quarta-feira, 29 de julho de 2009

Insônia (2)

Postei, recentemente, um soneto chamado INSÔNIA. Hoje recebi um soneto do Venturelli (José Octávio), com nome diferente mas motivação idêntica. Gostei muito e pedi autorização para publicá-lo. Autorização concedida, com a boa vontade do mestre e amigo: "É Claro que VC pode publicar meu Soneto no seu Blog, no seu blig, no seu blag, e o nome é REVOLTA.
Um beijo pra VC e 'nas meninas'.
Márcia agradece.
O Véio Poeta !!!"

Então, lá vai, com a "pe
rmissa venia" do Véio mais jovem que eu conheço.


REVOLTA


É Madrugada ... A insônia, companheira
das velhas horas de recordações,
vai desfilando antigas ilusões
que me enganaram uma vida inteira.

A noite me entristece as emoções .
..
Sangram Poemas, líricas goteiras
de um coração perdido das razões,
onde a Tristeza faz sua trincheira.

Mas, em revolta, expulso os pensamentos,
e, então, eu durmo os últimos momentos
da noite que passou de luz acesa.

Não vou chorar as flores não colhidas.
Eu já me acostumei às despedidas...
Não quero as tuas lágrimas Tristeza !

Otávio Venturelli


Venturelli é o primeiro da esquerda para a direita, em Nova Friburgo (Maio de 2009) - Foto by Leila Rodrigues

_____________Cacildis!!!!!________________


A cidade de Bandeirantes, no Estado do Paraná, realiza um dos mais tradicionais concursos de trovas do Brasil. A UBT da cidade é chamada por Izo Goldman de "Clube da Luluzinha", graças ao grande número de trovadoras na cidade, todas com destaque no cenário nacional.

Bandeirantes realizou um concurso, em 1994, cujo tema foi "Palhaço". Naquele ano, o Brasil perdia um de seus maiores comediantes, O Mussum.

Antonio de Oliveira, meu "padrinho" na trova, sensibilizado com a perda, homenageou o grande artista com uma trova que foi vencedora naquele certame. Quem foi criança nos anos 70 tem o "mussa" no coração, como eu! A bela trova:


Não desistas, meu palhaço,
segue feliz para o além,
que entre os Anjos, lá no espaço,
há criancinhas também!

(Antonio de Oliveira)







terça-feira, 28 de julho de 2009

USP - 75 ANOS

Em 2009, a Universidade de São Paulo completa 75 anos e lançou um site comemorativo para marcar a data. São diversos informes abordando o papel da Universidade no cenário nacional, bem ainda alguns fatos relevantes de sua história. Paralelamente a isso, abriu espaço para que pessoas ligadas à USP pudessem divulgar registros fotográficos dessa história, sob o título "A USP É VOCÊ QUEM FAZ" eu e alguns amigos participamos e tivemos algumas fotos adicionadas ao site. Não vou colar nenhuma aqui, mas darei três pistas: Beatles, Nasi e Alunos da faculdade de letras. Apenas para instigar uma visita. O site é "www.usp.br/75anos" e a página inicial vai reproduzida abaixo...





segunda-feira, 27 de julho de 2009

O beijo


O beijo


O

que,

em mim,

te atrai?

- Nada! -

Nada? Nada.

Nada, mesmo? É, nada!

Nada? Sério? Sério, nada!

Nada? Nada.

Nada? Nada!

Nadada?!

Nada

?!




Insônia








Insônia


A madrugada deita-se comigo,

para mudar, de vez, a minha vida:

viro de lado e finjo que não ligo;

mas, ela insiste e beija-me - atrevida...


tento desvencilhar-me - e não consigo ! -

dos seus carinhos - busco uma saída ! -

e quando o sono nega o seu abrigo,

eu vejo, enfim, que a luta foi perdida.


Agora, insone, - o amor é o que me resta !

meu coração, vencido, não contesta

pois quer provar seus beijos - novamente !


Mas, tão intenso - e doce ! - é o seu calor,

que eu, de vencido, passo a vencedor

e durmo, nos seus braços,... - lentamente.


