sábado, 8 de novembro de 2008

TINHA O QUÊ??? ou TINHA UMA DROGA DE UMA PEDRA NO CAMINHO




Outro exercício, agora com Drummond, na Escola Livre de Literatura, também em 2005...

Tinha o quê???

No meio do caminho, tinha alguma coisa.

Pois, é! Eu estou aqui, no caminho, pronto e decidido a enfrentar essa COISA!

Outro dia, alguém escreveu no jornal (um crítico, talvez), que o Poeta não disse, no poema, aquilo que ele deveras disse (citando o Pessoa). Mas, por ser uma antena de seu tempo, disse o que disse, porque era a voz da consciência de todos nós.

EU NÃO NOMEEI POETA NENHUM MEU PROCURADOR!!!

Aliás, é por isso que estou aqui, neste caminho... Nenhum Poeta, por melhor que seja, vai me representar... Andar meus passos por mim. Ficam, aí, endeusando um, consagrando outro... Idolatria! Idolatria barata!

De minha parte, até agora, não vi COISA NENHUMA! Êta caminho besta, sô! Não tem nada!

Estou andando faz tempo... Já está escurecendo... e nada!

Que breu! Estranho, este céu sem estrelas,... sem esperança,... sem nada.

O caminho parece o céu: escuro, sem Lua,... sem uma estrelinha...

Será o mesmo caminho do Poeta? Chão batido,... sem beirada? Só o caminho... e este céu escuro, sem estrelas? Céu sem estrelas... e sem nuvens! Nenhuma nuvem! Nada!

Eu!

Só eu, no caminho!

Olhando para o céu vazio!

Andando... Andando...

AAAIIII!!!! Ai meu dedo!!!!

Tinha uma droga de uma PEDRA no caminho!!!

(Leia, agora no sentido inverso!)

Sérgio Ferreira da Silva

Imitando Kafka...


Kafka (Andy Warhol)


"...A prosa universal de Kafka é a história dos pesadelos do mundo moderno, um retrato ampliado das fraquezas e defeitos inerentes à espécie... As situações intoleráveis, a angústia e o absurdo, os ambientes bizarros e a força psicológica dos seus argumentos são as idéias centrais deste autor clássico." (Pedro Maciel)

OS QUE PASSAM POR NÓS CORRENDO

Quando se vai passear à noite por uma rua e um homem já visível de longe _ pois a rua sobe à nossa frente e faz lua cheia _ corre em nossa direção, nós não vamos agarrá-lo mesmo que ele seja fraco e esfarrapado, mesmo que alguém corra atrás dele gritando, mas vamos deixar que continue correndo.
Pois é noite e não podemos fazer nada se a rua se eleva à nossa frente na lua cheia e além disso talvez esses dois tenham organizado a perseguição para se divertir; talvez ambos persigam um terceiro, talvez o primeiro seja perseguido inocentemente, talvez o segundo queira matar e nós nos tornássemos cúmplices do crime, talvez os dois não saibam nada um do outro e cada um só corra por conta própria para sua cama, talvez sejam sonâmbulos, talvez o primeiro esteja armado.
E finalmente _ não temos o direito de estar cansados, não bebemos tanto vinho? Estamos contentes por não ver mais nem o segundo homem.

Conto de “Contemplação / O Foguista”, de Franz Kafka


Quando, em 2005, participei dos encontros com o escritor Ricardo Lísias, na Escola Livre de Literatura, em Santo André, participei de uma atividade que consistia em escrever um texto, a partir da leitura de um pequeno conto desse maravilhoso autor. Escolhi OS QUE PASSAM POR NÓS CORRENDO...

POR QUE NÓS PASSAMOS CORRENDO?

I

O primeiro homem

Por recomendação do cardiologista!

Prefiro correr à noite. Principalmente nas noites de Lua Cheia... Não há automóveis! Às vezes, levo meu walkman - o ritmo da música determina o da corrida. Às vezes, meu irmão corre comigo... Então, nos tornamos duas crianças: apostamos corrida e gritamos feito loucos! Às vezes, cruzamos o caminho de algum bêbado de olhar assustado, mas passamos velozes e ele fica para trás, tentando entender a algazarra.

E, afinal, não temos o direito de extravasar? Trabalhamos o dia inteiro! Depois, é chegar em casa... e dormir!


II

O segundo homem

Eu corro atrás dele!

