quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Drummond, cadê minha chave? Preciso abrir um poema...


(Imagem: folha de s. paulo/divulgação)


Não posso dizer que tenho um poeta predileto, hoje. Mas já disse no passado: Vinícius de Moraes foi o primeiro; o segundo, Gregório de Matos e Guerra; depois, por razões nordestinas e ideológicas, João Cabral de Mello Neto; Drummond... Agora, acredito que o que importa, realmente, é o que há de único em cada um e o que há de comum a todos: a arte literária! Não tenho, por uma graça do tempo, nenhum preferido, mesmo porque aprendi, principalmente com os trovadores brasileiros, a imensa maioria deles desconhecidos do grande público, que escrever não é privilégio de homens consagrados. Há verdadeiras jóias preciosas que nunca serão amplamente divulgadas. Tenho em minha biblioteca pessoal (minúscula) mais de duas centenas de livros de trovas (com resultados de concursos), cada um com, em média, 60/70 trovas, de boa ou excelente qualidade. Outros, de autores únicos, com 100, 200 ou até 1001 trovas (como é o caso do livro do Zaé)... Faço o possível para divulgá-las aqui, mas tudo o que é postado é só uma pequena amostragem, com a qual tento despertar alguma curiosidade daqueles que não conhecem a trova... É pouco. Por isso, recomendo o site do Ouverney, Falando de Trova, um catálogo e tanto, que pode ser acessado pelo link que consta dessa página.
Então... Falei do Drummond e quero terminar a postagem com um trecho do poema "Procura da Poesia"

"...Chega mais perto e contempla as palavras
cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?..."

Use, você, então, a chave que quiser/ou tiver... e abra uma porta,... ou um poema!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Escrevendo a partir de um mote

Trova escrita para o mote (no caso, o verso inicial) "As dores e os desencantos", sugerido pelo José Ouverney, na comunidade "Sou Trovador" do Orkut. Já publiquei uma outra na postagem "Saldo Positivo". Gostei do resultado da inversão das palavras no verso final. Os teóricos de literatura chamam isso de oxímoro, que é, basicamente uma oposição em "x", para sugerir conceitos contrários, ou equilíbrio. Lá vai...


As dores e os desencantos

não me causam dissabores:

que, ao teu lado, não há prantos,

nem desencantos,... nem dores!


(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dado Dolabella e a trova profética

No reality show "A Fazenda", ele ganhou R$.1.000.000,00 (Um milhão de Reais)!

Em 2004, quando participei da confecção das trovas para o livro Celebridades, Dado Dolabella trabalhava na novela "Senhora do Destino", interpretando a personagem Plínio Ferreira da Silva (coincidência engraçada termos o mesmo sobrenome - mas o meu é de verdade!). Calhou do Sérgio Madureira me pedir que fizesse a trova dele, que, à época, participou da trilha sonora da novela, com a música "Facim facim". Fiz a trova e inclui o nome da música e um trocadilho com o título da novela. Hoje, vejo que a trova foi profética... ele venceu o "Reality". Não costumo assistir a esse tipo de programa, nem acredito em previsões, pelo menos não no meu poder de prever, mas coincidências ocorrem toda hora. Fica o registro inusitado...




Senhor do próprio destino,
Dado segue, sempre, assim:
com seu jeitão de menino
vai vencer... "Facim Facim"!

(Sérgio Ferreira da Silva)

sábado, 29 de agosto de 2009

Certezas... Repensando um poema!



Trova premiada em Nova Friburgo (menção honrosa), no ano de 2002, no tema Certeza, da qual gosto muito, porque consegui usar metalinguagem, efeito que imprimiu o que os teóricos chamam de circularidade ao poema. O leitor é instigado a retornar ao texto e a significação amplia-se, pelo reforço da idéia das (in) certezas, e pelo destaque à pontuação. Porém, não pense que eu pensei em tudo isso quando "pensei" a trova... Hehehe!



Depois de tantas tristezas,
tantas promessas e ausências,
eu grafo as tuas "certezas..."
com aspas e reticências.


(Sérgio Ferreira da Silva)


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poema para um olhar...












Por teus olhos

São olhos questionadores, os teus...
Olhos de quem sabe que é preciso
conhecer... adivinhar e, sobretudo, sentir...