(Sérgio Ferreira da Silva)

domingo, 26 de julho de 2009

Livro do Desassossego




Uma das leituras - quantas e boas! - que fiz no primeiro semestre de 2009 (quase um exílio) foi de boa parte do Livro do Desassossego (Companhia das Letras), uma coletânea de prosa esparsa do Fernando Pessoa, recolhida de um baú de coisas encontrado depois de seu falecimento. O nome da obra não poderia ser melhor, são reflexões profundas do mestre, em pessoa (mania de trocadilhar - nem sei se o verbo existe!)! Abaixo, transcrevo o fragmento 212, curtíssimo e próprio a um blog que se dispõe, entre outras coisas, a pensar a poesia. Nele, também, toda a gênese da heteronímia...



"...212.
Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta."

Trovas de Guardanapo

Nos encontros de trovadores brasileiros, é costume a realização de pelo menos um jantar... Daí que alguém pergunta algo do tipo: "-Você conhece aquela trova do fulano?" Alguém, então, declama a trova, ou a escreve, para resgatá-la, aos poucos, da memória. E onde escrevê-la? No pedaço de papel mais comum dos restaurantes: a conta! Não! Não! No guardanapo!

Pois foi em Friburgo que minha filha, a Laura, teve uma idéia interessante, porque não fazer um livro de guardanapos. A idéia "pegou" e, em poucos minutos, grandes trovadores do Brasil inteiro estavam escrevendo sua trova preferida para ilustrar a primeira coletânea de trovas de guardanapo do Brasil.

Os guardanapos foram reunidos e lidos ali mesmo, no dia 16 de Maio de 2009. Digitalizei os guardanapos e o José Ouverney está revisando, para uma versão eletrônica. Aguardem!


Por enquanto, fiquem com a trova do Magnífico Trovador Arlindo Tadeu Hagen, um refinado aperitivo, antes do "jantar poético" que se aproxima!

Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus.
se não for por meu amor,
fica, pelo amor de Deus!

(Arlindo Tadeu Hagen)

sábado, 25 de julho de 2009

Meus caros amigos!


"...meu caro amigo me perdoe, por favor, se não lhe faço uma visita..." (Chico Buarque)

Depois de um longo e tenebroso inverno (não sei quem cunhou essa frase, mas ela é essencial, nesse momento), estou de volta! Fiz o login. Percebi algumas mudanças no blogspot. A que mais me chamou a atenção diz respeito à figura do seguidor (follower, como dizem lá). Agora é possível saber quais são as pessoas que recebem informações sobre as atualizações que são feitas no blog. Descobri que tenho 2 followers: Pedro Mello e José Feldman! Thank you fellows (quase um anagrama!). Dedico a vocês o que pretendo escrever daqui pra frente, porque vocês souberam aguardar (rsrsrs). Agradeço de coração. Mas sei, também, daqueles que apesar de não se cadastrarem, me incentivaram a voltar. Porém, foi um longo e tenebroso inverno, mesmo! Pensei muito, não tinha vontade de escrever... Mas li muito, mais até do que as leituras obrigatórias da faculdade, que também retomarei no segundo semestre, sem pressa de terminar: o bom de retomar os estudos, depois de anos, é saber aproveitar melhor o "ouro" diário do aprendizado. Estou postando agora, para tirar a ferrugem - afinal, desde 11 de Janeiro não atualizo esta página! - e escolhi a imagem da capa do disco (vinil) do Chico Buarque de Hollanda, que é título desta postagem. Explico: tenho fascínio por ele (o disco) e admiração por ele (o chico). Tudo porque, quando eu tinha uns 11 anos, fiquei uns dias na casa de uma tia (já falecida, tia Bil - qualquer dia eu falo sobre o apelido, dado a todos os nordestinos que se chamam Severino ou Severina - tenho mais dois tios e uma tia com esse apelido) e minha prima, a Cristina, com 20 e poucos anos, pôs esse disco para que eu ouvisse. Dentro havia um encarte, com as letras. A Cristina, muito esperta, sabia que eu ia me interessar! Na época eu não tinha consciência política, tendência poética, nem nada digno de nota, pelo menos não me recordo, nessa época, se não me engano,
eu só me preocupava em conseguir dar um primeiro beijo em alguma menina. Talvez minha prima tivesse percebido alguma tendência literária em mim... sei lá! Mas devo a ela o despertar de uma consciência diferente, de um novo olhar sobre as letras das músicas. Nunca havia refletido sobre isso, e agora, escrevendo, lembro até da vitrola... Desculpem, meus amigos, se não lhes fiz umas visitas, no decorrer desse ano, mas podem "botar água no feijão!" "Eu tô voltando!"

