domingo, 11 de outubro de 2009

Domingo no Parque 1

Foi um domingo proveitoso, 11 de Outubro de 2009. A Laura em um evento (Anime ABC); a Leila e eu no Parque da Luz. Muitas fotos, uma exposição interessantíssima na Estação da Luz (Cacau Brasil - Música, artes plásticas, videoarte, poesia...). Sobrou tempo para, ao chegar em casa, maravilhado com as esculturas do parque, escrever dois poemas, para o sentimento despertado por duas esculturas (e era só o começo).

Vamos a eles...

(PINCELADA TRIDIMENSIONAL - Marcello Nitsche – Ferro pintado – 2000 – Acervo da Pinacoteca do Estado - Foto by Leila Rodrigues)

Dimensão Azul


O olhar digital

arranha de leve

o azul que se espalha

no parque.

É domingo.

A tela do dia

recebe a carícia

do ferro e da tinta

que um certo Marcello

ousou espalhar

no olhar de quem passa!

Faltava uma cor

na cor dessa praça

e agora quem passa

já leva consigo

um pouco de azul

E eu posso sorrir

porque nesse dia

alguém me sorria

e a vida voltou

a vestir-me

de azul!

Sérgio Ferreira da Silva

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pão e Poesia


(Clique nas imagens para ampliá-las)

(divulgação)

Alegria enorme com a notícia veiculada ontem (08.10.2009) de minha classificação nas categorias trova e soneto do Projeto "Pão e Poesia", uma iniciativa sem precedentes, do poeta mineiro Diovani Mendonça, de divulgação da poesia em grande escala, a partir da região da Grande Belo Horizonte, projeto premiado pelo Governo Federal no ano passado. A proposta é imprimir cerca de 500.000 (quinhentas mil) embalagens de pão, para distribuí-las gratuitamente nas padarias da região, além das cidades de Juiz de Fora e Uberaba, entre tantas outras... Alegria enorme é pouco!

(divulgação)


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dona Neusa


(arquivo pessoal - montagem em "paint/windows")

(Clique na imagem para ampliar)

Minha sogra gostava muito de trovas... de sogra! Ria solto quando eu lhe "contava" as trovas de Elton Carvalho, Pedro Ornellas, as minhas... Dava sugestões e contava piadas, mas ressalvava, às vezes: "essa não sou eu!". A "véia" é, hoje, a maior saudade que trago na vida. Fiz para ela a trova que ilustra a imagem, antes até de sua partida, porque a sua expressão, nessa foto, me conforta e traduz um sentimento todo dela. Hoje, olhando a foto, e lembrando do momento, consigo senti-la mais presente.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mochila de Versos

(Reprodução)

Nos anos ímpares, Porto Alegre realiza os seus Jogos Florais (e que Jogos!). Em Outubro de 2001 tive a honra de comparecer às Cerimônias e conhecer pessoalmente vários poetas do Rio Grande. Participei, inclusive, em 2003, da coletânea "Rio Grande Trovador", como trovador convidado. Pois bem, conhecia algumas trovas e ansiava por conhecer um jovem e talentoso poeta, que, entre outras, havia composto a seguinte trova:

A justiça, rica em falhas,
corrompida por esquemas,
enche de glória e medalhas
mãos que merecem algemas.

O autor é Gerson Cesar Souza e essa trova, com o perdão da palavra, é uma porrada no estômago! Quando alguém me pergunta algo do tipo "que trovas você gostaria de ter feito?", ela é das primeiras que me vem à mente. Há vários elementos nela, tanto literários (rimas, todas terminadas em "as", por exemplo), quanto de fundo (o tema, o emprego das palavras: justiça em minúscula, "rica" "corrompida"), ou seja, coisa de uma mente brilhante. Por sorte, em 2001, Gerson lançava seu livro "Mochila de Versos", que pude trazer para São Paulo, e que foi lido, pela primeira vez, já no avião... O Gerson, além de um poeta e tanto é um nome a ser guardado. Nos brindará, ainda, tenho certeza, com muitos outros poemas dignos de moldura. Fiquem, agora, com "Verei que é Primavera...", um soneto, em que a circularidade, muito exaltada em teoria literária, é o "fecho de ouro" do poema! Abração, Gerson!