Conhecer, no aprendizado diário
e no curto espaço de uma vida compartilhada;

Adivinhar, como se não fossem necessárias as palavras,
como se não fosse necessário dizer "eu te amo",
como se fosse possível não dizer "eu te amo",
mas adivinhar mesmo assim, e ficar feliz com isso;

E sentir... que as respostas que os teus olhos procuram
estão em ti... e em nós,
não pela complexa arte (quanta arte!) de viver,
mas pelo eterno dom de poder compartilhar a vida,
de poder lutar ao teu lado, perdendo e ganhando,
sofrendo e sendo feliz...

Mas, acima de tudo, por saber que,
por teus olhos, valeu a pena viver!

(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Além do Horizonte

O título foi adotado como tema do concurso de trovas de Belo Horizonte, em 1997 (ano em que comecei a escrever trovas), por ocasião da comemoração dos 30 anos dos Jogos Florais da Cidade. Duas trovas se apropriaram de minha atenção entre as vencedoras... Dois achados, construídos com a perspicácia de trovadores que transpuseram o horizonte poético: João Freire Filho e José Maria Machado de Araújo (que nos deixou e foi viver além do horizonte da vida...). As duas imagens são detalhes dos livros de trovas editados pela UBT de Niterói, que merecerá, a seu tempo, uma postagem à altura.

Por mais que a vida me afronte,
não me dobra nem detém:
eu sonho além do horizonte
e busco os sonhos... além!


(João Freire Filho)


Ao perigo erguendo a fronte,
os bravos e antigos povos
foram além do horizonte
buscar horizontes novos!


(José Maria Machado de Araújo)

Dudu Braga


Ele é filho do "Rei" Roberto Carlos... Ele tinha um programa de verdade, em uma novela! Ele é radialista, músico e traz consigo uma luz enorme... Ou seja, é um homem que fez de uma limitação aparente uma maneira de enxergar bem mais longe que a maioria das pessoas. Foi uma honra escrever uma trova para o Dudu. Outra coisa, enviei para ele uma mensagem pessoal (em braile), com a trova abaixo, que figurou no livro Celebridades (foto), do Sérgio Madureira. Ficou assim...

Na alegria radiante,
DUDU, diante de nós,
é prova viva e constante
de que a LUZ,... também, tem voz!

(Sérgio Ferreira da Silva)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Seguindo pelo corredor... de trovas!

Na postagem anterior, ao explicar o que era o "corredor polonês", não comentei a discutível utilidade "correcional", digamos assim, que muitos grupos deram e dão a ele. No entanto, as trovas que foram gravadas na madeira e dispostas no corredor do restaurante Don Tozzoni, são verdadeiras "bordoadas poéticas", um verdadeiro "espancamento" de sensibilidade, de engenho... e arte! Vamos a mais algumas...

A primeira, da
Elisabeth Souza Cruz, fala em camuflagem, vejam que interessante coincidência... ou não!

Declarar-me... nem me atrevo
com palavras mais ousadas,
e, assim, os versos que escrevo
são propostas camufladas!

Agora, um belo achado de Joaquim Carlos... O detalhe é que os Jogos Florais são realizados, mesmo, no Outono! Fala, Joaquim, meu velho!

Estamos em pleno outono,
mas teu perfume, deveras,
me faz pensar que sou dono
de todas as primaveras!...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Corredor Polonês... de trovas!


O chamado "Corredor Polonês" é uma estreita faixa de terra localizada na Polônia, que abrange grande parte do Rio Vístula. A posse da região passou
da Alemanha para a Polônia em 1919, imposta pelo Tratado de Versalhes. Popularmente, Corredor polonês é o nome dado a uma passagem estreita formada por duas fileiras de pessoas alinhadas lado a lado, todas voltadas para o centro (Fonte, com adaptações: Wikipédia).

No restaurante Don Tozzoni, em Nova Friburgo, há um corredor, a partir da entrada, que leva até o salão principal, onde estão dispostas as mesas. Nesse corredor, de ambos os lados, as paredes são ornadas com trovas de grandes trovadores brasileiros, entalhadas em madeira, sugerindo a forma de pergaminhos abertos...

Por ocasião dos L Jogos Florais, em maio/2009, estive na cidade e fotografei as trovas. Vou colocá-las aqui, paulatinamente, como uma homenagem à cidade e seus trovadores, que há 50 anos recebem poetas de todo o Brasil com hospitalidade, carinho... e um corredor de trovas!