Meu irmão mais novo é um inconseqüente: gosta de correr a noite (diz que é recomendação médica) e não se apercebe dos riscos que corre. Concordo que a corrida é um hábito saudável, mas, à noite – e, pior, com Lua Cheia -, o perigo aumenta!
Noite dessas, corríamos ladeira abaixo e eu avistei um sujeito estranho. Gritei para que meu irmão tivesse cuidado, mas ele achou que era apenas um bêbado e fez pouco caso.

Por isso, quando corro com ele, levo, sempre, minha arma. Tenho porte... Não é um direito? Eu prometi à minha mãe que cuidaria dele aqui na cidade!

Sérgio Ferreira da Silva

Obs.: O Título é o mesmo da tradução, com as palavras e letras dispostas de forma diversa, sem acréscimo ou diminuição de seu número [ANAGRAMA], como um questionamento.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

No princípio, era MATRIX...



EVOLUÇÃO

“No sexto dia, Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança, sem furo nenhum atrás da cabeça!”

(autor desconhecido)

(No meu sonho, as letras e números verdes caem à minha frente, girando sobre o próprio eixo. Isso me acalma).

- Tudo, no universo, resulta de uma lógica superior, um código não visível, inexplicável. Caminhamos, quer dizer, a humanidade caminha lentamente em direção à evolução, mas eu não posso esperar! A trilha evolutiva se estende por inúmeras gerações e, infelizmente, eu só tenho uma vida!

- Mas isso nunca foi feito! O que o senhor está querendo fazer é pura fantasia... É loucura, é...

- Ficção Científica!

- Nós não podemos... O senhor não pode...

- Doutor, no início do século vinte, disseram a Santos Dumont que voar era impossível,... mas ele tinha um sonho! E sonhava acordado, como eu! A diferença entre nós dois é a de que ele podia executar seus planos e voar em seus protótipos. Eu, entretanto, necessito de cirurgiões, anestesistas, enfermeiras, um hospital, etc...

- O senhor pode morrer! Pode sofrer lesões irreparáveis, pode...

- Posso, não, doutor: eu VOU morrer, um dia! Um dia! Faça! Simplesmente, faça!

- Senhor Silva,...

- Pode me chamar de Neo!

- Uma grande empresa japonesa já patenteou um dispositivo que envia estímulos eletro-magnéticos ao cérebro, de forma não-invasiva... Mas, o que o senhor quer é que implantemos em seu cerebelo um receptor de impulsos, no estilo daquele filme!

- Matrix! Isso mesmo! Finalmente o doutor entendeu!

- É uma brincadeira, não é? Tem uma câmera escondida, em algum lugar?

- Vou ser mais claro: se vocês não fizerem a cirurgia, vou parar de fazer doações ao seu hospital!

- Mas... nós dependemos de suas doações, senhor Silva, quer dizer, Neo!

- Fique tranqüilo, doutor, já fiz meu testamento! Caso eu morra, ou tenha qualquer seqüela, o hospital receberá, mensalmente uma boa quantia, por várias décadas! Mais do que recebe hoje!

- Sendo assim, senhor Sil... NEO, não me resta alternativa, a não ser concordar. Me diga, somente, o que o levou a acreditar que uma história como a do filme poderia tornar-se realidade?

- Doutor, desde Júlio Verne, os escritores e roteiristas de ficção vêm antecipando a invenção e desenvolvimento de aparelhos, máquinas, armas e veículos que, hoje em dia, são considerados úteis e imprescindíveis para a vida cotidiana. Chegará o dia em que o Homem será teletransportado a qualquer lugar, e que as doenças serão diagnosticadas com aparelhos portáteis semelhantes àqueles usados pelo Doutor McCoy, da série Jornada nas Estrelas... A ressonância magnética não é quase aquilo?

- Nisso você tem razão, Neo!

- Então, doutor? Estamos combinados? Podemos fazer a cirurgia na próxima semana?

- Podemos, claro! Daqui a seis dias! Pode me entregar o protótipo do aparelho receptor. Vamos implantá-lo em seu cerebelo, tomando todo o cuidado para que não provoque nenhuma lesão, além daquelas inevitáveis, já que se trata de um processo invasivo!

- No futuro, eu sei disso, poderei aprender a pilotar helicópteros, usar armas poderosas e lutar como um mestre das artes marciais, “plugado” a um software de aprendizado, graças ao senhor. Muito obrigado, doutor!

- Pode me chamar de Morpheus!

- Boa! Muito boa! Há! Há!

...

- Doutor Morpheus, como está o paciente do implante? Na mesma, ainda?