Verei que é primavera se o poente
cobrir com raios rubros nosso leito,
e a flor do nosso amor (que era perfeito)
surgir desabrochando lentamente.

Verei que é primavera se meu peito
sentir voltar o ardor que estava ausente
e então, tendo-te perto novamente,
unir as partes do que foi desfeito.

Verei que é primavera se chegares
e o teu perfume em todos os lugares
vier recompensar tão loga espera.

O inverno da saudade irá sumindo,
deixando em seu lugar o amor florindo,
e ao ser feliz verei que é primavera...

(Gerson Cesar Souza)

* * * * * * * * * * * * Cintilações * * * * * * * * * * * *


(reprodução)

No céu do poeta, asteriscos podem ser estrelas... e uma folha de papel, um Universo inteiro! Digo isso, porque há vários deles na capa do livro Cintilações, de Marina Bruna. O livro pode começar a ser lido, semioticamente, pela capa. Coisa de poeta de primeira grandeza, como as estrelas que retrata. Aliás, como um assunto puxa outro, a palavra "asterisco", segundo o dicionário Aurélio, vem do "grego asterískos, 'estrelinha', pelo latim asteriscu". E falar em grego e em latim, me obriga a mencionar o pai de Marina Bruna, o Professor Jaime Bruna, que lecionou latim na Faculdade de Letras, onde estudo hoje. Tenho uma obra traduzida por ele, "A Poética Clássica", que faz parte da referência bibliográfica do curso.

Voltando à Marina, ela nasceu em Franca, formou-se em Matemática, Pedagogia e Jornalismo e exerceu o magistério em São Paulo. É também compositora e instrumentista musical, poetisa e trovadora.

Marina Bruna, talvez não se recorde, me presenteou em 1997 com o Livro Cintilações (prefaciado por Izo Goldman, Thalma Tavares e Carolina Ramos). 1997 foi o ano em que comecei a fazer trovas. Em 1997, portanto, eu, ávido por aprender a compor trovas, tive a sorte de poder apreciar as trovas de Marina, que, sendo assim, é, ao lado de Antonio de Oliveira, Izo Goldman, Héron Patrício e Pedro Ornellas, sem dúvida, uma de minhas maiores influências na difícil arte de criar trovas. Devo à Marina, muitos preciosos conselhos.


Então, de "Cintilações", algumas trovas para o deleite de todos! Sua benção, Marina!

Tua carícia atrevida,
num suave dedilhado,
musicou a minha vida
com acordes de pecado!

Prostado... na dor infinda
de um desprezo que o consome,
meu coração bate ainda
porque murmura o teu nome!...

A vida insiste em manter
em dois tons sua canção:
o mais agudo é o poder;
o mais grave, a servidão!

(Marina Bruna)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Alonso Rocha


(arquivo pessoal - detalhe)

Encomendei ao Antonio Juraci Siqueira, no início da semana, um texto sobre o poeta Alonso Rocha, que conheci em São Paulo, por volta de 2004, o resultado é o texto abaixo, que segue ilustrado com um soneto muito bom do mestre paraense:

"Alonso Rocha nasceu em Belém em 15 de dezembro de 1926. Membro da Academia Paraense de Letras e Príncipe dos Poetas Paraenses, Alonso colaborou e colabora com a imprensa escrita, falada e televisionada. Poeta eclético por excelência, não se prende à escolas nem tem preconceito com qualquer forma de manifestação poética. Seu livro PELAS MÃOS DO VENTO, publicado em 1955, obteve os prêmios 'Vespassiano Ramos', pela Academia Paraense de Letras e 'Helena Magno'."(Antonio Juraci Siqueira).

O soneto:


MENSAGEM

Sou pássaro e sou fonte – ouve o meu canto
tu que abrigas o amor no seio puro.
Vozes da terra a mim próprio misturo
com tanta angústia, porém mais encanto.

Sou árvore a sangrar no lenho duro
a seiva que tu bebes – sangue e pranto –
e no meu poema, para o teu espanto,
eu revelo a palavra do futuro.

Eu sou a dor e a paz, a morte e o eterno;
e nesse mundo, trágico e fraterno,
procura o instante onde talvez tu caibas.

Porque, pássaro e fonte, árvore e guia,
este meu canto – a minha eucaristia –
é o pão que te alimenta sem que saibas.