A primeira trova a figurar no "corredor polonês" do blog é de autoria de Nádia Huguenin, que hoje é tão presente... em nossa saudade!


(foto by Sérgio Ferreira da Silva)


Obrigado, sempre, Nova Friburgo!



sábado, 1 de agosto de 2009

O baú e a máquina em pessoa!

Na postagem sobre o "Livro do Desassossego", mencionei um "baú de coisas". Pois bem, o Sérgio Bernardo - Autor do Livro já mencionado aqui, Caverna dos Signos. - (quando eu crescer quero ser que nem ele!) tirou uma foto desse baú quando visitou a casa do "Fernandão", lá na Pátria-mãe. Olha só o que o menino me escreveu hoje:

"Falou, Serjão
Fui lá conferir, de rabo a cabo... (nota do redator: olha a perspicácia do poeta, seguindo a ordem de publicação das postagens)...O blog tá show! (ele é que tá dizendo... hehehe!)
Vc falou no Fernandão, eu estive na última casa onde ele morou, hoje um centro cultural, a Casa Fernando Pessoa. Acho q fotografei o tal baú (ou mala) onde o Livro do Desassossego foi achado.


De quebra, sua 'máquina de escrever maravilhas'. Veja aí no anexo. Abrações do xará"

(Imagens by Sérgio Bernardo)


Maternidade de Rosas

(foto by Leila Rodrigues)


Conheço um trovador (aliás, um dos que mais influenciaram minha maneira de escrever trovas), que tem a "nacionalidade" trovadoresca reivindicada por duas cidades, São Paulo e Pouso Alegre... Coisa do Izo Goldman (embaixador paulista) e do Eduardo Toledo (atual presidente nacional da UBT), que, com muito humor, defendem suas respectivas UBTs! Na verdade, prova de carinho de ambos à pessoa ímpar e ao premiadíssimo trovador que é Héron Patrício. Quando recebi minha primeira premiação, em Friburgo, no ano de 1997, no tema Trambique (he he!), no tema Tristeza, o Héron sagrou-se primeiro colocado, no concurso nacional, com a trova seguinte, que é um espetáculo, uma inversão de expectativas, enfim, um Achado:

Eu me recuso, tristeza,
a conviver com teu mundo:
vida que tem correnteza,
não cria lodo no fundo!

Já que ainda não havia falado dele aqui no Blog, começo logo com duas trovas, sendo, a segunda, a que gerou o título da postagem, trova que foi agraciada também com um primeiro lugar em Pouso Alegre/MG, no tema Mundo, em 1998. Sua benção, Héron Patrício!


No Jardim, junto ao meu quarto,
o silêncio é tão profundo
que se pode ouvir o parto
das rosas chegando ao mundo!

(Héron Patrício - São Paulo/Pouso Alegre)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma lição... do Assis!



O grande tenor se cala
ante o pássaro silvestre.
- É o discípulo de gala
querendo escutar o mestre!

(Antonio Augusto de Assis)

A nitidez da noite


No filme "O Jovem Andersen (Unge Andersen)", a personagem título comenta, a certa altura, que apesar de imaginarmos que a escuridão reduz nossa acuidade visual, é à noite que enxergamos mais longe, porque podemos ver as estrelas, que estão a milhares de quilômetros de distância da Terra. Quantas vezes nós nos iludimos com o excesso de luz que é lançado sobre um determinado tema pelos meios de comunicação, nas conversas com amigos e nas escolas? Talvez seja necessário observar a vida um pouco mais através da transparência da noite, da reflexão íntima, ou seja, ver de olhos fechados! Que tal refletir um pouco? Feche os olhos... (texto publicado no "Livro da Tribo" - edição 2008/2009. - Sérgio Ferreira da Silva)

Saldo Positivo


As dores e os desencantos

não foram tantos assim...

Tua boca e os teus encantos

calaram bem mais... em mim!


(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Insônia (2)

Postei, recentemente, um soneto chamado INSÔNIA. Hoje recebi um soneto do Venturelli (José Octávio), com nome diferente mas motivação idêntica. Gostei muito e pedi autorização para publicá-lo. Autorização concedida, com a boa vontade do mestre e amigo: "É Claro que VC pode publicar meu Soneto no seu Blog, no seu blig, no seu blag, e o nome é REVOLTA.
Um beijo pra VC e 'nas meninas'.
Márcia agradece.
O Véio Poeta !!!"