- Já te falei para não me chamar de Morpheus!

- Quanto tempo já faz? Doze? Treze?

- Quinze! Quinze anos!

- Ele nunca reagiu?

- Olha, para falar a verdade, depois que eu coloquei um monitor na frente dele, com a proteção de tela do filme, aquele com as letrinhas verdes caindo, ele nunca mais teve convulsões!

Sérgio Ferreira da Silva

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Maurits Cornelis Escher 2

Na litografia abaixo, fonte da minha inspiração, chamada "Hand with Reflecting Sphere" de 1935 (existem outras esferas, não menos interessantes!), Escher faz metalinguagem. Observa e é observado. Ao mesmo tempo, questiona a maneira tradicional da observação artística: QUEM OBSERVA? talvez seja a pergunta implícita. Gosto muito das obras dele. Há, sempre, uma disposição de inovar, um olhar diferenciado e uma proposição interativa... É o gênio questionando seu próprio ponto de vista!





Experimentando...


Wilson e sua filha (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)


Laura (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)



Leila (reflexo sobre DVD - fotografia - by Sérgio Ferreira da Silva - 2008)




terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vida e Poesia (2)


Duplicando o teu sorriso,

esse espelho, sem favor,

reflete o instante preciso

da beleza... interior!

Sérgio Ferreira da Silva

Vida e Poesia (1)



A imagem traz duas flores:

uma delas tão formosa,

que foi espalhando cores

e deu vida à outra rosa!


Sérgio Ferreira da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Maria Elizabeth Candio

Conheci a autora desse poema na UBT (União Brasileira de Trovadores) e aprendi a admirá-la, primeiro pela força de seus poemas e, depois, pela sensibilidade no trato com os poetas e trovadores. Professora universitária, é uma daquelas pessoas que, embora distante, permanece no carinho e respeito bem pertinho de nós!


Essa Palavra

(Em memória de Clarice Lispector)

Há que me chegar essa palavra,
fraco fio de forte consistência:
Faca e agulha e lâmina e navalha,
que me trava e me é libertadora.


Há que me chegar essa palavra,
leve lã de longa resistência:
Agasalho e meia e luva e malha,
que me encobre e me é reveladora!



Maria Elizabeth Candio

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

NOVA FRIBURGO: O SOL DA POESIA

Reproduzo, abaixo, matéria publicada hoje (03 de Outubro de 2008), no Jornal A Voz da Serra, em Nova Friburgo. Obrigado, Sérgio Madureira!

Estamos em plena primavera – a estação das flores, época que, sem dúvida, tem tudo a ver com Nova Friburgo. Aliás, tudo, todas as estações combinam com nossa maravilhosa cidade, cujo clima é um dos melhores do país, como se pode comprovar oficialmente e diariamente nas páginas dos principais jornais, tendo como fonte o serviço de meteorologia.
Mas, como citamos a primavera, as flores e o clima também combinam com poesia. E não se pode esquecer a brilhante denominação, que só poderia ter sido um saque magistral de um poeta, o Magnífico trovador paulista Sérgio Ferreira da Silva, ao se referir a Nova Friburgo: Sol da Poesia.
A história em detalhes ele contou pela primeira vez em maio de 2004, quando veio participar de um dos jogos florais. Em sessão na Câmara de Vereadores, especial para o projeto de lei, então recém-aprovado, que considerou Nova Friburgo a Cidade da Trova, Sérgio, acompanhado de sua mulher e de sua filha, contou que sempre que sai de São Paulo, onde mora, para a serra friburguense, pegando a estrada muito cedo e sob os ares da famosa garoa paulista, tem pela estrada, a cada vez que se aproxima de nossa cidade, a companhia agradável dos raios solares, que vão se intensificando e que sempre estão cada vez mais radiantes em sua chegada. “É o sol da poesia”, decretou ele, que considera ainda o evento de trova realizado há quase meio século em nossa cidade como “a verdadeira Copa do Mundo” do meio trovadoresco.
Sérgio é um verdadeiro amante de Nova Friburgo. E todo o seu caso de amor com a cidade pode ser conferido em seu blog:
http://trovasecia.blogspot.com.
Para comprovar a acertada definição de Sérgio sobre nossa Nova Friburgo, “abençoada por Deus e bonita por natureza”, as belas fotos não nos deixam mentir.

sábado, 23 de agosto de 2008

Uma crônica sobre Santos Dumont


É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? NÃO, NÃO É UM PÁSSARO... E SIM, É UM AVIÃO,... PILOTADO POR UM BRASILEIRO:

ALBERTO SANTOS-DUMONT!