domingo, 11 de janeiro de 2009

Falando de Trova

Falando de Trova é um site muito bem organizado, onde se pode acessar o mais completo conteúdo da Net sobre a Trova, os trovadores e a UBT (União Brasileira dos Trovadores). É mantido e atualizado pelo José Ouverney, que é Magnífico Trovador (Título Honorífico concedido pelos trovadores e pela cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, cujo concurso completará 50 anos ininterruptos, em 2009!), que na foto abaixo recebe um prêmio das mãos de Carolina Ramos, de Santos/SP, chamada de "A primeira dama da trova brasileira", por sua importância e dedicação desde os primeiro passos do movimento trovadoresco no Brasil

Carolina Ramos e José Ouverney

e por seu filho José Ouverney Júnior (já é um benemérito da trova!), que você vê na foto abaixo:


Pai e filho

Acesse o link em www.falandodetrova.com.br, que vai aparecer a tela abaixo:



O site é referência para todos os que fazem e apreciam trovas. Tem uma biblioteca excelente e estava indo muito bem, até que o José Ouverney cometeu um ato impensado: me convidou para assinar uma coluna! O resultado do convite está na coluna "Colecionando Trovas", fruto de uns textos que eu já havia publicado no site Mania de Colecionador, mas que terão agora uma roupagem mais dirigida a quem aprecia o trabalho dos trovadores. O blog Trov@s e Ci@ continua com a mesma proposta diversificada. Com seu coração do tamanho de um bonde, o Ouverney me possibilitou fazer um novo trabalho, mais específico, paralelo a esse que faço aqui, focado em minha visão mais trovadoresca, digamos assim, da poesia.

O espaço que o Ouverney está garantindo ao movimento trovadoresco é muito importante. O trabalho que o Pedro de Mello está fazendo no site, por exemplo, é sensacional. Até hoje não havia um olhar mais acadêmico sobre a trova, além de alguns poucos livros e textos de gaveta, pelo menos com a divulgação e o alcance garantidos pelo José! A coluna do Pedrinho é opinativa, polêmica e muito bem fundamentada! Parabéns aos dois!


Professor Pedro Mello

E "vamo" tocando em frente! De público, José Ouverney: MUITO OBRIGADO!

Abração!

Sérgio Ferreira da Silva

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O lado poético da Leila (2)

Há um livro chamado "A arte de ver a arte" que, entre diversas observações quanto a estilo, períodos artísticos, técnicas e materiais, indica um caminho para que se veja a obra de arte sem preconceitos (para além do "gostei" ou "não gostei"): é a observação induzida pela própria obra. As duas obras abaixo (o desenho e o poema) são exemplo disso, já que o primeiro, chamado Solidão - grafite sobre papel - induz uma leitura não usual, em que duas imagens projetam duas sensações distintas, dirigindo o olhar do espectador ora para uma, ora para outra direção. No centro da imagem, apenas o vazio...



(clique na imagem para vê-la ampliada!)

O poema - Eu - dispõe duas situações
distintas: o vazio e a força profunda, das perdas e conquistas, do sal que imprime sabor à vida, porque, como a autora mesmo diz, "uma vida sem emoção não é vida". Imagem e palavras de uma mulher que soube, sempre, se reinventar, se fazer melhor a cada dia, cuja caminhada eu, orgulhosamente, acompanho!