Então, lá vai, com a "pe
rmissa venia" do Véio mais jovem que eu conheço.


REVOLTA


É Madrugada ... A insônia, companheira
das velhas horas de recordações,
vai desfilando antigas ilusões
que me enganaram uma vida inteira.

A noite me entristece as emoções .
..
Sangram Poemas, líricas goteiras
de um coração perdido das razões,
onde a Tristeza faz sua trincheira.

Mas, em revolta, expulso os pensamentos,
e, então, eu durmo os últimos momentos
da noite que passou de luz acesa.

Não vou chorar as flores não colhidas.
Eu já me acostumei às despedidas...
Não quero as tuas lágrimas Tristeza !

Otávio Venturelli


Venturelli é o primeiro da esquerda para a direita, em Nova Friburgo (Maio de 2009) - Foto by Leila Rodrigues

_____________Cacildis!!!!!________________


A cidade de Bandeirantes, no Estado do Paraná, realiza um dos mais tradicionais concursos de trovas do Brasil. A UBT da cidade é chamada por Izo Goldman de "Clube da Luluzinha", graças ao grande número de trovadoras na cidade, todas com destaque no cenário nacional.

Bandeirantes realizou um concurso, em 1994, cujo tema foi "Palhaço". Naquele ano, o Brasil perdia um de seus maiores comediantes, O Mussum.

Antonio de Oliveira, meu "padrinho" na trova, sensibilizado com a perda, homenageou o grande artista com uma trova que foi vencedora naquele certame. Quem foi criança nos anos 70 tem o "mussa" no coração, como eu! A bela trova:


Não desistas, meu palhaço,
segue feliz para o além,
que entre os Anjos, lá no espaço,
há criancinhas também!

(Antonio de Oliveira)







terça-feira, 28 de julho de 2009

USP - 75 ANOS

Em 2009, a Universidade de São Paulo completa 75 anos e lançou um site comemorativo para marcar a data. São diversos informes abordando o papel da Universidade no cenário nacional, bem ainda alguns fatos relevantes de sua história. Paralelamente a isso, abriu espaço para que pessoas ligadas à USP pudessem divulgar registros fotográficos dessa história, sob o título "A USP É VOCÊ QUEM FAZ" eu e alguns amigos participamos e tivemos algumas fotos adicionadas ao site. Não vou colar nenhuma aqui, mas darei três pistas: Beatles, Nasi e Alunos da faculdade de letras. Apenas para instigar uma visita. O site é "www.usp.br/75anos" e a página inicial vai reproduzida abaixo...





segunda-feira, 27 de julho de 2009

O beijo


O beijo


O

que,

em mim,

te atrai?

- Nada! -

Nada? Nada.

Nada, mesmo? É, nada!

Nada? Sério? Sério, nada!

Nada? Nada.

Nada? Nada!

Nadada?!

Nada

?!




Insônia








Insônia


A madrugada deita-se comigo,

para mudar, de vez, a minha vida:

viro de lado e finjo que não ligo;

mas, ela insiste e beija-me - atrevida...


tento desvencilhar-me - e não consigo ! -

dos seus carinhos - busco uma saída ! -

e quando o sono nega o seu abrigo,

eu vejo, enfim, que a luta foi perdida.


Agora, insone, - o amor é o que me resta !

meu coração, vencido, não contesta

pois quer provar seus beijos - novamente !


Mas, tão intenso - e doce ! - é o seu calor,

que eu, de vencido, passo a vencedor

e durmo, nos seus braços,... - lentamente.


(Sérgio Ferreira da Silva)

domingo, 26 de julho de 2009

Livro do Desassossego




Uma das leituras - quantas e boas! - que fiz no primeiro semestre de 2009 (quase um exílio) foi de boa parte do Livro do Desassossego (Companhia das Letras), uma coletânea de prosa esparsa do Fernando Pessoa, recolhida de um baú de coisas encontrado depois de seu falecimento. O nome da obra não poderia ser melhor, são reflexões profundas do mestre, em pessoa (mania de trocadilhar - nem sei se o verbo existe!)! Abaixo, transcrevo o fragmento 212, curtíssimo e próprio a um blog que se dispõe, entre outras coisas, a pensar a poesia. Nele, também, toda a gênese da heteronímia...



"...212.
Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta."

