comparar, em matéria de sobrevivência e de capacidade de recuperação, através do tempo, aos intermináveis ires e vires das modas literárias. E assim mesmo, num nível muito mais sofisticado..."
 
 
Ao longo do livro, ele disseca a trova, no sentido científico do termo, detendo-se com parcimônia e ritualístico detalhamento em seus aspectos principais.
 
 
Gil Vicente, Camões, Fernando Pessoa, Gregório de Matos, Guerra Junqueiro. Todos lembrados e citados. Trovas em português, espanhol, em galego, em catalão e até em tupi.
 
 
Esta postagem não é exemplificativa. Não citarei, aqui, nenhuma trova. Você já conhece tantas, não é?
 
 
Que tal, então, partilharmos o que temos: nesta postagem, ao final, é possível deixar um comentário. Arrisque-se.
 
 
Afinal de contas, Eno Teodoro Wanke, Luiz Otávio, Aparício Fernandes e tantos e tantos outros que nos precederam o fizeram tão bem. Dedicaram-se além do imaginável à trova e à perpetuação do movimento trovadoresco que chegou aos nossos dias, no século XXI.
 
 
E nós? Vamos deixar alguma coisa?
 
 
A benção Eno, Luiz e Aparício!