Eu

Um vazio profundo

uma rota alterada
uma espada sem fio
uma lágrima derramada

Uma força desmedida

uma forma insensata

uma página já lida
uma história descartada

Uma vida refletida

por atos calculados
Se a dor me vem aturdir

Fiz por onde e assumo os fatos


Se meus erros são tão grandes
Se a paixão move meus atos
Não fujo e pago o preço
De todos os meus pecados

Vida é intensidade

vida é verdade
vida é criatividade

vida é autenticidade

Prefiro ser ousada do que ser Amélia, a mulher de verdade
Prefiro ser rebelde, do que tecer calmamente um tapete

Prefiro meu sangue quente correndo pelas veias em situação de risco, do que a morna sensação do conforto.


A vida é uma só
e deve ser vivida com
intensidade
sabor
prazer

amor
lazer

imaginaçã
o.

Se não for para ser vivida assim,
melhor que se faça o enterro,

porque uma vida sem emoção, não é vida... é morte em vida.

E essa é a pior morte.


(Leila Rodrigues)

Foto Poema 1

Clique na imagem para vê-la ampliada!


domingo, 14 de dezembro de 2008

Arte 10



Clique na imagem para visualizar os detalhes!




Esse aí é o John Taylor, do Duran Duran, em um quadro de 1986 by Leila Rodrigues: pinceladas expressivas, volume, uso de gradação de tons. Gosto muito.


O lado literário da Leila...



Mesmo quem conhece a Leila dificilmente conhece a sua escrita: direta, reflexiva, equilibrada e sincera. Faz prosa poética, crônica, poesia. Intuitiva e sempre positiva.
Boas festas e bom final de ano a todos! A Leila fala, agora, pela família toda...





Balanço de Final de Ano


Vejo os dias passando diante de meus olhos: observo cada movimento; cada olhar
e escuto todos os pensamentos.
Penetro em olhares, atravessando-os para atingir, além da matéria, a essência de cada um.
Rio e choro,
Brinco e trabalho.
Amo e sou amada, ou odiada.
Sigo minha vida sem entender o porquê da violência, da maldade e da inveja.
Como é bom chegar até aqui e ver tudo de bom que conquistei.
Como é ruim chegar até aqui e ver tudo de mau que já enfrentei.
A vida é uma jornada interessante e trago boas lembranças das pessoas que cruzaram meu caminho e me ensinaram coisas diferentes.
Não tenho riquezas materiais, mas, espirituais, tenho de sobra.
Meu sorriso é meu cartão de visitas.
Minha lealdade, o cartão de permanência.
Meu coração aberto, meu cartão de amizade vitalícia.
Se você é do bem, entre e fique à vontade para repartirmos impressões e vivências.
Se não é, passe, aproveite a boa energia e transforme seus pensamentos.
Precisamos de mais pessoas boas no mundo, para vencermos a violência e a escuridão.
Porque todos nós nascemos para brilhar: não só neste final de ano, mas... por toda a nossa vida!

(Leila Rodrigues)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Falta de Educação tem cura. Consulte um Professor.





Clique na imagem e leia o adesivo!


Ontem, 09 de Dezembro de 2008, em uma escola estadual, um aluno de 8ª série (portanto na faixa de 14 anos de idade), munido de um skate, cumpriu uma ameaça que fez no mesmo dia à sua professora de português: "...se você me reprovar, vou detonar seu carro!". Cheguei à escola no exato momento em que a professora, em prantos, constatava a execução da ameaça. Registrei, então, no celular, a cena lamentável. Se esse fato fosse perpetrado por um adulto, o código penal disporia como "Crime de Dano". Mas foi um "di menor" que o praticou, então: ato infracional.

Em meu trabalho, por vezes, registro os depoimentos de menores como ele, custodiados (eles não podem ser presos), porque surpreendidos em flagrante (no momento, ou momentos após a prática do ato infracional). Nosso trabalho é certificar as condições físicas do adolescente e colher sua primeira versão dos fatos. A maioria nega qualquer participação. Em geral, eles estão acompanhados da mãe (às vezes da mãe e do pai; muito raramente apenas do pai ou outro "responsável"), que tem as mais variadas explicações para as causas das ocorrências: falta de condições financeiras; as "má companhia"; o vício; a ausência paterna; a índole indomável; e por aí vai.