Trovas de Guardanapo

Nos encontros de trovadores brasileiros, é costume a realização de pelo menos um jantar... Daí que alguém pergunta algo do tipo: "-Você conhece aquela trova do fulano?" Alguém, então, declama a trova, ou a escreve, para resgatá-la, aos poucos, da memória. E onde escrevê-la? No pedaço de papel mais comum dos restaurantes: a conta! Não! Não! No guardanapo!

Pois foi em Friburgo que minha filha, a Laura, teve uma idéia interessante, porque não fazer um livro de guardanapos. A idéia "pegou" e, em poucos minutos, grandes trovadores do Brasil inteiro estavam escrevendo sua trova preferida para ilustrar a primeira coletânea de trovas de guardanapo do Brasil.

Os guardanapos foram reunidos e lidos ali mesmo, no dia 16 de Maio de 2009. Digitalizei os guardanapos e o José Ouverney está revisando, para uma versão eletrônica. Aguardem!


Por enquanto, fiquem com a trova do Magnífico Trovador Arlindo Tadeu Hagen, um refinado aperitivo, antes do "jantar poético" que se aproxima!

Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus.
se não for por meu amor,
fica, pelo amor de Deus!

(Arlindo Tadeu Hagen)

sábado, 25 de julho de 2009

Meus caros amigos!


"...meu caro amigo me perdoe, por favor, se não lhe faço uma visita..." (Chico Buarque)

Depois de um longo e tenebroso inverno (não sei quem cunhou essa frase, mas ela é essencial, nesse momento), estou de volta! Fiz o login. Percebi algumas mudanças no blogspot. A que mais me chamou a atenção diz respeito à figura do seguidor (follower, como dizem lá). Agora é possível saber quais são as pessoas que recebem informações sobre as atualizações que são feitas no blog. Descobri que tenho 2 followers: Pedro Mello e José Feldman! Thank you fellows (quase um anagrama!). Dedico a vocês o que pretendo escrever daqui pra frente, porque vocês souberam aguardar (rsrsrs). Agradeço de coração. Mas sei, também, daqueles que apesar de não se cadastrarem, me incentivaram a voltar. Porém, foi um longo e tenebroso inverno, mesmo! Pensei muito, não tinha vontade de escrever... Mas li muito, mais até do que as leituras obrigatórias da faculdade, que também retomarei no segundo semestre, sem pressa de terminar: o bom de retomar os estudos, depois de anos, é saber aproveitar melhor o "ouro" diário do aprendizado. Estou postando agora, para tirar a ferrugem - afinal, desde 11 de Janeiro não atualizo esta página! - e escolhi a imagem da capa do disco (vinil) do Chico Buarque de Hollanda, que é título desta postagem. Explico: tenho fascínio por ele (o disco) e admiração por ele (o chico). Tudo porque, quando eu tinha uns 11 anos, fiquei uns dias na casa de uma tia (já falecida, tia Bil - qualquer dia eu falo sobre o apelido, dado a todos os nordestinos que se chamam Severino ou Severina - tenho mais dois tios e uma tia com esse apelido) e minha prima, a Cristina, com 20 e poucos anos, pôs esse disco para que eu ouvisse. Dentro havia um encarte, com as letras. A Cristina, muito esperta, sabia que eu ia me interessar! Na época eu não tinha consciência política, tendência poética, nem nada digno de nota, pelo menos não me recordo, nessa época, se não me engano,
eu só me preocupava em conseguir dar um primeiro beijo em alguma menina. Talvez minha prima tivesse percebido alguma tendência literária em mim... sei lá! Mas devo a ela o despertar de uma consciência diferente, de um novo olhar sobre as letras das músicas. Nunca havia refletido sobre isso, e agora, escrevendo, lembro até da vitrola... Desculpem, meus amigos, se não lhes fiz umas visitas, no decorrer desse ano, mas podem "botar água no feijão!" "Eu tô voltando!"

domingo, 11 de janeiro de 2009

Falando de Trova

Falando de Trova é um site muito bem organizado, onde se pode acessar o mais completo conteúdo da Net sobre a Trova, os trovadores e a UBT (União Brasileira dos Trovadores). É mantido e atualizado pelo José Ouverney, que é Magnífico Trovador (Título Honorífico concedido pelos trovadores e pela cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, cujo concurso completará 50 anos ininterruptos, em 2009!), que na foto abaixo recebe um prêmio das mãos de Carolina Ramos, de Santos/SP, chamada de "A primeira dama da trova brasileira", por sua importância e dedicação desde os primeiro passos do movimento trovadoresco no Brasil