(Alonso Rocha)


Sua benção, Príncipe!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma trova para um exemplo...


Minha participação no livro Celebridades, que foi um verdadeiro exercício de pesquisa e descoberta, foi uma oportunidade ímpar, em minha vida. O livro foi lançado em 2005. Conheci o Madureira em 2004. Minha mãe enfrentou um câncer de mama em 2003. Ela me dizia, na época: "A Patrícia Pillar enfrentou e venceu! Eu vou enfrentar e vencer!" E ela conseguiu, mesmo! Na época em que a Elisabeth Souza Cruz me mandava os e-mails com os nomes dos artistas, eu ficava torcendo para que o nome de Patrícia Pillar viesse entre os demais. Até que um dia, veio. Fiquei diante do computador, alguns minutos, olhando uma foto dela e pensando em minha mãe. A trova foi escrita de uma vez, da maneira que foi publicada:

Mostrando força e valor,
Patrícia se fez notícia...
e, hoje, quem enfrenta a dor,
tem um Pilar... em Patrícia!

(Sérgio Ferreira da Silva)

sábado, 12 de setembro de 2009

Convivência poética


(arquivo pessoal - com Antonio Juraci Siqueira e Alonso Rocha, ambos de Belém)


Se tem uma coisa que me agrada, são os e-mails, scraps, cartas, telefonemas e encontros com os poetas e escritores que a vida, generosa, me fez conhecer. No post anterior, falei do Juraci, que conheci em Friburgo, em 2008, mas que já conhecia pelas trovas, pelo "Me leva, Brasil!", quadro que o Maurício Kubrusly, tinha no Fantástico e que virou livro (há uma crônica dedicada a ele no livro!). Pois bem, volta e meia o Juraci me manda alguma coisa. A última foi esse soneto que reproduzo aqui. Notem a convivência, no texto, de elementos da vida cotidiana do filósofo, poeta e artista marajoara, de um "homem da terra"... e da natureza, com os avanços tecnológicos na bagagem!

MARÉ VAZANTE

Plantado em frente ao rio vive o menino
olhando a vida a bubuiar nas águas
junto a detritos, jet skis, tralhotos
e a insensatez dos filhos de Tupã.

Esse menino de cabelos brancos
com pegadas do tempo sobre a face,
tem um olho retido no passado
e o outro atento às cores do amanhã.

Com talas de arumã tece o roteiro
do humano caminhar entre internautas,
matintas, burocratas, lobisomens

e em sítios virtuais cultiva sonhos,
planta amizades, sepulta ilusões
e espera, estoicamente, o anoitecer.

(Antonio Juraci Siqueira)

Antonio Juraci Siqueira


(imagem extraída do Blog do Boto - http://blogdobotojuraci.blogspot.com)


Poema pro Juraci
Conheci o Juraci
em Friburgo, certo dia...
E esse Juraci, que eu vi
é um bambambam na poesia:

Ele é boto no Pará
E escreve bem pra caramba!
Faz cordel, também, por lá
e em Filosofia é bamba!

No Fantástico, também,
já nos deu o ar da graça
encantou, como ninguém,
e mostrou ser boa praça.

É trovador de primeira,
e um ótimo sonetista.
Seu talento é cachoeira,...
que jorra da alma de artista!

(Sérgio Ferreira da Silva - 12.09.2009)

Não vou falar nada mais sobre ele... Acesse o blog do boto, no link acima e descubra esse artista tipicamente brasileiro, que VIVE a cultura, como poucos que conheço!

A benção, Boto Juraci!



Um pouco de ritmo

(arquivo pessoal - com Wanda de Paula Mourthé e Arlindo Tadeu Hagen - Nova Friburgo - 2009))

Súplica

No compasso das batidas,
o meu coração suplica,
pelo bem de nossas vidas:
Fi...ca! Fi...ca! Fi...ca! Fi...ca!

