quinta-feira, 6 de novembro de 2008

No princípio, era MATRIX...



EVOLUÇÃO

“No sexto dia, Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança, sem furo nenhum atrás da cabeça!”

(autor desconhecido)

(No meu sonho, as letras e números verdes caem à minha frente, girando sobre o próprio eixo. Isso me acalma).

- Tudo, no universo, resulta de uma lógica superior, um código não visível, inexplicável. Caminhamos, quer dizer, a humanidade caminha lentamente em direção à evolução, mas eu não posso esperar! A trilha evolutiva se estende por inúmeras gerações e, infelizmente, eu só tenho uma vida!

- Mas isso nunca foi feito! O que o senhor está querendo fazer é pura fantasia... É loucura, é...

- Ficção Científica!

- Nós não podemos... O senhor não pode...

- Doutor, no início do século vinte, disseram a Santos Dumont que voar era impossível,... mas ele tinha um sonho! E sonhava acordado, como eu! A diferença entre nós dois é a de que ele podia executar seus planos e voar em seus protótipos. Eu, entretanto, necessito de cirurgiões, anestesistas, enfermeiras, um hospital, etc...

- O senhor pode morrer! Pode sofrer lesões irreparáveis, pode...

- Posso, não, doutor: eu VOU morrer, um dia! Um dia! Faça! Simplesmente, faça!

- Senhor Silva,...

- Pode me chamar de Neo!

- Uma grande empresa japonesa já patenteou um dispositivo que envia estímulos eletro-magnéticos ao cérebro, de forma não-invasiva... Mas, o que o senhor quer é que implantemos em seu cerebelo um receptor de impulsos, no estilo daquele filme!

- Matrix! Isso mesmo! Finalmente o doutor entendeu!

- É uma brincadeira, não é? Tem uma câmera escondida, em algum lugar?

- Vou ser mais claro: se vocês não fizerem a cirurgia, vou parar de fazer doações ao seu hospital!

- Mas... nós dependemos de suas doações, senhor Silva, quer dizer, Neo!

- Fique tranqüilo, doutor, já fiz meu testamento! Caso eu morra, ou tenha qualquer seqüela, o hospital receberá, mensalmente uma boa quantia, por várias décadas! Mais do que recebe hoje!

- Sendo assim, senhor Sil... NEO, não me resta alternativa, a não ser concordar. Me diga, somente, o que o levou a acreditar que uma história como a do filme poderia tornar-se realidade?

- Doutor, desde Júlio Verne, os escritores e roteiristas de ficção vêm antecipando a invenção e desenvolvimento de aparelhos, máquinas, armas e veículos que, hoje em dia, são considerados úteis e imprescindíveis para a vida cotidiana. Chegará o dia em que o Homem será teletransportado a qualquer lugar, e que as doenças serão diagnosticadas com aparelhos portáteis semelhantes àqueles usados pelo Doutor McCoy, da série Jornada nas Estrelas... A ressonância magnética não é quase aquilo?

- Nisso você tem razão, Neo!

- Então, doutor? Estamos combinados? Podemos fazer a cirurgia na próxima semana?

- Podemos, claro! Daqui a seis dias! Pode me entregar o protótipo do aparelho receptor. Vamos implantá-lo em seu cerebelo, tomando todo o cuidado para que não provoque nenhuma lesão, além daquelas inevitáveis, já que se trata de um processo invasivo!

- No futuro, eu sei disso, poderei aprender a pilotar helicópteros, usar armas poderosas e lutar como um mestre das artes marciais, “plugado” a um software de aprendizado, graças ao senhor. Muito obrigado, doutor!

- Pode me chamar de Morpheus!

- Boa! Muito boa! Há! Há!

...

- Doutor Morpheus, como está o paciente do implante? Na mesma, ainda?

- Já te falei para não me chamar de Morpheus!

- Quanto tempo já faz? Doze? Treze?

- Quinze! Quinze anos!

- Ele nunca reagiu?

- Olha, para falar a verdade, depois que eu coloquei um monitor na frente dele, com a proteção de tela do filme, aquele com as letrinhas verdes caindo, ele nunca mais teve convulsões!

Sérgio Ferreira da Silva

Um comentário:

L. disse...

hahahahaha
muuuito bom!