Carolina Ramos e José Ouverney

e por seu filho José Ouverney Júnior (já é um benemérito da trova!), que você vê na foto abaixo:


Pai e filho

Acesse o link em www.falandodetrova.com.br, que vai aparecer a tela abaixo:



O site é referência para todos os que fazem e apreciam trovas. Tem uma biblioteca excelente e estava indo muito bem, até que o José Ouverney cometeu um ato impensado: me convidou para assinar uma coluna! O resultado do convite está na coluna "Colecionando Trovas", fruto de uns textos que eu já havia publicado no site Mania de Colecionador, mas que terão agora uma roupagem mais dirigida a quem aprecia o trabalho dos trovadores. O blog Trov@s e Ci@ continua com a mesma proposta diversificada. Com seu coração do tamanho de um bonde, o Ouverney me possibilitou fazer um novo trabalho, mais específico, paralelo a esse que faço aqui, focado em minha visão mais trovadoresca, digamos assim, da poesia.

O espaço que o Ouverney está garantindo ao movimento trovadoresco é muito importante. O trabalho que o Pedro de Mello está fazendo no site, por exemplo, é sensacional. Até hoje não havia um olhar mais acadêmico sobre a trova, além de alguns poucos livros e textos de gaveta, pelo menos com a divulgação e o alcance garantidos pelo José! A coluna do Pedrinho é opinativa, polêmica e muito bem fundamentada! Parabéns aos dois!


Professor Pedro Mello

E "vamo" tocando em frente! De público, José Ouverney: MUITO OBRIGADO!

Abração!

Sérgio Ferreira da Silva

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O lado poético da Leila (2)

Há um livro chamado "A arte de ver a arte" que, entre diversas observações quanto a estilo, períodos artísticos, técnicas e materiais, indica um caminho para que se veja a obra de arte sem preconceitos (para além do "gostei" ou "não gostei"): é a observação induzida pela própria obra. As duas obras abaixo (o desenho e o poema) são exemplo disso, já que o primeiro, chamado Solidão - grafite sobre papel - induz uma leitura não usual, em que duas imagens projetam duas sensações distintas, dirigindo o olhar do espectador ora para uma, ora para outra direção. No centro da imagem, apenas o vazio...



(clique na imagem para vê-la ampliada!)

O poema - Eu - dispõe duas situações
distintas: o vazio e a força profunda, das perdas e conquistas, do sal que imprime sabor à vida, porque, como a autora mesmo diz, "uma vida sem emoção não é vida". Imagem e palavras de uma mulher que soube, sempre, se reinventar, se fazer melhor a cada dia, cuja caminhada eu, orgulhosamente, acompanho!



Eu

Um vazio profundo

uma rota alterada
uma espada sem fio
uma lágrima derramada

Uma força desmedida

uma forma insensata

uma página já lida
uma história descartada

Uma vida refletida

por atos calculados
Se a dor me vem aturdir

Fiz por onde e assumo os fatos


Se meus erros são tão grandes
Se a paixão move meus atos
Não fujo e pago o preço
De todos os meus pecados

Vida é intensidade

vida é verdade
vida é criatividade

vida é autenticidade

Prefiro ser ousada do que ser Amélia, a mulher de verdade
Prefiro ser rebelde, do que tecer calmamente um tapete

Prefiro meu sangue quente correndo pelas veias em situação de risco, do que a morna sensação do conforto.


A vida é uma só
e deve ser vivida com
intensidade
sabor
prazer

amor
lazer

imaginaçã
o.

Se não for para ser vivida assim,
melhor que se faça o enterro,

porque uma vida sem emoção, não é vida... é morte em vida.

E essa é a pior morte.


(Leila Rodrigues)

Foto Poema 1

Clique na imagem para vê-la ampliada!


domingo, 14 de dezembro de 2008

Arte 10



Clique na imagem para visualizar os detalhes!




Esse aí é o John Taylor, do Duran Duran, em um quadro de 1986 by Leila Rodrigues: pinceladas expressivas, volume, uso de gradação de tons. Gosto muito.


O lado literário da Leila...



Mesmo quem conhece a Leila dificilmente conhece a sua escrita: direta, reflexiva, equilibrada e sincera. Faz prosa poética, crônica, poesia. Intuitiva e sempre positiva.
Boas festas e bom final de ano a todos! A Leila fala, agora, pela família toda...