(Sérgio Ferreira da Silva)

O Dicionário Aurélio Eletrônico, entre outras definições, diz que ritmo é o "Movimento ou ruído que se repete, no tempo, a intervalos regulares, com acentos fortes e fracos..." e "...Num verso ou num poema, a distribuição de sons de modo que estes se repitam a intervalos regulares, ou a espaços sensíveis quanto à duração e à acentuação..."
Nessa definição, o ponto comum é a existência de "intervalos regulares" entre os "acentos".
Em poesia, seja ela rimada, metrificada ou livre (com versos de tamanhos diferentes e rima não obrigatória) há de haver um ritmo, que pode ser variável, ou não. É quase como dizer que há um pulso. Escolha um poema de seu agrado, ou qualquer um desse blog e verá que isso é verdade. Um pouco mais difícil de perceber é o ritmo na prosa. Ele também está lá e, muitas vezes, é responsável pela emoção do texto (Guimarães Rosa, por exemplo, foi um mestre dessa inserção, trabalhando a rima, inclusive, de forma imperceptível... coisa de gênio!).
Fiz a trova da epígrafe com algumas intenções veladas: a primeira delas foi transformar a palavra "fica", no quarto verso, em um pulso cardíaco, efeito que se garante pela repetição, principalmente pelo fato de que ela só tem duas sílabas poéticas (dois sons); a segunda foi marcar o ritmo da trova como um todo, na terceira sílaba poética, já que o segundo verso tinha uma segunda sílaba forte, na palavra "meu";... A terceira, foi uma referência a uma trova do Arlindo Tadeu Hagen, que está na postagem sobre as trovas de guardanapo, conhecidíssima em todo o Brasil e muito bonita, que termina com o verso "...fica pelo amor de Deus!", também marcado na terceira sílaba poética.

Sua benção, Tadeu!

Poetinha



O título é uma mentira! Melhor dizendo, "Poetinha" era o apelido de Vinicius de Moraes que foi poeta e, nas horas vagas, era Diplomata, Cantor, Compositor, e, principalmente, um "vivedor" de primeira linha, pois soube cantar e declamar a vida como ninguem. O primeiro poema que li, dele, foi o Soneto do Maior Amor. Gostei tanto que pintei uma camiseta com ele (mais ou menos aos 16 anos). Era engraçado: no ônibus, na rua, no cinema, invariavelmente, alguém me pedia para eu parar onde estava para que pudesse terminar a leitura... Hehehe! A idéia partiu de um conto do Drummond, chamado "calça literária", acredito, daquela coleção "Para gostar de ler". Vinicius escrevia simples, sem rebusques, de maneira direta, porém com a profundidade de um teórico, de um acadêmico. Daí a escolha de "Poética", para ilustrar a postagem. A imagem é um detalhe do site dele, que vale visitas constantes

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Nova York, 1950


in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "Nossa Senhora de Los Angeles"


(extraído do site www.viniciusdemoraes.com.br)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Drummond, cadê minha chave? Preciso abrir um poema...


(Imagem: folha de s. paulo/divulgação)


Não posso dizer que tenho um poeta predileto, hoje. Mas já disse no passado: Vinícius de Moraes foi o primeiro; o segundo, Gregório de Matos e Guerra; depois, por razões nordestinas e ideológicas, João Cabral de Mello Neto; Drummond... Agora, acredito que o que importa, realmente, é o que há de único em cada um e o que há de comum a todos: a arte literária! Não tenho, por uma graça do tempo, nenhum preferido, mesmo porque aprendi, principalmente com os trovadores brasileiros, a imensa maioria deles desconhecidos do grande público, que escrever não é privilégio de homens consagrados. Há verdadeiras jóias preciosas que nunca serão amplamente divulgadas. Tenho em minha biblioteca pessoal (minúscula) mais de duas centenas de livros de trovas (com resultados de concursos), cada um com, em média, 60/70 trovas, de boa ou excelente qualidade. Outros, de autores únicos, com 100, 200 ou até 1001 trovas (como é o caso do livro do Zaé)... Faço o possível para divulgá-las aqui, mas tudo o que é postado é só uma pequena amostragem, com a qual tento despertar alguma curiosidade daqueles que não conhecem a trova... É pouco. Por isso, recomendo o site do Ouverney, Falando de Trova, um catálogo e tanto, que pode ser acessado pelo link que consta dessa página.
Então... Falei do Drummond e quero terminar a postagem com um trecho do poema "Procura da Poesia"

"...Chega mais perto e contempla as palavras
cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?..."

