quinta-feira, 16 de agosto de 2007

..........Trovadores do Campo..........

Os "Trovadores do Campo" são esses dois sujeitos aí do lado: Campos Sales e Pedro Ornellas. No final de Maio de 2007, gravamos uma participação no programa "No alto da Serra", do Elói Carlone, da Estância Alto da Serra, que foi transmitido e reprisado pela SKY Internacional, no canal Terra Viva. Passou em toda a América Latina e até nos States! Eles cantaram músicas de seu CD e falamos de trovas e trovadores. A participação, a princípio, seria de 30 minutos, mas fizemos um programa de 1 hora... Esse dois têm cada trova! vou mostrar uma de cada, por enquanto:

Do Campos:

Foi juntando os pedacinhos
de cada sonho desfeito,
que as mágoas fizeram ninhos
na varanda do meu peito!

Do Pedro:

Se o erro ficou distante,
seja pleno o teu perdão:
não se cobra ao diamante
seu passado de carvão!

Os dois são consagrados trovadores e detêm o título de Magníficos Trovadores, concedido pela cidade de Nova Friburgo/RJ.



ÃO ÃO ÃO ÃO

Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... Em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas, o que são!
...
(Sérgio Ferreira da Silva)
...

Dizem que não é muito bão fazer rimas em ão...
Então, de posse dessa questão (e tendo outra opinião),
decidi provar... que não!

.................Uma trova especial................

“Sempre tua...” e, em meus palpites,
eu suponho, um tanto louco,
que, em meu amor sem limites,
“Para sempre...” é muito pouco!
Sérgio Ferreira da Silva
.............
Fiz essa trova para o concurso nacional de Guaxupé/MG. O tema proposto pelo organizador (Antonio Claret Marques) era "sempre" e eu pensei, num primeiro momento, em falar daquelas cartas românticas em que os signatários terminam com "...da sempre tua...", ou "...do sempre teu...". A trova tomou outra dimensão quando incluí a resposta do destinatário. Passados alguns anos, um jornal, em Santo André, promoveu um concurso de frases em que os leitores deveriam completar a frase "Meu amor é...". Mandei: tão louco que, mesmo sendo para sempre, isso ainda é muito pouco!" Batata!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007





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Notou o ponto?







É o título!







Sérgio Ferreira da Silva

TO CONJUGATE



Eu deleto
Tu restartas
Ele scanneia
Nós downloadeamos
Vós backupiais

Ele$... lucram!


Sérgio Ferreira da Silva

Uma trova ecológica de Antônio de Oliveira

Queimado, o arbusto parece
ter, nos galhos, a expressão
de mãos, que postas em prece,
rogaram clemência... em vão!

(Antônio de Oliveira)


*** O Zé (apelido pelo qual nós dois nos chamamos) é um amigo de longa data (1979). Foi por culpa dele que comecei a fazer trovas e não parei até hoje. Tem trovas magníficas, que postarei aqui. Essa trova dele ganhou um concurso nacional (intersedes), cujo resultado aponta apenas 1 vencedor por edição (é um dos mais cobiçados do Brasil). O tema proposto foi PRECE. Espero que o Greenpeace a descubra algum dia!

Heliotropia


Nascido em meio às flores do jardim,
aquele girassol já foi feliz:
na casa ao lado, o aroma de jasmim
e, à sua frente, a torre da Matriz...


A luz do sol (nascendo) era um cetim,
trazendo brilho e força ao seu matiz...
No pôr-do-sol, banhava-se, por fim,
de um só vigor, das folhas à raiz.


Mas, hoje, no lugar das alvoradas,
há prédios, com piscinas e sacadas,
erguidos nos jardins de outros quintais...


E, agora, quando surge, ao meio-dia,
o sol esparge a luz da nostalgia,
embora o girassol não gire mais...

Sérgio Ferreira da Silva
*** A imagem é de um dos quadros da série de girassóis pintadas pelo mestre Van Gogh (no caso, um dos três quadros com 15 flores)
Heliotropia é a qualidade que algumas plantas têm de acompanhar o aparente movimento do Sol na abóbada celeste - Gosto muito desse soneto - as rimas em "a" e "i" somente.

CHEGA!!!



Nunca mais farei poemas...
nem de amor,
nem de saudade...

E, ao olhar o pôr-do-sol
com olhos de escriturário,
vou arquivar o arrebol
n’alguma pasta suspensa...

E por falar em suspender,
eu nunca mais vou perder
noites de sono, em vigília

tentando achar algo novo;
escrevendo e riscando;
escrevendo e riscando;
escrevendo... e...
isso... isso mesmo! Ficou bom!

CHEGA!!!

Agora, eu vou dormir...
Boa noite!

Sérgio Ferreira da Silva

UMA BARAFUNDA NA BARRAFUNDA*


Um “portuga” amigo meu,
chamado José Maria,
contou-me o que aconteceu
com ele, num certo dia:

Encontrou o amigo antigo,
em qual ano, não me lembro...
mas, a data, eu já lhe digo:
vinte e quatro de dezembro !

Daí, p’ro convite, um passo:
“-Vou dar uma festa em casa...
(e o José caiu no laço !)
...no Natal a gente arrasa !”