Balanço de Final de Ano


Vejo os dias passando diante de meus olhos: observo cada movimento; cada olhar
e escuto todos os pensamentos.
Penetro em olhares, atravessando-os para atingir, além da matéria, a essência de cada um.
Rio e choro,
Brinco e trabalho.
Amo e sou amada, ou odiada.
Sigo minha vida sem entender o porquê da violência, da maldade e da inveja.
Como é bom chegar até aqui e ver tudo de bom que conquistei.
Como é ruim chegar até aqui e ver tudo de mau que já enfrentei.
A vida é uma jornada interessante e trago boas lembranças das pessoas que cruzaram meu caminho e me ensinaram coisas diferentes.
Não tenho riquezas materiais, mas, espirituais, tenho de sobra.
Meu sorriso é meu cartão de visitas.
Minha lealdade, o cartão de permanência.
Meu coração aberto, meu cartão de amizade vitalícia.
Se você é do bem, entre e fique à vontade para repartirmos impressões e vivências.
Se não é, passe, aproveite a boa energia e transforme seus pensamentos.
Precisamos de mais pessoas boas no mundo, para vencermos a violência e a escuridão.
Porque todos nós nascemos para brilhar: não só neste final de ano, mas... por toda a nossa vida!

(Leila Rodrigues)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Falta de Educação tem cura. Consulte um Professor.





Clique na imagem e leia o adesivo!


Ontem, 09 de Dezembro de 2008, em uma escola estadual, um aluno de 8ª série (portanto na faixa de 14 anos de idade), munido de um skate, cumpriu uma ameaça que fez no mesmo dia à sua professora de português: "...se você me reprovar, vou detonar seu carro!". Cheguei à escola no exato momento em que a professora, em prantos, constatava a execução da ameaça. Registrei, então, no celular, a cena lamentável. Se esse fato fosse perpetrado por um adulto, o código penal disporia como "Crime de Dano". Mas foi um "di menor" que o praticou, então: ato infracional.

Em meu trabalho, por vezes, registro os depoimentos de menores como ele, custodiados (eles não podem ser presos), porque surpreendidos em flagrante (no momento, ou momentos após a prática do ato infracional). Nosso trabalho é certificar as condições físicas do adolescente e colher sua primeira versão dos fatos. A maioria nega qualquer participação. Em geral, eles estão acompanhados da mãe (às vezes da mãe e do pai; muito raramente apenas do pai ou outro "responsável"), que tem as mais variadas explicações para as causas das ocorrências: falta de condições financeiras; as "má companhia"; o vício; a ausência paterna; a índole indomável; e por aí vai.

Não sei o que levou esse menino, de nome bíblico (aliás, de um Rei!), a vingar-se da professora destruindo o vidro traseiro do veículo com seu poderoso Skate. Se um dos motivos acima, ou algum outro de ordem psicológica ou psiquiátrica. Não sei.

Sei, porém, que ela não merecia sofrer esse dissabor. Todos sabemos das precárias condições oferecidas àqueles que abraçam a carreira do magistério. São injustiçados todos os dias, entregando sua saúde e tempo, em troca de uma parca contraprestação. Essa professora, em especial, acredita no poder da educação para mudar o mundo e a realidade daqueles menos favorecidos socialmente: reparem nos dizeres do adesivo colado ao vidro estilhaçado: FALTA DE EDUCAÇÃO TEM CURA. CONSULTE UM PROFESSOR.

Será que o garoto, com nome de Rei guerreiro, leu o adesivo antes de cometer o "ato infracional"? Acho que não! Sua mãe compareceu à escola, na noite do mesmo dia, em prantos, também. O garoto (que trabalha!), compareceu e comprometeu-se a pagar o prejuízo (negando a autoria, embora testemunhas garantissem o fato).

Não acredito que a professora será ressarcida: a dor que ela sentiu não foi patrimonial. O vândalo, com nome de Rei, não demonstrou na retratação a "coragem" que teve ao destruir o patrimônio alheio...

A professora, no entanto, permanece fortalecida. Acredita na educação e tem ciência do bem que faz aos seus alunos, como todos os outros professores e profissionais que trabalham nessa escola estadual .