Use, você, então, a chave que quiser/ou tiver... e abra uma porta,... ou um poema!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Escrevendo a partir de um mote

Trova escrita para o mote (no caso, o verso inicial) "As dores e os desencantos", sugerido pelo José Ouverney, na comunidade "Sou Trovador" do Orkut. Já publiquei uma outra na postagem "Saldo Positivo". Gostei do resultado da inversão das palavras no verso final. Os teóricos de literatura chamam isso de oxímoro, que é, basicamente uma oposição em "x", para sugerir conceitos contrários, ou equilíbrio. Lá vai...


As dores e os desencantos

não me causam dissabores:

que, ao teu lado, não há prantos,

nem desencantos,... nem dores!


(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dado Dolabella e a trova profética

No reality show "A Fazenda", ele ganhou R$.1.000.000,00 (Um milhão de Reais)!

Em 2004, quando participei da confecção das trovas para o livro Celebridades, Dado Dolabella trabalhava na novela "Senhora do Destino", interpretando a personagem Plínio Ferreira da Silva (coincidência engraçada termos o mesmo sobrenome - mas o meu é de verdade!). Calhou do Sérgio Madureira me pedir que fizesse a trova dele, que, à época, participou da trilha sonora da novela, com a música "Facim facim". Fiz a trova e inclui o nome da música e um trocadilho com o título da novela. Hoje, vejo que a trova foi profética... ele venceu o "Reality". Não costumo assistir a esse tipo de programa, nem acredito em previsões, pelo menos não no meu poder de prever, mas coincidências ocorrem toda hora. Fica o registro inusitado...




Senhor do próprio destino,
Dado segue, sempre, assim:
com seu jeitão de menino
vai vencer... "Facim Facim"!

(Sérgio Ferreira da Silva)

sábado, 29 de agosto de 2009

Certezas... Repensando um poema!



Trova premiada em Nova Friburgo (menção honrosa), no ano de 2002, no tema Certeza, da qual gosto muito, porque consegui usar metalinguagem, efeito que imprimiu o que os teóricos chamam de circularidade ao poema. O leitor é instigado a retornar ao texto e a significação amplia-se, pelo reforço da idéia das (in) certezas, e pelo destaque à pontuação. Porém, não pense que eu pensei em tudo isso quando "pensei" a trova... Hehehe!



Depois de tantas tristezas,
tantas promessas e ausências,
eu grafo as tuas "certezas..."
com aspas e reticências.


(Sérgio Ferreira da Silva)


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poema para um olhar...












Por teus olhos

São olhos questionadores, os teus...
Olhos de quem sabe que é preciso
conhecer... adivinhar e, sobretudo, sentir...

Conhecer, no aprendizado diário
e no curto espaço de uma vida compartilhada;

Adivinhar, como se não fossem necessárias as palavras,
como se não fosse necessário dizer "eu te amo",
como se fosse possível não dizer "eu te amo",
mas adivinhar mesmo assim, e ficar feliz com isso;

E sentir... que as respostas que os teus olhos procuram
estão em ti... e em nós,
não pela complexa arte (quanta arte!) de viver,
mas pelo eterno dom de poder compartilhar a vida,
de poder lutar ao teu lado, perdendo e ganhando,
sofrendo e sendo feliz...

Mas, acima de tudo, por saber que,
por teus olhos, valeu a pena viver!

(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Além do Horizonte

O título foi adotado como tema do concurso de trovas de Belo Horizonte, em 1997 (ano em que comecei a escrever trovas), por ocasião da comemoração dos 30 anos dos Jogos Florais da Cidade. Duas trovas se apropriaram de minha atenção entre as vencedoras... Dois achados, construídos com a perspicácia de trovadores que transpuseram o horizonte poético: João Freire Filho e José Maria Machado de Araújo (que nos deixou e foi viver além do horizonte da vida...). As duas imagens são detalhes dos livros de trovas editados pela UBT de Niterói, que merecerá, a seu tempo, uma postagem à altura.

Por mais que a vida me afronte,
não me dobra nem detém:
eu sonho além do horizonte
e busco os sonhos... além!


(João Freire Filho)


Ao perigo erguendo a fronte,
os bravos e antigos povos
foram além do horizonte
buscar horizontes novos!