“Nas asas do desvario,

tentando um sonho alcançar,

eu despenquei no vazio,

mas... aprendi a voar!”

(Edmar Japiassu Maia – Rio de Janeiro/RJ)

Quem avistasse, nos céus de Paris, nos idos de 1900, pela primeira vez, aquele artefato esquisito, cuja estrutura lembrava uma letra “T” invertida, alçando vôo por seu próprio deslocamento, pilotado pelo jovem Alberto Santos-Dumont, sem dúvida alguma um dos homens mais determinados que a história da humanidade produziu, detentor de um talento ímpar e uma genialidade inesgotável, poderia travar o diálogo insólito do título, muito em voga anos depois como referência a um conhecido personagem de quadrinhos, eternizado, em nossos dias, pelas superproduções hollywoodianas...

Santos-Dumont foi milhares de vezes superior àquele herói: existiu! Alçou vôos incríveis e superou-se repetidas vezes, voando mais e melhor a cada nova tentativa. Não foi ejetado de um planeta distante: nasceu no Brasil, fruto da imigração européia (de descendência francesa e portuguesa). Não obtinha do sol seus superpoderes: sua força sempre foi sua determinação incansável, o estudo constante e a experimentação científica metódica e planejada. Não demonstrava fraqueza quando exposto à matéria mineral de seu planeta: tinha orgulho de sua terra-mãe, o Brasil, nome que carregou consigo em seus feitos e em seu patriotismo exemplar.

Você poderia argumentar que, embora fictício, o super-herói citado é capaz de lançar-se destemidamente ao espaço e pousar sobre a Lua... É, realmente, posso até admitir essa façanha, mas, provavelmente ele, o Homem de Aço, pousaria solene sobre uma cratera lunar que, por ocasião do quarto aniversário da chegada do homem à Lua, recebeu o nome de... de... de... isso mesmo: Santos-Dumont! Santos-Dumont? – poderia perguntar um terráqueo brasileiro - É! Com a seguinte observação do astronauta Michael Collins: “Olhai para esse mapa da Lua. Vede! Lá está o nome de um dos homens que tornaram possível a conquista do Espaço. Foi um brasileiro que hoje pertence a toda a humanidade: Alberto Santos-Dumont. Um homem do espaço.”

Na ficção, o Kriptoniano mencionado esconde sua identidade, e seu físico avantajado, atrás de um óculos quadrado e uma roupa social bem cortada que, incrivelmente, engana a todos, inclusive sua própria namorada (?!?!?!). Alberto Santos-Dumont tinha um aspecto frágil, não desenvolveu bíceps, tríceps e peitorais e não escondia-se atrás de uma identidade secreta: era aclamado publicamente pelas ruas de Paris, foi um herói em sua época! Seus feitos (contrariamente aos de dois irmãos americanos muito espertinhos, cujo nome não declinarei neste texto) foram amplamente divulgados pela imprensa da época, documentados por fotógrafos e cineastas, e presenciados por multidões (os dos irmãoszinhos, não!).

Santos-Dumont encarava seus novos desafios de frente, publicamente expunha seus projetos, os documentava e considerava seus inventos e aperfeiçoamentos técnicos como patrimônio da humanidade, como um bem comum. Talvez, por isso, tenha se ressentido de certas utilizações bélicas de seus inventos, que o conduziram, supõe-se, a padecer de um mal tão comum em nossos dias, a depressão, e à sua conseqüência mais funesta, o suicídio.

Porém, existe uma característica que aproxima o paladino voador dos quadrinhos e o nosso sensível e obstinado herói-de-verdade: eles são indestrutíveis! O personagem dos gibis, ao final de suas histórias, é sempre agraciado com o beijo apaixonado de sua eterna namorada e os vivas e aplausos da humanidade, a quem salva dos terríveis vilões. Santos-Dumont, cujo nome está escrito em ouro no Livro dos Grandes Homens (a História da Humanidade), na História da Ciência, na História da Aviação, da Mecânica, e em todos os campos da Ciência pelos quais se aventurou, lançando-se, como o poeta da epígrafe, no vazio e na incerteza do desvario, tentando alcançar o sonho que não era apenas seu, mas de toda a humanidade, ávida por conquistar e por desbravar os limites do ontem, para novamente superá-los amanhã, é imortal.