Não sei o que levou esse menino, de nome bíblico (aliás, de um Rei!), a vingar-se da professora destruindo o vidro traseiro do veículo com seu poderoso Skate. Se um dos motivos acima, ou algum outro de ordem psicológica ou psiquiátrica. Não sei.

Sei, porém, que ela não merecia sofrer esse dissabor. Todos sabemos das precárias condições oferecidas àqueles que abraçam a carreira do magistério. São injustiçados todos os dias, entregando sua saúde e tempo, em troca de uma parca contraprestação. Essa professora, em especial, acredita no poder da educação para mudar o mundo e a realidade daqueles menos favorecidos socialmente: reparem nos dizeres do adesivo colado ao vidro estilhaçado: FALTA DE EDUCAÇÃO TEM CURA. CONSULTE UM PROFESSOR.

Será que o garoto, com nome de Rei guerreiro, leu o adesivo antes de cometer o "ato infracional"? Acho que não! Sua mãe compareceu à escola, na noite do mesmo dia, em prantos, também. O garoto (que trabalha!), compareceu e comprometeu-se a pagar o prejuízo (negando a autoria, embora testemunhas garantissem o fato).

Não acredito que a professora será ressarcida: a dor que ela sentiu não foi patrimonial. O vândalo, com nome de Rei, não demonstrou na retratação a "coragem" que teve ao destruir o patrimônio alheio...

A professora, no entanto, permanece fortalecida. Acredita na educação e tem ciência do bem que faz aos seus alunos, como todos os outros professores e profissionais que trabalham nessa escola estadual .

No mais, acredito que é hora de uma séria revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Brasil necessita de uma melhor análise e acompanhamento dessas gerações que farão as leis do futuro, sob pena de ficarmos subjulgados a pessoas com nome de Rei, ou não, mas com atitudes sanguinárias e violentas, como previu o trovador Antônio de Oliveira:



Onde o ensino é relegado,
e as letras não têm valor,
há de pagar ao soldado,
quem não paga ao professor!

Incentivando a Poesia e preservando a Natureza!

Já falei aqui de algumas coisas interessantes feitas com poesia: o livro Celebridades (Ame Nova Friburgo), do Sérgio Madureira, em que os artistas foram homenageados com trovas; as trovas do Zaé Júnior, em 200 Outdoors espalhados pela cidade de São Paulo; as trovas postais, que espalhei pelo Brasil e as trovas na agenda Livro da Tribo. Outras iniciativas já fizeram, em São Paulo, por exemplo, uma "chuva de trovas". Trovas eram lançadas do alto do Edifício Itália, e eram emcontradas a quilômetros de distância (hoje essa prática não seria aceitável, porque os papéis não recolhidos contribuiriam para entupimento de esgotos. Vale o registro!)

Pois bem, a empresária e advogada Marinês de Paula, que comanda a empresa Bag Beach, especializada em produção de bolsas e embalagens com a marca da responsabilidade ambiental, ou seja ecologicamente corretas, apostou numa idéia interessante: me propôs estampar em alguns de seus produtos poemas de minha autoria. O resultado está na foto abaixo...



Conheça mais da Bagbeach: http://www.bagbeach.com.br

Poemas Desentranhados

Manuel Bandeira (aqui retratado por Portinari) foi protagonista de sacadas poéticas incríveis.
Uma delas:


Poema Desentranhado de Uma Prosa de Augusto Frederico Schmidt

A luz da tua poesia é triste mas pura.
A solidão é o grande sinal do teu destino.
O pitoresco, as cores vivas, o mistério e calor dos outros seres te interessam realmente
Mas tu estás apartado de tudo isso, porque vives n
a companhia dos teus desaparecidos.
Dos que brincaram e cantaram um dia à luz das fogueiras de São João
E hoje estão para sempre dormindo profundam
ente.
Da poesia feita como quem ama e quem morre
Caminhaste para uma poesia de quem vive e recebe a tristeza
Naturalmente
- Como o céu escuro recebe a companhia das primeiras estrelas.