(José Maria Machado de Araújo)

Dudu Braga


Ele é filho do "Rei" Roberto Carlos... Ele tinha um programa de verdade, em uma novela! Ele é radialista, músico e traz consigo uma luz enorme... Ou seja, é um homem que fez de uma limitação aparente uma maneira de enxergar bem mais longe que a maioria das pessoas. Foi uma honra escrever uma trova para o Dudu. Outra coisa, enviei para ele uma mensagem pessoal (em braile), com a trova abaixo, que figurou no livro Celebridades (foto), do Sérgio Madureira. Ficou assim...

Na alegria radiante,
DUDU, diante de nós,
é prova viva e constante
de que a LUZ,... também, tem voz!

(Sérgio Ferreira da Silva)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Seguindo pelo corredor... de trovas!

Na postagem anterior, ao explicar o que era o "corredor polonês", não comentei a discutível utilidade "correcional", digamos assim, que muitos grupos deram e dão a ele. No entanto, as trovas que foram gravadas na madeira e dispostas no corredor do restaurante Don Tozzoni, são verdadeiras "bordoadas poéticas", um verdadeiro "espancamento" de sensibilidade, de engenho... e arte! Vamos a mais algumas...

A primeira, da
Elisabeth Souza Cruz, fala em camuflagem, vejam que interessante coincidência... ou não!

Declarar-me... nem me atrevo
com palavras mais ousadas,
e, assim, os versos que escrevo
são propostas camufladas!

Agora, um belo achado de Joaquim Carlos... O detalhe é que os Jogos Florais são realizados, mesmo, no Outono! Fala, Joaquim, meu velho!

Estamos em pleno outono,
mas teu perfume, deveras,
me faz pensar que sou dono
de todas as primaveras!...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Corredor Polonês... de trovas!


O chamado "Corredor Polonês" é uma estreita faixa de terra localizada na Polônia, que abrange grande parte do Rio Vístula. A posse da região passou
da Alemanha para a Polônia em 1919, imposta pelo Tratado de Versalhes. Popularmente, Corredor polonês é o nome dado a uma passagem estreita formada por duas fileiras de pessoas alinhadas lado a lado, todas voltadas para o centro (Fonte, com adaptações: Wikipédia).

No restaurante Don Tozzoni, em Nova Friburgo, há um corredor, a partir da entrada, que leva até o salão principal, onde estão dispostas as mesas. Nesse corredor, de ambos os lados, as paredes são ornadas com trovas de grandes trovadores brasileiros, entalhadas em madeira, sugerindo a forma de pergaminhos abertos...

Por ocasião dos L Jogos Florais, em maio/2009, estive na cidade e fotografei as trovas. Vou colocá-las aqui, paulatinamente, como uma homenagem à cidade e seus trovadores, que há 50 anos recebem poetas de todo o Brasil com hospitalidade, carinho... e um corredor de trovas!

A primeira trova a figurar no "corredor polonês" do blog é de autoria de Nádia Huguenin, que hoje é tão presente... em nossa saudade!


(foto by Sérgio Ferreira da Silva)


Obrigado, sempre, Nova Friburgo!



sábado, 1 de agosto de 2009

O baú e a máquina em pessoa!

Na postagem sobre o "Livro do Desassossego", mencionei um "baú de coisas". Pois bem, o Sérgio Bernardo - Autor do Livro já mencionado aqui, Caverna dos Signos. - (quando eu crescer quero ser que nem ele!) tirou uma foto desse baú quando visitou a casa do "Fernandão", lá na Pátria-mãe. Olha só o que o menino me escreveu hoje:

"Falou, Serjão
Fui lá conferir, de rabo a cabo... (nota do redator: olha a perspicácia do poeta, seguindo a ordem de publicação das postagens)...O blog tá show! (ele é que tá dizendo... hehehe!)
Vc falou no Fernandão, eu estive na última casa onde ele morou, hoje um centro cultural, a Casa Fernando Pessoa. Acho q fotografei o tal baú (ou mala) onde o Livro do Desassossego foi achado.