No mais, acredito que é hora de uma séria revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Brasil necessita de uma melhor análise e acompanhamento dessas gerações que farão as leis do futuro, sob pena de ficarmos subjulgados a pessoas com nome de Rei, ou não, mas com atitudes sanguinárias e violentas, como previu o trovador Antônio de Oliveira:



Onde o ensino é relegado,
e as letras não têm valor,
há de pagar ao soldado,
quem não paga ao professor!

Incentivando a Poesia e preservando a Natureza!

Já falei aqui de algumas coisas interessantes feitas com poesia: o livro Celebridades (Ame Nova Friburgo), do Sérgio Madureira, em que os artistas foram homenageados com trovas; as trovas do Zaé Júnior, em 200 Outdoors espalhados pela cidade de São Paulo; as trovas postais, que espalhei pelo Brasil e as trovas na agenda Livro da Tribo. Outras iniciativas já fizeram, em São Paulo, por exemplo, uma "chuva de trovas". Trovas eram lançadas do alto do Edifício Itália, e eram emcontradas a quilômetros de distância (hoje essa prática não seria aceitável, porque os papéis não recolhidos contribuiriam para entupimento de esgotos. Vale o registro!)

Pois bem, a empresária e advogada Marinês de Paula, que comanda a empresa Bag Beach, especializada em produção de bolsas e embalagens com a marca da responsabilidade ambiental, ou seja ecologicamente corretas, apostou numa idéia interessante: me propôs estampar em alguns de seus produtos poemas de minha autoria. O resultado está na foto abaixo...



Conheça mais da Bagbeach: http://www.bagbeach.com.br

Poemas Desentranhados

Manuel Bandeira (aqui retratado por Portinari) foi protagonista de sacadas poéticas incríveis.
Uma delas:


Poema Desentranhado de Uma Prosa de Augusto Frederico Schmidt

A luz da tua poesia é triste mas pura.
A solidão é o grande sinal do teu destino.
O pitoresco, as cores vivas, o mistério e calor dos outros seres te interessam realmente
Mas tu estás apartado de tudo isso, porque vives n
a companhia dos teus desaparecidos.
Dos que brincaram e cantaram um dia à luz das fogueiras de São João
E hoje estão para sempre dormindo profundam
ente.
Da poesia feita como quem ama e quem morre
Caminhaste para uma poesia de quem vive e recebe a tristeza
Naturalmente
- Como o céu escuro recebe a companhia das primeiras estrelas.

(Manuel Bandeira - Poesia Completa & Prosa, Rio de Janeiro, José Aguilar, 1967)



Esse poema foi "desentranhado" de um artigo do também poeta Schmidt, que foi "ghost writer" do Presidente Juscelino.

Ponto! De exclamação! Metalinguagem pura! Brincadeira literária de um poeta para outro, a partir de uma prosa! Vai analisar um troço desses!

Pois bem, em 2007, minhas aulas de Literatura Brasileira foram ministradas pela Professora Doutora Yudith Rosenbaum, pessoa maravilhosa, autoridade em Clarice Lispector e Manuel Bandeira, que, no primeiro semestre, tratou do Modernismo Literário Brasileiro...

(Yudith Rosenbaum)

Daí, que um colega de turma, de nome Amilkar, figurassa carimbada da faculdade, sugeriu a ela que eu fizesse algo parecido, abordando o Modernismo, que era tratado nas aulas, "porque ele é poeta, professora!"

(Amilkar e Antônio Cândido - Duas figurassas!)

o resultado:


Lobato Malfatti lupus

(poema desentranhado de uma aula de Yudith Rosenbaum)


A luz difusa que sai do retrato ofusca o retratado. Mas,

que retrato é esse, tão diferente do modelo?

Nada nele é familiar, tudo é surpresa e choque.

[o esperado, às avessas...

Por 4’ e 33” a audiência gritou:

[Paranóia! Paranóia!

E a orquestra obedecia ao comando do Maestro,

[Silenciosamente mistificada,...

por 4’ e 33”!

A subjetividade retratada é tensa,

[e é feia,

[objetivamente feia!

O belo é outra coisa, diferente, não contrária.

Lobato não entendeu

[ou fingiu não entender!]

:foi Dorian Gray, depois do pacto:

[um retrato envelhecido...

... de si mesmo!

(dedicado a Amilkar Henrique Gonçalves de Moura e a Yudith Rosenbaum)

Sérgio Ferreira da Silva