Sua imortalidade não é ficcional: tanto que, o reconhecimento do valor literário de suas obras, no relato de suas experiências levadas a termo, e de seus diversos inventos e adaptações, o elegeram, por seus reconhecidos méritos, em 1931, como membro da Academia Brasileira de Letras, na cadeira de nº 38. Ou seja, Santos-Dumont, destacado, ainda, no meio científico, pode ser chamado, também no mundo das Letras, de Imortal, título reservado àqueles membros eleitos por seus pares, nas Academias de Letras, onde cultua-se e difunde-se o conhecimento e a excelência literária.

Dizer mais de Santos-Dumont talvez seja desnecessário: compará-lo ao personagem mais conhecido da histórias em quadrinhos em todo o mundo, cujo nome é desnecessário escrever, foi uma licença que me permiti, apenas para encontrar uma metáfora que fosse suficientemente capaz de estabelecer um contraste colorido: Santos-Dumont não pode ser comparado aos seres humanos reais! Foi um Homem a frente de seu tempo, um visionário, um realizador, um cientista, um herói!

Foi, no entanto, muito mais: um sonhador...

que aprendeu a voar!

Sérgio Ferreira da Silva

BIBLIOGRAFIA:

Trova no tema DESVARIO – de Edmar Japiassu Maia – 1° Lugar no Concurso dos Magníficos Trovadores de Nova Friburgo – Livreto dos Jogos Florais – Carestiato Editores – Nova Friburgo/RJ - 2003.

Informações colhidas no site: http://www.14bis.mil.br, do Governo Federal, pelo centenário do vôo do 14 bis.

16ª Edição do Programa Nascente - USP


Conquistei uma Menção Honrosa na categoria texto, com o projeto "A Força das Tradições e Outras Histórias" (que é um livro de contos humorísticos). A imagem acima é da capa do catálogo editado pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária, que patrocinou o evento (que não terá edição 2008). No catálogo, publicaram um realese do meu projeto, alguns trechos de contos e um conto inteiro meu. Explico: só publicaram o conto inteiro, porque envie-lhes um que faz parte da minha série de títulos enormes e contos de uma linha, ou duas, que reproduzo abaixo:


A HISTÓRIA DA VIAGEM QUE FEZ NAZARENO TOBIAS PELO SERTÃO DA PARAÍBA, NUMA MOTONETA DE CINQÜENTA CILINDRADAS, LEVANDO, A TIRACOLO, SUA SOGRA, DONA MARINEIDE APARECIDA E A CACHORRA BALEIA (HOMENAGEM AO CLÁSSICO VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS), VIAGEM QUE QUASE TERMINOU EM TRAGÉDIA, QUANDO NAZARENO, APÓS UMA DISCUSSÃO POR CAUSA DE UM PEDAÇO DE CARNE SECA, EMPURROU A VELHINHA EM UM POÇO SECO, NO MEIO DO NADA...

— Nazareno, seu lazarento!!! Me tira daqui, fio duma égua!!!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

POESIA – PALAVRAS QUE DANÇAM


Um professor de dança de salão, certa vez, no primeiro dia de aula de uma nova turma, perguntou: “Alguém, aqui, sabe dançar?” Ninguém respondeu, claro! Depois, perguntou: “Alguém, aqui, sabe andar?” Todos responderam que sim... E ele concluiu: “Pois bem, pessoal,... dançar é andar... DIFERENTE!”

Observe os períodos seguintes:

I

Quando criança, eu brincava no quintal dos fundos de minha casa, fingindo ser fazendeiro.

II

Em minha infância eu fazia

ser, meu sonho, tão real,

que uma fazenda cabia

no fundo de meu quintal!

(Sérgio Ferreira da Silva)


O primeiro período é uma descrição simples de um fato ocorrido no passado do narrador, sem nenhum conteúdo emocional. No segundo, narra-se o mesmo fato, de uma forma específica (quatro linhas – versos -, duas rimas e métrica). Existem, ainda, elementos que não estão escritos, mas que estão presentes: a emoção, a beleza, a imaginação e os sentimentos de quem escreveu e de quem está lendo o texto.

A TROVA

O segundo texto é uma trova, que pode ser definida como “...a quadra de sentido completo, composta com versos de sete sons, ritmo livre e rimas cruzadas.” (Francisco Nogueira). Existem outras definições, mas esta é suficiente neste momento.

A trova, como a conhecemos hoje, tem sua origem próxima nas QUADRAS populares portuguesas, como a seguinte, que todos conhecemos:

Oh, Ciranda, Cirandinha,

vamos todos cirandar!