(Manuel Bandeira - Poesia Completa & Prosa, Rio de Janeiro, José Aguilar, 1967)



Esse poema foi "desentranhado" de um artigo do também poeta Schmidt, que foi "ghost writer" do Presidente Juscelino.

Ponto! De exclamação! Metalinguagem pura! Brincadeira literária de um poeta para outro, a partir de uma prosa! Vai analisar um troço desses!

Pois bem, em 2007, minhas aulas de Literatura Brasileira foram ministradas pela Professora Doutora Yudith Rosenbaum, pessoa maravilhosa, autoridade em Clarice Lispector e Manuel Bandeira, que, no primeiro semestre, tratou do Modernismo Literário Brasileiro...

(Yudith Rosenbaum)

Daí, que um colega de turma, de nome Amilkar, figurassa carimbada da faculdade, sugeriu a ela que eu fizesse algo parecido, abordando o Modernismo, que era tratado nas aulas, "porque ele é poeta, professora!"

(Amilkar e Antônio Cândido - Duas figurassas!)

o resultado:


Lobato Malfatti lupus

(poema desentranhado de uma aula de Yudith Rosenbaum)


A luz difusa que sai do retrato ofusca o retratado. Mas,

que retrato é esse, tão diferente do modelo?

Nada nele é familiar, tudo é surpresa e choque.

[o esperado, às avessas...

Por 4’ e 33” a audiência gritou:

[Paranóia! Paranóia!

E a orquestra obedecia ao comando do Maestro,

[Silenciosamente mistificada,...

por 4’ e 33”!

A subjetividade retratada é tensa,

[e é feia,

[objetivamente feia!

O belo é outra coisa, diferente, não contrária.

Lobato não entendeu

[ou fingiu não entender!]

:foi Dorian Gray, depois do pacto:

[um retrato envelhecido...

... de si mesmo!

(dedicado a Amilkar Henrique Gonçalves de Moura e a Yudith Rosenbaum)

Sérgio Ferreira da Silva

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O melhor show da minha vida! (The best show of my life!)

RED CARPET MASSACRE - DURAN DURAN - VIA FUNCHAL/SP - 21 e 22 de Novembro de 2008.

(Foto by Sérgio Ferreira da Silva)

Valeu a espera de 20 anos para rever esse grupo, que fez muito sucesso nos anos 80, com hits como Save a Prayer, The Reflex e Wild Boys. Em Janeiro de 1988, eu e a Leila (já noivos) assistimos a participação deles no festival chamado HOLLYWOOD ROCK. No mesmo dia, apresentaram-se o grupo brasileiro ULTRAJE A RIGOR e o também inglês SIMPLY RED. Todos com ótimas performances. Agora em 2008, além da sempre companheira Leilinha, a filhota LAURA também compareceu e vibrou em dobro, pelos dois quarentões. Nos dois dias, ficamos em locais ótimos, colados à grade, a dois metros de distância dos ídolos. Conhecemos outros fãs do grupo, da nossa geração, além de outros mais novos. Foi emoção pura! Quando se reencontram velhos companheiros a alegria e a festa estão garantidas. O Duran Duran sempre esteve conosco, fez a trilha sonora da nossa vida e, pelo visto, fará um pouco da trilha da Laura, também...

(Foto by Cuca Pimentel - www.obaoba.com.br)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sérgio Bernardo 2




Já falei dele aqui... Leiam esse poema que venceu um dos mais cobiçados concursos do Brasil... Na formatação em que ele publicou. Fala, aí, Serjão!