De quebra, sua 'máquina de escrever maravilhas'. Veja aí no anexo. Abrações do xará"

(Imagens by Sérgio Bernardo)


Maternidade de Rosas

(foto by Leila Rodrigues)


Conheço um trovador (aliás, um dos que mais influenciaram minha maneira de escrever trovas), que tem a "nacionalidade" trovadoresca reivindicada por duas cidades, São Paulo e Pouso Alegre... Coisa do Izo Goldman (embaixador paulista) e do Eduardo Toledo (atual presidente nacional da UBT), que, com muito humor, defendem suas respectivas UBTs! Na verdade, prova de carinho de ambos à pessoa ímpar e ao premiadíssimo trovador que é Héron Patrício. Quando recebi minha primeira premiação, em Friburgo, no ano de 1997, no tema Trambique (he he!), no tema Tristeza, o Héron sagrou-se primeiro colocado, no concurso nacional, com a trova seguinte, que é um espetáculo, uma inversão de expectativas, enfim, um Achado:

Eu me recuso, tristeza,
a conviver com teu mundo:
vida que tem correnteza,
não cria lodo no fundo!

Já que ainda não havia falado dele aqui no Blog, começo logo com duas trovas, sendo, a segunda, a que gerou o título da postagem, trova que foi agraciada também com um primeiro lugar em Pouso Alegre/MG, no tema Mundo, em 1998. Sua benção, Héron Patrício!


No Jardim, junto ao meu quarto,
o silêncio é tão profundo
que se pode ouvir o parto
das rosas chegando ao mundo!

(Héron Patrício - São Paulo/Pouso Alegre)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma lição... do Assis!



O grande tenor se cala
ante o pássaro silvestre.
- É o discípulo de gala
querendo escutar o mestre!

(Antonio Augusto de Assis)

A nitidez da noite


No filme "O Jovem Andersen (Unge Andersen)", a personagem título comenta, a certa altura, que apesar de imaginarmos que a escuridão reduz nossa acuidade visual, é à noite que enxergamos mais longe, porque podemos ver as estrelas, que estão a milhares de quilômetros de distância da Terra. Quantas vezes nós nos iludimos com o excesso de luz que é lançado sobre um determinado tema pelos meios de comunicação, nas conversas com amigos e nas escolas? Talvez seja necessário observar a vida um pouco mais através da transparência da noite, da reflexão íntima, ou seja, ver de olhos fechados! Que tal refletir um pouco? Feche os olhos... (texto publicado no "Livro da Tribo" - edição 2008/2009. - Sérgio Ferreira da Silva)

Saldo Positivo


As dores e os desencantos

não foram tantos assim...

Tua boca e os teus encantos

calaram bem mais... em mim!


(Sérgio Ferreira da Silva)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Insônia (2)

Postei, recentemente, um soneto chamado INSÔNIA. Hoje recebi um soneto do Venturelli (José Octávio), com nome diferente mas motivação idêntica. Gostei muito e pedi autorização para publicá-lo. Autorização concedida, com a boa vontade do mestre e amigo: "É Claro que VC pode publicar meu Soneto no seu Blog, no seu blig, no seu blag, e o nome é REVOLTA.
Um beijo pra VC e 'nas meninas'.
Márcia agradece.
O Véio Poeta !!!"

Então, lá vai, com a "pe
rmissa venia" do Véio mais jovem que eu conheço.


REVOLTA


É Madrugada ... A insônia, companheira
das velhas horas de recordações,
vai desfilando antigas ilusões
que me enganaram uma vida inteira.

A noite me entristece as emoções .
..
Sangram Poemas, líricas goteiras
de um coração perdido das razões,
onde a Tristeza faz sua trincheira.

Mas, em revolta, expulso os pensamentos,
e, então, eu durmo os últimos momentos
da noite que passou de luz acesa.

Não vou chorar as flores não colhidas.
Eu já me acostumei às despedidas...
Não quero as tuas lágrimas Tristeza !

Otávio Venturelli


Venturelli é o primeiro da esquerda para a direita, em Nova Friburgo (Maio de 2009) - Foto by Leila Rodrigues

_____________Cacildis!!!!!________________


A cidade de Bandeirantes, no Estado do Paraná, realiza um dos mais tradicionais concursos de trovas do Brasil. A UBT da cidade é chamada por Izo Goldman de "Clube da Luluzinha", graças ao grande número de trovadoras na cidade, todas com destaque no cenário nacional.

Bandeirantes realizou um concurso, em 1994, cujo tema foi "Palhaço". Naquele ano, o Brasil perdia um de seus maiores comediantes, O Mussum.