Vamos dar a meia-volta

volta e meia vamos dar!

Repare que, na quadra, ocorre a rima somente entre o 2° e o 4° verso: CIRANDAR rimando com DAR. Mas, a propósito, o que é RIMA?

A RIMA

Rima pode ser definida como a coincidência de sons finais entre as palavras. Os sons finais são aqueles obtidos pela emissão da última sílaba tônica (de som forte).

Por exemplo: CRIANÇA - ESPERANÇA // BOLA - ESCOLA // FOGO - JOGO // SELVA - RELVA // GATO - RATO // PÃO - CORAÇÃO.

Aqui, cabe uma pergunta: Pode haver poesia, sem rima? Observe o poema abaixo, de ZAÉ JÚNIOR:

O CAMINHO

Quando se encontra o caminho

basta continuar a descobrir a paisagem

que ele corta ao meio

e a pedra

e a poeira

e os espinhos

para que não sejam pisados.

Quando não se encontra o caminho

basta levantar as mãos

para que Deus as segure.

O efeito das palavras, o sentimento do texto, está expresso nas palavras escolhidas e no significado delas, que, geralmente, vai além daquele que encontramos nos dicionários. Na poesia livre, que é como chamamos este tipo de texto, embora não se use métrica (que é a quantidade de sons de cada verso), nem rima, os versos possuem uma sonoridade e um ritmo que podem variar, mas esta variação integra e reforça o sentido da poesia. O Texto “O CAMINHO”, compara os trechos difíceis que um terreno pode ter e os momentos difíceis que enfrentamos na vida, para dizer, no final, no que chamamos “CHAVE DE OURO”, da importância da FÉ, embora a palavra “fé” não apareça no texto.

Na poesia de Zaé Júnior, então, encontramos aqueles aspectos que mencionamos no início (emoção, beleza, imaginação e a própria conclusão do leitor que interpretou o texto).

POESIA PARA QUÊ?

Qual seria, então, a importância de escrever? Ou melhor, qual a importância de escrevermos Poesia?

Os escritores, os poetas e os bons leitores costumam ser revelados justamente na infância. Quanto mais cedo se começa a ler e a escrever, mais qualidade na nossa capacidade de entender o mundo e de nos fazermos entender pelos outros: melhor convivência e melhor desempenho profissional, afetivo, etc.

A poesia, como sabemos, é uma maneira diferente de dizer as coisas, independentemente de sua forma, ou extensão.

Quando conversamos com alguém, falamos ao telefone, nos dirigimos a um desconhecido, ou precisamos responder um questionário, ou entrevista de emprego, por exemplo, devemos empregar, em cada caso, uma linguagem própria, pela qual nos faremos entender.

Quando lemos um romance, sabemos da necessidade de longos trechos descritivos, para a exata compreensão de um sentimento, ou, mesmo de um lugar qualquer: cada detalhe, cada lágrima, ou sorriso, devem ser detalhados a tal ponto, que possam formar uma imagem exata, quase uma fotografia na mente de quem lê.

A POESIA É DIFERENTE...

Quando lemos um poema, ou quando ouvimos a declamação de um, além da forma (estética), e do fundo (assunto), somos chamados a refletir e a buscar, em nosso íntimo, um sentimento guardado na memória, fruto de nossa experiência pessoal, de nossa emoção... e, é por este motivo que um mesmo poema pode tocar diferentemente cada um daqueles que o lêem, como faz a música: cada um de nós, em geral, prefere um ritmo a outro e, dentro do mesmo ritmo, gosta de uma música e de outra não. Explica-se, também, assim, o fato de música e poesia andarem de mãos dadas.

RITMO E POESIA

Mais recentemente, o RAP (abreviação de rhythm and poetry), suprimindo, quase que totalmente, a base melódica, mas acentuando o beat (batida), bem como valendo-se de versos com rimas menos complexas e letras de forte apelo emocional, próximas da linguagem da juventude (gírias e diálogos rápidos), deu voz à periferia das grandes cidades de todo o mundo, às populações menos favorecidas e ocupou um espaço próprio no cenário cultural.

CONCLUINDO...

