Então, lá vai, com a "permissa venia" do Véio mais jovem que eu conheço.
A noite me entristece as emoções ...
Mas, em revolta, expulso os pensamentos,
Não vou chorar as flores não colhidas.
Poesia, Prosa, Artes Plásticas, Música, Video, Quadrinhos, enfim: Trovas e Companhia!


A madrugada deita-se comigo,
para mudar, de vez, a minha vida:
viro de lado e finjo que não ligo;
mas, ela insiste e beija-me - atrevida...
tento desvencilhar-me - e não consigo ! -
dos seus carinhos - busco uma saída ! -
e quando o sono nega o seu abrigo,
eu vejo, enfim, que a luta foi perdida.
Agora, insone, - o amor é o que me resta !
meu coração, vencido, não contesta
pois quer provar seus beijos - novamente !
Mas, tão intenso - e doce ! - é o seu calor,
que eu, de vencido, passo a vencedor
e durmo, nos seus braços,... - lentamente.
(Sérgio Ferreira da Silva)

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Uma delas:Lobato Malfatti lupus
(poema desentranhado de uma aula de Yudith Rosenbaum)
A luz difusa que sai do retrato ofusca o retratado. Mas,
que retrato é esse, tão diferente do modelo?
Nada nele é familiar, tudo é surpresa e choque.
[o esperado, às avessas...
[Paranóia! Paranóia!
E a orquestra obedecia ao comando do Maestro,
[Silenciosamente mistificada,...
por 4’ e 33”!
[e é feia,
[objetivamente feia!
O belo é outra coisa, diferente, não contrária.
[ou fingiu não entender!]
:foi Dorian Gray, depois do pacto:
[um retrato envelhecido...
... de si mesmo!
(dedicado a Amilkar Henrique Gonçalves de Moura e a Yudith Rosenbaum)
Movimento
de espelhos
1
O dia
compõe em mosaicos
meus instantes
Amanheço
fragmentos
e durmo
ilusão de conjunto
na mais total
incompletude
Como quem se mira
em espelhos quebrados
restauro
utópicos fractais
de mim
ainda encontro a forma
de esculpir-me
um corpo indivisível
2
Na minha mesa posta
um bule com o choro de
[ontem
servido amargo
Entre os jornais do dia
o roteiro em detalhes
do que podia ter sido
Em vez da geléia de morango
o suor das tarefas
num pote de cerâmica
A faca corta o pão
como se amputasse
a língua do ódio
No balcão da copa
o relógio do microondas
cobra meu tempo
Todo dia às 7
desjejuo em silêncio
e a família ignora
a fome de dentro
3
Desço escadas
tateando teias
que eu ontem teci
junto às aranhas
Procuro os porões
em que apodrecem
palavras puídas
Entre trastes de avós
coleciono em caixas
remorsos antigos
Não existem janelas
nestes aposentos
e a única lâmpada
ainda nova queimou
As paredes gastas
aceitam o mofo
do modo que aceito
o oco dos dias
Nos meus subterrâneos
por que essa mania
de reter o já findo?
4
Fabrico holofotes
com minhas palavras
Cada gesto meu
produz um incêndio
Semeio lâmpadas na casa
no quintal crio vaga-lumes
Sou eu que toda noite
faço o parto da lua
Nos olhos e sorrisos
idealizo abajures
Adormeço meu frio
no colo do fogo
Com dedos de sol
amanheço a cozinha
Prendo estrelas em fios
e as vendo nas feiras
A claridade é meu ofício
5
Que sei eu das sombras
petrificadas em chinês
nas paredes da infância
Que sei eu dos muros
separando mundos
nos quintais da pátria
Nas mesmas palavras
dos mesmos livros
que sei eu de mim
Que sei eu
ignorante em didática
das aulas sonegadas
Eu que não sei nada
sendo parte de tudo
que sei eu do outro
Que sei eu, me diga
das manhãs e tardes
tecidas em silêncio
Órfão das noites
paginando lendas
que sei eu das luas
Na ciranda do tempo
que sei eu da face
que move os espelhos
(Sérgio Bernardo)
Poema premiado no 43º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), no Paraná

Sede de Mente
A anônima mente
mente.
Mente, tão somente,
por ser anônima:
Anonimamente!
A mente
mente, simplesmente.
Mente... por mentir.
Simples mente.
Como mente? Totalmente? Parcialmente?
Mente indefinidamente e,
como mente indefinida,
mente sem alarde,
comumente...
Verdadeiramente, mesmo quem ama
mente:
mente por amar;
mente por mentir...
E quem não ama, mente?
Mesmo quem não amamente!
Urge que, por fim, se saliente:
nem toda mente mente!
Se não houver a quem mentir,
mente a mente
o ente
mente à mente.
Sérgio Ferreira da Silva


Divenei Boseli é trovadora e sonetista de primeira conjugação... Explico: foi das primeiras que aprendi a admirar quando, das mãos de Antonio de Oliveira, recebia livretos de trovas, com resultados de concursos de todo o Brasil, antes de me tornar trovador! Ou seja, as trovas de Divenei (e de outros grandes trovadores brasileiros) me ensinaram a fazer trovas. Ela é uma das “culpadas”, digamos assim. Posso dizer, então, que eu DIVENEI... Espero que você DIVENEIE, também...
Não regressas... Mesmo assim,
a ilusão que eu julguei morta,
morta de pena de mim,
monta guarda à minha porta.
Saudade, eterno martírio
que ocupa, agora, em meu peito,
os espaços que o delírio
ocupava em nosso leito!...
Vai trabalhar, vagabundo,
grita a mulher, feito gralha;
e ele rosna lá do fundo” :
– “Vagabundo não trabalha!”…
Sérgio Ferreira da Silva

Tinha o quê???
No meio do caminho, tinha alguma coisa.
Pois, é! Eu estou aqui, no caminho, pronto e decidido a enfrentar essa COISA!
Outro dia, alguém escreveu no jornal (um crítico, talvez), que o Poeta não disse, no poema, aquilo que ele deveras disse (citando o Pessoa). Mas, por ser uma antena de seu tempo, disse o que disse, porque era a voz da consciência de todos nós.
EU NÃO NOMEEI POETA NENHUM MEU PROCURADOR!!!
Aliás, é por isso que estou aqui, neste caminho... Nenhum Poeta, por melhor que seja, vai me representar... Andar meus passos por mim. Ficam, aí, endeusando um, consagrando outro... Idolatria! Idolatria barata!
De minha parte, até agora, não vi COISA NENHUMA! Êta caminho besta, sô! Não tem nada!
Estou andando faz tempo... Já está escurecendo... e nada!
Que breu! Estranho, este céu sem estrelas,... sem esperança,... sem nada.
O caminho parece o céu: escuro, sem Lua,... sem uma estrelinha...
Será o mesmo caminho do Poeta? Chão batido,... sem beirada? Só o caminho... e este céu escuro, sem estrelas? Céu sem estrelas... e sem nuvens! Nenhuma nuvem! Nada!
Eu!
Só eu, no caminho!
Olhando para o céu vazio!
Andando... Andando...
AAAIIII!!!! Ai meu dedo!!!!
Tinha uma droga de uma PEDRA no caminho!!!
(Leia, agora no sentido inverso!)
Sérgio Ferreira da Silva