Movimento
de espelhos

1
O dia
compõe em mosaicos
meus instantes

Amanheço
fragmentos
e durmo
ilusão de conjunto
na mais total
incompletude

Como quem se mira
em espelhos quebrados
restauro
utópicos fractais
de mim

ainda encontro a forma
de esculpir-me
um corpo indivisível

2
Na minha mesa posta
um bule com o choro de
[ontem
servido amargo

Entre os jornais do dia
o roteiro em detalhes
do que podia ter sido

Em vez da geléia de morango
o suor das tarefas
num pote de cerâmica

A faca corta o pão
como se amputasse
a língua do ódio

No balcão da copa
o relógio do microondas
cobra meu tempo

Todo dia às 7
desjejuo em silêncio
e a família ignora
a fome de dentro

3
Desço escadas
tateando teias
que eu ontem teci
junto às aranhas

Procuro os porões
em que apodrecem
palavras puídas

Entre trastes de avós
coleciono em caixas
remorsos antigos

Não existem janelas
nestes aposentos
e a única lâmpada
ainda nova queimou

As paredes gastas
aceitam o mofo
do modo que aceito
o oco dos dias

Nos meus subterrâneos
por que essa mania
de reter o já findo?

4
Fabrico holofotes
com minhas palavras

Cada gesto meu
produz um incêndio

Semeio lâmpadas na casa
no quintal crio vaga-lumes

Sou eu que toda noite
faço o parto da lua

Nos olhos e sorrisos
idealizo abajures

Adormeço meu frio
no colo do fogo

Com dedos de sol
amanheço a cozinha

Prendo estrelas em fios
e as vendo nas feiras

A claridade é meu ofício

5
Que sei eu das sombras
petrificadas em chinês
nas paredes da infância

Que sei eu dos muros
separando mundos
nos quintais da pátria

Nas mesmas palavras
dos mesmos livros
que sei eu de mim

Que sei eu
ignorante em didática
das aulas sonegadas

Eu que não sei nada
sendo parte de tudo
que sei eu do outro

Que sei eu, me diga
das manhãs e tardes
tecidas em silêncio

Órfão das noites
paginando lendas
que sei eu das luas

Na ciranda do tempo
que sei eu da face
que move os espelhos

(Sérgio Bernardo)

Poema premiado no 43º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), no Paraná

Quatro Sérgios

A foto abaixo é curiosa! Da esquerda para a direita: Sérgio Ferraz dos Santos, Sérgio Ferreira da Silva, Sérgio Bernardo e Sérgio Mauro. Quatro Sérgios, quatro poetas, quatro trovadores e os quatro em Nova Friburgo, terra que os quatro amam!





sábado, 15 de novembro de 2008

Adverbiando




Sede de Mente

A anônima mente

mente.

Mente, tão somente,

por ser anônima:

Anonimamente!

A mente

mente, simplesmente.

Mente... por mentir.

Simples mente.

Como mente? Totalmente? Parcialmente?

Mente indefinidamente e,

como mente indefinida,

mente sem alarde,

comumente...

Verdadeiramente, mesmo quem ama

mente:

mente por amar;

mente por mentir...

E quem não ama, mente?

Mesmo quem não amamente!

Urge que, por fim, se saliente:

nem toda mente mente!

Se não houver a quem mentir,

mente a mente

o ente

mente à mente.


Sérgio Ferreira da Silva

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Marcos "Nasi" Valadão 2 - O encontro com o ídolo


Tô eu na USP, hoje, no intervalo entre aulas, passeando na feira do livro (prédio da História)... Me liga o Sérgio Rorato:
"Cara, onde você está? O Nasi tá pertinho da gente!" - Corta! Voltando ao início dos anos 80 (por volta de 1981)... Fui assistir, no Centro Cultural São Paulo, um show de um grupo chamado Voluntários da Pátria (tenho o disco deles), embrião do grupo IRA! Acompanhei toda a carreira do IRA!, até a recente e tormentosa separação. Cheguei a tocar guitarra base e fiz os vocais de um conjunto de garagem, cujas melhores performances eram "covers" do IRA! em 2003, fui 1º colocado em um concurso de contos do SESC, cujo tema era "Só depois de muito tempo fui entender aquele homem!", que é o trecho de uma música do grupo. Cheguei a sonhar, algumas vezes, que cantava com o grupo, ou que conhecia os integrantes. - Corta! Hoje, 13 de Novembro de 2008, o Nasi estava lá, na USP, corri na direção dos amigos, arranquei o caderno da bolsa, peguei uma caneta e fui atrás do camarada: "Nasi! Nasi!" Ele foi muito simpático e gentil. Contei a ele que acompanhei o grupo desde os tempos do Voluntários e ele: "Que legal!" "Bacana!" "Vá assistir meu show dia 13..." Tiramos uma foto (Eu, ele e o Sérgio Rorato, que também é fã de carteirinha!). A foto ficou uma "caca". Chamei ele outra vez: "Nasi, a foto ficou uma b....!" "Tudo bem! Vamos tirar outra:


Olha a simpatia do menino e as caras de bobos dos Sérgios!
(Foto by Renato Lacerda, no celular de Luana Fontana - Thanks!)



Marcos "Nasi" Valadão - O autógrafo do ídolo!


Taí o autógrafo, com um abraço e a data do próximo show (13), em dezembro, na casa de shows CLASH - Rua Funchal, em Sampa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DIVENEI BOSELI


Divenei Boseli é trovadora e sonetista de primeira conjugação... Explico: foi das primeiras que aprendi a admirar quando, das mãos de Antonio de Oliveira, recebia livretos de trovas, com resultados de concursos de todo o Brasil, antes de me tornar trovador! Ou seja, as trovas de Divenei (e de outros grandes trovadores brasileiros) me ensinaram a fazer trovas. Ela é uma das “culpadas”, digamos assim. Posso dizer, então, que eu DIVENEI... Espero que você DIVENEIE, também...


Não regressas... Mesmo assim,
a ilusão que eu julguei morta,
morta de pena de mim,
monta guarda à minha porta.


Saudade, eterno martírio
que ocupa, agora, em meu peito,
os espaços que o delírio
ocupava em nosso leito!...


Vai trabalhar, vagabundo,
grita a mulher, feito gralha;
e ele rosna lá do fundo” :
– “Vagabundo não trabalha!”…

(Divenei Boseli - São Paulo/SP)

Sérgio Ferreira da Silva

sábado, 8 de novembro de 2008

TINHA O QUÊ??? ou TINHA UMA DROGA DE UMA PEDRA NO CAMINHO




Outro exercício, agora com Drummond, na Escola Livre de Literatura, também em 2005...

Tinha o quê???

No meio do caminho, tinha alguma coisa.

Pois, é! Eu estou aqui, no caminho, pronto e decidido a enfrentar essa COISA!

Outro dia, alguém escreveu no jornal (um crítico, talvez), que o Poeta não disse, no poema, aquilo que ele deveras disse (citando o Pessoa). Mas, por ser uma antena de seu tempo, disse o que disse, porque era a voz da consciência de todos nós.

EU NÃO NOMEEI POETA NENHUM MEU PROCURADOR!!!

Aliás, é por isso que estou aqui, neste caminho... Nenhum Poeta, por melhor que seja, vai me representar... Andar meus passos por mim. Ficam, aí, endeusando um, consagrando outro... Idolatria! Idolatria barata!

De minha parte, até agora, não vi COISA NENHUMA! Êta caminho besta, sô! Não tem nada!

Estou andando faz tempo... Já está escurecendo... e nada!

Que breu! Estranho, este céu sem estrelas,... sem esperança,... sem nada.

O caminho parece o céu: escuro, sem Lua,... sem uma estrelinha...

Será o mesmo caminho do Poeta? Chão batido,... sem beirada? Só o caminho... e este céu escuro, sem estrelas? Céu sem estrelas... e sem nuvens! Nenhuma nuvem! Nada!

Eu!

Só eu, no caminho!

Olhando para o céu vazio!

Andando... Andando...

AAAIIII!!!! Ai meu dedo!!!!

Tinha uma droga de uma PEDRA no caminho!!!

(Leia, agora no sentido inverso!)

Sérgio Ferreira da Silva