Assim, a poesia, com suas diversas formas, numa trajetória que acompanha e, às vezes, até antecipa a evolução humana, naquilo que diz respeito à expressão de seus sentimentos (amor, saudade, dor, perda, alegria, coragem, força, fé, etc.), sempre foi e será necessária no dia a dia de todos nós, como instrumento de cultura, de identidade, de transmissão de conceitos e valores. Afinal, em vez de dizer que o poeta, quando cria, expõe seus sentimentos,... talvez, uma trova... possa dizer mais:

Poeta é aquele que traz

o Sol e a Lua em seu peito,

despreza a razão e faz

do desvario... um direito!

(Sérgio Ferreira da Silva)


Agora, você já sabe DANÇAR!

Crônica 1





Quase inexorável


Infância é um brinquedo usado,
que um dia a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve.

(Arlindo Tadeu Hagen)




“- Você já pensou na inexorabilidade (1) do tempo?”


A pergunta partiu de um senhor, sentado ao meu lado no banco do trem, que acabara de parar na estação Moóca. Meio desconcertado, ponderei o porque do questionamento.

O homem fez um breve silêncio e, olhando para fora, apontou para a estação e comentou que ao ser inaugurada, a estação da Moóca era um primor: toda decorada com pastilhas, sem as grades e pichações que a descaracterizavam agora. Para ele, o local que era orgulho dos políticos da época, estava abandonado e ele se entristecia ao ver que o tempo a tudo deteriorava e consumia implacavelmente, sem que nada se pudesse fazer.

Para tentar suavizar sua amargura, argumentei que o tempo, embora implacável com a estação da Moóca, trouxera moderníssimas estações de metrô e, mais recentemente, reformara completamente a Estação da Luz, para transformá-la num centro cultural de primeiro mundo (o Museu da Língua Portuguesa), sem descaracterizar a concepção original, sendo provável que isso, um dia, pudesse ocorrer com a estação da Moóca.

“– Talvez!” Disse isso e desceu no Brás. Eu, na Luz.

Naquele mesmo dia, minha filha, entediada com o computador, me propôs brincarmos de adivinhas, como tantas vezes eu brincara com minha mãe, tempos atrás...

E, assim, trazendo de volta o meu passado, de adivinha em adivinha e de risada em risada, até adormecer, minha filha me ensinou que o tempo, embora pareça inexorável, é relativo, como já teorizava Einstein.

Mesmo na singeleza de um “o que é, o que é...”

(1) Qualidade do que é implacável, rígido, inexorável


Foto: Estação da Moóca - acervo Thomas Correa.

Uma das melhores trovas humorísticas dos últimos tempos...



Amigo/amiga, reparto

este espanto com você:

o parto não é mais parto;

é download de bebê.



(A. A. de Assis/PR)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

As aventuras de Tripedéia


Existem alguns casos, na literatura, de crianças que foram bem sucedidas escrevendo para crianças. Com 11 anos, a Laura (nascida em 11/11) escreveu e ilustrou esse livro como parte de uma atividade proposta por sua professora de português. O livro conta a história de uma habitante do planeta Mégara, a Tripedéia do título, que após ouvir histórias contadas por seu avô sobre a Terra, faz uma viagem de seu planeta ao nosso e conhece um garoto (Marcelo), de 10 anos, que, por sua vez, ouvia histórias sobre Mégara, contadas pelo seu avô terrestre... Incluí no meu curso de Letras a matéria Literatura Infanto-Juvenil - Linguagens do Imaginário, e, pelo pouco que aprendi, pude identificar vários elementos no livro da Laurinha, imprescindíveis nesse tipo de texto. Já falei de livros de vários amigos aqui. Esse é, sem dúvida, aquele do qual eu mais me orgulho. Não sei se ela vai seguir a trilha da escrita, como a garota do Livro "A bolsa amarela", da Lígia Bojunga, mas, aqui em casa, esse único exemplar já é um best-seller!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Reflexões Íntimas


Reflexões Íntimas é um livro póstumo. Editado (2008) pelos familiares de Waldir Neves, um dos maiores trovadores brasileiros. Tive a honra de conhecê-lo em 1997, por ocasião dos Jogos Florais de Nova Friburgo (o primeiro em que me classifiquei). Waldir era amável, bem humorado e foi um grande professor. Com ele, aprendi da melhor forma: pela leitura de suas trovas, poemas, sonetos e, principalmente, das conversas amistosas em que ele delicada e pontualmente me mostrava onde eu poderia melhorar e onde havia acertado. Meu contato com ele foi frequente nas festas de entrega de prêmios, por esse Brasil trovador. Os que conviveram mais proximamente, no Rio de Janeiro e em Friburgo, são testemunhas da amizade e qualidade de um TROVADOR com todas as letras maíusculas, como poucos! Sua benção, Waldir!