Sem desconfiar da prosa,
foi preso na trama imunda...
seguiram, num fusca rosa,
p’ros baixos da Barrafunda.

Chegando, então, no destino,
olha o que o amigo lhe fez:
sapecou, num desatino,
um beijo no português !

José Maria, de susto,
jogou-se todo p’rá trás
e caiu sentado, justo,
no colo de outro rapaz !

Um corre-corre sem nexo,
gritaria e confusão:
José correndo do sexo,
que vinha na contramão...

Mas, um vizinho escaldado,
por maldade, ou por malícia
(que é primo de um delegado),
ligou, logo, p’rá polícia...

Levado à delegacia,
pelado, em pleno Natal,
quase teve, o Zé Maria,
um piripaque fatal !

O Delegado, entretanto,
percebeu, no tom do fado,
que o Zé Maria era um Santo
e o amigo, um transviado.

Resolveu por panos quentes
dando, assim, o veredicto:
fica tudo no entrementes,
o dito, pelo não dito !

Mas o “portuga", hoje em dia,
anda só de Marcha-ré:
“-Não sou mais José Maria,
sou a... Maria José! "

Sérgio Ferreira da Silva
*Premiado no I Concurso Carlos Drummond de Andrade de Gêneros Literários – Categoria Poema

BRANCO, VERMELHO e PRETO

Amanheceu... A luz se faz presente
e as cores todas, num balé de sonho,
querem tingir a tela da esperança,
que espera nua e pura o seu futuro.

A tarde chega e pulsa provocante,
impulsionando a vida ao seu destino...
Exuberante e plena de alegria,
na vibração eterna do Universo!

E quando a noite vem cobrar seu preço,
e as cores todas vão buscar estrelas,
o sonho dorme ao lado da esperança
que o acalanta,...
até o Amanhecer.

Sérgio Ferreira da Silva

*****Há um dado interessante nesse poema: A Leila organizou uma Instalação Artística com seus alunos (EE Julieta FArão) cujo tema era "A linguagem das cores", em que os alunos prepararam três ambientes com as cores. O poema foi exposto no corredor de entrada.

NOSTALGIA VERSUS MODERNIDADE



 
Uma raposa andava, distraída,
num Shopping Center, quando, de repente,
pôde avistar, bem próxima à saída,
uma galinha, gorda e sorridente.

(Falava, ao celular, descontraída...)
Eis que a raposa - muito humildemente -,
aproximou-se e disse: “- Olá, querida!
É muito bom revê-la, assim, contente!...”

Com crueldade, então, Dona Galinha
quis esnobar a pobre raposinha:
“Fiz faculdade e muita economia!”

Ferida em seu orgulho (e esfomeada!),
Dona raposa, em uma só dentada,
deu, ao moderno, um ar de nostalgia...


Sérgio Ferreira da Silva

***** Esse soneto foi inspirado nas "Fábulas Fabulosas", do Millor. Mandei para ele por e-mail e, surpreendentemente, ele respondeu! Disse que gostou e coisa e tal... (um instante memorável: a atenção do ídolo - Freud deve explicar!)
 
 


Sobre manias e coleções

Eu não coleciono nada. Quando eu era garoto, até, mais ou menos, meus treze, catorze anos, acreditava ser um colecionador de gibis: angariei algumas centenas de exemplares, alguns raros (pouquíssimos), mas não os mantinha comigo, trocava, comprava, presenteava... Na verdade, meu prazer maior era a leitura, e eu não mantive a predileção pelas Histórias em Quadrinhos, que foi, aos poucos, substituída pela leitura de clássicos infanto-juvenis (O Escaravelho do Diabo, por exemplo), por versões romanceadas dos clássicos gregos (Ilíada e Odisséia), e pela fascinante ficção científica (Isac Asimov, Ray Bradbury, etc.). Na época do colégio, virei um rato de biblioteca e li (e adorei) Machado de Assis, José de Alencar, Ignácio de Loyola Brandão, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Millôr, Leon Eliachar, Stanislaw Ponte Preta, ou seja, tudo o que havia para ler, e que o meu tempo integral permitia. Cursei Direito e, então, descobri outras áreas: Sociologia Jurídica, Filosofia do Direito, Medicina Legal, Direito Penal, Civil, Trabalhista, Constitucional,...
Com a Faculdade de Direito, duas coisas que eram apenas um passatempo, ler e escrever (escrevia, e guardava na gaveta, poemas, sátiras e pensamentos), tornaram-se um exercício diário, uma forma de sobrevivência. Para relaxar de tanta leitura técnica, li bastante poesia (João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, e muita gente boa...). O tempo foi passando, passando... Já fui advogado e, agora, sou servidor público (na área jurídica). Continuo lendo e escrevendo, muito e diariamente. Escrevo poesia e prosa, com mais seriedade (tenho alguns poemas e contos publicados em coletâneas e na internet). E estou cursando Letras (calouro 2006).
Como eu disse no início, eu não coleciono nada, mas depois de 45 anos sobre a superfície desse nosso planeta, 38 deles como leitor e arriscando escrever algumas linhas, posso dizer que, pelo menos, tenho duas manias: ler e escrever.
Ou será que eu coleciono palavras?