Antonio de Oliveira, meu "padrinho" na trova, sensibilizado com a perda, homenageou o grande artista com uma trova que foi vencedora naquele certame. Quem foi criança nos anos 70 tem o "mussa" no coração, como eu! A bela trova:


Não desistas, meu palhaço,
segue feliz para o além,
que entre os Anjos, lá no espaço,
há criancinhas também!

(Antonio de Oliveira)







terça-feira, 28 de julho de 2009

USP - 75 ANOS

Em 2009, a Universidade de São Paulo completa 75 anos e lançou um site comemorativo para marcar a data. São diversos informes abordando o papel da Universidade no cenário nacional, bem ainda alguns fatos relevantes de sua história. Paralelamente a isso, abriu espaço para que pessoas ligadas à USP pudessem divulgar registros fotográficos dessa história, sob o título "A USP É VOCÊ QUEM FAZ" eu e alguns amigos participamos e tivemos algumas fotos adicionadas ao site. Não vou colar nenhuma aqui, mas darei três pistas: Beatles, Nasi e Alunos da faculdade de letras. Apenas para instigar uma visita. O site é "www.usp.br/75anos" e a página inicial vai reproduzida abaixo...





segunda-feira, 27 de julho de 2009

O beijo


O beijo


O

que,

em mim,

te atrai?

- Nada! -

Nada? Nada.

Nada, mesmo? É, nada!

Nada? Sério? Sério, nada!

Nada? Nada.

Nada? Nada!

Nadada?!

Nada

?!




Insônia








Insônia


A madrugada deita-se comigo,

para mudar, de vez, a minha vida:

viro de lado e finjo que não ligo;

mas, ela insiste e beija-me - atrevida...


tento desvencilhar-me - e não consigo ! -

dos seus carinhos - busco uma saída ! -

e quando o sono nega o seu abrigo,

eu vejo, enfim, que a luta foi perdida.


Agora, insone, - o amor é o que me resta !

meu coração, vencido, não contesta

pois quer provar seus beijos - novamente !


Mas, tão intenso - e doce ! - é o seu calor,

que eu, de vencido, passo a vencedor

e durmo, nos seus braços,... - lentamente.


(Sérgio Ferreira da Silva)

domingo, 26 de julho de 2009

Livro do Desassossego




Uma das leituras - quantas e boas! - que fiz no primeiro semestre de 2009 (quase um exílio) foi de boa parte do Livro do Desassossego (Companhia das Letras), uma coletânea de prosa esparsa do Fernando Pessoa, recolhida de um baú de coisas encontrado depois de seu falecimento. O nome da obra não poderia ser melhor, são reflexões profundas do mestre, em pessoa (mania de trocadilhar - nem sei se o verbo existe!)! Abaixo, transcrevo o fragmento 212, curtíssimo e próprio a um blog que se dispõe, entre outras coisas, a pensar a poesia. Nele, também, toda a gênese da heteronímia...



"...212.
Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta."

Trovas de Guardanapo

Nos encontros de trovadores brasileiros, é costume a realização de pelo menos um jantar... Daí que alguém pergunta algo do tipo: "-Você conhece aquela trova do fulano?" Alguém, então, declama a trova, ou a escreve, para resgatá-la, aos poucos, da memória. E onde escrevê-la? No pedaço de papel mais comum dos restaurantes: a conta! Não! Não! No guardanapo!

Pois foi em Friburgo que minha filha, a Laura, teve uma idéia interessante, porque não fazer um livro de guardanapos. A idéia "pegou" e, em poucos minutos, grandes trovadores do Brasil inteiro estavam escrevendo sua trova preferida para ilustrar a primeira coletânea de trovas de guardanapo do Brasil.

Os guardanapos foram reunidos e lidos ali mesmo, no dia 16 de Maio de 2009. Digitalizei os guardanapos e o José Ouverney está revisando, para uma versão eletrônica. Aguardem!


Por enquanto, fiquem com a trova do Magnífico Trovador Arlindo Tadeu Hagen, um refinado aperitivo, antes do "jantar poético" que se aproxima!

Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus.
se não for por meu amor,
fica, pelo amor de Deus!

(Arlindo Tadeu Hagen)