Do livro, destaco, pela profundidade e pela simplicidade...


POEMA DO PINGO D'ÁGUA

Cada vez mais espaçado,

depois que a chuva parou,

o pingo d'água, cansado,

foi pingando... e não pingou.

No seu destino traçado,

e no tempo se acabar,

a vida é pingo chorado,

que pinga... até não pingar.

(Waldir Neves)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Barroco em imagens e o Outono de Vivaldi


(Vermeer - Diana and her companions)


Montei esse video para ser apresentado em um seminário sobre o barroco português, em uma aula de Literatura Portuguesa, na USP. Apenas música e imagens, que foram repetidas na sala, antes do início do seminário propriamente dito, cujo objetivo era fazer com que os colegas "entrassem no clima". Deu mais certo do que o outro filme, com texto, que complementava a apresentação oral. Já tem por volta de 8.000 visitas no Youtube!

O endereço, lá, é o seguinte:


http://br.youtube.com/watch?v=hrkOnEkFYLk)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Arte 9



Essa é a Laura, em versão Mangá! Impressionante o traço desse desenhista (se alguém conseguir desvendar a assinatura dele, me avise!), ele soube captar uma expressão bem característica dela. Esse desenho foi feito no evento "Anime Dreams - 2008".

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Arte 8


Gosto muito desse quadro. Já pensei em escrever sobre ele, mas não seria justo impor limites a algo que já me diz tanto!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Quadrinhos


Criei "Os ácaros" em um curso de histórias em quadrinhos que fiz em Santo André, no milênio passado. Incentivado pelo hoje professor universitário Mário Dimov Mastrotti, quadrinista, editor, criador do personagem "Cubinho", que durante anos foi publicado no jornal Diário do Grande ABC, entre outros. Quem sabe eu consiga publicá-los em 2008? Afinal, ácaro rima com áporo (não rima, não!).

Arte 4


Caricatura feita pelo Adilson de Oliveira, amigo, desenhista, ilustrador, designer gráfico da TV Cultura, para um link de textos que escrevi para o site dele (Mania de Colecionador). Nesse site o Renato Lacerda também escreve sobre Frank Sinatra. Confira:


Arte 3


Uma Xilogravura da Leila ("Sem título" cópia 4/7)

Arte 2


Nós, segundo Paulo Caruso, ao lado de Fernando Collor... Trabalhei com a mãe dele (do Caruso, lógico!), dona Marina, na Caixa Econômica Federal (muito bacana, adorava Richard Claydeman... nós dividiamos um gravador e alternávamos o pianista, com Led Zeppelin!). Ele deu esse autógrafo no prefácio do livro "Avenida Brasil - A sucessão está nas ruas, de 1990).

Arte 1


Leila e Laura, no traço personalíssimo do Jaime (Pina da Silveira), amigo, trovador, dentista, desenhista, caricaturista, memorialista, ista, ista, ista!!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

ACERTANDO AS CONTAS




Hoje, eu acordei disposto a acertar as contas com São Paulo...
Entrei no carro, pronto para enfrentar um trânsito caótico... e encontrei ruas livres, motoristas e motociclistas cordiais, todos aproveitando o belíssimo dia que começava.
Mesmo assim, eu me dispus a dizer umas verdades a São Paulo...
Argumentei que tudo, aqui, é muito velho e ultrapassado. Porém, seus edifícios modernos e sua tecnologia de ponta me mostraram o contrário.
Queria dizer que as pessoas não se olham, vivem com pressa e são muito individualistas: me deparei com casais enamorados, grupos fazendo caminhadas e várias rodas de amigos.
Eu queria falar da violência e do medo!
Encontrei crianças brincando nos parques e famílias passeando despreocupadas.
Tudo bem!
Que tal, então, o desemprego, as favelas, os sem-teto e os problemas de saneamento? Hein?
Passei por uma Frente de Trabalho, por uma Usina de Reciclagem e por um Mutirão, onde as pessoas, unidas, construíam seus sonhos.
Reclamei do analfabetismo e me deparei com voluntários, ensinando as primeiras letras.

É...

São Paulo é assim, feito as pessoas: com seus defeitos e virtudes, mas continua trabalhando, sem descanso, na construção de seu futuro, como fizeram seus fundadores.
Hoje, eu acordei disposto a acertar as contas com São Paulo... e acredito que acertei!



Sérgio Ferreira da Silva